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Clichê - Segunda Temporada - Cap. 18

Abaixo a cabeça na mesa, e tipo... ela não sabe nem quem sou eu, e na época mesmo doente, teve uma atitude dessa;

- De forma alguma Augusto pode saber disso. – Ele fala para todos.

- Tudo bem. Mas de onde tirar esse dinheiro? – Pergunto.

- Recebi um aumento com a decisão. Agora saindo do meu trabalho, tenho que te passar essa tarefa e eu te peço para que cumpra, não pelo seu irmão, e sim pela sua mãe.

- Eu farei, claro.

Ele me passa o endereço, as notas fiscais, tudo organizado e bonitinho.

- Eu vi a sua mãe duas vezes na vida e já acho ela a pessoa mais foda do mundo. – Kleber diz emocionado.

- Ela é um anjo... E você também Camilo, meu Deus, estou aqui a ponto de chorar com isso... Ei esse é ele? – Cai uma foto do envelope.

- Sim, é o Kalleb.

- Kalleb?

- Sim, é idêntico ao seu irmão quando criança.

Ah mano eu enchi os olhos de lagrimas com a foto;

- Camilo por favor, me leva até esse garoto, eu te imploro.

- Claro, tenho que encontrar com o Caio, marquei com ele logo mais, já te levo na casa dele.

- Ótimo. – Eu me levanto.

- CALMA. – Camilo fala alto. – É na favela não pode ir sem segurança.

- Ué e você?

- Não sei se confio Heitor, se acontecer alguma coisa seu pai me mata.

- Camilo não trabalha mais para ele, vamos logo.

Ele ainda resistiu, mas o Kleber também disse que iria, eu e ele no meu carro, seguindo o Camilo no carro da frente.

Na comunidade quando chegamos, estacionamos os carros embaixo e Camilo mandou eu colocar uma camisa, e tirar o paletó, e pegou o boné de Kleber e colocou em mim também, para chamar o mínimo de atenção.

Os carros ficaram até o máximo de onde conseguia subir, e então seguimos nas escadas.

E foram muitas, passamos até para comprar algumas aguas, que eu estava desidratado já, rsrs.

- Caio mora nessa rua, a mãe do pequeno nessa da frente. – Camilo mostra para a gente.

- Vai conosco? – Kleber pergunta.

- Sim.

Passamos algumas casas e seguimos até um dos barracos, ele pediu para nós aguardarmos um pouco e ele foi e falou com uma senhora que estava na porta da casa. Ela não respondeu verbalmente, e sim gesticulando que sim com a cabeça, olhando para nós.

Eu me aproximei e peguei em sua mão;

- É um prazer, sou Heitor, e esse Kleber.

- Quem de vocês é o Tio? – Ela fala sério.

- Sou eu.

- É me lembro de você. É o seguinte, você sabe e conhece o acordo. Vou deixar você ver ele porque Camilo está pedindo, e tem se mostrado de confiança. Mas sabe que acontece se abrir a boca.

- Meu irmão não mora mais no Brasil como a senhora sabe, e minha mãe está muito doente, eu só quero conhecer ele, não se preocupe.

Falo agradecendo;

- Vó olha que minha mãe comprou. – Escutamos uma voz infantil.

Julia se aproximava com a criança no colo. Quando ela me olha, protege ele com as mãos;

- Que ele faz aqui mãe?

- Veio ver o Kalleb filha, e Camilo quer conversar com a gente.

O pequeno desce dos braços da mãe correndo para a vó, mostrando um pacote de macarrão instantâneo.

Gente eu fiquei perplexo ao ver ele.

Kalleb é idêntico ao meu irmão, muito mesmo, o cabelinho estilo “tigela” cor de caramelo, a boquinha, os olhos extremamente brilhantes, fofinho. Uma boca tão gostosa, umas bochechas gigantes.

- Oi. – Ele fala para o Camilo.

Que estende as mãos o pegando no colo;

- Estava com saudades do tio? – Camilo beija ele.

Kalleb responde que sim, e me olha. Foi a sensação mais estranha do mundo, era como olhar para o Augusto;

- Esse é o Heitor, amigo do tio, fala oi para ele. – Camilo segura ele perto.

- Oi!

- Oi rapaz, você é muito lindo sabia? – Estico as mãos, vendo se ele vinha em meu colo.

De primeira, Kalleb estende as mãos, e eu pego ele moçoilo, aquele garotinho pesado.

Ele já vai com a mão no boné que eu usava, olhando a estampa;

- Gostou? – Tiro colocando nele.

Como eu estava com dificuldades com um dos braços, e não poderia ficar muito tempo com ele no colo, eu me sentei, com ele em meu colo;

- Que isso? – Ele aponta para o curativo.

- É um “dodói”, eu me machuquei no trabalho.

- “Que você trabalha? ”

- Eu construo aviões.

Ele enche os olhos, e coloca a mão na boca;

- Avião?

- Sim, avião. Olha vou te mostrar. – Pego o meu celular.

Kalleb no meu colo olhando meus vídeos e fotos da empresa, eu mostrando e conversando com ele. Camilo aproveita e fala para a mãe e avó sobre o que iria acontecer. O Kleber ficou quieto, calado, me olhando, ele até tirou uma foto nossa, sem ninguém ver é claro;

- Kalleb, vamos, está na hora do seu banho, logo temos que ir na igreja e você sujo. – A avó estende a mão para ele.

Que sai do meu colo, e eu falo;

- Não ganho nem um beijo?

Ele vem sem a timidez do início e me beija;

- Hum, aqui, para você. – Coloco o boné nele.

A Julia ficou sozinha conosco, então pude perguntar;

- Está tudo bem? Com vocês? Com ele? – Pergunto baixo.

- Ele tem tudo que quer, quando quer. É saudável graças a Deus, muito curioso e teimoso, nossa como é teimoso. Mas não lhe falta nada, nunca faltou.

- É bom ouvir isso, muito mesmo. Olha esse é meu telefone, quando precisar de algo, o que for.

Entrego meu cartão para ela;

- Eu agradeço.

- Bem, vamos? – Camilo diz.

Todos despedimos dela, e antes de sair, eu questiono;

- Eu posso voltar qualquer dia desses?

- Sim, pode sim.

- Obrigado, mesmo, de coração. – Beijo a mão dela.

A gente saiu da rua e Camilo para na “esquina”;

- Vão ir comigo, ou vão embora?

- Já vamos, preciso esfriar a cabeça, meu dia foi muito atordoado. – Pego em sua mão.

- Sabem, é só descer por aqui.

- Obrigado, Camilo vamos almoçar depois, tudo bem. – Pego novamente em sua mão.

- Tudo bem, agora tenho que ir.

- Obrigado, mesmo.

Desci aquelas escadas chorando, e muito puto;

- Não pode interferir, e fazer nada Heitor, a escolha foi deles.

- Não te isso Kleber, é filho dele. Augusto não pode virar as costas para esse garoto, não pode. Ele tem o direito de saber quem é o pai.

- Eu concordo com você Heitor, mas não podemos fazer nada.

- Podemos sim, vou ter uma conversa séria com o Augusto, ele que me espera.

- Já conversaram antes, e nunca dá em nada.

- Mano! – Paro nos degraus olhando para o Kleber. – Meu pai fez isso tudo, e deixa o Augusto com 25%. Se isso for verdade ele é muito mal caráter.

- O que está dizendo Heitor.

- Que as reservas que minha mãe preparou reserva uns 400 a 800 mil reais para ele. É injusto.

- Heitor, quer fazer o que?

- Não sei, mas se nem meu pai, e nem Augusto tomar uma atitude eu irei.

- Pelo amor de Deus, olha o que fara.

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