• @rgpatrickoficial

Clichê - Capitulo 41

#Samuel

- Desde o dia do acidente?

- Sim, mãe, ele não entra no whatsapp, Caio disse que ele não falou nada também, estou com medo.

- Ela é importante filho, se algo tivesse acontecido já seria noticiado.

- Vira essa boca para lá mãe. Ei beijo.... Já estou indo.

- Vai com Deus.

O que mais me assustava era que Guto não tinha falado nem com o Caio, e tipo, eles conversavam sobre tudo.

Bem depois do feriado, foi exato uma semana de aula sem o Guto.

Na segunda-feira eu sem saída, e o Caio fazendo pressão, tive que chegar no Fabiano;

- Porque eu, vai você.

- Você que estuda com ele Samuel, vai logo, olha ele acabou de entrar no banheiro, vai. – Ele me empurra.

Ai que raiva, mas beleza, era pelo Guto.

Entrei no banheiro e ele estava em um reservado, eu peguei meu batom para retocar e ele aparece;

- Aí é você. – Já exclama com aquela cara de merda.

- Nice está trabalhando esses dias Fabiano?

Ele me olha pelo reflexo do espelho todo sem entender;

- Apareceu na quinta e sexta na grife, mas espera, porque está falando comigo?

- Nada, é que você é a pessoa mais próxima dela aqui dentro.

- Talvez o filho dela né?

- Ele estava lá?

- Ah já entendi.... Não está falando com você né, talvez seja por isso que ele nem vem para aula, tinha que ser a favela. – Ele sai me empurrando.

- Aí que vontade de dar na cara dessa bicha desgraçada.

Falo para ele ouvir, Fabiano sai rindo. O Caio entra em seguida;

- E aí?

- Ele não disse nada! Falou que a Dona Nice trabalhou ontem, mas perguntei do Guto e ele não quis responder.

- Para que você serve em Samuel.

- Olha aqui, eu não estou bom para ouvir desaforo seu não idiota.

- E seu namorado? Kleber, ele trabalha com o Heitor né? Fala com ele.

- Ele disse que anda mudou, e que o Heitor disse sua mãe estar bem, que acha de eu perguntar do Guto para ele em? Pouco estranho não?

- Amanhã começa as provas, ele tem que vir.

- Espero também viu.

Bem esse dia quando fui para casa, depois do ponto de ônibus, na calçada quando viro para a rua de casa levei um puta susto.

De PM ao Bope estavam na nossa rua, tinha muita polícia mesmo, quando pisei nem voltei, porque iria dar merda.

Que acham? Eu montado de peruca e salto, acham que pelo menos me revistaram;

- Mora onde?

- No porão preto. – Aponto.

Ele abre caminho e percebo alguns saindo da casa do Robert, já fiquei assustado. Entrei em casa e quando o celular conecta no wifi, minha mãe envia um monte de áudio.

Falando que a polícia invadiu a casa do Robert e prenderam ele, para eu não ir para casa, porque ela estava com medo por ainda estar no trabalho, mal sabia ela.

#Caio

No dia seguinte no colégio, eu fui no mesmo ônibus que o Samuel, depois que ele começou a ir montado para a escola eu sempre acompanhava ele.

Quando chegamos, vimos o Guto chegar, estranhamente acompanhado de mais seguranças que o normal.

De moletom e touca, bem diferente do que ele costuma se vestir no colégio.

Samuel até chamou ele, mas pela distância nem ouviu. Eu teria prova nas primeiras aulas, o Samuel e o Guto mais tarde.

Mas pelo que tinha ouvido, ele iria ter competição de natação hoje ainda.

Então nos dois seguimos para a quadra, escondidos entramos nos vestiários, pegos somente pelo segurança;

- Fora os dois.

- Somos amigos dele. – Samuel diz.

- Ei, libera os meninos. – Camilo fala olhando.

O Guto estava se trocando em frente ao seu armário, ele vê que chegamos no reflexo do espelho.

- Não deixa ninguém entrar por favor Camilo. – Ele fala.

- Sim senhor.

Ele estava ainda de calça e camisa do colégio, deixa a touca de lado e vem, pega em minha mão, e eu puxo ele abraçando.

Foi estranho, ele começou a chorar, o Samuel também abraça a gente, apertando Guto, que estava bem emocionado.

A gente se sentou, eu de frente para o Guto, Samuel do nosso lado no chão, e ele contou tudo;

- Porque faltou de aula esses dias?

- Estava com ela Samuel, passava o dia todo e até trabalhamos ontem. Ele disse que ela precisa de alguém vinte e quatro horas, as pessoas que estão fazendo testes eu estava acompanhando de perto. Hoje ela ficou com a Raquel até eu chegar da aula.

- Mas irmão, como ela está?

- Normal Caio, normal! Como se não tivesse nada, as vezes duvido do que doutor disse! Mas os indícios sempre aparecem, tudo que ele falou, estou percebendo bem melhor agora.

- Mas se ela está trabalhando está tudo bem não?

- Sim, Samuel, ele pediu atenção nessa semana, na quarta tem outra consulta, e ele já libera ela, se estiver com a pessoa. Estamos falando que vamos colocar uma assessora com ela, por causa da coleção, para ajudar com agenda.

- Como você está?

- Mal, mano é estranho demais, foi um puta susto! Depois que você começa a entender, percebe que Alzheimer não é só esquecimento, é muito mais que isso.

- Não imagino sua mãe fazendo outra coisa a não ser desenhar.

- Sinceramente Samuel! Nem eu.

- Augusto já estão chegando, precisa se trocar. – Diz o treinador entrando na sala.

- Já vou.

Nos levantamos para sair, e ele puxa a mão de Samuel;

- Sobre aquela noite em Floripa, te devo desculpas.

- Você não me deve nada, esquece aquilo Guto, esquece, tem coisa muito mais importante para se preocupar.

Ele puxa o Samuel e abraça ele novamente;

- Some desse jeito de novo e eu acabo com sua raça. – Aponto o dedo para ele.

- Vem aqui viado. – Ele me puxa.

#Augusto

Samuel saiu a frente e o Caio, pede para falar comigo a sós, eu já até imaginava o que seria;

- Não queria te dizer isso antes de entrar na agua, mas...

- Já sei, é a Julia né?

- Sim, mano!

- Então?

- O exame de sangue deu positivo!

- Agora é fazer o exame de DNA, vou ligar mais tarde e conversar com ela, sobre esperar essa parada da minha mãe se acalmar.

- Sim, eu falei com ela, disse estar tranquila.

- Pois então.

- Augusto estão te esperando. – Meu treinador entra novamente.

- Vou nessa, Elias está pegando no meu pé cara, serio.... Quanto mais ele ouve que estamos juntos mais fica puto.

- Está descontando em você?

- Meio que estou virando “gandula” só pegando bolas no campo.

- Vou falar com ele.

- Não precisa mano, afinal é isso que segura minha bolsa.

- Ele está sendo muito infantil Caio.

- Sim, muito.

Bem eu me atrasei um pouco, mas depois dessa minicompetição de classificação.

Estavam fazendo as provas e liberando as turmas, como minha aula era a última, fui até o refeitório comer algo, e cara, hoje seria um dia daqueles.

Havia poucas pessoas, a maioria estudando, para próximas provas, e olhando resultado das que havia acabado de fazer.

Vou seguindo entre as mesas e vejo o Fabiano falando alto com o Samuel, como ele estava de costas para mim não me viu chegando;

- (...) É a última vez que aviso, para ficar longe, você e seu amigo parecem carrapatos, serio acorda para a vida, ele não anda com pessoas assim.

- Fabiano Vou contar até três para sair de perto de mim, arrisco perder minha bolsa por descer a mão na sua cara.

- Para um travesti você é bem corajosa em me ameaçar.

- Isso não é ofensa para mim Poc. – Ele se levanta.

- Porque está falando assim com ele posso saber? – Falo para Samuel.

Como eu cheguei passando pelo Fabiano e ficando ao lado de Samuel que me responde encarando ele;

- Esse viado que não acha sua vergonha na cara e me esquece, é muita inveja reprimida.

- Ei, relaxa.

- Olha para vocês... – Fabiano aponta para nós. – Você não é o tipo de cara que anda com gente assim Augusto.

- E eu deveria andar com que tipo de gente Fabiano?

- Deixa eu dar na cara dele Guto.

- Fica na sua. E se liga, não devo satisfação das pessoas com quem eu ando. Sinceramente prefiro ficar com Caio e Samuel do que com você, Marcela e Elias que são um bando de (...).

- De que em irmão? – Elias questiona do meu lado.

- (...) Bando de filhinhos de papai, fúteis e sem valor.

- Não somos nós que vamos a festas se achando, fazendo rachas e viagens caríssimas para se mostrar para seus amigos favelados. – Ele cruza os braços me encarando.

- Elias eu deixo você falar... – Aproximo dele. – Sabe o porquê? Você e pior que eu, que assumo meus erros, mas você fica na sombra do seu papai!

- Que está falando cara?

- Da noite que fui preso, foi você se seus urubus que armaram, tudo, sabiam da polícia, acha que sou idiota?

- Sim, pois caiu direitinho.

- Não sei porque quer me atingir mas vai precisar de muito mais atitude e caráter para chegar onde estou, e não venha se espelhar em seu pai porque ele também é um pau no cu.

Eu me virei para sair, coloquei a mão na cintura do Samuel para seguir, e meio que me empurram.

Um dos caras que estavam com o Elias me segura pelo braço, eu vou tentar me soltar, e vem outro e apoiam na cadeira, e Elias me acerta um murro no estomago.

Fiquei sem ar, e me contorci todo caindo no chão, tossindo sem ar, com uma dor insuportável.

Percebo ele se preparar para me chutar ali no chão, e Caio pula em cima dele, foi uma voadora, que o derrubou a metros em cima das cadeiras.

Se liguem na cena:

Samuel pegou um dos carinhas e estava atracado com ele a esquerda, Caio em cima de Elias, e eu me levanto, seguindo e derrubando o outro maluco que havia me segurado, foi um murro e pronto.

Olho para o lado, e Caio estava segurando o Elias imobilizando ele, e Samuel grudado no outro maluco que até a peruca dele estava no chão.

Eu acertei um murro no estomago dele com tanta vontade, que achei ter matado ele. Foi acertar e ele caiu.

Um apito soou bem alto, era a Vera, conselheira chegando com seguranças para separar a gente.

Eu não sei como machuquei minha mão, estava sangrando na altura do polegar, entre o pulso. Samuel reclamando das unhas quebradas. Os meninos reclamando e muito, cheios de drama, e o único sem nada, era o Caio.

Todo mundo para a enfermaria, e lá mesmo levamos uma puta bronca;

- Todos vocês sofreram punições, e já adianto das mais severas. Augusto e Samuel, para aula, vocês têm provas agora. – Ela libera a gente.

Que saímos na verdade rindo da situação. Samuel arrumando o cabelo e eu olhando o curativo na mão;

- Aí, a para minha primeira briga e sai bem, sete unhas quebradas e sem peruca.

- Mas não desceu do salto.

Ele sorri e diz;

- Eu queria, mas não achei o Fabiano na bagunça. Queria acertar ele, aí como queria. Você está bem?

- Sim, uma pequena dor nos músculos, mas estou bem sim.

Quando entramos na turma o professor estava já esperando;

- Chegaram as estrelas do Vale tudo na cantina, que belo papel que vocês fizeram em meninos.

- Só para deixar claro para pessoas aqui na sala professor. – Samuel entra olhando para Fabiano. – Roberto está na enfermaria por que mexeu comigo, só um recadinho.

- Mentiroso. – Falo baixo.

Ele me belisca, aproveitando por estar sem unhas;

- Nos seus lugares irei fazer a chamada e aplicar a prova.

Ele pegou uma lixa na bolsa e estava ainda preocupado com as unhas, eu calado olhando;

- Senti ciúmes seus com Kleber naquele dia. – Falo olhando para ele.

Samuel para com o movimento da lixa e me olha;

- Porque?

- Porque fui hipócrita, mesmo você estando pronto para seguir em frente eu não estava, não queria deixar você seguir primeiro que eu.

- Eu não estava, vi você e Luan aquele dia, e doeu muito, muito.

Segurei sua mão, e abaixei minha cabeça, tentando pensar em algo para dizer;

- Mas aos poucos estou entendendo e percebendo que nossa amizade e bem mais forte que qualquer coisa.

- Não sei quantas vezes já lhe pedi desculpas em todos esses dias.

- Não é desculpas Guto, como você disse para o Elias, está apreendendo, e isso não é ruim, é muito bom.

- Obrigado por ser tão foda comigo. – Abraço ele com muita força.

Porra quase chorei ali.

- Os dois, se afastem, e guardem os celulares. – O Professor entrega as provas.

Bem eu não poderia enrolar muito, pois o Doutor Gabriel adiantou para terça-feira, no caso hoje uma avaliação do quadro de minha mãe.

Sai da escola enviando mensagem para o Caio, dizendo que conversaríamos depois.

Nesse dia meu pai não estaria presente, somente eu e Heitor.

Quando cheguei ele estava no deque, seu computador está sob uma das mesas, ele falando ao telefone;

- Raquel minha mãe chegou?

- Sim, Guto está no banho.

Deixo a mochila no sofá e vou até o meu irmão;

- Resolve isso para mim, não posso estar aí agora, deixa na minha mesa, assim que eu puder eu analiso.... – Ele se vira me olhando.

Eu me sento frente ao seu computador, que estava aberto em uma agenda, e ele desliga o celular;

- O Médico chegou?

- Não.

Ele se senta;

- Ligaram do seu colégio.

- Você atendeu?

- Sim, disseram que você se envolveu em uma briga com o filho do Edson.

- Elias é um pau no cu, mano não to suportando mais, serio. As vezes dá vontade de voltar para Paris, na escola eu não tinha tantas dores de cabeça igual tenho aqui.

- Mas você acertou ele?

Eu começo a rir, pela cara que ele pergunta;

- Não, ele que me acertou, um belo murro no estomago.

- Ah que vergonha Guto.

- Eu não disse que ele saiu ileso! Mano Caio chegou na voadora, o cara caiu a metros em cima de uma mesa.

- Está zoando comigo.

- To dizendo, foi tão “pank” que Samuel estava me defendendo, ele grudou em um cara lá.

- O Samuel?

- Sim, estou devendo uma peruca para ele, rsrs.

- Queria ter visto essa treta.

- Não, não queria...

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