• @richardsongaarcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 13

Eu estava entrando e o Luan para o carro, estacionando. Por causa de eu ter mentido vou encontrar ele;

- Porque está descalça? – Ele pergunta trancando o carro.

- Escuta, Breno tentou fugir, e disse para ele que o cara pagou fiança e está solto.

- Mas ele está preso.

- Luan, me ajuda.

- Beleza.

Nós entramos e a Lucia desde as escadas;

- Ele está bem, mas você deixou o garoto com medo.

- Depois conversamos com ele, ou era isso ou ele estaria na rua agora.

- Amiga preciso conversar. – Luan passa a mão no rosto.

- Que foi? – Me sento na sua frente.

- Vou deixar vocês a sós.

- Kleber está trabalhando muito, e tipo nem veio para casa ontem, preciso desabafar.

- Que foi Luan.

Ele tira a gravata, coloca um exame na mesa e eu pego olhando, aparentemente eram de sangue. Tinha várias coisas, mas eu não entendi nada;

- Tem um aqui positivo, que é?

- Positivo para clamídia.

- Oi?

- Gonorreia Helena.

- Não brinca, é de quem? – Viro procurando o nome. – Meu Deus, foi você?

- Não, eu só transo com o Thiago.

- Aí Luan, vem aqui. – Me aproximo abraçando ele. – Comprou os remédios? – Pergunto.

- Sim, foi uma injeção no hospital e comprei já. Mas pelo menos isso tem tratamento e cura. Imagina se ele me passa AIDS!

- Nem pensa em uma besteira dessa Luan. E agora que vai fazer?

- Passei aqui para respirar um pouco, não posso ir para casa assim, mas a vontade é de colocar ele fora no chute.

- Olha aqui, vai colocar esse macho na rua, sem ouvir nada dele, se quiser eu e o Kleber vamos contigo. É um cafajeste filho da puta.

#Heitor

Andando com o Deputado Henrique em uma das fabricas da AFAIR, foi tipo um passeio institucional com ele;

- (...) Qual fabricante desse modelo Heitor?

- Doutor Henrique esse é Mitsubishi, os engenheiros estão testando ele no carro chefe da fábrica.

- Qual diferença pelos fabricados aqui?

- Estudos de emissão de CO2, hoje em dia a ONU está cobrando as fabricantes.

- Muito interessante.

- Quer entrar nele? – Aponto para o esqueleto da aeronave.

- Sim.

Mesmo sem muito que ver, para ele poderia ser interessante.

Nos saímos entrando nos carros e indo para outra extremidade da fábrica, que na verdade para quem não entende, é um aeroporto no interior de São Paulo.

- Esse aqui Henrique é o berço de nascimento do Jato Particular mais vendido do País. – Abro a porta do carro para ele.

- Uh, aqui fabricam o Falcon Fair 755?

- Sim, vamos!

Entramos na fábrica, e eu respondendo às perguntas dele;

- Estudei muito sobre esse modelo. Quanto está custando hoje em dia?

- Feito somente por encomenda, o valor inicial é de R$ 236 Milhões de reais.

- Nossa, que margem de lucro.

- Rsrs, sim. Na aviação é tudo em ponta. Mas esse leva a excelência, e design dos melhores do mundo. Com turbinas da BMW o modelo mais premiado da AFAIR S/A.

- Seu Bisavó foi visionário.

- Sim, pena que ele não pode aproveitar por muito tempo, morreu seis meses depois da fundação da companhia.

- Filho, seu pai e seu avô mudaram o rumo da aviação nesse pais. E agora você está seguindo esses passos.

- Obrigado senhor.

- Agora sei que quer me mostrar os helicópteros, uma pulga me contou ser seu robe.

- Vamos sim. – Voltamos para o carro. – Somente meu avô pilotava, nem meu pai, nem meu irmão, eu piloto helicópteros desde a adolescência quando fiz Engenharia da Aviação. Me apaixonei.

- Tem mestrado Heitor?

- Assumi responsabilidades na AFAIR desde os dezoito, então, não tenho diploma, mas estudei da melhor forma possível, dentro das fabricas com os engenheiros. É aqui. – Aponto para o local.

Quando descemos ele vai entrando, e logo de cara já pergunta;

- Ué, não são fabricados aqui?

- Não, existe um campus separado para eles. Fica a oitenta quilômetros daqui.

- Ah eu ouvi dizer, é o que leva seu nome?

- Sim, Centro de operações Heitor Montanari, que fazem lá?

- Exatamente, são fabricadas peças de todas as aeronaves, tem um dos maiores galpões onde guardam os modelos. E é feito toda linha de Helicópteros da empresa.

- Aqui eles só finalizam?

- Tem uns ajustes que são feitos aqui, algumas personalizações de clientes, ou incrementos ao modelo.

- Magnifico.

Meu celular chamou, e Kleber quando me liga, sempre é no desespero, para ele alguém está morrendo ou já morrei;

- Com licença Deputado. – Mostro o celular.

- Claro.

- Fala.

- Você tem uma palestra na USP que foi adiantada, estou a caminho.

- Meu pai que dá as palestre da USP Kleber.

- Esse ano será você Heitor.

- Senhor, vou ter que ir, tenho uma palestra na USP, que não pode ser adiada.

- Sem problemas, vou almoçar aqui na fábrica, depois vou para Brasília também.

- Ótimo. Obrigado pela manhã. – Pego em sua mão.

- Eu que agradeço filho.

O tempo de pegar o carro e ir para o começo da pista, onde havia o heliporto, foi exato o tempo de a aeronave chegar.

Camilo desce vindo até o veículo e me auxilia entrando.

Entro com o piloto já me olhando;

- Posso? – Falo pegando o fone.

Ele solta os cintos e Kleber puxa meu blazer;

- Não senhor, tem um discurso para gravar.

- Eu leio quando chegar.

- Heitor, precisa gravar.

- Nossa meu Deus. Valeu capitão. – Devolvo o fone a ele.

Sento de frente a Kleber, e Camilo do lado com outro segurança, e então levantamos voo.

- São duas páginas, e percebe as partes em branco, pode usar e alterar muita coisa. – Kleber entrega as folhas.

Eu peguei elas lendo, e como fazemos isso a anos, você vai pegando o jeito de gravar rápido textos grandes assim.

Camilo e Kleber conversando, e eu mesmo lendo, conseguia prestar atenção neles;

- Ele tem que se posicionar, tem que mostrar porque é o Presidente, isso é obrigação dele Camilo.

- Não discordo de você Kleber, mas quando se tem o pai e pessoas mais influentes como fazer isso, sem parecer soberbo.

- Aí está a sacada, Heitor se impõe, fala o que pensa, e quando questionado, é simples. Existe uma história para ele chegar onde está. Por causa do Machado ele é julgado demais, muito pelos funcionários, afinal, é Presidente de uma empresa que nunca teve outra pessoa sem seu sobrenome no comando... E filho do dono.

- É como uma dinastia?

- Exatamente, a família dele comanda tudo isso, e assim será por anos.

- Eu entendi o que quis dizer.

- Camilo para você ter ideia da força do que fazemos, se por acaso a AFAIR ter uma queda nas ações, o Brasil entra em crise, a empresa é o maior termômetro da economia nacional.

- Mas isso é errado.

- Sim, é muito errado, mas Machado com suas parcerias e amizades levou ao governo mamar na empresa, deixando eles dependentes e beijando nossos pés.

- Olha como fala Kleber. – O corrijo.

- Estou mentindo?

- Não teríamos essa força sem o apoio político, que foi essencial.

- E acordos bilionários.

- Não vou discutir com você.- Pisco para ele.

- E porque a Petrini, não é assim?

- Não era né Camilo, Dona Nice Petrini foi sagaz, ela fez parcerias no mundo e não enraizou a marca. Agora no comando do Doutor Machado podemos enxergar o futuro.

- Apreendemos com a Petrini, todos os dias. Meu pai é do tamanho de um grão de areia perto da minha mãe que pode ser representada como feijão. Ela estava à frente, sem unificar a administração e dando confiança aos empregados. Já meu pai sempre segurou as rédeas e manteve sempre assim. Por isso exige tanta energia de nós.

- Estamos chegando, para de intrometer no assunto e grava isso. – Kleber bate nas folhas.

- Parece a sua mãe. – Camilo sorri.

- Sim.

Chegamos na universidade, e essas palestras são bem rápidas, quando eu estava aproximando com os meninos, já passava um vídeo do meu pai para eles.

Subi no palco com alguns aplausos e agradecendo a todos, coloco a folha no púlpito e posiciono o microfone.

O tempo estava nublado, choveu na noite anterior, então o chão estava úmido, estou dizendo essas características pois são coisas que me marcaram naquele dia.

Havia umas quatrocentas pessoas, fotógrafos e umas câmeras, vários professores atrás de mim, junto ao reitor da universidade.

Kleber estava ao lado do palco, por volta de uns cinco metros de mim.

Camilo e Matheus junto a equipe de segurança fazendo o trabalho, sempre ativos, e se comunicando.

Me lembro de virar a folha que estava lendo, algo com parcerias e companheirismo.

Olhando nos olhos das pessoas, percebo todo mundo olhando para minha esquerda, eu fiz o mesmo, tudo em câmera lenta.

Vejo um homem sem camisa, com o corpo cheio de desenhos e algo escrito correndo em minha direção.

Alguns professores tentaram parar ele, quando ele tromba comigo, sinto um murro no ombro e caímos no chão, e cara uma avalanche de seguranças tirando ele de perto de mim. Eu meio que me afastei me arrastando no chão pelo susto.

Minha adrenalina foi lá em cima. Todo mundo de pé assustado, ouvi muitos gritos, o Camilo se joga deitando sobre mim, junto a Matheus fazendo uma proteção humana.

Camilo olhava para os lados, e se levanta apoiando em mim, quando ele fica de joelhos vejo sague em sua roupa, seu paletó preto estava molhado e sua camisa branca estava vermelha;

- Fica comigo, acompanha minha voz. Olha só para mim. – Ele dizia segurando meu braço. – Quero uma proteção e remoção URGENTE. – Ele grita no ponto do ouvido.

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