• @richardsongaarcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 03

Eu engulo seco, fico com o olhar correndo pela mesa enquanto ele falava;

- Outra coisa! Será divulgado a imprensa sua aposentadoria dos deveres da empresa!

- Pai a grife entra em colapso sem ela.

- Alexânia irá ser escalada para presidência.

- Vai colocar a maior inimiga da mamãe na presidência da empresa que ela criou?

- Heitor, depois da criação do conselho das empresas as decisões não são 100% minhas. E eles tem fundamentos, ela foi uma das pessoas que passou mais tempo ao lado de sua mãe, confia meu filho, não tem pessoa melhor

- E meu irmão?

É tocar no nome do meu irmão, meu pai vira os olhos, incrível;

- Guto não fica em casa, ele mora na universidade, não vai sentir falta dela. – Valquíria responde.

- Não é sobre isso que estou falando, ele está se formando, porque não o traz para assumir a Petrini? Ele pode ajudar.

- Heitor entenda de uma vez por todas. – Ele fala alto. - Seu irmão está fazendo isso para me provocar, só isso, é o que ele faz de melhor! Tem que enxergar que ele nunca vai mudar, nunca vai parar de ser o delinquente que sempre foi.

- Tive uma breve conversa com ele e me deu a entender que irá continuar morando na França após se graduar. – Valquíria completa.

- Não, não é o tipo de coisa que Guto faria, ele nunca me disse que ficaria em Paris.

- Ok, vamos focar. Precisam decidir onde Nice ficará aqui no Brasil. – Edson interrompe.

- Você decide. – Meu pai me olha.

- Acho melhor na clínica, lá ela terá mais companhias e não ficara presa em um apartamento com empregados.

- Valquíria irá cuidar disso. Fez a coisa certa é o melhor para ela. – Ele se levanta pegando em meu ombro.

Bem saímos da sala, o Deputado estava bebendo café e conversando com uns empresários, meu pai se aproxima dele para se despedir;

- Agradeço por ter vindo Henrique, tenho que ir agora, mas novamente seja bem-vindo.

- Obrigado.

- Bem, se precisar peça a sua secretaria falar com a Valquíria caso queria uma sala aqui dentro da AFAIR.

- Ele pode ficar com a sala do Edson, eu gosto da minha. – Interrompo eles.

- Não se preocupe filho. – Henrique pega em meu ombro. – Eu vou acompanhar tudo pouco de longe, sou deputado, pastor e agora empresário. Foi o nosso Deus que me iluminou para entrar nesse barco com vocês, e confio na palavra dele. Agora deixem eu ir...

- Não esqueça de falar com os outros deputados da bancada evangélica sobre os investimentos, quanto mais melhor para todos. – Meu pai sai com ele no corredor.

- Mas é claro, tenho uma reunião com senadores hoje, vou trazer mais uns três ainda esse semestre, rsrs.

#Caio

Estava subindo a comunidade aqui de Vila Isabel, havia acabado de cair uma chuva, porem com o sol ainda alto, então ficava aquele cheiro de “molhado.

Algumas pessoas descendo, outras subindo, cumprimento umas tias nas janelas, até chegar perto do campo vejo o Kalleb correndo, aquela gargalhada boa dele era inconfundível.

Ele estava nas escadas com o pai, Leandro;

- E aí moleque. – Falo abaixando frente a ele.

Kalleb corre para os braços do pai, todo envergonhado;

- Qual é, é o tio Caio. – Leandro diz.

Ele vem todo tímido, pega na minha mão e me beija no rosto, eu o abraço subindo-o no colo;

- Olha que o tio trouxe para você. – Entrego um chocolate.

Ele pega levando para o Leandro;

- Pai abre.

Eu me sento do lado de Leandro nas escadas e ele comenta;

- Vê se não suja muito, tenho que te deixar na casa da sua avó ainda.

- Julia está trabalhando? – Olho para ele.

- Sim, começou naquele hotel.

- E ele com a creche em? – Falo com Kalleb sentando no meu colo.

- Caio ele chorou nos dois primeiros dias, mas agora está se acostumando.

- É melhor para ele mano, bem melhor.

- E o “Fut”? – Leandro questiona.

- Semana que vem faço o teste mano, não tenho escolha, tenho que passar, as coisas em casa não estão fáceis. Só minha mãe trabalhando, mal está dando para comer.

- Caio já falei, quando quiser mano, te consigo uns “corre”.

- Não, valeu.

- Mano é uma grana boa.

- Não to afim de ser mula não Leandro.

- Viado, você pega a encomenda em um lugar e deixa em outro, é “sussa”.

- Boto fé, mas conheço vários moleques que rodaram nesse rolê irmão.

- Caio, eu levo até arma se me pedirem, o “trafica” do morro me pagou 900 só para levar um “tijolo” lá em baixo, coisa de 10 minutos.

- Eu sei cara, tu já falou, mas irmão, você ainda pode procurar serviço tranquilo, sem pressa. To ligado da pensão da Julia.

- Não é da Julia Caio, é do Kalleb, e a menina é responsa, quando ela tira da grana dele, no outro mês ela coloca lá de novo.

- Boto fé, mas não é uma bolada?

- É como a vô dele fala, muito ou pouco mais é dele, se tu precisar e pegar hoje, depois pega de novo, e de novo, e vira costume.

- Bom saber que estão zelando por ele.

- E aí “correria”, Fala Caio. – Chega um dos moleques da quebrada, cumprimentando a gente.

- Que manda irmão?

- Tem um corre para você. Se liga, estão esperando no carro da polícia, tu pergunta quem é o chefe e passa para ele, diz que vai chamar as três e meia da tarde.

O cara entrega um celular na mão dele.

- Quem vai ligar?

- Não interessa, só leva e entrega, depois que eles conversarem, deixa com o fogueteiro. – Ele comenta entregando uma nota de cinquenta.

- Falou.

Ele me olha guardando o dinheiro e se levanta;

- Não vai levar o Benicio né? – Pergunto.

- Deixa ele na vó dele para mim? Quebra essa?

- Beleza.... Ei campeão, vem aqui. – Pego ele no colo.

Leandro foi descendo o morro, e eu sigo para a vó do Kalleb, e nada que ele disse adiantou, se sujou todo de chocolate, pegou no meu boné, passou a mão na minha cara, ele estava se divertindo me sujando todo.

#Samuel

Fim da aula de Vitrinismo, aqui na UFRJ, fui saindo com a Milena;

- Vai embora agora amiga? – Ela coloca os matériais na bolsa.

- Não Milena, vamos comer algo, vou ver se o Luan está dando aula também.

Saímos da sala, seguindo os corredores, envio mensagens para ele, que diz estar aplicando provas. Ela me acompanhou até o bloco de Direito onde tinha vários bancos a frente das salas, nós sentamos e ficamos conversando;

- Helena anota aí. A entrevista é amanhã com Antônio no RH da Nice Petrini.

- Milena qual é a vaga?

- Minha mãe disse que estão contratando uma costureira para linha dos designs.

- Entendi, deixa eu ver. – Pego o celular olhando as mensagens.

Os alunos da sala começam a sair, e eu e minha amiga olhando os novinhos;

- Oi gente... – Luan cumprimenta a gente, com beijo no rosto.

- Quantas aulas está dando por semana agora? – Pergunto levantando.

Ajeito a bolsa de lado enquanto seguíamos o corredor para o refeitório da universidade;

- Helena de 2 a 3, mas irei diminuir para uma somente, vou começar meu doutorado em breve.

- Queria gostar de estudar assim. – Milena fala baixo.

Nos sentamos em uma mesa, o Luan pegou uma cerveja, e eu pedi duas porções de salgados para a gente ficar um pouco ali;

- (...) 2018 do mesmo jeito Helena, de quando a gente terminou, Thiago está do mesmo jeito daquele ano.

- Olha Luan, se gosta, se vocês se amam, tem que tentar mais um pouco. – Falo me servindo.

- “Às vezes a gente cansa de amar e não ser amada de volta”. – Milena olha para Luan.

- Que isso em. – A gente sorri batendo palmas pela sua frase.

- Minha raiva é essa, não sei se é assim com vocês também! Você está bem no trabalho, eu acabo de entrar na equipe jurídica da AFAIR, estou dando aulas de Direito Constitucional na melhor universidade do pais. E meu namorado me passando raiva dia sim, dia não. Sorte no trabalho azar no amor, e vice versa.

- Porque dia sim, dia não Luan? – Pergunto.

- Um dia ele quer sexo outro não.

- Vai de você aceitar isso né amigo.

- Aí Samu... Desculpe, Helena! Não é fácil, não mesmo.

- Gente eu tenho que ir, me deem licença, minha carona chegou, beijo amiga. – Milena se despede, pegando suas coisas.

- Até mais, vai com Deus. A gente vai esperar nossa carona.

- Kleber deve estar chegando também Helena, come rápido.

- Não, se ele estiver com pressa, senta e fica um pouco com a gente. Amigo ele só viaja agora.

- Sim, é outro, Kleber passa mais tempo com o Camilo e Heitor do que com eu e você.

- Haha’ falei para ele que se não ficar rico nesse ano, pode mudar de serviço, porque ele não vive.

- Não mesmo.

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