• @rgpatrickoficial

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 06

Quando a equipe nos deixou entrar, o garoto já estava acordado, ele havia acabado de comer.

Careca por conta dos curativos, sua cabeça estava toda enfaixada, com curativos em partes do braço, e no rosto. Eu entrei olhando em sua mão, havia algumas unhas quebradas, e ele estava meio envergonhado;

- Vou deixar vocês a sós. – A Enfermeira sai.

Eu fiquei à esquerda e a Lucia a Direita!

- Oi. – O cumprimento.

- São da polícia ou da prefeitura? – Ele pergunta, com uma voz bem fina.

- Meu nome é Lucia, ela é a Helena, somos da Casa 1, abrigo para pessoas LGBTs.

- Não preciso de ajuda.

- Qual seu nome? – Pergunto.

- Breno.

Ele não olhava para a gente, ficava olhando sempre para baixo.

- Breno precisa contar para gente o que aconteceu para que possamos lhe ajudar. – Coloco a mão sob sua perna, no lençol. – Qual o nome dos seus pais?

- Eles não querem saber de mim, não adianta irem atrás.

- Tem que idade Breno? – Lucia pergunta.

- Tenho dezoito.

- Onde você mora.

- Na rua.

- Desde quando?

Ele me olha se sentando direito, e diz;

- Desde quando minha mãe me colocou para fora, por eu ser gay.

- Como está vivendo?

- Como qualquer gay que mora na rua, fazendo uns programas, roubando para comer, o de sempre.

- Sabe que nem sempre precisa ser assim né. – Falo me sentando do seu lado.

- E o que você sabe? Roupa de marca, maquiagem fina, é rica e privilegiada! Escuta, quando você tem dinheiro e poder as pessoas não julgam se está dormindo com um cara. Mas se você mora na rua, julgam e apontam o dedo só pelo jeito que você respira.

- Garoto eu não te conheço, e você não me conhece, estou aqui para te ajudar, pois está sozinho, ninguém quer saber de pessoas como eu ou como você, somos invisíveis, e se não nos ajudarmos ninguém vai, então mais respeito.

Ele ficou me encarando, não estava bravo, mas sim, me olhando freneticamente;

- Helena está certa. Deixa a gente te ajudar. O que se lembra do que aconteceu?

Ele olha para Lucia e responde;

- Eu tinha acabado de sair da padaria onde eles me dão pão todos os dias, passando pelo caminho de sempre, vejo um cara passar de moto, depois voltando, ele diminuiu a velocidade, eu sem entender, ele desceu e me arrastou para o mato, depois senti somente uma pancada na cabeça, e nada mais, acordei na ambulância (...).

Ele falando e Lucia me olhava;

- (...) Ele me estuprou e queria me matar, não era para eu estar aqui.

- Você reconhece essa pessoa? – Pergunto.

- Sim, sei quem é.

- Iremos acionar as entidades e parceiros, para agirem o mais rápido possível, vamos colocar ele na cadeia Breno, eu prometo.

Lucia sai fazendo umas ligações;

- Que acontece agora? – Ele pergunta.

- Você ficara no hospital por uns dias, pois levou algumas pancadas na cabeça, e eles precisam seguir te observando. Quando sair vou apresentar para você a Casa 1, de acolhimento de pessoas assim como você, que foi colocado para fora de casa, por ser quem você é.

- Porque faz isso?

- Porque hoje eu fui fazer uma entrevista de emprego e a pessoa que me atendeu, foi um Homem Trans, que passou pela Casa 1, e está em um cargo privilegiado, em uma das maiores empresas desse pais. Porque pessoas como eu e você, tem que ter o mesmo direito que qualquer um nessa cidade.

- Você fala bonito, mas parece que nunca passou por isso. – Ele aponta o seu corpo.

- Ser colocado para fora de casa pela família? Não. Ser agredido, também não. Mas faz 3 anos que ajudo pessoas na sua situação. E acredite, já perdi muitos, e você não será um desses. Não é questão de viver isso ou não, e sim de ajudar quem precisa.

- Helena, liga para o Luan, pede desculpas pela hora, mas precisamos da ajuda dele. – Lucia entra no quarto.

- Tudo bem.

Pego meu celular saindo, e ligando, ele obviamente demorou a atender pela hora;

- Oi.

- Luan, boa noite, desculpa a hora, é Helena.

- Tudo bem, aconteceu alguma coisa?

- Temos um caso de estupro e agressão, e temos dados para achar o agressor, precisamos da sua ajuda.

- Mas é claro, vou me trocar, estão onde?

- Vai para delegacia de Santa Teresa, estou indo para lá, te encontrar.

- Tudo bem, vou me trocar.

- Obrigada.

#Caio

- (...) Agradecemos a todos vocês, pela escolha e confiança em nosso clube, e parabéns aos que passaram, vocês não desistam, tem potencial, só não foi dessa vez. – O Treinador vem pegando na mão de todos e agradecendo, pessoalmente. – Sei que será um grande jogador Caio, não desista.

- Obrigado. – Falo pegando minha camiseta e saindo.

Os meninos entram no vestiário, para tomar um banho e tals. Peguei minhas coisas saindo.

Puto.

Estressado.

Triste.

Decepcionado comigo era a palavra, era o sentimento na verdade, e com um bocado de “cansaço” de ir correndo atrás e nada, nada.

O combinado era sair do teste e encontrar minha mãe, no hospital onde ela trabalhava. Eu cheguei na porta de funcionários, sentei na escada, aguardando ela descer.

Poxa, ela toda alegre, correndo, e ajeitando a roupa;

- Aí eu vim o mais rápido que pude. E então?

- Eu passei.

- AI NÃO ACREDITOS. – Ela pula em mim.

Beijava meu rosto, apertava no abraço;

- Eu sabia meu filho, Deus nunca nos deixou na mão, estou muito orgulhosa de você, ai gente, não to acreditando. – Ela volta a me apertar.

- Para mãe, tem gente olhando. – Falo sem graça.

- Deixa olhar, meu filho vai ser jogador de futebol. – Ela fala alto.

As pessoas olhando e eu muito sem graça. Nos conversamos um pouco, pois ela tinha que voltar para o trabalho.

Menti? Sim, não suportava mais ver minha mãe decepcionada comigo, e sofrendo por eu estar mal.

Fui embora, e quando cheguei em casa, um carro para logo que eu estava abrindo a porta, um cara desce de terno, com uma sacola;

- Caio?

- Sim. – Respondo.

Ele se aproxima, e entrega a sacola;

- Sabe o que fazer.

- Sei sim, obrigado. – Agradeço entrando.

Eu tirei o tênis, peguei uma chinelas e troquei minha camiseta, saindo.

Levo a sacola para a casa do Kalleb, como era próximo, encontro a Julia no caminho, nas escadarias da comunidade;

- Ei Caio. – Ela grita da direita.

- E ai! – Chego beijando ela.

- Tudo bem.

- Sim, de boa, está indo para casa, ou para sua mãe? – Pergunto.

- Vou para casa, tenho que me trocar, para ir para a aula.

- Ah beleza.

- Porque?

- Sacola do Kalleb, a avó dele mandou a deste mês. – Mostro o pacote.

- Ah sim, deixa com minha mãe, depois eu passo lá.

- Tudo bem, Leandro está lá, você sabe?

- Caio, ele está na minha mãe eu acho.

- Certo, vou trocar uma ideia com ele.

- Tudo bem, e obrigada de novo pelo favor.

- Relaxa, faço pelo garoto.

A Julia segue para a esquerda indo para o barraco dela, e eu vou a direita para casa da avó do Kalleb.

Quando viro o beco, ela estava na porta de casa;

- Oi tia. – Beijo o rosto dela.

- Oi filho, como está.

- Bem... Olha o pacote desse mês. – Entrego a sacola.

- Ah obrigada.

- Kalleb está?

- Ele acabou de dormir Caio, o pai dele acabou de fazer ele dormir.

- Leandro está por aqui? – Olho ao redor.

- Sim, subiu agora filho, corre que tu encontra ele. – Ela aponta o beco.

- Obrigado, tchau tia, dá um beijo no pequeno para o mim.

- Eu que agradeço filho.

Vou subindo as escadas, e vejo ele com a mochila la em cima, já falo correndo;

- Fala viado! – Ele grita.

- E aí mano.

- Só de boa? – Ele cumprimenta.

- Tranquilo. Vai onde?

- Mano vou la em cima, tenho um corre para desenrolar.

- Leandro quero que me apresenta para o dono do Morro, preciso de uma grana.

- Tem certeza disso?

- Sim.

- Já é, vamos lá, que já deixo você no jeito.

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