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Clichê - Segunda Temporada - Cap. 12

Por um momento o Camilo até para, todo mundo olhou na verdade a cena, o Fabiano estava muito escandaloso;

- Desculpe, mas tenho acesso nível 1, posso entrar em qualquer estabelecimento da família. E também venho em nome da Presidência, com licença. – Camilo fala encarando ele.

Camilo estava com uma sacola parda, do tamanho que cabia um sapato. Ele se aproxima estendendo a mão;

- Direto de Paris, a própria Dona Nice mandou lhe entregar, foi feita pelo Augusto.

- Para mim?

- Sim.

- Obrigada Camilo. – Abraço ele.

Eu sai da sala com ele, e no corredor sem pessoas perto;

- Obrigado por ter falado daquele jeito com o Fabiano.

- Rsrs, não conta para ninguém, mas não existe níveis de segurança, rsrs.

- Adoro.

- Presente enviado da família para você, Kleber mandou lhe entregar.

- Nossa to emocionada, muito obrigada. – Volto a abraçar ele.

- Preciso de sua ajuda.

- Claro, como que quiser.

- Como encontro o Caio?

- Caio?

- Sim.

- Faz assim ele está sem celular esses dias, tentei falar com ele e nada, me dê seu telefone, que encontro ele e ligo para você, tudo bem.

- Claro se não for incomodo. – Ele me entrega o seu cartão.

#Caio

Esperei minha mãe sair para o trabalho e só depois eu fui subir o morro.

Leandro havia avisado de um trabalho logo, logo. Fui subindo, até a boca de fumo onde marcaram.

Com muitos moradores descendo para o trabalho, eu passo no barraco de Leandro, que estava vestindo o Kalleb;

- E aí cara. – Falo da janela.

- Pronto?

- Sim, vamos?

- Mano tenho que levar o moleque.

- Na avó dele?

- Não, na boca.

- Está maluco?

- A avó dele foi no banco.

- Fica aí eu vou.

- Não, o trabalho é meu.

- Não vai levar o moleque em uma boca de fumo Leandro.

- Então pega, meu celular, qualquer coisa.

- Beleza.

- Vai com Deus.

- Valeu.

Vou subindo sozinho, por conhecer bem a comunidade, sigo até o topo, indo na tal boca de fumo. Que ficava em uma rua normal, ao lado de alguns comércios fechados, havia poucas pessoas na rua;

- E ai mano.

- Fala Caio, cadê Leandro?

- Ele tem que ficar com Kalleb, mandou eu cumprir essa.

- Chega aí. – Ele entra comigo em uma porta de madeira.

Ele tinha uma arma na cintura, e abaixa pegando uma mochila suja no chão;

- Tem trinta conto aqui. – Ele entrega um pacote de dinheiro. – A entrega vai ser feita no pé do morro, frente ao club, ta ligado onde é viado?

- To ligado, mano trinta mil?

- Trinta conto! Essa grana é parta da polícia, vão estar te esperando.

- Beleza. – Vou saindo.

- Ei, calma aí irmão. Está com pressa?

- Qual é?

- Aqui, para você. – Ele me entrega sua arma.

- Não preciso. Valeu.

- Não to perguntando não cara, pega essa porra aí.

- Porque eu precisaria de uma “peça”?

- Porque não precisaria. Agora “rala peito”. Vaza.

Eu estava de chinelas, bermuda, a mochila de lado e boné, sem camisa, desci a favela com aquela arma meio escondida. Coloquei ela dentro do boné, e a levei na mão.

Era descer, entregar e pronto.

Depois de uns vinte minutos no pé do morro, eu apareço na rua, vendo a viatura parada, vou seguindo então pela calçada.

Foi obvio que eu aproximando eles ficaram espertos, e já com armas na mão, e olhando fixos para mim;

- Para aí parceiro. – Um deles já aponta a arma para mim.

- Vim falar com vocês. – Falo parado.

- Eles se olham e dizem.

- Mãos na cabeça e vira de costas devagar. – Eles se aproximam.

Quando vão se aproximando, eu digo;

- Estou armado.

- Onde ela está?

- Na mão direita.

- Coloca no chão.

Em um momento lento deixo ela no chão, e eles me revistam, pegando a arma e a bolsa.

Ao ver o dinheiro um deles manda;

- Coloca ele na viatura.

Entrou dois na frente e eu e mais dois atrás. Saímos da comunidade e o cara no banco do carona contando a grana;

- Quanto tem aqui?

- Trinta.

Quando eu respondo eles começam a rir;

- Que papo é esse irmão? Combinado é 50 por semana.

- Só entrego, não faço parte da negociação.

- E ele está bravo é. – Ele pega a arma e aponta para mim. – Como sabe que tem trinca? Anda passando a mão na grana do patrão é? Sabe que fazem com gente como vocês?

- Só entrego.

- Claro, a pistola é de brinquedo né. – O cara do meu lado começa a rir.

- O último que brincou comigo a gente passou ele, e seu patrão não apreendeu, que faço com você?

- Como quer que ele apreenda se matou o cara, alguém tem que chegar nele.

- Você está certo! Para aqui Fonseca. – Ele diz ao motorista. – Vai falar com seu patrão que não estamos brincando, e que isso aqui é falta de respeito, quanto mais ele diminuir a grana menos informação chega, e menos encomendas sobem o morro. Agora vaza.

Nossa eles me deixaram, longe demais, tipo, muito mesmo, e pior, ficaram com a arma.

#Helena/Samuel

Abri o pacote na sala, com a Paulina. Gente eu abri a caixa e meus olhos pularam, era uma bota, que eu tinha desenhado no caderno de Guto.

A folha do caderno estava lá dentro, e a bota, ele fabricou ela.

- Nossa que peça magnifica, tinha que ser né. – Paulina mostra a assinatura no calçado.

Como de fábrica, Nice Petrini.

Ela pega o papel e questiona, comigo toda emocionada;

- Quem fez?

- Eu.

- Está muito bom, muito mesmo. E pelo que sei, é uma exclusiva.

- Não to acreditando, serio, é perfeita.

Eu me sentei calçando e experimentando é claro, gente perfeita, confortável os detalhes, tudo.

Meu dia não poderia melhorar.

Quando sai do serviço, pela Petrini ser perto da Casa 1, passei por lá antes de ir embora.

E foi Deus que me mandou para lá nessa hora. Pois quando desci do ônibus, vejo o Breno passando, com uma mochila nas costas.

Como ele não me viu o sigo por metros;

- Aonde pensa que vai?

Ele me olha e tenta correr, mas gente!

Tirei meu salto ali no meio da rua mesmo e fui atrás, nem chegamos na esquina alcancei ele;

- Não me respondeu e acha que vai fugir assim? – Seguro em sua camisa.

- Não preciso mais de vocês.

- Eu sei, mas nem um obrigado?

- Não quero servir de exemplo para outras pessoas, como o coitadinho que foi estuprado.

- Meu Deus, Lucia que me perdoe com a metodologia dela. Mas você é burro em garoto? Pelo amor de Deus. Estamos te ajudando, para não acontecer novamente o que aconteceu, agora se quer ir embora vai.

- Eu sei me cuidar.

- Não tem como se cuida com um homem daquele solto por aí.

- Vocês disseram que ele foi preso.

- Acabo de falar com o Luan, ele pagou a fiança, está na rua novamente, solto, sabe-se lá onde. – Falo olhando em seus olhos.

- Quer dizer que se eu...

- Que você pode encontrar ele a qualquer momento, e as Deus que vai fazer agora.

Breno não diz nada, só se vira, voltando em direção a Casa 1.

Vou seguindo ele, com os sapatos e sacolas nas mãos. Quando entramos, a Lucia já estava preocupada na porta, ela olha para a gente.

Como ele entra na frente, eu faço sinal de silencio para ela;

- Que houve? – Ela olha para mim.

- Para qualquer hipótese o cara que agrediu Breno está na rua.

- Mas por.... Ah entendi.

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