• @rgpatrickoficial

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 02

Me levanto e vou em sua direção, ele me abraça pela cintura;

- Oi que saudade!

- Ai nem me fala! – O aperto em um abraço.

- Nem me fale.

Ele pegou sua mala, eu ajudando e aperto chamando o elevador;

- Nossa pensei que teria que ficar o resto do dia, Heitor está bem cansado também e.... – Ele estava comentando e a porta se abre.

Dois seguranças saem ficando em nossa frente, abrimos caminho e passa um senhor, seguindo praticamente com uma tropa, Kleber fica branco.

Eles seguem sem passar pela secretaria entrando na sala;

- Que é isso? – Eu olho.

- Vamos, rápido. – Ele entra apertando para descermos. – É o Doutor Machado.

- Nossa que home estranho.

- Não viu nada.

Saímos do prédio, e ele chamou um UBER;

- Vamos para minha casa?

- Sim, mas vou passar na minha mãe.

- Não vai demorar não né Samuel, estou super cansado.

- Ela fez bolo de laranja para você ingrato, pediu para passar lá, antes de ir.

- Aí então vamos.

Eu só olho para ele.

Olhem lá em casa ele ficou conversando com minha mãe, enquanto eu peguei algumas roupas para levar. Na cozinha ambos conversavam de serviço.

Minha mãe sentada de frente para o Kleber, eu me servi de café, deixando a sacola de roupas na outra cadeira;

- Cara é essa em Samuel? – Ela me olha.

- Quero falar uma coisa com vocês. – Deixo o copo.

Os dois ficam calados me olhando;

- Eu estou pensando seriamente em trocar meu nome.

Os dois se olham minha mãe fala primeiro que Kleber que estava coçando a cabeça;

- Eu sabia que você iria vir com isso a qualquer dia, como foi quando começou a tomar os hormônios.

- Mãe não me sinto mais Samuel! Sei lá, é estranho para mim.

- Mas é seu nome. – Kleber interfere.

Eu não respondo ele, só olho bravo;

- Já que tocou no assunto, vai querer fazer a cirurgia também? – Ela pergunta.

- Não, não sei, não pensei ainda sobre.

- Pensou em algum nome? – Ele pergunta.

- Quero que me chamem de Helena, Helena Barcellos.

- Mas vai deixar o nome da família?

- Não mãe, fica Helena Barcellos Faria de Alencar. – Falo me sentando.

- Isso demora muito?

- Demora, e se eu conseguir também parece ser muito burocrático! Vou conversar com o Luan depois para me ajudar.

- Helena pela sua avó?

- Sim.

- É uma linda homenagem.

- Ela foi a primeira pessoa que disse para eu viver como eu quero e ser quem eu quiser, devo isso a ela.

- Eu só te apoio Samuel, é isso que amigos fazem.

- Eu não vejo problemas em Samuel, mas se assim você quer, que seja. – Minha mãe diz sorrindo.

- Obrigado.

Para a casa do Kleber, ele tirando suas dúvidas;

- Então será Helena? A partir de hoje?

- Vai ser difícil, muito, mas será Helena.

- E já viu sobre documentação essas coisas?

- Já, é muita coisa, muita, mas eu vou conseguir.

- Posso te pedir uma coisa. – Ele coloca a mão na minha perna.

- Sim.

- Não faz a cirurgia.

- Kleber calma, eu não pensei sobre, para falar a verdade é obvio que já passou pela minha cabeça, mas eu gosto de mim assim, sou Transsexual com orgulho.

- É muito bom ouvir isso de você. – Ele beija minha mão.

- Porque? Não seria mais meu amigo depois da cirurgia?

- Sua aparência não pesa mais do que o que sinto por você, o que eu amo em você não consegue mudar. É sua essência, é quem você é.

- Ai gente que fofo, se não fossemos amigos eu te beijaria, rsrs.

- Idiota... eu... – Eu iria falando e o celular ele chama.

Era o Luan;

- Oi amigo.... Sim, indo para casa, Samuel me buscou.... Acho que nada. Certo falo com ele (...).

Ele desliga quando já vou estacionando;

- Luan vai fazer janta para gente na casa dele, está nos chamando.

- Ué por mim tudo bem, a gente vai para a praia só amanhã mesmo. Quem vai estar lá?

- Sim, eu, você, Luan e Thiago.

- Beleza.

#Heitor

Com algumas mudanças na empresa, meu pai teve que convocar uma reunião emergencial junto aos dirigentes logo no final do mês de fevereiro, véspera do Carnaval.

Cheguei na empresa pouco mais cedo nessa segunda-feira, e tomei café com os meninos antes de descer até a reunião.

Na mesa estava o Camilo, eu e Kleber conversando;

- (...) Não estou sabendo de nada.

- Poucas vezes Kleber, vai ouvir Camilo falar assim.

- Pois então, tem anos que conheço o Camilo é parece minha vizinha, sabe de tudo e sobre todos. Mas relaxa Heitor, Doutor Machado, marcou a reunião para oficializar com vocês a vinda do Deputado Henrique Argollo.

- Espero, não encontrei ele em casa, estava curioso!

- Nossa esse pão de queijo está caprichado hoje. - Camilo comenta.

Ainda comendo o celular de Kleber soa um alarme;

- Um vamos nessa, seu pai chegou. - Ele se levanta.

Camilo vira o restante de café e eu limpo meu rosto;

- Preciso escovar os dentes. – Digo seguindo eles.

- Não dá Heitor, a gente enrolou aqui. - Kleber chama o elevador.

Descemos para a sala de reuniões, aproveitei para pegar uma água que havia na mesa bebendo, para disfarçar o bafo do café.

A sala é gigantesca, com vinte e seis lugares, em formato oval, com uma abertura ao meio, uma madeira trabalhada no branco. O chão com um carpete escuro.

As paredes das laterais de vidro, o que nos dava uma vista panorâmica do Rio.

Havia alguns executivos lá, dentro conversando e tudo mais, como de costume Camilo fica ao lado de fora, e Kleber ao canto, em umas cadeiras ao fundo, onde assistentes, secretárias e assessores acompanhavam as reuniões e encontros, meu pai tinha isso de eles não se sentarem “à mesa”.

E então o Edson chega acompanhado do Deputado Henrique, cumprimentei ele, assim como todos e meu pai aparece no corredor, mesmo dentro da AFAIR ele utilizava os seguranças.

Entrou cumprimentando o Deputado e puxa a sua cadeira, e Valquíria entrega uma folha, uma pauta;

- Bom dia senhores e senhoras, pedi essa reunião de emergência para tratar algumas coisas com vocês, primeiro peço uma salva de Palmas para meu amigo de velha data Deputado Henrique Argollo, seja bem-vindo.

Ele se levantou e batemos palmas a ele, Henrique então interrompe meu pai com um breve discurso;

- Olha a mídia exagera em tudo, é verdade que adquiri uma boa parte das ações das empresas, mas não muda e nem altera meu respeito pelo Machado e nem pelo Edson que vem gerindo exemplarmente esse grande barco.

- Obrigado Henrique. Mas como eu estava dizendo, conversei hoje com Edson e depois de falar com alguns de vocês velhos amigos tomei uma decisão! Eu não irei mais ficar responsável pelo conglomerado das empresas, AFAIR, Nice Petrini e outras. O cargo da administração das minhas empresas será de Edson, ele será o gestor de todas empresas de minha família.

- Obrigado Machado, obrigado. - Ele abraça meu pai!

- E claro, não menos importante, algo bem óbvio para todos aqui, hoje declaro oficialmente que meu filho Heitor Montanari é o novo presidente da AFAIR S/A.

Eu fiquei meio que de boa aberta, recebendo inúmeros tapas nas costas e abraço meu pai, dizendo que eu mereço, e que lutei muito por isso.

Meu Deus! Vocês não fazem ideia de quanta luta até esse dia chegar.

- Eu não me afastarei do meu dever, nem Deus me tira vontade de trabalhar. O Henrique assim como eu participará das decisões, das reuniões mais importantes (...).

Ele continuou falando, pontuando algumas coisas, até liberar o pessoal da sala, Kleber se aproxima me abraçando de lado;

- Parabéns, feliz por você.

- Você não sabia? – Pergunto.

- Não.

- Heitor quero que fique. Você pode sair. – Meu pai fala a Kleber.

- Sim, senhor.

Meu pai voltou a se sentar, a Valquíria coloca um copo de agua para ele, e o Edson fica na mesa, ela de pé e meu pai, esperando todos saírem e fecharem a porta;

- Obrigado, sabe o quanto isso significa para mim.

- Sabe que isso triplica sua responsabilidade com a nossa empresa né?

- Sei sim!

- Depois do feriado iremos anunciar as mudanças, a decisão veio por uma votação do conselho, eles gostam muito de você Heitor. – Edson fala sorrindo.

- Obrigado.

- Bem, Escuta. Tive uma breve conversa com o Doutor Gabriel, o médico da sua mãe.

- Sim.

- Ele acaba de chegar de Paris. Heitor o que ele comentou antes da viagem se concretizou, Nice será invalidada, sua mãe não tem mais faculdades mentais para continuar no comando artístico da Petrini.

- E agora?

- Ela será trazida para o Brasil, e ficará no apartamento da Barra da Tijuca, já que não usamos ele. Temos também a opção de uma clínica especializada, lá ela não ficaria isolada.

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