• @rgpatrickoficial

Clichê - Capitulo 43

#Samuel

Uma semana depois de a polícia prender o Robert a notícia chegou.

Eu estava tomando café para sair de casa, para aula e minha tia Rose chega;

- Gente do céu, não conto para vocês que aconteceu. – Ela entra já falando assim.

- Que foi mulher? – Minha mãe fala alto.

- Samuel mataram o Robert.

- Como assim? Que história é essa? – Minha mãe fala.

- Ele foi solto e pegaram ele na porta da delegacia, é claro que foi o comando, não tem como.

Eu não disse nada, fiquei apavorado, pois conhecia ele, tipo, tivemos algo.

Minha tia contando detalhes para minha mãe, e eu vou no quarto pegar minha mochila, e ela pergunta;

- Caio vai passar aqui?

- Não mãe, hoje vou só.

- Cuidado Samuel, pelo amor de Deus.

- Pode deixar.

Ela me beija na testa e minha tia pergunta;

- Tudo bem mesmo?

- Sim, sim, tudo sim.

Vou saindo para a aula, e já olho a esquerda do meu portão, era uma sensação muito estranha, muito.

Segunda-feira a semana de provas do fim de semestre aproximando, aquela pressão de notas, vocês sabem bem como é.

E um começo de ano conturbadíssimo.

Cheguei na escola, e o Caio não estava me esperando como de costume, mas ok, pois o Guto estava entrando, e já veio me enchendo;

- E ai, como está o namoro? – Ele pergunta.

- De quem?

- Seu e do Kleber!

- Haha’ quem te falou?

- Fui na casa do Luan no sábado e ele comentou que estavam saindo.

- Fomos ao cinema assistir aquele filme, “Com Amor, Simon”.

- Uh quero ver ele ainda.

- Porque não leva o Luan.

- Vou chamar ele depois, cadê Caio?

- Mandei mensagem para ele cedo, disse que já tinha saído de casa, acho que já chegou, também olha a hora. – Confiro no celular.

A entrada principal era logo onde tinha os armários, para minha primeira aula de Química não tinha necessidade da mochila, a coloco em meu armário vendo o Caio no dele.

Guto também se aproxima;

- E ai mano, beleza!

- Que cara é essa gato! - Me aproximo.

Ele não precisou falar, no chão sua mochila e Caio estava tirando suas coisas do armário, tipo esvaziando, antes de ele responder eu já falo;

- Porque esta esvaziando?

- Fui expulso do Jaó. – Ele me olha.

- Como assim cara? – Guto segura em seu braço.

- Ganhei uma bolsa para jogar, Elias me tirou do time, então perdi minha bolsa.

- Ele fez o que! – Guto diz puto.

- Olha um já foi agora falta outro. – Elias diz com os meninos do time atrás de nós, tipo, do outro lado dos armários.

Nós olhamos para ele que continua;

- Olha os créditos são meus, mas quem fez acontecer foi o papai do seu amiguinho aí. – Elias aponta para o Guto.

- Como conseguiu? – Guto pergunta.

- Meu pai é presidente daquela empresa, foi só uma conversa e Machado fez uma ligação, e tem que agradecer... – Elias aproxima. – Porque poupei seu namorado.

Mais treta.

Guto simplesmente esmurrou Elias, ele foi com tanta raiva, que havia uma turma do futebol, e tipo, se a gente entrasse iria apanhar junto.

Mas você fica naquela, é seu amigo, te defendendo. Eu olho os seguranças correndo, então fui para cima, assim Caio também, pelo menos uns tapas eu consegui dar, não sei em quem, mas acertei bem acertado.

Com os seguranças tirando todo mundo da bagunça, eu me afastei e fiquei longe, mas Guto e Elias foram os primeiros a serem levados para a diretoria, e galera, acho que Guto havia conseguido o que queria, pois, o Elias estava com um corte na altura do olho e com sangue também na boca.

#Augusto

Entramos na sala da Vera, naquela bagunça, seguranças, eu, Elias, os meninos, Caio, depois veio a enfermeira, ela olha para a gente e até fecha os olhos de raiva;

- Vocês novamente? – Ela com as mãos na testa.

- Esse idiota que veio para cima de mim. – Elias fala.

- Se não calar eu vou fazer você calar. – Encaro ele.

- Cala a boca Augusto! Sabe que vou fazer, vou ligar direto para o seu pai, não vejo outra opção. – Ela pega o telefone, discando.

Eu tiro meu celular do bolso e jogo em sua mesa, sob uns papeis;

- Liga do meu, que esse aí ele não vai te atender, e muito menos desse. – Aponto para meu celular. – Aproveita e liga para mãe do Caio e diz que ele foi expulso porque é pobre.

- Ele infringiu uma das mais severas regras dessa instituição. – Ela fala alto, com as mãos na mesa.

- Vai me expulsar também?

Vera sobe o queixo, pisca algumas vezes e não consegue falar nada;

- É assim, assim que eles agem quando fazem injustiças. – Olho para Caio.

- Esse favela que...

- CALA A BOCA ELIAS. – Grito com ele. – Vamos mano. – Puxo Caio.

- Eu não terminei Augusto e Caio, não me deem as costas.

- Eu não estudo mais aqui, não lhe devo respeito. – Caio olha para ela.

- Sem cena Vera, você não tem autonomia para nada nesse colégio, faz o que pais como o de Elias manda. Espero que durma feliz com a decisão de acabar com o sonho da vida de Caio, só para fazer o dia desse panaca melhor.

Saímos da sala, e no corredor, eu comento com ele, ligando para a Valquíria;

- Mano vou falar com ele, isso não vai ficar assim.

- Relaxa Guto, só a surra que deu nele já valeu de muito.

- Alo!

- Alô bom dia, quem fala?

- Valquíria é o Augusto, está com meu pai?

Eu nem termino de falar e ela desliga na minha cara;

- Filha da puta! – Olho para o celular. – Desligou na minha cara.

Ele sorri de mim, e segue para a saída;

- A gente se fala.

- Mano foi mal, vamos resolver isso. – Falo pegando em sua mão.

- Relaxa, vou passar no serviço da minha mãe, depois vou para casa.

- Falou! – Abraço Caio.

Atrasado vou para a aula, pois tinha prova a fazer, logo que entrei o professor já havia distribuído todas;

- E aí? – Samuel sussurra.

- Caio foi para casa, quando chegar falo com ele.

- Augusto e Samuel calados!

Terminamos a prova e então, e eu queria o quanto antes falar com meu pai. Logo que deixei o colégio, entrando no carro;

- Para casa? – Camilo pergunta.

- Descubra onde está meu pai e vamos até ele.

- Ok.

Ele pega o telefone, e fala com alguém, e eu envio mensagem perguntando a Caio, como sua mãe estava.

Ele respondeu que triste, mas logo iria se resolver, novamente a frase, “Já estou acostumado”. Falei que estava indo falar com meu pai e que daria uma resposta assim que houver.

- Vamos para casa, ele está lá Augusto.

- Essas horas. – Confiro no relógio.

- Sim.

No grupo os meninos discutindo o resultado da prova, e respostas, e claro a briga de mais cedo, parece que Elias foi levado ao hospital.

Em casa, depois que entramos, Caio me ligou tipo, repetidamente, entrei em casa e com o celular na mão para atender, vejo o inimaginável.

Raquel com a porta principal, eu vou olhando na sala principal.

No sofá grande azul turquesa, Julia, e sua mãe sentadas, meu pai de pé de braços cruzados, minha mãe no sofá, com um copo de agua nas mãos e Heitor mais afastado, mano congelei na hora.

Todos me olhando, todos;

- Quero todos seguranças, empregados e funcionários para fora da casa, imediatamente. – Meu pai olha para eles.

Deixei a mochila de lado e pergunto olhando direto para Julia;

- Está tudo bem?

- Sim.

- Não, claro que não está. – Meu pai grita.

Eles fecham as portas e Julia diz;

- Eu não queria Guto, mas minha mãe insistiu.

- Você sumiu, eu tenho uma filha gravida em casa, não tinha o que fazer a não ser procurar os seus pais. – Sua mãe me fala.

- A senhora está coberta de razão. – Minha mãe pega em sua perna.

- Positivo, tenho um exame de DNA em mãos com seu nome nele Augusto. – Meu pai balança o papel.

- Eu iria contar. – Falo a ele.

- Quando? Quando a criança fizesse dezoito anos? Garoto irresponsável. Eu tinha certeza Nice que esse dia chegaria, o dia em que ele iria afundar essa família. Quando eu poderia imaginar que era com uma criança. Tem a ideia do tamanho do problema que isso pode causar Augusto? Mas eu não vou permitir, não imagina o que lhe espera. – Ele gritava dentro de casa galera.

- Não viemos causar problemas, são adolescentes, essas coisas acontecem. – A mãe de Julia tenta ajudar.

- Acontecem sim, minha senhora, mas isso aqui nessa família é imperdoável.

- Não estão pedindo seu dinheiro pai, posso resolver isso sozinho.

- Como me fala como? Se nem assumir a culpa, você fez Augusto. Uma agua... Raquel?

- O senhor colocou ela para fora pai. – Heitor responde.

- Vai pega uma agua para mim Heitor. – Ele tira a gravata.

- Viemos atrás de ajuda, estou sem trabalho, e não conseguimos tratar dessa criança sozinhas.

- Eu não posso assumir essa criança, me perdoe Julia, não posso. – Falo a elas.

- Assumir? Ficou maluco! Tira isso da sua cabeça. – Meu pai fala bravo.

- Tem certeza disso Guto? – Heitor me pergunta.

- Isso aqui não é assunto seu Heitor, fica na sua, se não vai sobrar para você. – Meu pai pega a agua de sua mão com tanta força que derrama um pouco no chão.

- Que precisam? – Minha mãe pergunta.

- Bem o tratamento dela pode ser feito no SUS, mas tem o enxoval, e os cuidados básicos, e claro uma pensão alimentícia.

- Primeiro de tudo, a criança não vai ter o nome de nossa família. – Meu pai andava de um lado para o outro. - Não haverá nome de Pai no registro dela...

- Pai, pelo amor de Deus. – Heitor o interrompe.

Foi a primeira vez que presenciei Heitor se posicionar e discordando dele, que só olha para o Heitor, ele estava com muita raiva;

- Ela não saberá quem é o pai.

- Guto vai ficar calado? – Meu irmão me repreende.

- Saia daqui, vai ficar com os funcionários, me encheu você hoje Heitor, parece não entender o tamanho do grau desse problema. – Meu pai aponta para fora.

Eu estava de cabeça baixa, não sabia o que falar, tinha vergonha de olhar para elas. Heitor sai da sala, subindo as escadas;

- Não é uma empresa, não está negociando uma casa. É uma vida, uma criança, seja humano pelo menos nessa situação Machado. – Minha mãe se levanta.

- Posso tirar o bebe. – Julia diz com lagrimas nos olhos, assim como eu ela estava assustada.

- Pelo amor de Deus, não pense nisso filha. – Minha mãe pega na mão dela.

- Passar a mão na cabeça dele sempre não vai fazer seu filho virar homem Nice.

- É seu filho também. – Ela olha para trás. – Não consigo expressar o quão decepcionada estou com você meu Augusto, está me doendo, muito, muito, mas com você resolvemos depois.

Ela se levanta e deixa o copo na mesa;

- Não importa o que fizemos aqui, esse bebe não vai deixar de ser seu filho, meu neto e seu também Machado. – Ela olha para as duas. - A partir desse mês receberão ajuda de 10 salários mínimos, até a criança completar dezoito anos. Será criado uma poupança e depositado o dobro disso para que ele possa ter acesso quando chegar a maioridade. Saibam que todos estudos, medicamentos e tratamentos, parto e roupas dele ou dela serão pagos por nossa família, desde creche a qualquer faculdade que ele queira prestar.

- Como vou confiar na palavra de vocês? – A mãe de Julia pergunta.

- Na deles não, na minha assim como você sou mãe, sei o que está passando, venham comigo, quero falar com a pequena Julia. – Minha mãe sai com elas.

As três descem para a biblioteca;

- Não irei deixar sua mãe tirar esse dinheiro da Petrini, que essas duas sequem suas contas, pois se ela quer permitir que a garota leve isso a frente você irá pagar.

- Não estou usando seu dinheiro. É uma criança, não um objeto. – Falo apontando para elas que estavam longe já.

- Claro que não é meu dinheiro, vou lutar enquanto estiver aqui para você não ficar com sequer um tostão meu Augusto.

- O senhor trabalha dia e noite, para eu e o Heitor pôr fogo em seu dinheiro e empresas quando morrer, não faz ideia o quão esperamos por isso!

- Suba e arrume suas coisas, embarca amanhã para o Canada!

- Minha mãe não vai deixar você fazer isso.

- Está expulso do melhor e mais caro colégio do pais. Arrumou um filho de uma preta favelada, tenho milhões de razões e vou usa-las. Suba e arrume suas coisas. Essa sua vida de playboy revoltado acaba agora ou não me chamo Machado Montanari.

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