• @richardsongaarcia

Clichê - Fim da Temporada

Sim respeitei ele em subir para meu quarto, o que havia acabado de acontecer me deixou uma pilha de nervos. Na minha cabeça ao mesmo tempo que a Julia parecia só querer o dinheiro, ela também parecia inocente, sinceramente não sei o que pensar.

Eu sai para fora, ficando na varanda tomando um ar, ao menos tentando acalmar.

Eu entro e tomo um banho, quando sai do meu banheiro, minha mãe estava dentro do meu quarto, de frente as fotos que havia na cômoda ao lado da estante de TV;

- Não vi a senhora entrando. – Falo ajeitando a toalha.

- Ele falou a verdade, sua gravidez não foi programada, foi acidental! Desde antes do nascimento, seu pai sempre lhe tratou diferente do seu irmão. – Ela fala com uma foto minha quando bebe ainda.

- Eu sei, sei muito bem como ele me trata.

- Queria ele que você fosse um bastardo, mas não. É um Montanari, você é um Petrini Augusto.

- Mãe me desculpe, eu não queria...

- Eu estou doente meu filho, estou muito doente. Agora é o momento de você estar ao lado do seu irmão para ajudar ele e a mim.

- Eu sei.

- Não Augusto você não sabe! Eu sei o tamanho da dor, prometi para mim mesma que não deixaria isso acontecer novamente, mas dessa vez ele está certo!

- Mãe por favor.

- Você irá terminar os estudos no Canada Augusto!

- Acha que me afastar vai me ajudar como?

- Você está merecendo mais uma chance?

- Não.

- Então está feito!

Ela até abriu a boca para continuar a falar e ouvimos gritos dentro de casa, tipo, uma discussão.

Saímos do meu quarto e Marcela aos gritos com o Heitor;

- (...) odeio você! Eu te odeio seu cafajeste. – Ela gritava.

- Só pode estar maluca garota.

- Mas o que é isso? – Minha mãe segue no corredor.

Para terem ideia, o quarto do meu irmão é o mais perto das escadas, e tinha até seguranças subindo para ver o que era;

- Seu filho, é um hipócrita do caralho, um canalha. – Marcela falava muito alto.

- Eu pedi um tempo e ela surtou.

- Tempo para você que não sabe é terminar Heitor.

- Chega os dois! Marcela vai para casa, hoje não tem ninguém aqui com cabeça para conversar, ainda mais de cabeça quente.

Minha mãe falou muito brava com ela;

- Mãe calma. – Falo baixo.

- Como Augusto? Se essa casa é de loucos, por isso estou doente.

A marcela saiu, ainda falando alto, e xingando muito o Heitor;

- Ela é louca, eu pedi um tempo para...

- Não tenta justificar Heitor, você que decidiu namorar uma criança, agora aguenta, mas ninguém nessa casa tem que suportar esses gritos de histeria, já tivemos um péssimo dia.

- Desculpe! Que decidiram da criança?

- Fizemos um acordo, para que elas não abrem a boca sobre seu irmão.

- Vai concordar com isso mesmo mãe? – Heitor repreende.

- Eu tenho escolha Heitor? Você e seu irmão me dão escolha? Você vive debaixo da asa do seu pai, faz tudo que ele manda, eu sozinha não consigo não. Seu irmão, pensa estar em um filme de mulheres e carros, esbanjando dinheiro. E está decidido, iremos fazer para proteger essa família. Seu irmão vai para o Canada.

- Não é a hora de afastar o Augusto.

- Heitor, não tenho saúde para bater de frente com seu pai a todo tempo.

- Mãe tirar ele do Brasil não é a solução.

- O filho do Edson hoje parou no hospital por uma briga de colégio, iniciada pelo seu irmão, e foi a segunda em menos de uma semana. Me fala uma solução então Heitor, por favor.

Até eu olho para ele nesse momento. Mas meu irmão não diz nada.

- Senhora me perdoe, mas está na hora do seu remédio. – Raquel aparece com uma bandeja.

Ela aproxima pegando o comprimido e a agua;

- Ele vai terminar esse ano de estudos no Canada. Não pensei em dizer isso tão cedo, mas concordo com o pai de vocês.

#Samuel

- (...) vamos, só vai eu e o Luan, você faz companhia.

- Não sei Kleber.

- Fala com sua mãe, que eu pego você em casa e deixo você aí.

- Tudo bem, mas ainda vou me arrumar.

- Haha’ ótimo.

Deliguei o telefone e vou a sala falar com minha mãe, que assistia novela no momento;

- Já sei que vai pedir alguma coisa, a resposta é não!

- A mãe, o Kleber me chamou para sair com ele e o Luan, por favor.

- Não Samuel.

- Ele vai me buscar e me trazer, mãe.

- Olha a hora!

- Mãe.

- Você não tem aula amanhã?

- Tenho.

- Ok, mas se chegar de madrugada está de castigo. E quero falar com o Kleber.

- Tudo bem.

A melhor coisa de ser quem que sou é me arrumar, me vestir, e me montar, é o momento em que o Samuel se sente Samuel!

Fiz uma bela de uma maquiagem, destacando os olhos, e boca, a peruca de cabelos nos ombros e fios loiros, e encaracolados.

Nossa como essa maquiagem e essa peruca ficariam bem com um short bem curto, mas minha mãe já estava meio brava por eu sair aquele horário, e não iria dar mais motivos para ela não me deixar sair.

Coloquei uma blusa preta com a gola pouco mais avantajada, não alta, mas de uns dois dedos de tamanho. Um macacão marrom, muito lindo que tenho, e um salto o mais alto que tinha.

Eu tenho meus dezoito anos, e já passei por alguns relacionamentos, e por ser quem sou sofri bastante, e todos, um por um, eu fui apreendendo, e sempre que começo a ficar ou gostar de alguém, vem aquele sentimento “Dessa vez vai ser diferente”.

É como eu me sentia em relação ao Kleber, ele era diferente!

Para terem ideia eu estava no meu quarto quando escuto sua conversa com minha mãe;

- Kleber está te esperando. – Ela bate na porta.

- Já vou.

Eu estava passando perfume e ouvindo eles rindo na sala, mas gente!

Abri a porta saindo e ele estava sentado no sofá menor, que fica com visão de frente para meu quarto.

Ele estava sentado mais virado para minha mãe, que estava deitada! Gente, ele me olhou com um olhar tão fofo.

Um sorriso atrás dos lábios;

- Caralho está muito lindo Samuel. – Ele fala. – Aí desculpa o palavrão. – Kleber sorri para minha mãe.

- Nossa caprichou em. – Ela diz.

- Gostaram? – Vou desfilando até eles e volto.

- Está perfeito. – Ele diz.

- Vamos? – Pergunto.

- Sim. – Ele se levanta.

Gente!

Gente!

De tênis preto, bermuda em sarja cinza quase preta, e camiseta de manga longa azul, todo minimalista, ele estava gato demais, cabelo cortado aos lados e um penteado alto.

- Não esquece do que combinamos em Kleber. – Minha mãe diz.

Eu beijo ela saindo. Pensava eu que o Luan estava no carro, mas iriamos encontrar ele no bar onde iriamos. Quer dizer PUB.

Kleber me levou em um muito conhecido aqui do Rio, que eu só tinha ouvido falar.

Bem quando ele passou na porta, olhando o movimento, tinha mesas ao lado de fora cheias para todo lado, o Luan estava ao canto de pé com o celular na mão, ele para o carro do lado dizendo;

- Vou Procurar estacionamento.

- Ali na frente amigo.

Kleber estacionou, e descemos atravessando a avenida;

- Que isso gente, arrasou Samuel.

- Obrigado! Obrigado Luan, vim assim por ele. – Gesticulo com a cabeça.

Kleber somente riu;

- Vamos entrar os meninos estão segurando os lugares para a gente. – Luan segue na frente.

E então algo que me marcou muito, muito mesmo. É obvio que todos ali estavam me olhando e “julgando”, serio era como se eu fosse um criminoso, era uns olhares péssimos.

Luan seguiu na nossa frente, no primeiro degrau o Kleber pegou minha mão, ele entrelaçou os dedos nos meus, sabe como namorados!

Foi uma segurança e um sentimento de felicidade que é impossível de explicar! Só a demonstração de ele não ter vergonha de mim, era esplêndida.

E claro todo mundo, mas todo mundo olhou para a gente.

Eu ainda não aceitava o Kleber, serio, que homem da porra! Era mais lindo que eu, mais inteligente e mais tudo. Eu ainda estava no processo de me amar e entender que sim, eu mereço, não só pior ou melhor que ninguém, que tenho o direito de estar com ele, se ele está aberto para mim.

Entramos e seguimos o Luan que sentou em uma mesa com umas pessoas que eu nunca havia visto. Cumprimentei, e peguei na mão de todos, conversando recebendo elogios.

Sentei ao lado de Kleber, que pelo lugar cheio ficou bem próximo a mim, sabe com a mão no ombro, apoiado na cadeira e tudo.

O garçom chega com uma rodada de tequila para toda a mesa;

- Aqui oferta da casa, para a comemoração de vocês. – Ele nos serve.

- O que estamos comemorando? – Pergunto a Kleber.

- Luan e ela, e o rapaz passaram na prova da OAB. – Aponta Kleber.

- Aí você não me disse, parabéns, gente sucesso Luan. – Abraço ele.

- Aí que fofo, obrigado Samuel, demorou mas consegui.

Eu bebi essa tequila e pedi um suco, pois tinha prova no dia seguinte. Já o Luan, bebeu e bebeu muito, ele e os amigos estavam realmente comemorando.

Eu até fiz amizades com o pessoal, mas fiquei de papo com o Kleber e Luan, contei sobre o que estava acontecendo na aula e tudo mais, e conversamos bastante.

Em um dos momentos, eu estava com a perna na de Kleber e meio que virado para ele, e perguntei;

- Porque ele não chamou o Guto? – Me refiro a Luan.

- Até chamou, mas parece que não podia, e foi melhor...

- Porque?

- Lembra de Thiago?

- Sim!

- Pois então! Ele foi na casa de Luan hoje se declarou, de joelhos e tudo, pedindo para voltar, que ama ele, e um monte de coisa.

- Mentira.

- Pois é.

- E ele?

- Só me disse que não respondeu nada, mas ele gosta do Thiago, está na cara.

- Eu não o conheci muito bem, não posso dizer.

- Não fala nada para o Guto em, por favor.

- Pode deixar.

Eu olho para o lado e tinha dois gays da outra mesa olhando para o Kleber, mas tipo encarando ele mesmo;

- Gostou? – Pergunto.

- De que? – Ele se az de desentendido.

- Daquelas duas pocs, que não tiram o olho de você.

- Haha’ acho que estão olhando para você, que está bem mais lindo que eu.

- Idiota.

Ele sorri dizendo;

- Vem cá, vamos deixar eles bem putos. – Kleber passa a mão em minha nuca me beijando.

E foi um beijo de novela, todo mundo da mesa já gritando e fazendo barulho, para ajudar, chamando mais atenção;

- Ei, meu batom.

- Só você Samuel para preocupar com isso.

- Engraçadinho.

- Sei que não é o momento, e muito menos o local, mas quero te falar algo.

Ele segura em minha mão e sobe mais a minha perna na dele, deixando mais próximo possível;

- Quer namorar comigo?

- Oi?

- QUER NAMORAR COMIGO? – Ele grita, chamando a atenção da mesa toda.

- Eu escutei, só estava tendo certeza do que estava falando. – Falo rindo.

Gente a mesa todo mundo levantou gritando, eu nem conhecia eles e estavam torcendo e vibrando por mim;

- Ajoelha, Ajoelha, Ajoelha. – Gritava eles.

Gente, fiquei muito sem graça, serio, que vergonha, Kleber se levantou, afastamos as cadeiras e ele ajoelhou;

- Estou fazendo isso, porque é você, não tem ideia do quão quero isso. Samuel... – Ele segura minha mão e todo mundo grita de novo.

Paramos o bar, os meninos fizeram uma roda, Luan gravando, todo mundo gritando, palmas de outras mesas.

- Gente, deixa ele falar, esse é meu momento. – Grito com eles.

Que estavam tão bêbados que só riam de tudo;

- Samuel quer namorar comigo? – Ele pergunta em um sorriso tão lindo.

- Sim.

Abaixo beijando sua boca, Kleber se levanta e pega minha mão;

- Olha isso, era para ser só eu e você e não metade da cidade. – Sinto seu coração pular no peito.

Recebemos um champanhe na mesa de brinde, gente melhor noite possível.

O que a pessoa que nunca namorou na vida faz em um momento como esse?

Liguei para minha mãe gritando e contando tudo é claro, e a velha me dá um banho de agua fria dizendo que sabia, antes de mim.

Muito tempo eu não saia de casa e voltava montada do jeito que sai. E não voltamos tarde, até porque como disse, aula no dia seguinte.

Eu cheguei em casa flutuando, nem encostava no chão de tanta felicidade, nada absolutamente nada poderia tirar isso de mim.

Na manhã seguinte tive outra surpresa, eu estava terminando de me arrumar e quando estava saindo o Caio, me encontra na esquina de casa;

- Nossa pensei que já estivesse ido.

- Que susto menino, que foi!

- Guto pediu para encontrar com vocês no colégio, e vim para ir contigo.

- Porque?

- Vamos, o ônibus vai passar, eu te conto no caminho.

Mano o Augusto Iria ser pai!

- Porque não me contaram isso antes, eu poderia ter ajudado Caio.

- Quanto menos pessoas souber melhor Samuel.

- Meu Deus! Gente o pai dele vai matar ele.

- Matar eu não sei, mas que vem bomba por aí, pode esperar.

- Claro, para ele pedir para você ir no Jaó.

Gente no colégio o Caio conseguiu entrar normalmente, dizendo a segurança que iria pegar documentos.

Entramos e nada do Augusto, ele foi comigo nos armários, eu pegar meus materiais, e então seguimos para o refeitório, onde tinha uma galera tomando café da manhã.

Guto estava na mesa com a Marcela, só os dois conversando. De pé mais afastados e olhando Fabiano e Elias, ambos de braços cruzados, olhando com um ar de alegria para os dois.

- E aí mano. – Caio chega na mesa.

- Que bom que chegaram... – Guto beija a mão da Marcela se levantando. – Quero trocar umas ideias com vocês. – Ele segue com o Caio.

Lindo como sempre, calça clara, jaqueta jeans, camiseta branca, os brincos, o olho claro, o cabelo.

Ele nos leva até a porta principal de entrada do refeitório, fica meio que encostado e olha no relógio;

- Nossa estou atrasado.

- Que foi Guto. – Pego em seu ombro.

- Eu fiz merda Samuel, como sempre. – Ele me olha.

- Calma mano, vamos encarar mais essa junto. – Caio se aproxima dele.

- Foi positivo, eu sou o pai do filho da Julia! – Já levei a mão no rosto. – Meu pai, minha mãe surtaram.

- Mas conseguiram entrar em um acordo? – Caio pergunta.

- Julia foi na minha casa mano, a casa literalmente caiu na minha cabeça. Vamos pagar pensão, e tudo que ela e a criança precisar, mas não posso assumir. E nem ter contato com eles.

- Meu Deus. E sua mãe? – Pergunto.

- Bem ela e meu pai tomaram uma decisão, com a ajuda dele fui expulso do colégio, e agora vou estudar fora do pais.

Ele estava bem abalado, eu enchi os olhos de lagrimas;

- Quando vai? – Caio pergunta.

- Acho que hoje.

Quando o Guto responde eles se abraçam, o Caio começa a chorar e eu já me derreto todo. Algumas pessoas olhando a cena;

- Vamos te ver de novo? – Pergunto.

- Sim, claro, acha que vai se livrar fácil assim de mim. – Guto segura minha mão.

- É muito injusto Guto, não é culpa sua. – Falo chorando.

- Eu pisei na bola, eu errei, e tenho que pagar de alguma forma pelo que fiz Samuel. A culpa é minha.

Eu abracei ele com tanta força, percebo que ele também começa a chorar.

- Senhor, desculpe.... Estamos lhe aguardando. – Escuto a voz de Camilo.

Abraçado com o Caio, e de mãos dadas comigo, seguimos para a entrada do colégio, levando o Guto.

No portão ele abraça o Caio novamente que pega sua mochila ajudando a levar para o carro, Guto me abraça novamente ainda chorando.

Ele se afasta e eu seguro em sua mão, entre os dedos. Ele olha, se vira e aproxima, limpando minhas lagrimas;

- Eu não vou estar aqui então se cuida, não perca essa sua força que tem. – Diz olhando em meus olhos.

- Não vou!

Guto aproxima demais, ele segura minha cintura me beijando, junta seus lábios nos meus, me fazendo sentir pela primeira vez o gosto da boca que eu sonhei a meses.

Sem palavra alguma, ele se vira saindo, limpando as lagrimas de cabeça baixa, Caio beija sua testa antes de ele entrar no carro, e Camilo fechar a porta, pensava eu que aquele seria a última vez que iria ter contato com ele.

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