• Richardson Garcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 27

Pelo que estava sabendo dos dois, eu meio que deixei eles um pouco juntos.

Quando sai do banheiro o Camilo já estava por lá;

- Bom dia.

- Bom dia Guto.

- Temos que ir para a AFAIR cara. – Heitor fala quando entro.

- Como assim?

- O concelho quer que tomem alguma atitude antes que saia do controle. – Kleber diz.

- Meu Deus, cadê a compaixão desses caras.

- Eles esquecem quando tem dinheiro envolvido. – Camilo diz.

- Vou comer e me trocar. – Falo sentando. – Está bem? – Olho meu irmão.

- Sim, só estou com medo do rumo que isso tudo pode tomar.

- Não pensa nisso agora beleza. – Me sirvo de café.

- Primeiro a mamãe, depois o papai, que está acontecendo.

- Heitor, ninguém morreu! Kleber temos mesmo que ir, meu irmão não está bem para enfrentar aqueles caras.

- Se não comparecerem eles tomam as decisões sozinhos. É bem pior.

- Beleza.

A gente terminou de comer, e fomos se trocar, eu estava até meio folgado, mas tinha toda a imprensa em vários pontos, mesmo fazendo trajetos protegidos, poderia correr o risco de ser fotografado de bermuda em “trabalho”.

E ao amanhecer dessa segunda-feira aqui no Rio, não se falava em outra coisa! Era uma pressão do caralho sobre a economia e sobre o futuro da empresa, e todos cheios de incertezas, pois o Gabriel ainda não foi autorizado a divulgar o laudo.

Seguimos para a AFAIR, voando, pois era quase que impossível chegar lá de carro, por questão de segurança e logística.

Tinha três anos e noventa e dois dias que eu não pisava naquela empresa.

Cheguei com meu irmão descendo para o andar onde ficava somente a sala do meu pai. Estranhamente o Kleber me segurou, para não descer no mesmo elevador que o Heitor.

Primeiro foi ele com alguns seguranças e ficamos aguardando;

- Quero falar com você!

- Diga.

- Heitor não está nada bem, e pode falar ou fazer merda. Augusto tem que me ajudar, por favor.

- Eu vou, é meu irmão.

- Não deixem que façam o que quiser, você conhece essas pessoas.

- Kleber, relaxa. – Seguro em seus braços. – Vai acabar tudo bem.

O elevador chegou e descemos, mas direto para a sala de reuniões, nós dois fomos meio que escoltados pelos seguranças, porque aquilo estava impossível.

Era como um pregão de ações, gritaria para todos os lados, gente subindo e descendo, passando de um lado para o outro.

E claro quando passamos todos olharam com pena, e dó. Falando e dando a entender que estavam tristes.

Entremos na sala, e Heitor se senta ao lado do Deputado Henrique;

- Camilo assume isso e limpa esse andar, ninguém que trabalhe aqui pode ficar, se precisar usa força física. – Falo para tentar organizar aquilo.

Não havia condições para fazer uma reunião daquele jeito.

Ele acionou a segurança interna, quase que fazendo um cordão de contenção para as pessoas irem se dispersando.

Valquíria. Edson. Elias. Deputado Henrique. Heitor. Eu e mais 18 acionistas, e 22 assessores e secretários, com mais 7 seguranças pessoais.

- Então, senhores, vamos começar. – Henrique se levanta.

- Não, não vamos, todos vocês, seguranças. FORA! – Me levanto apontando.

Saíram reclamando, alto mais saíram.

O Thiago, creio que sabem de quem se trata advogado responsável pela empresa e família chegou na sala, e seu olhar veio direto para mim.

O Doutor Gabriel foi o último a chegar;

- Todos concordam que seja melhor o Gabriel iniciar com a notícia para o concelho? – Edson pergunta.

Todos levantam a mão em concordância, e ele então seriamente fala;

- Estou com o Diagnóstico do Senhor Machado, o seu quadro de AVC evoluiu para um Aneurisma, mesmo com uma cirurgia, para salvar sua vida, ele não voltou. Depois de uma bateria de exames. Ele se encontra em coma profundo. A chance de que ele possa acordar é perto de 0,01%.

- É o diagnostico oficial? – Valquíria pergunta.

- É o final, eu irei ficar no aguardo do concelho para divulgar o mesmo, até para meus colegas profissionais da área.

- Tudo bem, Edson o que o regulamento do concelho diz em uma situação dessa? – Henrique pergunta.

- Bem, a leitura do Testamento!

- Existe um testamento? – Pergunto.

- Sim. – Heitor e Thiago respondem.

Mas todos olham para o Thiago;

- De acordo com a lei, o testamento só pode ser aberto quando houver a morte.

- Ele não morreu! O quadro foi o que expliquei a vocês, só muda irá se caso a família optar por desligar os aparelhos. – Ele gesticula para nos.

Antes mesmo de Heitor falar eu digo;

- Essa opção não é cogitada.

Todo mundo fica meio que espantados;

- Essa reunião tem o propósito de estudarmos uma saída para o salvamento dessa companhia. É triste, estamos sem o Machado, e eu entendo e lamento por vocês meninos. Mas estou sendo duramente pressionado pela bancada econômica do governo. Esse Centro Empresarial não pode ficar sem um comandante, então indico que votamos para alguém assumir o posto. – Henrique discursa.

- É ilegítimo uma votação como essa. Machado está vivo, e a única forma para fazer isso já foi explicada! Se ele deixou a empresa para um dos filhos, e o concelho colocar outra pessoa estaríamos cometendo um crime.

- Tudo bem então, Thiago fala você, qual é a saída para algo assim? – Henrique fica meio pilhado.

- Não tem senhor.

- Como não!

- Talvez com a autorização dos meninos, podemos em nome do concelho abrir um processo, para que assim um juiz autorize a leitura do testamento, mesmo com a situação medica de Machado!

- Isso é possível?

- Podemos tentar.

- Então o que nos dizem? – Henrique, e todos encaram a gente.

- Quer que eu respondo isso agora? – Heitor pergunta para ele.

- Precisamos tomar uma atitude, ou...

- Ou o que? Vai perder mais dinheiro? Escuta, todo mundo aqui está perdendo algo, alguns empregos e outros dinheiro, mas não vi nenhum de vocês que perderem um pai ou uma mãe como eu e meu irmão, então se caso querem que seja tomado uma atitude como essa, sejam humanos e nos deem tempo, porque desde que eu cheguei esse bando de urubus dessa mesa não deixam a gente respirar em paz! Agora se querem uma posição positiva, minha ou do meu irmão, nos deem um tempo.

- Pois bem, reunião encerrada! – Henrique diz.

Camilo segurou eles para que nós saíssemos primeiro. Subimos para a sala só eu e meu irmão.

A entrar ele pergunta;

- Que você acha?

- Que devemos ir no hospital.

Ele me olha ao lado da mesa e diz;

- Está sofrendo?

- Mais do que eu imaginei.

- Ele gostava de você, mas do jeito dele.

- Não vamos entrar nesse assunto agora tudo bem.

A TV estava ligada, e o jornal falava de Heitor, como de costume estava no “MUDE”.

Ele pega o controle na mesa e aumenta;

- Deixa isso mano. – Falo para ele.

“- O Império em Declínio! Iniciamos a edição dessa manhã de segunda-feira do Bom Dia Brasil com a informação que o Bilionário Machado Norato Montanari está em coma profundo. Vamos ao vivo agora para o hospital Samaritano da Barra.

- Bom dia Chico, bom dia a todos. Como vocês podem ver a aglomeração da imprensa aqui em frente ao hospital é gigantesca, é aguardada a visita dos filhos, Heitor e Augusto. Uma fonte aqui do jornal disse que os irmãos foram para o Centro Empresarial da família, em uma reunião extraordinária com o concelho. Já o Senhor Machado passou por uma cirurgia na madrugada de Sábado para domingo como foi mostrado ontem no Fantástico. Mas a notícia só veio à tona essa manhã do seu quadro de saúde. Lembrando que o diagnostico oficial do médico da família ainda não foi divulgado.

- Obrigado Clarisse.

- Agora vamos falar com Eliana que está em frente ao Centro Empresarial e nós vai atualizar como andas as coisas por lá... Bom dia Eliana.

- Bom dia Ana Paula, Bom dia Chico, Bom dia a todos que nos acompanha. Bem como a Clarisse disse, sim os irmãos estão aqui no Centro Empresarial da família. Não se pode enfrentar o estado de Machado como uma morte, e isso que causa toda essa instabilidade, no início do Bom Dia Brasil o pregão abiu e já em queda, especialistas dizem que será assim durante o dia, e se não houver nenhuma novidade será a semana em queda. O que quero dizer é que o governo agora pressiona aos executivos para que tomem uma atitude para congelar esse movimento do mercado, pois na última semana a bancada econômica de Brasília comemorava os novos ares que o Brasil estava entrando nesse momento de incertezas. Ana Paula é com vocês aí no estúdio.

- Obrigada Eliana.

- Vamos para um breve intervalo e voltamos em dois minutos! Com mais detalhes, e durante toda a programação da rede globo iremos atualizando a todos. ”

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