• @richardsongaarcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 05

#Samuel

O que vestir em uma entrevista de emprego de uma grife?

Gente escolher roupa para essa ocasião era pior que perder a virgindade. Mas fui no básico, calça de cos alto preta, uma camisa branca básica com um casaquinho preto por cima, arrumei o cabelo fazendo uns cachos, e uma bela maquiagem.

Eu conheço a AFAIR, já estive algumas vezes, pois o destino me aproximou de Kleber e Luan, que trabalham na empresa. Agora a Nice Petrini era meu sonho, mesmo tentado vagas lá anteriormente.

Peguei um UBER, chegando quarenta minutos adiantada na empresa, pelo jeito existem entradas dentro da loja, e também ao lado, onde se localiza a porta do prédio.

São cinco andares, de uma arquitetura antiga, lembra muito Paris, Itália, o prédio tem várias janelas, mas até grandes. Havia alguns seguranças na frente, mas entrei tranquilamente.

Galera a recepção era de chão preto, com um balcão em mármore branco e um balcão de mármore branco no meio, o telhado todo trabalhado e não se via as luzes elas ficavam meio que escondidas entre os desenhos, aos cantos de todo o telhado uma faixa dourada imitando ouro. Acima do balcão na parede branca a escrita em letras pratas “Nice Petrini”.

Muitas modelos, andando por todos os lados, tinham araras também, e a minha esquerda um sofá branco que era dó de sentar de tão perfeito.

As secretarias também, pareciam “Angels da Victoria Secrets”;

- Olá bom dia.

- Bom dia senhora, em que podemos ajudar?

- Tenho uma entrevista com Misael.

- Um momento por favor. – Ela pega o telefone e faz uma ligação, coisa rápida. – Ele logo vira chamar, pode aguardar ali por favor. – Ela aponta para o sofá.

- Obrigada.

Me aproximei sentando, toda comportada e olhando a maquiagem na tela do celular.

- Helena Faria? – Escuto meu nome.

Eu olho procurando, coração chega a acelerar, e no lado direito frente aos elevadores. Pensei que ficaria ali esperando por um tempo. Um homem alto forte e com uma cara de mal, que assustava.

Eu levanto indo até ele, que estende a mão;

- Prazer, Misael Pineda.

- Helena. – Ele dá dois beijos no rosto.

Misael segura o elevador eu entro;

- Então posso? – Ele se refere ao curriculum que eu estava.

- Claro.

Entrego para ele dar uma olhada, Misael tira do envelope e olha a folha. E então a porta do céu se abre. Eu vou tentar ao máximo explicar o que estava a minha frente.

O andar se parecia com uma loja, lembrava bastante, com araras de roupas por vários lugares, todas as paredes trabalhadas, uns sofás de cor caramelo em vários lugares, uma escadaria maravilhosa ao meio do andar, ambas fazendo um espiral na outra, era uma obra de arte, ao redor dessa escada, o que protegia para não ter total visão, era o maior lustre que vi na minha vida.

A estrutura era de uns sete metros de largura e tinha uns três de altura, desde o teto, eram aparentemente vários bastões vidros de uns 2 metros, em formato de cruzes nas pontas, as luzes ficavam ao meio espalhadas, dando uma iluminação tão confortável e sofisticada.

Para terem ideia não me lembro do chão desse andar, pois só olhei para cima;

- Desculpa Misael, mas essas escadas vão onde? – Aponto.

- Elas levam para a presidência, estamos agora no quarto andar.

- Nossa isso aqui é muito lindo.

- Sim, tenho que concordar. É aqui, entre. – Ele abre uma das salas no final.

Coisa simples, havia uma arara com uma coleção de tecidos em tecidos xadrez, muitos livros, a sua mesa, de madeira, com uma vista muito privilegiada;

- Sente – se por favor.

- Obrigada. – Deixo a bolsa de lado.

- Sua carteira de trabalho, trouxe ela? – Ele deixa o currículo na mesa.

Eu entrego e ele digita algumas coisas no computador, mas quando Misael abre a carteira, e confere os dados, ele diz;

- Me perdoe, como devo te chamar?

- Helena por favor.

- Desculpe, perguntei para não ofender.

- Tudo bem, obrigada.

- Vamos lá. – Ele deixa a carteira junta as mãos sob a mesa me encarando. – O normal é eu perguntar para os candidatos sob suas habilidades, e porque querem estar aqui, mas Helena é um excelente currículo, e se formando em Moda nos próximos meses não vai querer o que vou tenho a oferecer aqui. – Ele diz bem sincero.

- Pode ser mais especifico?

- Tenho uma vaga de costureira Helena, deixa eu ver. – Ele volta ao computador. – Sim, olha temos a fábrica e também costureiras lá, mas a vaga é aqui para a Matrix, trabalho é ser costureira dos estilistas, estou em falta no quadro das funcionárias, e eles não podem ficar na mão. Você vai costurar, é colocar em pratica o desenho e trabalho deles.

- Eles desenham eu costuro?

- Eles criam, e você tira aquilo do papel, pelo seu currículo já vi que tem experiência.

- Tenho uma máquina dessa em casa.

- Então, o salário é até bom. – Ele pega um papel na gaveta. – São dois mil e duzentos, com auxílios, e plano de saúde. O que eu quis dizer é que você com um currículo desse iria almejar uma vaga bem melhor.

- Não Misael, meu propósito é entrar na Petrini. Seja de faxineira, de costureira de estilista, quero estar aqui dentro.

Ele para, encosta na cadeira e coloca a mão no queixo.

- Porque?

- Porque sou quem sou hoje pela Nice Petrini. Isso que me tornei, foi por ela.

- Muito lindo o que você disse.

- Obrigada.

- Por mim estava contratada, mas eu faço somente a seleção, irei enviar para meus supervisores, e te ligo essa tarde, até amanhã.

- Eu agradeço muito. – Falo estendendo a mão sob a mesa para o cumprimentar.

E ele vê uma pequena tatuagem que tenho no pulso;

- Isso é a logo da “Casa 1”? – Ele segura minha mão e puxa a blusa olhando.

Pensei olha eu perdendo o serviço;

- Sim, como conhece?

- O que você faz lá Helena?

- Sou orientadora.

- Meu Deus. – Misael muda todo, ele fica bem emocionado. – Eu passei pela Casa 1, ainda quando era adolescente.

- Mentira! – Quase grito com ele.

- Sim, sou um homem trans.

Quando ele falou isso eu fiquei, seria;

- Como assim?

- Eu nasci no corpo de uma mulher, e me encontrei....

- Eu sei que é Trans, mas nunca na vida que eu iria perceber.

- Obrigado, mas sim.

- Eu to emocionada, serio, ver alguém que passou pela Casa 1 e agora está em um cargo tão importante, em uma empresa dessa.

- Devo muito a vocês, me ajudaram muito.

- Misael, olha passando ou não nessa entrevista, quero que você volte lá e fale com os meninos, dê uma palestra para eles, sério é muito importante.

- Mas é claro, vou te passar meu telefone. – Ele puxa um papel.

- Obrigada, eu vou ligar mesmo. – Me levanto. – É importante ter pessoas como você, serio. Posso te abraçar?

- Claro. Escute o Centro empresarial Montanari não é dos mais familiarizados com LGBTS, como eu e você, mas aqui na Petrini estamos conseguindo implantar bem isso. É uma ótima empresa quando se trata de diversidade.

- Eu agradeço, mesmo, de coração. Obrigada.

- Tenha um ótimo dia.

Sai daquele empresa flutuando gente, foi um belo dia, rsrs. Vocês sabem quando algo desse jeito acontece, fui contar para minha mãe.

Eu cheguei em casa tomei um banho, me troquei, pois, iria na casa do Caio, conversar com ele. Esse tipo de notícias gosto de contar a ele e minha mãe.

Eu cheguei a sair de casa, fechei o portão, e meu celular chama;

- Alô!

- Helena?

- Sim, fala Lucia.

- Helena preciso de você, temos uma chamada da delegacia de Santa Teresa, me fala que você pode ir até lá.

- Eu vou Lucia, não se preocupe.

Voltei para dentro, me troquei enquanto o UBER chegava. Foi questão de trinta minutos até eu chegar na delegacia.

Quando desci do carro, uma ambulância do SAMU estava estacionada ao lado de dentro, fui entrando e falando com a recepcionista, que infelizmente já me conhece;

- Aí Helena que bom que chegou, vão levar o garoto para o hospital. – Ela aponta para o fim do corredor.

Eu me assustei, por causa do sangue que estava no chão. Essa delegacia era especializada em casos de agressão a LGBTs, e até os profissionais do SAMU, que atendiam aquela região eu os conhecia. Cheguei na porta da sala, e me deixaram entrar. Tinha uma maca no chão, com um garoto todo cheio de sangue deitado, dois paramédicos fazendo o pronto atendimento, policiais de pé, para auxiliar no que precisava;

- Oi gente. – Falo entrando.

- Que bom que chegou Helena.

- Que houve?

- Agressão, encontramos ele em um lote baldio, chamada anônima.

- Qual a idade dele, meu Deus!

- Achamos que dezoito.

Galera ele tinha sangue dos pés à cabeça, com parte do rosto inchada. Os paramédicos prepararam para sair, e eu os acompanhei dentro da ambulância.

Dei notícias para a Lucia, que iria para o hospital, a polícia escoltou a gente, pois ele estava meio mal.

Quando chegamos, ele foi fazer exames e curativos, eles desconfiavam de uma possível cirurgia, por ter machucados na cabeça.

Fiquei no hospital a noite inteira, eu pude entrar somente as três da manhã, a Lucia estava comigo aguardando.

O médico sai, com uns papeis, e chega primeiro em Lucia;

- Olha vão ter pouco de trabalho com esse aí. Os exames mostraram muitos golpes na cabeça, aparentemente com algum tipo de madeira, e também ele foi estuprado. Não está sentido dores, já o medicamos, e por causa dos hematomas na cabeça, ele fica no mínimo três dias conosco.

Não estávamos surpresas, somente assustadas por causa da idade dele.

0 visualização
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia