• Richardson Garcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 19

#Caio

Acabei de sair do banho e alguém bate na porta;

- Eu abro. – Grito para minha mãe que estava na cozinha.

Aperto a toalha e abro a porta;

- Camilo! Mano quanto tempo. – Pego em sua mão, o abraçando.

- Oi Caio, bom te ver.

- Entra.

- Quem é? – Minha mãe fala, vindo com pano nas mãos.

- Camilo segurança do Guto, lembra dele?

- Boa tarde, e licença senhora.

- Senhora está no céu, entra moço, fica à vontade.

- Senta mano, vou colocar uma roupa e já volto. – Falo correndo para o quarto.

Ver, conversar, estar com Camilo era uma das melhores nostalgias possíveis.

Me vesti e volto para a cozinha, minha mãe colocou ele sentado já com uma xicara de café;

- O bolo já, já sai. – Ela fala conferindo o forno.

- Eu agradeço.

- E então mano como estão as coisas, e Heitor?

- Bem ele está melhor, até veio ver o sobrinho a pouco.

- O QUE? – Falo surpreso.

- Sim, segredo, estou contando pois confio em você. Ele veio ver o Kalleb.

- E a Julia?

- O tratou normalmente, nada demais.

- O pai de criação dele foi preso Camilo. E pelo jeito não vai sair por muito tempo.

- Eu não sabia disso, elas não me disseram.

- E o trabalho? Esta onde? – Pergunto.

- Bem, estou desempregado no momento.

- Como assim? Você!

- O atentado contra o Heitor, eu estava no comando Caio.

- Eita porra!

- Eu, Matheus, Kleber, e mais 8 da minha equipe mandados embora.

- Mano sinto muito, aquilo era sua vida. E Heitor?

- Pediu demissão hoje pela manhã.

- Serio isso?

- Sim.

- Onde aquela empresa vai parar, se o Machado está afastando todo mundo de perto dele. Aquele velho vai acabar perdendo tudo para o governo, porque até o deputado Henrique já está mamando nas tetas lá.

- Bem, mas não foi por isso que eu vim.

- Que sorriso é esse? – Pergunto.

- Tenho uma coisa para você. – Ele coloca a mão no bolso.

Tira o celular, o desbloqueia e abre o Telegram, fazendo uma chamada de vídeo para o Guto.

Eu já fiquei nervoso, a cada chamada era um disparo do coração;

- Uh Finalmente! – Ele posiciona a câmera e fala gritando. – Ah meu Deus... Mano que saudades do cassete Caio.

- Também viado, você sumiu desgraçado.

- Olha a boca Caio. – Minha mãe joga o pano.

- Está bonito para a cassete em Caio, que isso.

- Haha vai cantar outro, como está mano? Saudades cara, não tem ideia da falta que faz.

- Caio, mano! Você é uma das poucas razões que me fazem querer voltar para o Brasil. Serio faz falta irmão.

- Como estão as coisas?

- Bem, agora difíceis, minha mãe voltou, eu estou sozinho e estudando muito, é o que me salva! E você está jogando em qual time?

- Em nenhum mano, está foda aqui no Brasil viu.

- Terminou os estudos Caio?

- O Médio sim mano, e você?

- Estou fazendo Moda, termino em três meses. Aí vou ter uma folga.

- Ah mano foda demais, Parabéns.

- Haha’ estou me tornando quem eu mais temia, estudando para trabalhar. – Ele começa a rir.

- Está certo filho, muito, tem que estudar mesmo, assim você pode ser alguém na vida. – Minha mãe grita.

Ele sorri agradecendo e pergunta;

- E Samuel?

- Está lindo como sempre, batalhando como sempre e também terminando faculdade de moda aqui no Rio.

- Que massa, fico feliz por ele.

- Mano ele é voluntario em uma ONG que ajuda e auxilia gays que foram expulsos de casa, serio virou exemplo a seguir.

- Porra que foda. Qual é o nome?

- Casa 1.

- Vou procurar depois. Mas calma aí, não está estudando, nem jogando, está trabalhando onde Caio?

- Não estou mano, como disse está foda.

- Caio vem pra Paris.

- Oi!

- Vem para Paris.

- Guto não tem como, não posso deixar minha mãe, é só eu e ela.

- Eu empresto uma grana para ela se manter durante três meses, e você vem e fica até eu terminar a faculdade, depois nós voltamos juntos.

- Mano, não estou trabalhando, não tem como te pagar.

- Caio consigo um teste no Paris Football Club, para você! Tenho um professor com filhos lá. E também posso tentar no Paris Saint Germain, se conseguir melhor ainda, tu fica esses meses se dedicando a testes e correndo atrás de bolsas com universidades. Que me diz?

#Helena

Cheguei bem cedo no trabalho no dia seguinte, peguei um café para mim e para Paulina levando para nossa sala, quando eu entrei, ela estava ligando sua máquina;

- Bom dia Paulina, olha que trouxe para você. – Entrego o copo.

- Bom dia, mas porque essa felicidade toda?

- Porque eu trabalho na melhor empresa do mundo, com a melhor companheira de sala, e marcaram minha cirurgia, finalmente vou colocar meus peitos.

- Aí, não acredito, fico muito feliz por você Helena.

- Rsrs, eu também. – Abraço ela.

O Misael abre a porta, até assustado, com nossa alegria;

- Gente, que animação para as sete da manhã. – Ele fecha a porta.

- Oi, queria mesmo falar com você. – Falo pegando na minha bolsa, os papeis do médico.

- Eu também, a partir de hoje, preciso que você fique exclusiva para o Fabiano, acho que ele gostou do seu trabalho.

Eu já olho com cara de nojo para a Paulina;

- Serio? Quem pediu isso?

- Ele mesmo, porque não gostou? Quer dizer que está se dedicando no trabalho.

- Aí, tanto faz Misael.... Olha preciso de folga nestes dias, e meio que um período de repouso. – Entrego os papeis para ele.

Ele folheia e comenta;

- Você já tem algumas horas no banco, está ficando até tarde, e esses dias todos aqui, terei que encaixar e tirar das suas férias, tudo bem?

- Claro.

- Vou ver o que consigo.

- Ótimo, eu agradeço muito.

Ele saiu da sala, e eu estava ligando minha máquina, e arrumando minha cadeira, e Paulina comentou;

- Pode até achar ele mal, porem elogiar seu trabalho é excelente para sua carreira aqui dentro!

- Paulina, ele quer é me socar trabalho, menina essa semana fiz uma pilha de saias, eu sai dessa empresa a uma da manhã.

- Ah então foi você quem fez as saias da doação?

Quando ela fala isso, eu levanto puta;

- Do que?

- Saias doadas para a USP, aquela faculdade de São Paulo.

- Não acredito que aquele filho da mãe fez isso comigo.

- Mas foi por uma boa causa.

- Nossa perdi um momento muito importante com meus amigos.

Foi eu falar e ele abre a porta;

- Bom dia Paulina. – Ele me olha e fica sério. – Vem comigo Samuel.

- Não consegue ler Helena no meu crachá? – Mostro a ele.

- Colocaram muito pequeno Samuel.

Sigo ele bufando de raiva, nós vamos até a sala de reuniões, e o Wilker estava com alguns papeis separados na mesa;

- Bom dia Helena.

- Bom dia. – Digo com um sorriso.

- Bicha me fala, que acha desse estilo de corte, os três. – Ele mostra para o Fabiano.

- Amei amigo, serio, você quem fez? – Fabiano diz.

- Sim, mas isso não tem nada a ver com o que a Petrini trabalha.

- Que perdemos se não arriscamos em Wilker?

- Fabiano a última vez que eu arrisquei, recebi uma ligação do próprio Doutor Machado!

Gente eu fiquei ouvindo a forma com que o Fabiano, induzia o Wilker, e tive a sensação de ele estar “empurrando o Wilker no poço’;

- Que acha Helena? Talvez três cabeças são melhores que uma. – Ele me olha.

Eu puxei os desenhos, e eram u look, de botas longas, acima dos joelhos, bermuda jeans, uma blusinha mostrando o umbigo da modelo;

- Não tem a cara da Petrini, não é o tipo de look produzido aqui, mas olha, coloca um sobretudo, ou cardigã longo, e pode ousar colocando uma touca na modelo.

- Não, sei.

- Te mostro. – Pego seus lápis, e puxo a cadeira da mesa.

Fiz aquilo na frente do Fabiano, só para mostrar que eu sabia muito mais que ele, e que não só costuro.

- Viado eu gostei, que achou Fabiano?

- Não usaria a touca.

- É uma forma de ousar, sair da caixa, sendo autentica com o que é vendido aqui.

- Vou usar. Amei, obrigado. – Wilker levanta o desenho.

Ele sai da sala e Fabiano diz;

- Esses aqui são trabalhos antigos, quero que refaça todos eles, você tem até sexta feita.

- Ele me entrega uma pasta de desenhos.

- Quer que eu faça tudo isso em outros desenhos?

- E quero as peças Samuel.

- Escuta não sou um robô, sou um ser humano, não consigo fazer isso até sexta sozinha.

- Eu confio em você, fica até mais tarde. Não queria trabalhar na Nice Petrini, então faça valer a pena Samuel. – Ele passa a mão em meu cabelo.

Ele saiu da sala e confesso, eu chorei de tanta raiva, e mais raiva ainda de borrar minha maquiagem com esse macho escroto do caralho.

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