• @rgpatrickoficial

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 07

#Heitor

Depois que meu pai mudou com Alexânia para nossa casa, eu decidi mudar, até porque não queria proximidade com eles, e deixar de certa forma mais “a vontade”.

Mudei para um apartamento próximo ao escritório.

Mas voltando ao assunto que estava tirando meu sono, eu tinha que buscar minha mãe, mas não poderia chegar em Paris, com a Alexânia no comando da empresa da minha mãe. Augusto me mataria.

Eu acordei e desci para a academia do prédio, fiz um “cárdio” e subi para meu apartamento, abro a porta e minha cozinha que fica à direita, escuto um barulho.

Fixo o olhar encostando a porta e vou me aproximando devagar.

O viado do Kleber aparece do nada, subindo e ficando de pé;

- Ei.

- Filho da puta! Quer me matar de susto. – Chego deixar minha garrada de agua cair.

- Rsrs, dramático, estava onde?

- Treinando, você tem a chave do meu apartamento? – Entro na cozinha.

- Eu tenho a chave do seu apartamento, senhas de cartões, contas dos bancos, e até sua dieta.

Abro a geladeira pegando outra agua e olho o fogão;

- Não precisa fazer nada Kleber.

- Estou com fome também Heitor.

- Parece que eu me casei, você cozinha, sabe mais da minha vida do que eu, até manda em mim.

- Tem razão, vai se arrumar pois não podemos atrasar hoje, temos que discutir uma estratégia para enfrentar seu pai.

- Nossa procura um remédio de dor de cabeça, pois vou ter que levar uma cartela hoje.

- Deixa comigo. Vai mano, está atrasado.

Vou bebendo agua, tomar um banho, me trocar, arrumar cabelo, e volto para “comer”.

Ele tinha feito umas panquecas muito diferentes, eu sentei no balcão olhando aquele prato, ele já irônico.

- Ovo, farinha de aveia e amêndoas, está gostoso.

Eu experimento, mas não digo nada;

- Pensou em algo Kleber?

- Não, vamos contra o conselho, contra Edson, contra o Deputado Henrique, e o pior, contra seu pai. – Ele me encara.

- Não sei o que fazer. – Pego o café.

- Jogar a culpa em Guto seria muita falta de ética nossa?

- Não é essa questão Kleber, é minha mãe, ponto.

O celular dele chama, sem tirar do balcão, ele atende, ali mesmo;

- Bom dia Camilo.

- Bom dia Kleber, estamos aguardando aqui em baixo.

- Obrigado. – Ele desliga. – Vamos?

- Sim, não temos escolha né.

Descemos e eu não tive escolha, até a AFAIR, fui conversando com o Guto, eu precisaria da ajuda dele, não tinha para onde correr, sozinho o conselho nem iria me ouvir.

Para me ajudar na empresa, quando cheguei, e entramos no elevador na recepção, o Deputado vem correndo, para subir juntos;

- Bom dia senhores, que teremos um ótimo e abençoado dia de trabalho. – Ele fala.

Subimos, e o elevador se abre na sala do meu pai, saímos e a secretaria dele diz estar tomando café, e assim não deixou Camilo e Kleber entrar, nem eles, nem ou outros assessores.

Na sala estava Edson, meu pai, eu o Deputado Henrique e a Alexânia.

Eles estavam comendo e bebendo, mas pelo jeito estavam terminando, eu só bebi um café, para não fazer desfeita.

Gente eles conversando eu quase falei e contei tudo, mas me segurei, afinal de contas, abrir a boca ali não teria efeito algum e sim só dor de cabeça.

A secretaria do meu pai entra, e diz que o conselho estava na sala de reuniões aguardando.

Essas reuniões extraordinárias aconteciam mensalmente, para ser estipulado estratégias dos próximos dias, junto a um balanço e tudo mais.

Nessa sim Kleber pode entrar e ficar ao fundo, no meio dos assuntos, todas as conversas, e discussões, meu pai já finalizando;

- Heitor e o acidente com o novo protótipo de helicóptero do exército? – Ele me olha.

- Não houve feridos, o erro veio dos engenheiros, a aeronave teve um problema no pouso e....

- Todas as aeronaves testadas tiveram problemas no pouso, é um problema do setor? – Meu pai pergunta.

- Eu estava no comando na época Machado, e estava fazendo uns ajustes na equipe, pode ser isso. – Edson disse.

- Demita toda a equipe, colocam todos para a rua, esse acidente da semana passada perdemos 15 milhões de reais, o projeto é caro demais, não podemos rasgar tanto dinheiro assim. Todos de acordo? – Ele se levanta colocando as mãos na mesa. – Mão para cima.

Todos, com unanimidade levantam as mãos.

- Ótimo, finalizamos aqui mais esse concelho, alguém quer pontuar alguma coisa?

Meu pai pergunta, com todo mundo de pé prontos para sair da sala;

- Eu tenho uma coisa para falar.

Vejo o Kleber ficar vermelho.

- Diga Heitor.

As pessoas estavam saindo, e ficaram olhando;

- Precisamos discutir a decisão da presidência da Nice Petrini.

Alexânia que estava com sua pasta de lado, atrás do meu pai, me olha perguntando;

- Aconteceu algo que eu não saiba?

- Esse assunto foi encerrado Heitor, ela é a presidente, o conselho aprovou.

- Não a minha mãe.

Gente todo mundo volta para as cadeiras, até com medo, minhas mãos soando, a Alexânia nem se sentou, me upai estava de pé, ficou me olhando com fogo nos olhos;

- Sua mãe não tem capacidade para decidir isso mais Heitor.

- Alexânia não pode assumir a empresa.

- Porque não. - Ela fala alto.

- A decisão do conselho não pode decidir por todos.

- Todos votaram a favor Heitor, o que quer dizer? – Meu pai fala puto comigo.

- Eu como parte do concelho voto contra a decisão! E de acordo com o regimento dessa mesa, quando um dos conselheiros discorda da decisão, ela tem que ser revista.

- O que eu fiz para você Heitor? Meu filho, já conversamos sobre isso. – Ela diz preocupada.

- Não aceito que você me contradiz. Eu indiquei a Alexânia, ela é a Presidente da Nice Petrini e assim vai continuar, e não há ninguém nessa sala que possa mudar isso, está me ouvindo, e não ouse me desafiar novamente Heitor. Aqui dento você é meu subordinado. Eu coloquei você no lugar que está. – Ele fala apontando dedo na minha cara.

- Dentro dessa sala não, mas em Paris tem. – Kleber se aproxima com o celular na mão. – Com licença. Guto pronto. – Ele deixa o celular no meio da mesa.

Gente eu vi minha carreira indo descendo a descarga, porque meu irmão não tem papas na língua.

Quando Kleber falou a “deixa”, ouvimos o celular na viva voz, todos calaram dentro da sala;

“- Senhoras e senhores, quem vos fala é Augusto Afonso Montanari Petrini, não faço parte do conselho, não faço parte de nenhuma das empresas discutidas nessa mesa, talvez nem dessa família! Peço a licença a todos, e direciono a palavra a meu querido pai. Doutor Machado isso aqui é uma ameaça direta a você e sua reputação. A partir do momento dessa ligação, se acaso Alexânia Amaro de Rosa pisar na Nice Petrini, o mundo saberá que você traiu minha mãe com ela, que afastou eu e minha mãe para colocar essa perua morando dentro de nossa casa. Que minha mãe sofre de Alzheimer que assinou documentos de testamento e empresariais sem total controle de suas faculdades mentais, passando o império para esse conselho. E caso ache pouco, posso falar que subordinou uma garota gravida para tirar um filho meu, todas essas decisões vindas dessa mesa onde vocês acham que são Deuses decidindo a vida das pessoas. ”

- Não tem o direito de me ameaçar garoto.

“- Acho que consigo um prejuízo de uns vinte bilhões em três semanas depois de abrir a boca, a mídia adora um drama como esse talvez o senhor vire até novela. O recado está dado! ”.

Tu.

Tu.

Tu.

O celular desligou, eu pingava de suor, escorria pelo meu rosto, a mão e pernas tremendo muito.

Ninguém falou nada, o foco que estava em mim, desapareceu, Kleber pegou o celular se afastando;

- Não podemos correr esse risco. – Deputado Henrique fala. – Quem é o garoto?

- Meu irmão. – Respondo.

- Machado não podemos ir contra ele, o garoto está convicto de sua decisão, é uma ameaça. – Henrique continua.

- Ele não é louco de fazer isso, é a empresa da família dele. – Edson diz a Henrique.

- Idiota! Acha que ele se preocupa com a gente? Augusto está cagando e andando para essas empresas. Ele está fazendo isso para me afrontar, é a diversão desse inferno.

Meu pai gritava na sala;

- Ameaça ou não eu voto para o afastamento de Alexânia. – Henrique levanta sua mão.

Todo mundo, todo mundo na mesa faz o mesmo;

- Eu voto a favor do afastamento.

- A favor.

- Também a favor.

Ele conseguiu, o conselho por unanimidade afasta a Alexânia das atividades dentro da empresa.

Ela pegou a pasta e saiu puta daquela sala, todo mundo começou a sair devagar e meu pai de pé me olha perguntando;

- Porque não me falou?

- O senhor não iria acreditar.

- Está do lado do seu irmão?

- Estou do lado da minha mãe.

- Olha para mim, ela está doente, está louca, igual seu irmão. Nunca mais faça isso, pois tem lugares vagos naquele apartamento em Paris.

- Sim, senhor.

- Vai para a Petrini, e tente organizar aquela bagunça, você causou isso, agora se vire.

- Sim, senhor.

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