• @rgpatrickoficial

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 20

Horário de almoço foi para o saco com todo esse trabalho, tive que adiantar trabalho, caso contrário não iria conseguir sair com minha licença para a cirurgia.

Sai nessa segunda-feira as sete da noite do trabalho, e fiz uma das coisas que não tem nada a ver comigo.

Kleber e Luan sempre me chamavam para um PUB, perto do meu trabalho, e quando sai eu passei lá, pedi uma cerveja e me sentei, em uma daquelas mesas mais altas. Foi dar o primeiro gole e meu celular chama;

- Alo.

- Amiga, já saiu do trabalho?

- Já Kleber.

- Estou indo encontrar o Luan no PUB, aquele aí na esquina da Petrini.

- Rsrs, amigo eu já estou aqui.

- Ué falou com ele.

- Não.

- Já estou chegando, me espera.

- Tudo bem.

Me sentei, tirando umas fotos, pois meu cabelo estava a meu favor aquela noite.

E então chega um homem todo de preto, dos pés à cabeça me cumprimentando;

- Desculpe, boa noite. – Ele fala perto.

Eu estava toda interdita no celular e nem me liguei;

- Oi, ai desculpa, pode trazer outra. – Empurro o copo.

Ele abre um sorriso e fala;

- Eu não trabalho aqui, mas quebro essa para você. – Ele assovia para um dos garçons.

Gente eu abaixei a cabeça de tanta vergonha, volto a olhar ele com a mão na boca;

- Olha desculpa, eu estava toda interdita aqui, e não me liguei.

- Fica tranquila.... Sua cerveja. – Ele pega da bandeja do garçom. - Essa é por minha conta.

- Obrigada, mas qual seu nome?

- Alef, prazer e você é?

- Helena prazer.

- Te garanto Helena o Prazer é todo meu! Posso me sentar? Ou está esperando alguém? – Ele se ajeita.

- Escuta Alef, eu não sou o que está pensando, para deixar as coisas claras aqui, eu sou uma mulher trans.

- Eu sei.

- E tudo bem?

- Por mim sim, e por você?

Gente sabe aquela hora que tu desconfia da pessoa, serio, não consegui levar a sério;

- Tudo bem.

- Vi você saindo da Petrini, e quando fui atravessar para pedir seu telefone, entrou aqui.

- Deveria perguntar se eu sou comprometida primeiro não?

- Não usa aliança, então, eu te julguei, assim como você me julgou quando me aproximei.

Eu sorri, bem sem graça;

- Desculpe, mas e você trabalha onde? Qual empresa de góticos para usar roupa toda preta?

- No prédio aqui na rua detrás, em uma Startup.

- Que fazia na rua essas horas?

- Bem, não sou bom com placas e rebocaram meu carro, então, vim no ponto de taxi.

- Rsrs, meu Deus.

Gente o Kleber chega e de longe ele para e fica olhando, foi inevitável eu olhar né, o Alef olhou para ele e disse;

- Hum, sabia que não estava sozinha. – Ele abre um sorriso sem graça.

Kleber se aproxima, totalmente cheio de si, pegando na mão dele;

- Kleber esse é o Alef. Alef esse é meu melhor amigo Kleber.

Alef volta a sorrir, e Kleber fala;

- Não quero atrapalhar gente, vou no banheiro... Luan chegou?

- Não amigo.

Ele se afasta e o Alef se levanta;

- Escuta Helena, aqui está meu numero, me liga e marcamos um jantar, alguma coisa tudo bem? – Ele entrega o papel com um coração e escrito “seu garçom” no final.

- Seu garçom?

- Haha para não esquecer.

- Não vou.

- Deixa eu ir, não quero atrapalhar sua noite. – Ele vem me dar um beijo na bochecha.

A idiota aqui, fica sem jeito, pois eu fui descer do banco e ele pega em minha cintura e me beija na bochecha, mas do jeito que eu fiz Alef beijou no canto da minha boca.

Pareceu que eu era “dada” para ele. Que vergonha do cassete. Ele ainda sai sorrindo.

Alef vira as costas e eu quase viro a cabeça para ver aquelas pernas e bunda saindo;

- Está de parabéns sua puta, onde conseguiu esse homão? – Kleber olhando do meu lado.

- Menino não sei, mas agora venho todo dia nesse bar.

Ele se sentou e eu contei para ele como Alef chegou em mim. No meio da conversa eu vejo o Luan descer do carro do Thiago do lado de fora do bar;

- Ah, mas é brincadeira! – Falo puta.

- Que foi? – Kleber olha.

- Luan está com o Thiago de novo?

- Não, ele está na minha casa.

- Acabou de descer do carro dele.

- Desfaça. – Kleber pega o copo.

Gente ele vira o copo pela metade de cerveja, claro que desfarei, pois fiquei sem acreditar no que ele fez;

- Oi raparigas. – Luan senta do meu lado.

- Falso do caralho. – Kleber aponta o dedo na cara dele. – Idiota e sem vergonha nessa cara sua.

- Que isso?

- Calma Kleber. – Falo para ele. – Amigo, Thiago de novo? Que falta para você apreender?

- Encontrei com ele na rua e me deu uma carona.

- Não tem desculpas Luan, cansado de você com esse escroto.

- Calma Kleber. – Repito.

- Calma nada, você gosta de sofrer? De apanhar? De ser traído e ser tratado igual a um lixo?

- Não é assim amigo. – Luan fala muito mal.

- É sim, é exatamente isso, estou cansado de você Luan.

- Pelo menos não fico com meu chefe né Kleber.

- O QUE? – Eu grito dessa vez.

Chamando atenção das outras mesas.

- Kleber está dando para o Heitor.

- Ele é hétero, como assim?

- Aconteceu algumas vezes amigo.

- Você é louco? Kleber você igual a mim estudou para entrar naquele emprego... é por isso que foi mandado embora, não tem a ver com o que aconteceu.

- A gente só transa Helena.

- Nunca é só sexo amigo, você sabe disso, passa o dia inteiro com ele, meu Deus do céu. Heitor gay.

- Eu já falei para ele.

- O que está falando Luan? Sendo que você não escuta ninguém, só quebra a cara, acorda amigo. Ele vai acabar te matando.

- Não é fácil como pensam.

- Como é então? Funciona no tapa? No murro? – Kleber volta a brigar.

- Você ainda pensa no Guto não é? Mesmo todo esse tempo, eu não consigo para de pensar nele um minuto, acho que fez macumba para mim, só pode!

- Guto e Helena não tem nada a ver com você e Thiago Luan! Guto nunca colocou um dedo nela. – Kleber me defende.

- Mas fez ela sofrer, ou é mentira tudo que contou para a gente Helena?

- Eu já superei o Guto. Você vai acabar voltando para o Thiago, e amigo eu não faço mais nada para você, não te defendo e nem saio de casa se ele te bater de novo, vou lavar minhas mãos. Agora você Kleber, eu não sou a mais correta dessa mesa, mas isso não dá certo, ele pode ser quem quiser, mas é seu chefe.

- Eu sei amiga, vou conversar com ele, andei pensando muito nisso.

- É verdade.

- Luan, faço das palavras da Helena as minhas, se voltar com esse desgraçado, esquece de mim.

- Nossa vou no banheiro, e vocês não briguem sem mim.

Deixo minha bolsa e deixo os dois, a cabeça chegou a doer depois de tudo que ouvi.

E acho que chegou a superar o álcool.

Gente para completar meu dia com chave de ouro, quando entrei no banheiro, uma mulher de camiseta preta, com a logo do PUB nas costas, e na frente escrita Gerente, me olha de cima embaixo.

Depois olha para as outras mulheres que estavam na fila e diz;

- Você está constrangendo essas pessoas. – Ela fala me encarando.

Ai que raiva de deixar minha bolsa, era o tamanho certo para desmaiar ela;

- Está falando comigo?

- Sim.

- Escuta alguém aqui está constrangida com minha presença? – Falo alto para as outras mulheres.

Todas, todas dizem que não;

- A senhora não tem vergonha de ME constranger na frente dessas pessoas? – Falo apontando o dedo na cara dela.

- Você pode usar o banheiro de deficientes se quiser.

- Isso só pode ser uma pegadinha com a minha cara. – Falo sem acreditar.

- Qual o problema dela usar o banheiro feminino? – Uma das moças pergunta.

- Eu não vou usar o banheiro de deficientes porque ele segrega, e eu não quero ser segregada. Eu quero ser respeitada e usar o banheiro no qual eu me identifico, eu sou Helena e não Heleno!

- Isso é crime sabia? – A moça volta a rebater ela.

Era só o que me faltava, não poder usar o banheiro no qual eu me identifico!

Minha raiva do Luan e do Kleber haviam passado, voltei para a mesa contando para eles que havia acontecido e resolvemos sair daquele local.

Acabamos por ir beber na casa dos meninos, onde falamos por horas na cabeça do Luan, mesmo sabendo ser sem resultado.

Por causa da hora, eu dormir por lá mesmo, e tive que acordar bem cedo indo direto para o trabalho.

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