• Richardson Garcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 09

Guto afasta, e pega na mão de Kleber, o abraçando ele;

- Mano você veio, quanto tempo.

- Nossa você cresceu mais ainda, rsrs. – Kleber brinca.

O meu encontro com meu irmão não foi tão emocionante quanto o de Camilo, foi bonito de se ver.

- Fala seu traíra, quanto tempo mano. – Guto pula em Camilo.

A altura de tirar os pés do chão.

- Como é bom ver você filho. – Ele aperta meu irmão.

Guto sai do abraço com lagrimas nos olhos;

- Quanto tempo não se viam? – Pergunto.

- Dois anos e meio né? – Guto pergunta ele.

- Sim, mais ou menos isso.

- E mamãe?

- No quarto dela. – Guto mostra o corredor. – Vem vou te mostrar. “Montrez-leur la chambre s'il vous plaît”. – Augusto manda a empregada levar os meninos para os quartos.

Acompanhei ele seguindo para o quarto onde minha mãe estava.

Deitada, com as pernas cobertas, com uma vasilha de biscoitos, de metal nas mãos, assistindo algum programa Parisiense.

- Mãe, benção. – Falo beijando o rosto dela.

Ela respondeu, mas falou em francês, e eu não falo francês;

- Mãe, sou eu o Heitor. – Pego em sua mão.

Novamente ela diz algo, e em francês, eu sem entender, ela me abraça, tão gostosamente, e continua sua pronuncia em Frances, o Guto diz algo e me olha;

- Ela está feliz em te ver Heitor.

- Porque francês?

- Ela gosta, tem dias que ela acorda e só fala francês.

- Eu não falo francês.

- Apreende mano, eu apreendi.

- Ela entende o que eu falo, mas só se comunica em Frances?

- Sim.

Ela me deu um biscoito, me fez deitar ao seu lado, e tirar os sapatos por causa da cama dela.

Mandou Guto arrumar a banheira para ela, mas tipo, ele falou com a empregada e ela frisou que queria ele.

Depois que ela foi para o banho, acompanhada da moça contratada aqui em Paris. Nós fomos para a sala.

- Desculpem, mas não tem quarto disponível para todos. – Kleber entra falando.

- Como assim, temos o de.... Aí é mesmo. – Guto coloca a mão na testa.

- Eu fico no quarto dos empregados, mas é muito pequeno, não cabe o Kleber. – Camilo responde.

- Gente sem problemas, eu pego minhas coisas e vou para o hotel, é perto daqui.

- Fica Kleber. – Guto encara ele. – É que a acompanhante da mamãe usa um dos quartos, se importa de ele ficar no seu? – Ele me pergunta.

- Não, claro que não, coloca suas coisas no meu quarto.

- Gente eu não quero atrapalhar.

- Kleber pode colocar, sem problemas.

Então organizamos os quartos, o Camilo foi para o de funcionários, eu e Kleber em um dos convidados.

Chegamos a noitinha, o jantar da minha mãe era servido mais cedo, ela seguia outra rotina e outra dieta, enquanto o jantar estava sendo feito, Guto obrigou Camilo sentar e beber com a gente.

Eu e Kleber em um sofá, ele e o Camilo no outro;

- (...) Como ele está?

- Guto, Samuel está bem, tipo muito bem, terminando a faculdade de moda agora. Só Caio que não tenho muitas notícias.

O meu irmão fica meio emocionado quando vai falar do Caio;

- Ele paga por me defender e por estar comigo, devo muito aos dois, vai me fazer um favor, encontre o Caio quando voltar. – Ele fala ao Camilo.

- Sim, eu faço isso.

- Quando volta? – Kleber pergunta.

- Estou terminando os estudos, e a universidade cobra muito de nós, esse ano temos um desfile e pela primeira vez vou trabalhar em algo que irá concorrer com a Petrini na passarela.

- Vocês também participam? – Pergunto.

- Sim, a escola participa todos os anos com a turma de formatura do ano.

- Excelente.

- Mas respondendo sua pergunta Kleber, espero não voltar, eu gosto daqui, e quero ficar.

- Como assim. – Pergunto.

- É isso mesmo Heitor, se precisar de mim, temos uma sede aqui em Paris, sempre que posso estou por lá.

- Mas precisamos de você no Brasil.

- Ninguém precisa de mim lá Heitor.

Eu coço a garganta e ele já me olha diferente;

- Eu irei ver a mamãe sempre, sempre. De dois em dois meses. Estou triste, estou muito por ficar sozinho, ela e minha companheira sabe. Mas o Gabriel conversou bastante comigo. Estava pensando estes dias, que nunca fui feliz no Brasil, é melhor eu ficar mesmo aqui.

- A mamãe vai ficar bem, o Gabriel vai estar perto, ele sempre estará próximo a ela. E a clínica é a melhor do pais.

- O que?

- Clínica é onde a mamãe vai ficar Guto! – Afirmo para ele.

- Ficou maluco?

- Como assim?

- Você que me responde Heitor, querem a mamãe em uma clínica? Ela por acaso é doida? Me responde?

- Mano no meu apartamento não tem estrutura para ter ela comigo, e o papai está morando com a Alexânia.

- Ele colocou aquela perua lá, porque você deixou Heitor.

- Cara já conversamos sobre isso.

- Olha para mim, vai colocar a sua mãe em uma clínica? Tem certeza disso? – Ele estava muito bravo.

- O que quer que eu faça?

Augusto já levanta bravo, e gritando, criando uma puta cena, na frente dos meninos;

- O que eu quero? Que você vire homem Heitor! PORRA. É sua mãe também caralho, ela está doente, precisa de ajuda, de amor, atenção, não pode abandonar ela assim. – Ele fala de pé atrás da poltrona.

- Não estou abandonando ela, e não venha falar de abandono, não você. – Aponto para ele.

- Eu sei que quer jogar na minha cara...

- Kalleb mora na favela. FAVELA! E você em um apartamento milionário em Paris, é seu filho. – De pé grito com ele.

- Pega ele você e cria, se te importa tanto assim. – Ele apontava para mim.

- O filho é seu e não meu.

- O filho é meu e não seu, então não lhe devo satisfações do que eu faço ou deixo de fazer.

- Você vai pagar caro demais, muito por deixar alguém do seu sangue viver daquele jeito.

Ele estava puto, só não pulou em mim, por que sou seu irmão.

- Você saiu do Brasil para vir jogar isso na minha cara. Quem vai pagar sou eu. – Ele batia no peito. - Podem dormir aqui, mas amanhã ela não vai com vocês. – Ele coloca a mão na cintura.

- É pela saúde dela Guto.

- Procuro outro médico que cuide dela dentro da minha casa e não em uma clínica abandonada.

- Ela não vai ficar sozinha Guto. – Falo com ele voltando a se sentar.

- É a melhor clínica do pais, tem milhares de pacientes, e uma equipe extremamente profissional Augusto. – Kleber intromete.

Olhando para baixo, ele diz;

- Ela lembra do meu nome três vezes na semana, são somente três dias, que ela sabe que sou seu filho. Os outros quatro ela pergunta de você. – Ele me olha.

- Nunca irei abandonar ela, eu dou minha palavra.

- Ela só tem a gente Heitor, só eu e você. – Lagrimas descem em seu rosto caindo no chão, seus olhos claros me encarando.

- A mamãe e você são as pessoas que eu mais amo nesse mundo Guto, dou minha vida por vocês.

Ajoelho na sua frente, abraçando ele.

Sabem o mais estranho, é que meu irmão mudou, e muito, era tão perceptível a mudança que escoria pelos seus olhos.

- Desculpem senhores, o jantar está servido. – A empregada diz.

Gente todas as empregadas da casa falavam francês, então o Guto servia de tradutor para a gente.

Ele foi no banheiro lavar o rosto, e depois sentamos para jantar. Enquanto a gente comia ele ficou muito de papo com o Camilo.

E o Kleber sem jeito com algumas coisas que havia na mesa, com ele estava do meu lado, ficava mais fácil da conversa;

- Heitor que é isso?

- Rsrs, ostras, você já comeu?

- Não.

- Aqui, coloque bastante limão, vira como se fosse uma tequila.

- Não coloca sal?

- Não, pega. – Coloco em sua mão.

Ele faz cara de nojo, mas vira comendo, mastiga de um jeito estranho;

- A textura não é boa, mas o gosto é muito diferente. – Ele fala se limpando.

Guto que estava olhando comenta;

- Tem gosto de mar, com limão né?

- Sim, é muito diferente, rsrs, eu gostei.

Depois do jantar o Guto chama Kleber para o escritório;

- Quero te entregar algo. – Ele fala sumindo no corredor.

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