• @rgpatrickoficial

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 17

Ele marcou em um banco que estava, a Caixa Econômica, fui passando e procurando ele, mas estava na calçada, só buzinei abaixando o vidro;

- Você dirige? – Ele pergunta entrando.

- Sim, eu piloto. – Ele me beija, e sigo. – Que roupa é essa?

Kleber estava de tênis, calça jeans meio que rasgada e camiseta branca estampada da marca da minha mão, e o mais estranho, um boné!

- Não acha que eu ando de terno o dia todo acha Heitor?

- Não, mas não sabia que usava boné.

- Preguiça de arrumar o cabeço. Gostou. – Ele vira a aba para trás.

- Sim, ficou com cara de mais safado que você é.

- Cala a boca.

No caminho contei para ele o que havia acontecido na empresa, e serio, Kleber ficou rindo de mim;

- Eu to falando, foi exatamente o que eu falei.

- Mentira, você morre de medo dele.

- Sim, por isso eu to todo soado.

- Está falando sério Heitor?

- Estou desempregado, pela primeira vez na vida.

- É sério? – Ele vira no banco, me olhando nos olhos.

- É sério.

- Como vai viver? Você tem dinheiro para se manter?

- Rsrs, tenho, eu tinha um salário na empresa, tenho uma boa reserva.

- Ah que susto.

- E você?

- Eu, eu vou ter um excelente acerto, mas quero pensar nisso depois. Falou com Camilo?

- Liguei essa manhã, mas não atendeu, Guto estava trocando ideia com ele, ligo mais tarde.

Pessoal chegamos no hospital aqui no Rio mesmo, onde eu iria fazer o acompanhamento do tratamento.

Eu fiz alguns exames, e ele trocou alguns medicamentos, e também fui medicado no hospital, então não pude voltar pilotando, e Kleber entra no carro, colocando o cinto em mim por causa do braço, já perguntando;

- Vai para sua casa?

- Não, me faz um favor.

- Sim.

- Liga para o Luan, preciso tirar o que meu pai me contou a limpo.

- Calma aí.

Ele ligou para o amigo, e depois de duas chamadas, Luan atende;

- Fala rapariga. – Ele atende.

Eu dou uma olhada para ele que fica sem graça;

- Amigo está no Viva voz.

- Está com quem?

- Oi Luan, é o Heitor.

- Meu Deus, você também Kleber! Desculpa Heitor.

- Tudo bem.

- Aconteceu algo?

- Preciso saber sobre uma coisa, posso confiar em você?

- Claro.

(...)

Eu expliquei a ele sobre o que tinha ouvido, e graças a Deus Luan foi o mais plausível possível. (...).

- Vem aqui na casa do Kleber, estou ficando aqui Heitor, porque tenho que fazer uma consulta em meus livros para não te falar besteira.

- Tudo bem.

- Estamos indo amigo. – Kleber desliga.

- Tudo bem por você?

- Claro Heitor, sem problemas.

Não demorou para chegar na casa do Kleber, pois ele estava morando em Jacarepaguá.

- Nossa não me contou que mudou.

- Sim, tem quase um ano.

- Jacarepaguá não é para os fracos não. – Falo rindo.

- Não chega aos pés da mansão do Jaó.

Entramos no estacionamento e ele preferiu não subir nos elevadores. Era um conglomerado de seis torres ao redor de umas piscinas e um parque interno, uma área de lazer muito linda;

- Caramba é grande aqui. – Falo subindo.

- Sim.

- Quanto é o aluguel?

- Heitor deve estar na casa dos mil reais apartamento de dois quartos. Como eu financiei, não tenho certeza.

- Entendi.

- Luan enviou mensagem dizendo estar aqui embaixo. – Kleber vai procurando.

Havia um estilo de bar, próximo a algumas piscinas e ele estava com um notebook e livros na mesa. Luan acena para a gente de longe.

- Oi, como está esse braço? – Ele se levanta me cumprimentando.

- Bem melhor, já na próxima semana, tiro a faixa.

Nos sentamos e o Kleber pegou um suco para todo mundo;

- Heitor repete por favor, para eu ter certeza. – Luan diz afastando o livro.

- Ele deixou todas as empresas, ações, tudo em nome de nossa família para mim, disse que meu irmão ficará somente com algumas propriedades. Por favor, me explica, ele pode fazer isso? – Eu estava muito tenso com esse assunto.

- Sinto muito te dizer, mas ele pode sim! O seu pai pode dispor de seu patrimônio pelo percentual que ele quiser deixar a cada um de seus herdeiros. Existem regras do CC/02 que mantem a parte legitima da herança entre você e seu irmão...

- Calma, a lei não fala metade iguais para cada um dos herdeiros?

- Não, 50% do patrimônio é da regra legitima Machado pode dispor 25% para o Augusto e 25% para você. Os outros 50% da herança ele teria o poder de deixar para quem quisesse por vontade própria, se for verdade o que diz Heitor, você é o herdeiro de 75% de tudo que seu pai comanda, e Augusto fica com 25%. Isso é legitimo, ele tem esse direito.

Encosto na cadeira, fico meio pensativo, e como ficou um clima, os meninos ficaram calados;

- Ele não pode fazer isso com meu irmão.

- Desculpe Heitor, mas ele pode.

- Thiago deve saber né? Assim, ele quem cuida de todo o jurídico das empresas e da família. – Kleber comenta.

- É bem provável.

Meu celular chama, eu tiro do paletó conferindo;

- Oi Camilo! – Falo alto seu nome, para Kleber identificar.

- Boa tarde Heitor, desculpe incomodar, pode falar?

- Claro amigo, estava mesmo querendo falar com você.

- Ótimo, precisamos conversar, está em sua casa?

- Não Camilo, estou na casa do Kleber.

- Posso passar aí?

- Claro! Ele pode vir aqui né Kleber? – Tampo o celular.

- Sim.

- Camilo te espero aqui, tudo bem.

- Chego em cinco minutos.

- Ok. – Desligo o celular. – Ele está vindo.

- Mais alguma dúvida Heitor? – Luan fecha o computador.

- Minha cabeça está tão quente, tão quente. Que nem consigo pensar em nada agora.

- Posso perguntar uma coisa amigo? – Luan olha para Kleber, que já estava em seu segundo suco.

- Que foi?

- Vocês dois estão namorando?

Eu abro um sorriso, pois o Kleber fica muito sem graça, serio, vermelho;

- Não, a gente ficou só.

- Oi? – Indago encarando ele.

- Mas foi verdade.

- Então sou só uma tansa?

- Não é isso! Obrigado Luan! Heitor, é que a gente só fica, não conversamos sobre isso.

- Eu sei. – Puxo abraçando ele. – Estou te enchendo. É culpa minha, isso ainda é novo sabe, eu e ele.

- Entendo, é muito difícil Heitor, é um caminho complicado. – Luan concorda.

- Caminho complicado é o de Samuel... Aí, da Helena, o nosso é pisando em flores comparado Luan.

- É uma pessoa tão iluminada, eu tive pouca convivência com ela, mas sabe quando você sente que a pessoa vai se dar muito bem na vida, ela é determinada, e isso é muito importante.

- É tenho que concordar com você. – Kleber e Luan dizem.

Estávamos conversando, sobre minha demissão, eu estava contando para o Luan e de repente sinto a mão nas costas, era o Camilo, mano que susto;

- Meu Deus, até aqui, em um condomínio fechado você tem acesso? – Falo levantando.

- Haha’ já busquei e deixei o Kleber muitas vezes aqui. – Ele vai cumprimentando todos.

- Senta Camilo, vou pegar uma cerveja para você. – Kleber levanta.

- Não, estou trabalhando, não posso beber. – Ele agradece.

- Trabalhando? – Questiono.

- Parar seu irmão, tenho uma tarefa para fazer para ele ainda, então, trabalhando.

- Ah entendi.

- Mas não era para estar de repouso Heitor? – Camilo senta ao lado de Luan.

- Sim, eu estou. Mas não se preocupe, não trabalho mais para meu pai.

- Como assim?

- Eu pedi demissão. – Falo com toda alegria.

E ele me joga um banho de agua fria;

- Me perdoe, mesmo! Mas aquela empresa é como um pacto, depois que você entra, para sair é quase impossível.

- Do que está falando Camilo?

- Você ainda vai voltar, querendo ou não. Eles precisam de você, assim como de mim, e de Kleber.

- Jesus, me arrepiei aqui. – Luan diz.

- Sai dessa Camilo, sai, é passado. – Kleber fala alto com ele.

- Ok. Que trabalho tem para o Guto? – Pergunto.

- Ele me pediu para encontrar o antigo amigo de escola, o Caio Victor, lembra dele?

- Sim.

- E eu tenho uma coisa para você.

- O que?

- É particular, desculpe. – Ele fala aos meninos.

Luan e Kleber se levantam bem rápido;

- Não tudo bem, pode falar Camilo.

- Preciso que preste atenção. – Ele pega um envelope pardo. – A senhora sua mãe, me passou a missão de mensalmente levar um presente para seu neto. No caso seu sobrinho. Uma vez por mês eu vou na favela e entrego pessoalmente, o pacote.

- Pacote?

- Tenho uma lista a seguir, brinquedos seis vezes no ano, roupas quatro vezes, e uma joia, como um colar, ou uma pulseirinha duas vezes no ano. Todos com bilhetes e cartas com o nome do Augusto.

- Minha mãe mandou você fazer isso?

- Sim, a ordem veio um mês antes do nascimento da criança.

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