• Richardson Garcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 11

#Augusto

Moro de frente a um dos parques mais famosos aqui de Paris, todas as manhãs eu corro por aproximadamente uns dois a quatro quilômetros.

Voltei para casa por volta de umas nove e meia da manhã. Todo mundo estava na mesa, tomando café;

- Bom dia! Bom dia. – Falo a todos. – Hum na mesa, que linda. – Beijo minha mãe.

- Bom dia. – Ela responde.

- Vou tomar um banho. Não comem tudo.

Vou para meu quarto, tomo meu banho rápido, pois não é sempre que pego minha mãe tomando café na mesa.

Na mesa eu sentei ao lado dela, que estava sorridente e diferente digamos assim;

- Mãe, Heitor contou para onde a senhora vai hoje? – Pergunto.

- Não, para onde? – Ela olha para ele.

- A senhora vai para o Brasil mãe.

- Mas eu já estou no Brasil querido.

Ele me olha e eu digo;

- Ele quis dizer que vamos ficar um tempo sem se ver mãe.

- Porque? Vai para onde Augusto?

- Vou estudar mãe. Volto em uns dois a três meses.

- Hum, espero, e vê se não vai aprontar Augusto.

- Deixa comigo, e a senhora cuida do meu irmão.

Ela deixa a xicara e abaixa próximo a mim;

- Viu que ele está feliz hoje?

Todo mundo sorri, e eu olho para Heitor que estava com uma cara lerda olhando para ela;

- De onde tirou isso Mãe?

- Só olhar para você, parece que comeu um cabide.

- Até Camilo se engasga com o suco com o comentário dela.

- Está todo feliz né Heitor, a noite ontem foi boa né?

Kleber quase afoga no copo, se limpa, e eu rindo. Ele olha;

- Cala a boca.

- Quiete vocês todos. Vem me ajuda, tenho que arrumar minhas coisas.

- Minha mãe me puxa da mesa.

Fui para seu quarto, ajudar ela com as roupas, e logo em seguida a equipe chegou, um deles acho que psicólogo conversa com ela, sobre a viagem e tudo mais.

#Helena/Samuel

Maquiagem bem-feita, cabelo no jeito, e uniforme, com um bordado no peito esquerdo “Nice Petrini”. Vocês não têm ideia do valor daquele nome.

Cheguei mais cedo, e Misael me encontra na recepção;

- Bom dia.

- Bom dia, como vai?

- Ótimo, vem estou atrasado, tenho uma reunião, vou deixar você com a Paulina, vão trabalhar juntas. – Ele entra no elevador.

- Tudo bem.

Pessoal descemos no terceiro andar, haviam muitas salas, todas de vidro, com muita, muita roupa, manequins por todos os lados.

Entramos em uma das últimas, um Atelier na verdade, a coisa mais linda do mundo;

- Paulina, bom dia, essa é a Helena que havia te falado ontem. – Ele abre a porta.

- Bom dia filha. – Uma senhora já de idade me cumprimenta.

- Bom dia, prazer.

- Meninas estou atrasado, Helena depois volto para conversarmos.

- Tudo bem.

Ele fecha a porta e ela diz;

- Helena tenho que entregar uma saia, me espere um minuto que te apresento tudo. – Ela volta para sua mesa.

- Fica tranquila, não se preocupe.

Fiquei vendo ela terminar uma saia dourada, muito linda, com uma barra trabalhada, serio perfeita.

E do nada a porta da sala se abre, um cara entra falando alto, e perceptivelmente GAY;

- Eu te ligo bicha. – Falava ao telefone. – Paulina minha delicia, fala que terminou.

- Oi filho, dá uma olhada. – Ela entrega.

- Aí, não tinha te visto, é a nova costureira? – Ele pergunta.

- Sou sim, Helena, prazer.

- Wilker, Adorei as unhas, você que faz. – Ele pega em minha mão.

- Sim, eu que as pinto, mas são fibra de vidro.

- Ai que bafo! Já gostei de você, seja bem-vinda.

- Obrigada.

- Paulina do jeito que eu queria, obrigado. Tchau gente. – Ele era muito acelerado.

- Quem é? – Pergunto.

- Desenhista aqui da Petrini, tem muito tempo já de cara.

- Serio, parece novo.

- Não, tem trinta e três anos.

- Meu Deus.

- Olha agora posso te mostrar as coisas. Os ateliers são separados por duplas, eu e você trabalhamos para todos os desenhistas, o que eles mandarem nós fazemos. Aqui estão as linhas mais utilizadas. – Ela mostra a parede. – Todas as cores necessárias e estilos, tudo. Temos também amostras de tecidos, para mudar alguma coisa caso querermos.

- Calma, podemos alterar a criação deles?

- Olha Helena, agora que está chegando é melhor não, mas quando você vê que pode melhorar sim. Porque eles desenham, e enxergam de um jeito, você que está fazendo, é outra coisa.

- Entendi.

- Vamos vou te mostrar o guarda roupas, e a copa.

- Certo.

Pessoal descemos para um local, que quando morrer quero ser enterrada lá dentro. É um guarda roupas gigantesco, tipo, toma todo o andar. Paulina explicou que é onde se encontra coleções, esboços e projetos que não foram para as vitrines, eles guardavam tudo. Roupas, sapatos, bolsas, acessórios, tudo, era o paraíso.

Mostrou os materiais, todos tecidos que poderíamos usar, desde tecidos em fios de ouro a lantejoulas, tinha tudo, tudo.

Voltamos para a nossa sala, ela me mostrou meu material e onde ficaria, a sala tinha duas maquinas, uma na frente da outra, ficamos praticamente sozinhas o dia todo.

- Paulina vê a Nice Petrini por aqui? – Pregunto ao me sentar e ajeitar minhas coisas.

- Helena tem anos que não vejo dona Nice, desde que ela se mudou para Paris.

- É fiquei sabendo disso, pensei que ela ainda fazia visitas.

- Não.

O telefone da sala toca e ela atende, fala rápido;

- Helena temos uma reunião, parece que toda a empresa, vamos.

- Sim, claro.

Quando saímos da sala, todos funcionários estão seguindo para fora, desdemos as escadas, para um tipo de estúdio, era o maior lugar aberto dentro da empresa.

Estavam todos se reunindo e tinha uma espécie de lugar mais alto, onde tinha seis pessoas, e o Wilker estava lá em cima, olhando em todos, já sabem né?

Fabiano, me encarando com fogo nos olhos, e odeio afirmar, ele estava mais forte, mais homem, muito mais lindo, infelizmente, o tempo fez bem a ele.

Uma das pessoas começou a falar;

- Obrigado a todos que puderam vir, logico que pelo público os funcionários da loja não conseguem estar aqui conosco, mas recebemos essa manhã uma notícia muito importante. Outro dia Heitor Montanari esteve aqui na Petrini e pessoalmente informou o afastamento de nossa Presidente Alexânia Amaro, como todos sabem estamos, os seis, nomeados responsáveis pela Matrix do Brasil, e como porta vozes de vocês. Informo oficialmente o afastamento de Nice Petrini Mofatto Hon das atividades em todas as empresas de seu nome, ela está aposentada.

Todo mundo começa a falar, meio que assustados, e surpresos.

- Gente! Gente! Não vai acontecer nada com as empresas, continuaram com o trabalho de vocês, mas a partir de hoje mais ainda terão que fazer valer a pena o esforço de vocês, por ela, pela família dela e de vocês.

O cara continuou falando, algumas coisas, cobranças da equipe e tals, essas coisas.

Logo dispensou todos, a Paulina ficou falando com outra mulher, e sinto uma das mãos nas costas;

- E então, Paulina te mostrou tudo? – Misael diz.

- Sim, ela é uma fofa.

- Sim, é a melhor, bem se precisar de alguma coisa só chegar em mim, sabe onde me encontrar.

- Obrigada.

- Samuel Faria, quem diria! – Fabiano fala se aproximando.

Era de se esperar, olhei para ele dizendo;

- Quanto tempo Fabiano, mas agora é Helena. – Abro um sorriso sarcástico.

- Serio? Helena? Foi o melhor que conseguiu?

- É Helena senhor. – Misael o corrige.

- Falei com você? Sai. – Fabiano gesticula com a mão. – É o que perseguição? Depois de tanto tempo? – Ele me olha.

- Acredite a última coisa que eu queria era ver você ao entrar aqui, mas não tenho escolha.

- Não, não tem, agora trabalha para mim.

- Ai já se conhecem? – Wilker se aproxima de nós.

- Estudamos juntos. – Eu falo.

- Bicha você viu as unhas dela. – Ele pega de novo em minha mão.

- Para mim ainda é Samuel, como nos velhos tempos. – Ele faz uma brincadeira de mal gosto.

- Não dê bola, está com inveja das suas garras.

- Não atrapalhando fazer o seu trabalho. – Fabiano diz.

- Aí está de mal humor hoje, nem quero ficar perto.

Wilker sai de perto, e eu até iria sair, mas ele pergunta;

- Tem falado com o Guto?

Olhei para ele e disse que;

- Não.

- Com certeza não, deve ser por.... – Fabiano aponta para mim, de cima abaixo.

- Quer dizer alguma coisa? – Encaro ele.

- Eu não, longe de mim.

Tinha poucas pessoas perto, ninguém ouviu nossa conversa, mas a próxima cena me deixou de cara no chão;

- Helena? – Escuto meu nome vindo da porta.

- Oi.

Gente era o Camilo, ele vai entrando e claro que Fabiano não deixa baixo;

- Esse é um estúdio privativo, não pode entrar aqui, seguranças ficam ao lado de fora.

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