• Richardson Garcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 14

Quando Camilo usa a mão para apoiar o ouvido mais sangue manchando seu rosto.

Minha visão ficou pesada, eu estava escutando gritos, a polícia ajudou a me tirar dali, passamos no meio das pessoas, e tinha muita gente gritando, muita mesmo.

O cordão gigantesco de seguranças e policiais até o helicóptero que estava ao lado.

Eles me colocaram deitado lá dentro no chão, vejo o Kleber e Matheus junto com Camilo;

- ALBERT EINSTEIN, AGORA. – Ele grita com o piloto. – Ei estamos indo bem, continua comigo, está em ouvindo.

Ele diz fazendo pressão próximo ao meu peito. Lembro de levar a mão em direção de Kleber que estava chorando muito;

- Vai ficar tudo bem, estamos a um minuto do hospital.

E ele estava certo, realmente estávamos, questão de vinte minutos de carro.

Por estar deitado no chão, eu sinto o pouso no hospital, as portas se abrindo e eles descendo, mas meus olhos se fecharam quando vejo médicos e enfermeiros dentro da aeronave tocando em mim, e dizendo algo que já estava distorcido nos meus ouvidos.

#Kleber

Eles desceram com o Heitor direto para sala de cirurgia. Gente a visão era horrível, o chão do helicóptero estava cheia de sangue, os bancos em couro manchados. O Camilo estava meio que perturbado.

Ele estava muito sujo, nós entramos no elevador acompanhados de outros médicos, e ao me virar olho no espelho e tinha sangue no meu rosto.

Eles queriam examinar a gente a todo custo;

- Moça estamos bem, não aconteceu nada. – Eu falava repetidamente.

Mas não fugimos, até porque o Matheus e Camilo estava muito sujos.

Meu celular começou a chamar;

- Meu Deus, Doutor Machado. – Olho a tela.

- Agora é a hora de fazer seu trabalho, seja forte. – Camilo fala na outra maca.

- Alo.

- Que aconteceu, cadê o Heitor?

- Senhor, ele foi levado para a sala de cirurgia, ainda não temos informações.

- Pois descubra, chego em uma hora.

- Sim senhor.

Desliguei telefone tremendo mais que vara verde.

- Estamos na rua, tenha certeza disso. – Matheus fala.

- Você é treinado para isso, me fala, ele vai ficar bem? – Puxo o Camilo.

- Foi um corte alto, não tem órgão fatal ali, mas pode ter acertado uma artéria.

- Mas o resgate foi rápido certo?

- Sim, mas temos que esperar.

- Eu não o vi, ele subiu no palco, e foi muito rápido. – Matheus reclamava.

- Não é isso, é ele aproximar de Heitor com rapidez, tínhamos onze dos nossos ali, e ele foi atingido. Quanto tempo para o Doutor Machado?

- Uma Hora.

- Ótimo até lá temos notícias dele.

No corredor ao passar vejo o plantão na TV;

“- Boa Tarde, agora as seis horas e dois minutos dessa quinta-feira, recebemos a informação que o Executivo Heitor Montanari Petrini sofreu um atentado em uma palestra na Universidade de São Paulo a USP. Foi levado às pressas para o hospital que fica logo do lado, o Albert Einstein! Vamos ao vivo com a nossa repórter. Boa Tarde Clarisse, há alguma informação?

- Boa tarde, boa tarde a todos ligados aqui da Globo News. As informações chegam de todos os lados, estamos averiguando suas veracidades, mas um vídeo que chegou de uma das pessoas que estava no local, vou pedir para o editor colocar para vocês, mostra o agressor subindo pela esquerda do palco, sem camisa com palavras de ódio escritas no corpo, percebemos que Heitor ainda desvia, mas é atingido, a arma um estilete como esse, usado por alunos, logo em seguida a equipe de segurança imobiliza o agressor que continua sem identificação. E retiram Heitor que foi ferido na altura do ombro esquerdo. Aqui no hospital nenhuma novidade, ele chegou a poucos minutos, a única informação e atualização é que ele se encontra na sala de cirurgia.

- Ok, estou aqui, voltamos a qualquer momento com mais notícias desse atentado. Boa tarde Clarisse. ”

- Um estilete fez aquilo? – Olho para Camilo.

- É bem possível.

Nos sentamos na sala de espera, coloquei meu celular para carregar e ligo para a clínica da mãe de Heitor, pedindo que afastassem ela de todas as televisões e notícias.

Em seguida, respondi algumas pessoas do trabalho, e amigos como Luan e Helena.

Com a notícia de que Doutor Machado já havia chegado em São Paulo e estava a caminho do hospital fiquei desesperado.

Até aparecer em uma das portas praticamente toda a equipe de médicos, pensei pronto, algo muito ruim aconteceu.

- Kleber?

- Sim.

- Bem senhores, ele está bem, já está acordado...

- Graças a Deus. Obrigado, a todos vocês, é sério. – Vou cumprimentando eles.

- Como ele está? – Camilo pergunta.

- Recebendo transfusão de sangue, e meio dopado da cirurgia. O objeto foi um estilete, por ser uma lamina fina e afiada, ela entrou e quebrou dentro do ferimento, logo abaixo da clavícula. Removemos e fizemos o curativo. Ele está bem agora, podem entrar.

- Ótimo.

- Vai na frente, depois entramos. – Camilo diz.

Segui o corredor, e quase na última sala, a enfermeira só me mostra, não me acompanha;

- Está ótimo, obrigado. – Escuto sua voz.

Ele dizia a moça que arrumava a cama, deixando ele mais “sentado”.

Ele me olha com um sorriso de canto de boca;

- Que bom que está acordado, tem uma reunião logo mais. – Falo entrando.

- Aí, o médico não quer me dar um atestado de uma semana, já pedi a ele. – Heitor diz rindo.

Dou a volta na cama, segurando em sua mão;

- Como você está?

- Não estaria aqui se não fosse os meninos, e você é claro.

- Você nos assustou, serio, fiquei desesperado.

- Se um dia eu morrer que seja fazendo o que eu gosto, no avião, em um helicóptero, uma facada não consegue me derrubar não.

- De certa forma você foi para o chão.

- Haha, seu lindo. Quero agradecer o Camilo, onde ele está?

- Na sala de espera. Está sentindo dor?

- Parece que eu bebi uma tequila, estou vendo um pouco embasado, as vezes as vozes se repetem, mas estou bem.

O meu celular volta a tocar, eu olho pesando ser o Doutor Machado, e era seu irmão.

Mostro o nome do Augusto na tela para Heitor;

- Atende aí vai.

Deixo o aparelho no viva voz;

- Não foi dessa vez que ficaria com a herança. – Heitor diz rindo.

- Filho da Puta, meu Deus! Nossa não posso passar mais por essas coisas não. Como está?

- No hospital, com o ombro enfaixado e brigado com o médico para dar mais dias de atestado.

- Heitor, você em um manicômio terá serviço, papai nunca vai te deixar.

- Idiota.

- Está bem mesmo? Meu celular travou com tanta mensagem, cheguei do treino desesperado aqui.

- Estou bem, não se preocupe, ele disse me liberar hoje ainda.

- Ótimo, e os meninos?

- Camilo está bem, Matheus também. E Kleber aqui do meu lado.

- Hum, então está bem cuidado!

- Cala a boca.

- Kleber!

- Oi Guto.

- Do meu irmão eu sei que está cuidando, mas não deixem esse cara escapar. Se deixar nas mãos do Machado, ele só vai querer saber quando meu irmão volta para a empresa.

- Deixa comigo Guto.

- Heitor vou tomar um banho e comer algo, se for para casa me liga, e mano, não deixa ninguém chegar na mamãe, vai você e conversa pessoalmente com ela.

- Pode deixar, vou tratar disso agora.

- Beleza, vou deixar o casal a sós, e ligar para encher o saco do Camilo.

Augusto mesmo que desliga, eu fiquei olhando o Heitor com fogo nos olhos;

- Casal? Que contou para ele?

- Que a gente está transando.

- Heitor, a gente ficou duas vezes, não pode sair espalhando para todo mundo.

- Relaxa, é meu irmão.

- Não vou relaxar não.

- Vem aqui me dá um beijo que você relaxa.

Como ele estava segurando minha mão, só a puxa para perto.

Aproximo e dou um selinho em sua boca;

- Nossa só mereço isso depois de ser esfaqueado.

- Para com esse drama.

Beijo novamente, sentindo a língua de Heitor. E escutamos um coçar de garganta na porta do quarto.

Era o seu pai.

Não consigo descrever em palavras aquele olhar;

- Saia! – Ele diz me olhando.

Meu Deus, que medo.

Sai do quarto fechando a porta e volto para a sala de espera, havia um corredor de seguranças naquele hospital;

- Pela esquerda.... Do mesmo jeito.... Eu sei Augusto, mas errei, é verdade. Sim. Sim. Agradeço, mas o que ele disser vou acatar é meu chefe. Valeu, com Deus também...

Camilo desliga o telefone, e eu chego branco lá;

- Como ele está?

- Bem, porque não me falou que Machado havia chegado? – Me sento na poltrona.

- Eu nem vi ele, só os seguranças.

Fiquei sentado com a perna tremula, o Camilo estava do mesmo jeito, até porque, a merda estava espalhada para todos.

Exatos dezenove minutos depois, Doutor Machado aparece no corredor, ele vem falar conosco. Me olhando quase sem piscar.

Eu estava ao meio, de um lado Camilo e do outro Matheus;

- Qual é o seu trabalho? – Ele olha para o Camilo.

- Garantir a integridade física do membro da família designado.

- E o seu? – Ele fala com Matheus.

- O mesmo senhor.

- Tem algo para dizer?

- Erramos, e estamos dispostos a pagar por isso. – Camilo fala.

- Estão demitidos, os três. – Ele me encara.

- Senhor nós... – Eu nem começo a falar e ele grita comigo.

- Está na rua, e se depender de mim não consegue mais trabalho no Rio. E vocês dois, espero que saibam fazer outra coisa, pois o que aconteceu é inadmissível, uma mulher gravida conseguiria segurar aquele homem mais rápido que vocês. Entregam suas credenciais e armas.

Os outros agentes pegaram dos meninos, eu retiro a minha credencial do bolso, mas essa quem pega é Doutor Machado.

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