• @richardsongaarcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 28

- O carro está pronto, só aguardando vocês. – Camilo abre a porta.

- Heitor vamos. – Desligo a TV.

Descemos para o estacionamento e seguimos com alguns carros por segurança, e de tudo que estava ao lado de fora.

No caminho o meu celular chama era o Caio;

- E ai mano, beleza?

- Fala Caio, já chegou em Portugal?

- Já sim, acabo de chegar no hotel do clube, como está?

- Meio preocupado cara, muita coisa para fazer.

- E seu pai? É verdade o que estão dizendo?

- Sim.

- Mano meus sentimentos, cara fica bem.

- Obrigado.

- Está com Heitor? Manda um abraço para ele.

- Pode deixar.

- Mano fica com Deus, e que tudo dê certo, sei que tem cosias para resolver aqui.

- Tenho sim, minha formatura na próxima semana, mas tenho que resolver isso aqui é mais importante.

- Claro, fica bem.

- Obrigado.

- Era o Caio?

- Sim, mandou abraço e forças.

- Valeu.

Guardo o celular e esboço;

- Porra esqueci de perguntar do Samuel.

Pego novamente, desbloqueando, e Heitor diz;

- O seu amigo Trans?

- Sim.

Ele se ajeita no banco e segura minha mão;

- Não é uma boa hora, mas Guto ele está na UTI.

Sinto a área do meu nariz inchar, e tentar “escoar” pelos olhos;

- Como assim, que aconteceu?

- Foi fazer uma cirurgia para colocar o silicone, mas ele tem uma doença que demora para a recuperação, o Kleber sabe te explicar melhor.

- Puta que Pariu! – Abaixo a cabeça entre as pernas.

Sabe que eu estava fazendo? Segurando a emoção por causa do Heitor, não poderia me apavorar nesse momento. E claro por causa do meu pai eu estava mais sensível ainda.

Os carros entraram no estacionamento do hospital, e eu desci antes do Camilo abrir a porta;

- Com cuidado Guto. – Ele fala.

- Cadê o Kleber? – Pergunto.

- No carro de trás.

Eu mesmo abro a porta do veículo que ele estava ao telefone;

- (...) Eu falo sim.... Desculpe calma aí. – Ele segura o telefone. – Tudo bem?

- Não, não está quero falar com você. DESCE LOGO.

- Te ligo depois. – Ele guarda o telefone assustado. – Que aconteceu com Samuel? Porque não me falou nada?

- É Helena agora Guto.

- Foda-se, como ele.... Ela está? – Vamos seguindo com os seguranças.

- Está bem, passou pela cirurgia, e está na UTI, vai ficar em observação por alguns dias, para melhor recuperação. Ontem vi ela e está bem, calma.

- Porra Kleber! Vamos visitar ela quando sair daqui beleza. ELA? – No elevador eu exclamo.

- Sim, ela conseguiu toda a transformação. Mas ninguém consegue entrar, só a mãe.

- Eu vou mesmo assim.

O elevador abriu e segui com Camilo e Heitor até o quarto. Eu e meu irmão entramos e ele fecha a porta.

Heitor senta do lado esquerdo segurando a mão dele e coloca próximo ao rosto, ele fica calado, mas as lagrimas desciam pelo seu rosto.

Me julguem!

Eu não consegui encostar nele, estava próximo, com ambas mãos na cama, as duas, mas toca-lo não!

O mais estranho para mim, de tudo era sentir sua presença, que ele somente estava dormindo, era uma sensação muito estranha, me deixava desconfortável.

Não sei explicar, mas creio eu que pelo meu irmão algumas lagrimas desceram, não me segurei;

- Você consegue sentir ele? – Heitor pergunta.

- Sim, como se.... Se ele fosse acordar e gritar comigo.

Ele abre um sorriso e diz;

- Mano eu não sinto nada, eu vejo ele, sinto seu toque, mas é como se ele não estivesse aqui.

- Heitor você está muito preocupado e com a cabeça cheia, duvido estar conseguindo raciocinar direito! Mano eu sinto, como disse ele está aqui, e sabe que estamos aqui.

Heitor só gesticula que sim com a cabeça.

O Gabriel chega, pedindo licença e traz um papel;

- Meninos, quero a autorização de vocês para divulgar o laudo para a imprensa!

Meu irmão pega a prancheta sem dizer nada e assina, eu pego e faço o mesmo, rubricando ao lado da sua assinatura.

Gabriel deixa a prancheta na mesa perto da porta e senta do lado do meu irmão;

- Heitor, escuta. – Meu irmão olha para ele, limpando as lagrimas. – Seu pai não morreu! Ele está aqui, comigo, com seu irmão, ouvindo a gente, ele pode não demostrar com o toque, olhar ou sorriso, mas está ouvindo e sentindo nossa presença.

- Eu não sinto ele.

- Não precisa, só imagine os momentos bons que esteve com ele, é o que importa. Quando estiver aqui, converse, fale, sorria, conta seu dia a dia, ele vai gostar de ouvir.

- Obrigado.

- Vem aqui.

Gabriel se levanta abraçando ele. Quando ele se afasta eu pergunto;

- Gabriel que a gente fala para a nossa mãe?

- A verdade.

Eu só confirmo com a cabeça, pois seria outra tarefa difícil;

- Eu irei sair agora senhores. Se precisarem só me ligar. E irei acompanhar o quadro do pai de vocês de perto, assim como da Dona Nice que está muito bem por acaso.

- Obrigado.

Nós dizemos juntos.

Novamente ficamos sozinhos e Heitor limpando as lagrimas, a respira fundo, me olhando;

- Ele não iria gostar de estarmos parados se lamentando. O Gabriel tem razão, ele está vivo. Guto quero a leitura do testamento.

Puta que pariu!

- Tem certeza?

- Sim.

- Então estou com você.

Eu abraço meu irmão, apertando ele que diz;

- Por favor não me deixa cara.

- Nem se você quiser, sou sua cruz, rsrs.

- Eu te amo, você é tudo de mais importante para mim Guto.

- Eu também te amo viado.

#Kleber

Eu estava do lado de fora com o Camilo, tinha uns seguranças no corredor também.

- Que está vendo aí? – Ele pergunta.

- Gabriel está fazendo a coletiva de imprensa agora. – Mostro o celular para ele.

- Que acha?

- Que eu acho Camilo? Que Heitor está passando pelo pior momento de sua vida e acredite, vai demorar a melhorar.

- Ele vai precisar de você.

- Não mereço ele não, pisei feio na bola.

- Ele gosta de você, te perdoa.

- Eu não sei.

A porta se abre, e os dois saem abraçados;

- Podemos? – Guto pergunta.

- Claro. “Estamos descendo”. – Camilo fala o nosso rádio.

Meio que saíram dois irmãos diferentes do quarto, tinha um sorriso no canto da boca deles.

Bem aqui o elevador vai até a recepção e depois, pegamos as escadas para o estacionamento.

Quando o elevador abriu o Heitor olha para fora, a uns dez metros, através da porta de vidro a aglomeração dos jornalistas;

- Gabriel já fez o comunicado? – Ele perguntou.

- Sim.

- Camilo eu e meu irmão vamos falar com eles. – Heitor olha para a gente.

- Por favor não, podem se complicar ainda mais, e nem temos a autorização do concelho para fazer isso. – Falo assustado.

- Precisa entender Kleber que o conselho não manda na sua vida. É um concelho, não uma ordem. Entende.

- Sim Augusto. – Fico calado.

- Um momento senhor. – Camilo diz.

Eu já estava engolindo seco, estava bem receoso. Então quatro seguranças foram para fora, fizeram um cordão, e seguimos, Heitor, Augusto, Camilo, eu e o Matheus, que estava por acompanhar o Machado.

Já passei algumas vezes por isso, mas dessa vez era muita gente meu Deus. Tantos microfones que estavam até apontados para o céu, eles se empurrando e brigando entre si.

As câmeras batendo umas nas outras, e as fotos, era a única coisa que se ouvia.

O Augusto levanta a mão, como sinal para eles fazerem o mínimo de barulho possível;

- Não iremos responder nenhuma pergunta, desculpem não estamos bem para uma coletiva. Mas na nossa posição, devemos uma declaração para vocês. – Ele fala excepcionalmente bem.

Meu telefone já tocava, era o Edson, eu ignorei, porque ele iria me xingar tudo.

Então eles fizeram muitas perguntas, e o Heitor levanta as duas mãos;

- É um momento doloroso, e que nunca imaginamos passar. A dor que estamos sentindo é indescritível. A pouco disse ao meu irmão que nosso pai não iria gostar de ver a gente sentado se lamentando. Informo a vocês que iremos trabalhar para a normalização imediata. Obrigado.

Saímos com uma avalanche de perguntas. Sempre tinha a parte engraçada desses momentos de quebra de protocolos, o Camilo.

0 visualização
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia