• @richardsongaarcia

Clichê - Capitulo 8

Bato na porta e ele abre. Bermuda curta como ele disse, de pochete de lado, camiseta preta, cabelo com penteado normal, o topete de sempre que ele usa. Batom como de costume, uma sombra nos olhos, meio dourada, até massa, e as unhas pintadas de vermelho sangue.

- Entra, já falei para ela de você, aja naturalmente e segura as gírias Caio. – Ele me puxa pelo braço.

- Não acredito que estou fazendo isso.

Entramos, e ele me leva até a cozinha onde ela estava tirando um bolo do forno;

- Hum que cheiro bom.

Eu nem termino de falar e o Samuel bate nas minhas costelas;

- Oi, boa tarde, sou Cida, e você deve ser o Caio? – Ela me dá sua mão.

- Caio, prazer.

- Senta querido, fica à vontade.

Nos sentamos, e eu passei toda minha raiva, só de olhar para ela colocando uma cobertura de chocolate naquele bolo, ela brilhava, e minha barriga roncava de fome, já até havia me esquecido do que fui fazer;

- Samuel disse que se conheceram no Jaó, e que você mora aqui no Grajau.

- Sim, comecei a estudar lá esse ano com ele, e também sou bolsista.

A gente conversando e de mãos dadas sob a mesa.

- Teve que fazer as provas e entrevistas também?

- Não, eu recebi uma bolsa, por jogar futebol, mas as entrevistas sim, tive que passar.

- Nossa que legal, esse aqui não pratica qualquer tipo de esportes. – Ela aponta para Samuel.

- Mãe olha para mim, não preciso já sou perfeito. – Ele responde.

Ela tira um pedaço do bolo e me serve;

- Aceita café? Você também aí Samuel, parece que nasceu pregado na cadeira, levanta, oferece uma agua, suco, acorda meu filho. – Ela diz para ele.

Ai que vontade de rir, de ele levando um esporro;

- Eu coloco café para ele mãe.

- Vocês comem, porque ir para essas festas tudo lá é caro.

- Sim, e muito. – Falo de boca cheia.

Outro murro nas costelas, eu olho já com raiva para Samuel;

- Então Caio, sua família sabe de você?

- Do que? – Questiono.

- Mãe. – Samuel fica sem graça.

Então fico apreensivo, por não entender;

- Sua família sabe que você é gay?

Eu olho para o Samuel, passo a mão no meu olho que estava coçando, pensando se eu matava ele ali, ou depois.

- Todos sabem.... Que.... Que eu sou gay. – Não consegui olhar para ela.

- Ele é um fofo né mãe. – Samuel meio que me abraça.

Mano era só nos três, mais ninguém, eu fiquei tão desconfortável com a pergunta. E mesmo mentindo, e eu estando convicto disso, consegui de uma forma sentir o que gays passam no seu dia a dia.

Samuel usando e abusando de mim, frente a sua mãe, não passou ileso! Comi uns cinco pedaços de bolo, fiz ele me servir todos, até vermelho já estava.

Quando falei para irmos, ele diz que iria escovar os dentes, passar perfume, e pegar a bolsa e então me deparo com uma cena que não há palavras para explicar, a sua mãe pega em minha mão, acalanta ela com as suas dizendo;

- Eu vou deixar ele ir, porque Samuel ama esses lugares, mas fico de coração apertado toda vez que ele sai de casa. Ele é assim desde pequeno, e as pessoas não entendem! Caio estou pedindo como mãe, cuida dele para mim, por favor! Samuel parece forte, mas é bem ingênuo com esse mundo.

- Eu vou cuidar, pode ficar tranquila. – Falo com ela me abraçando.

Bem nos saímos, e pegamos o ônibus, e no caminho o Samuel me volta a seguinte questão;

- Sabe que acho que o Guto é gay!

- De onde tirou isso? – Falo teclando com a Bruna.

- Eu não me engano com as pessoas, e ele sei lá... Fabiano também disse algumas coisas.

- Espero que não seja gay hoje, pois arrumei uma gata para ele. E você para de andar com esse cara, o pessoal do time inteiro, ninguém vai com a cara dele.

- Caio, quem naquela escola gosta de mim? – Ele cruza os braços. – É o único que chegou em mim para conversar.

- Eu vou ficar na minha Samuel.

- Que foi?

Respiro forte, bloqueando a tela do celular e encaro ele;

- O Guto.

- Haha’ está zoando comigo? O Guto? Fizemos um trabalho juntos, depois disso acabou. E se for realmente analisar ele foi obrigado.

- Eu acho ele um cara firmeza.

- Sim, tem educação, o que a maioria naquele lugar não tem.

Ficamos alguns segundos em silencio, com o ônibus se enchendo e comento;

- Gostei da sua mãe, ela é de boa. Mora só vocês lá?

- Não, tem o encosto do meu padrasto.

- Não gosta dele?

- Eu até tentei, mas ele não dá abertura, tem vergonha de mim. E eu não faço questão.

- Deve ser um filho da puta. Porque você é muito massa.

- Sim, muito, rsrs. E você foi um belo namorado hoje, valeu.

- Fala isso para alguém que acabo com você. Vai ficar me devendo.

- Não, não estamos quites, você me fez ficar naquela festa, e agora estamos quites.

- Aff... Ei nossa parada é essa. – Me levanto.

- Ai meu Deus, olha o tanto de gente. – Ele olha pela janela.

Descemos e pego o celular enviando mensagem para o Guto;

- Ele chegou?

- Não, sei, não está online, vou ligar para ele.

Havia uma galera subindo, eu e Samuel seguindo junto, liguei duas vezes e nada.

- Não atende?

- Não.

- Será que ele vai dar o bolo na gente?

- Não sei.

O celular chama, era o Guto novamente;

- Alo.

- Cadê vocês?

- Subindo aqui, já do lado, e você?

- Estou aqui na frente, carro branco.

- Beleza.

Nós continuamos e bem de frente o baile, havia um pequeno estacionamento, e ele estava ao lado de fora. Galera de tênis vermelho sangue, calça jeans preta com rasgos nos joelhos, camiseta preta básica, e uma jaqueta fodastica laranja, e o boné para trás, o cara estava chave.

Duas garotas estavam falando com ele, que estava sentado meio que no capô do carro;

- Fala mano. – Pego em sua mão.

- Oi Guto. – Samuel o abraça.

Cumprimentamos as meninas, ele diz a elas que encontrávamos lá dentro e tals;

- E então, como foi na casa do Samuel? – Ele cruza os braços.

- Eu to namorando. – Samuel me abraça.

- Mano como eu queria estar presente lá hoje. – Ele fala abrindo o carro.

- Os dois, me pagam. – Aponto para ele.

- Celulares, o seu Samuel e o seu também Caio. – Ele estende a mão.

- Porque? – Pergunto protegendo meu telefone.

- Porque a gente vai beber e a princesa aqui não pode postar nada da gente. Se souberem que estou aqui, estou morto. Começando pelo meu pai. – Ele pega os celulares.

- Elias e Marcela vão vir? – Samuel pergunta.

Guto sorri e responde;

- Você é ingênuo de imaginar aqueles dois num lugar desse?

- Sim. – Eu falo.

Samuel me cutuca, bravo.

Quando se acostuma com algo, mano! O pobre passa vergonha até fazendo “coisas de pobre”. Frente a casa, estava uma fila gigantesca que seguia para a direita. E a entrada a esquerda.

Você pegava a fila para a bilheteria e seguia para a entrada, nos aproximamos e eu junto a Samuel ficamos na fila, como Guto estava a passos à frente ele foi seguindo, e nós dois olhando;

- Guto a fila aqui! – Grita o Samuel.

Todos olharam, menos o Guto;

- GUTO. – Ele dá outro grito.

Ai que vergonha.

Ele para, olha para trás, até pareceu meio perdido, gesticula com as mãos tipo, “Que estão fazendo?”. Ele volta com olhar indiferente e questiona;

- Que foi? – Ele pergunta.

- Não temos entradas esqueceu? – Eu falo.

Ele deu uma risada, abriu um sorriso na verdade, e disse;

- Relaxa, chega aí. – Ele segura meu ombro, me guiando.

Vocês sabem como é quando se “fura uma fila”. Todo mundo te olhando passar a frente, pedindo licença, e passando. As pessoas querendo te enforcar.

Ele se aproxima pegando na mão do segurança, um moreno alto demais;

- Eros, esse é o Samuel, e o Caio. – Guto nos apresenta.

- Senhores! – O cara só faz um cumprimento com o rosto. – Já falei com.... aqui, a moça de branco. – Ele aponta.

Mano entramos junto com os VIPs, não me pergunte como, uma moça veio e colocou uma pulseira em nós três, e entregou mais nove pulseiras para o Guto, que entregou três para cada;

- Que fazemos com isso? – Samuel pergunta.

- Se quiser alguém no camarote, você entrega uma dessas, para que a pessoa possa subir.

A moça leva a gente para um dos camarotes mais tops do lugar, o palco ficava na nossa frente, estávamos a uma altura de uns três metros da pista, tínhamos visão de tudo, ela mostra onde ficaríamos e comenta;

- Esse camarote tem um garçom exclusivo, banheiro privativo e se quiserem, Eros fica como segurança os senhores. As bebidas são todas colocadas nesse cartão, posso deixar com você? – Ela entrega para Guto.

- Quero um para cada. – Ele diz.

- Tudo bem, já volto.

- Vou ao banheiro. – Falo saindo.

- Samuel vem comigo, vamos ver que tem aqui para beber. – Os dois saem.

Já havia um DJ tocando, e uma galera no lugar. O inteligente aqui trouxe uma jaqueta, e já estava soando, então amarro ela na cintura ficando mais de boa.

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