• Richardson Garcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 24

Algumas Semanas Depois - Sábado dia 5 de Março do ano de 2021.

#Augusto

- (...) Mas o que ele disse Caio?

- Mano, vou ter que ir para Portugal.

- Beleza, mas que acha?

- Guto é o Benfica, um dos maiores do mundo né!

- Sim, para a cassete.

- Mano conversei essa manhã toda com minha mãe e vou aceitar a proposta.

- Também acho ser positiva! Se vai receber nesse tempo, com alojamento e depois de assinar ainda estudar.

- Sim, foi o que mais pesou para mim.

- Faz o seguinte, pede uma semana para ele e vai no Brasil ver sua mãe, e quem sabe organiza para ela vir pra Europa.

- Não tinha pensado nisso cara.

- Pois então!

- Senhor estamos chegando. – O Motorista nos interrompe.

- Mano isso aperta muito. – Caio mostra a gravata.

- Haha’ calma quando começar a fazer calor.

- Sorte que aqui e frio para caralho.

- Chegamos. – Olho pela janela.

- Puta que me pariu, vou ter que descer também? – Caio se aproxima.

- Vai ué.

- Mas e esse essa gente perguntar algo, não sei falar essa língua.

- Rsrs, relaxa. Eu te ajudo.

Havíamos chegado em uma festa que acontecia horas antes do desfile, mas esse evento já era no local, que é o Museu do Louvre.

O motorista abre a porta e havia o tapete e uma parede de jornalistas e fotógrafos.

Caio desce junto a mim, e seguimos primeiro parando para algumas fotos e então a responsável do local, direcionando a gente para os jornalistas cadastrado.

Me lembro de falar com dois Franceses, um italiano, mexicano, americano e deixamos os brasileiros para o final, eu sabia o que me esperava;

- Bom dia Augusto, Clarisse correspondente da Globo News aqui em Paris. Que tamanha é essa ansiedade para alguém que ainda não se formou e ter um espaço na passarela mais famosa do planeta?

- Não foi fácil Clarisse, mesmo ainda sem me formar, de acordo com as tradições. Eu considero isso aqui um marco. Representar a Escola de Moda de Esmond, é um grande prazer e honra.

- Entre as maiores está a empresa de sua mãe a Nice Petrini desfila pela primeira vez sem estarem no comando dela, você já viu a coleção? Sabe o que esperar?

- Não, eu não vi Clarisse, e quero assim como vocês deixar para me surpreender como todos os anos! Minha mãe não estar aqui, não ter desenhado ou costurado o que virão hoje, não quer dizer que ela não esteja aqui. Não é por acaso que a marca leva seu nome.

- Um Spoiler sobre sua coleção?

- Espero que estejam prontos! – Falo sorrindo.

- Obrigada.

- Eu que agradeço.

Ainda falei com mais 4 repórteres brasileiros e no fim liberados, entramos no local;

- Eles só ficam aí para falar mal?

- É o trabalho deles, mas calma que vai piorar um pouco.

Entramos nos servindo de algumas bebidas, e fui falando com algumas pessoas, até achar a galera do meu colégio que pode estar no evento, decidi ficar com eles, para Caio estar mais à vontade.

Houve alguns discursos e uma previa do que encontraríamos logo mais.

Encostado em um parapeito, conversando com os meninos, chega um senhor com um assessor no meio de nós;

- Augusto? – Ele fala com sotaque latino.

- Sim. – Respondo olhando indiferente.

- Este é o Deputado Federal Henrique Argollo, Co-Presidente do Centro Empresarial Montanari Petrini. – Seu assessor disse com um sorriso, algo bem estranho.

Meus amigos não entenderam é claro, por causa do sotaque.

Ele estende a mão, eu olho para seu movimento e digo;

- Meu pai que ocupa esse cargo.

- Não no momento. – Ele fala com um sorriso recuando a mão que ficou com vácuo.

- Posso ajudar?

- Vim te parabenizar pois talvez consiga em um dia afundar o que sua família demorou a vida para conseguir.

Ele falou muito sarcástico, como que se de certa forma estivesse realmente comemorando;

- Escuta Henrique, eu não tenho essa sorte toda, mas te garanto que ainda vou conseguir fazer isso. E cara que você ainda esteja lá enfiando seu belo dinheiro roubado.

- Não partilho dessas práticas ilícitas!

- Ai meu Deus, era só isso ou vai puxar mais o saco?

- Não, só queria olhar para você e ver se passa esse medo todo que eles retratam no trabalho.

- O desfile vai começar em breve, aguarde e verá.

Ele virou as costas saindo, e depois de alguns metros pegou o celular, creio que para ligar para o Brasil, pois esse aí eu não me enganava. Não vale nada;

- O que ele falou é verdade? – Caio pergunta.

- Não, a imprensa pode especular, e eles estarem com medo, meu pai e o Heitor estarem mais. Só que eu sozinho não consigo ir contra o time dos estilistas.

- Então não tem como atrapalhar?

- Não, porque o que vou mostrar é uma forma de protesto na passarela. A Petrini e todas as outras marcas vem para apresentar a nova tendência da moda neste ano. É difícil de explicar.

- Olha, acho que estou começando a entender, rsrs.

Rio de Janeiro, mesmo dia!

Helena acabará de chegar na clínica, acompanhada de Kleber e sua mãe.

E depois de ser internada, e preparada para a cirurgia, o médico entra no quarto para acalmar a paciente!

De pé conversando com ela Kleber estava acompanhando as notícias de Paris a todo segundo;

- Com licença, bom dia. – O médico entra.

- Bom dia doutor!

- Olha tenho que dizer que hoje é um belo dia para colocar uns silicones, rsrs.

Todos no quarto abrem um sorriso e ele pega nas mãos da mãe, acalmando ela;

- Fique tranquila, faço isso minha vida toda! Ficaremos algumas horas lá dentro, mas vocês fiquem tranquilos... – Ele se vira para pegar na mão de Kleber e já pergunta. – Você é o namorado?

Helena dá uma gargalhada, o médico fica meio sem graça;

- Falei besteira?

- É, meu amigo doutor.

- Formariam um belo casal.

- Obrigado. – Kleber diz vermelho.

A equipe de enfermeiros entram no quarto e Helena começa a respirar fundo;

- Vamos lá? – O médico diz, enquanto a equipe, prepara a transferência.

- Vamos.

Sua mãe beija sua testa, e o Kleber meio que abraça a amiga, que é levada pela equipe.

Direto para a sala de cirurgia, Helena respirava fundo, e fechava os olhos rezando baixo.

Quando entra consegue sentir o frio do local, tudo branco com tecidos em verde. Ela fica bem nervosa e ansiosa;

- Esse é o anestesista Helena, e ele vai começar quando estiver pronta. Assim que ele aplicar, você irá dormir.

Helena fixa o olhar nas luzes acima, e respira fundo.

Uma.

Duas.

Três vezes.

- Estou pronta!

O anestesista então começa o procedimento para dopar ela, seus olhos ainda abertos, deixa por escorrer uma lagrima cortando seu rosto. A sua operação havia se iniciado com uma porcentagem alta de risco de morte.

No mesmo momento em Paris, era o final do primeiro dia de desfiles da semana.

Escola de Moda de Esmond Paris versus Nice Petrini.

Augusto versus Augusto.

Na primeira fila, em um local mais que privilegiado ele assistia a Grife de sua mãe tirar aplausos e expressões das pessoas mais influentes do mundo da moda.

Do seu lado Fabiano com um ar de superioridade e confiança;

- Meu Deus, eu esperava por tudo, mas isso! – Augusto fala tocando Fabiano.

- Que achou?

- Espetacular!

- Aí vem minhas peças. – Ele aponta as modelos do final.

Augusto levanta as sobrancelhas, expressando espanto, as pessoas meio que perplexas com o que estavam a ver na passarela;

- Xadrez? Mano que é isso Fabiano?

- Vou aceitar como elogio.

- Que sacada mais foda, traduzir esse movimento dos anos 70 fazendo reviver essa rebeldia e ativismo das mulheres da época. Parabéns. Não tenho que dizer, parabéns.

Ao fim do desfile, pouco antes de saírem, Augusto parabeniza novamente o Fabiano;

- De todos não tem como, está de parabéns, ah tempos não via algo assim. Você representou muito Fabiano.

- Fiz em memória de sua mãe.

- Eu sei, e por isso sou tão grato.

- Vamos filho? Temos umas fotos e entrevistas para dar, depois deste show que você participou. – Deputado Henrique puxa Fabiano pelo braço.

- Agora entendeu o porquê não tem que ter medo de mim? – Augusto fala para ele.

- Sim, entendi, tenho é pena de você.

Ele não diz nada, fica olhando ambos saírem abraçados. Caio se aproxima de Augusto perguntando;

- Eu não entendi nada, pode me explicar?

Ele se vira, passa a mão no pescoço do amigo dizendo;

- Posso sim! Olha eu acabo de pagar um pau para o Fabiano que fez um trabalho esplendido, e se eu estivesse desfilando para viver, estaria passando fome agora.

- Mas foi tão ruim assim?

- Não é ruim Caio. Eles deixam a escola desfilar porque tem peso histórico e emocional, muitos que vão passar por aqui essa semana se formaram lá. Eu fui bem, até mais que eu esperava. A questão é que a Grife da minha mãe é global, para competir com ela, só no fim da semana para sabermos.

22 visualizações
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia