• Richardson Garcia

Clichê - Capitulo 40

Camilo chega em nós, muito apavorado, o que me deixou mais tenso;

- Precisa vir comigo. – Ele fala com aquela fila de seguranças indo em direção ao meu irmão.

Ele segurou em meu braço e saímos escoltados da balada, havia três carros que pararam o trânsito na frente, muitas buzinas e gritos, e eu perdido no que estava acontecendo.

Ele me coloca em um dos carros, fica de pé na porta, como se estivesse protegendo e eu olhando ao redor, para ver se tinha acontecido algo, o Heitor entra no mesmo carro, e vejo os meninos sendo escoltados para o carro de trás.

Camilo entra no passageiro falando com Matheus;

- Para o aeroporto, RAPIDO. Cambio a 1102 estamos a caminho, deixe o avião preparado.

- Dá para alguém responder que merda é essa? – Heitor grita.

Eu ainda estava procurando o cinto de segurança do banco. Camilo olha para trás, com o rádio na mão, e estava soado;

- Recebemos um chamado de sua casa, é a senhora sua mãe!

- Que aconteceu? – Eu pergunto.

- Ainda não tenho informações senhor. Recebemos ordens para levar vocês para o Rio o mais rápido possível.

- Cadê meu pai? – Heitor abre os botões da camiseta.

- Creio que no Chile.

Minhas mãos estavam soando, eu comecei a tremer, e abaixei a cabeça no carro entre as pernas, tentando focar meu pensamento que agora era em minha mãe.

O meu irmão tentando ligar para conseguir mais notícias, Camilo dando instruções para a equipe.

Quando chegamos no aeroporto, descemos do carro já entrando no avião;

- Gente que aconteceu? – Marcela entra.

- Foi minha mãe, aconteceu algo, e ninguém sabe dizer o que está acontecendo. – Heitor responde.

Todo mundo entra e o Camilo entra em seguida;

- Senhores, falei com Candido, ele disse que ela sofreu um acidente de carro. – Ele fala de pé na porta.

- Tem mais alguma notícia Camilo, ele só disse isso? – Heitor fala.

- Foi o que ele me disse.

- Me dê esse seu telefone.

A cada informação, mais tenso eu ficava, todo mundo se sentando, e acomodando, chegou um dos carros com nossas malas e em seguida fecharam o avião;

- (...) Candido minha mãe não dirige, que história é essa? – Heitor falava puto no celular.

Foi uma das primeiras vezes que vi ele gritar com um funcionário. Heitor se senta do meu lado e coloca o cinto;

- Ele não tem notícias, disse que ela está com médicos e eles não dão informações. Já avisaram o papai!

Eu não respondo, fico calado;

- Camilo peça que eles voem o mais rápido possível, é uma emergência.

- Sim, senhor.

Depois da decolagem, o Luan que estava na minha frente, segurou minha mão, aproxima e dá um abraço;

- Ela vai ficar bem viu, não se preocupe. – Ele fala.

Eu agradeço, e continuo meio que sem reação, na verdade estava com bastante medo.

Caio, Samuel e Kleber também vieram falar, e dar forças, pois a situação para eles era bem complicada também.

Novamente uma hora e meia em média de voo, de angustia. Assim que chegamos, o Camilo informa enquanto o avião faz o taxi aéreo;

- Iremos levar os meninos para cara, Matheus irá cuidar disso, vou acompanhar vocês até o hospital.

- Beleza.

- Quero ir com você amor! – Marcela diz.

- Acho melhor ir para casa, está tarde, e praticamente vamos passar a noite lá.

- Estamos prontos senhores.

Bem, despedimos dos meninos, meio que pedindo desculpas pelo que havia acontecido, eles compreensivos entenderam.

Eu e o Heitor seguimos para o heliponto que ficava bem perto, ela estava no Hospital Samaritano na Barra.

Camilo foi comunicando, para Candido já receber a gente;

- O pai de vocês chega em breve. Me acompanhe, os médicos terminaram os exames, chegaram a tempo. – Ele vai nos acompanhando.

Entramos pela lateral do prédio, já seguindo por um dos corredores até a sala de espera. O médico aparece logo que entramos, ele estava acompanhado de um senhor, que me parecia familiar;

- Olá boa noite senhores, sou doutor Alencar e estou cuidando da mãe de vocês, esse é o Arturo diretor aqui do hospital...

- Prazer doutor. Arturo. – Pegamos nas mãos de ambos.

- Conheço o senhor Machado, ele mesmo me ligou para dar uma atenção a senhora sua mãe.

- Obrigado senhor, mas poderia falar? – Digo ao Médico.

- Bem com o acidente ela teve uma luxação no braço esquerdo, e colocamos uma tala, um pequeno corte na cabeça, fizemos um curativo. Fisicamente está tudo bem! Mas assim que acordou ela não correspondeu bem aos exames “neuropsicológicos”.

- Que é isso, explica melhor! – Heitor diz.

- Esse exame rápido testa, memoria, capacidade de leitura, calculo e escrita.

- O que quer dizer? – Questiono.

- O Neurologista do hospital está analisando nesse momento.

Heitor me olha, e eu começo a soar.

- Vamos acompanhar e assim que tivermos mais informações retornamos.

Eu tomei uma agua, ao canto e o Heitor pega um café. Mano eu estava com muito medo, serio, estava tremendo a todo momento.

Quando me sento vejo no fim do corredor meu pai entrando, assim como nós aparentemente desesperado;

- Espero que já tenham informações, cadê ela? – Ele chega em nos.

O Heitor explica e ele pega uma agua se sentando e tirando a gravata;

- O que aconteceu? – Ele fala olhando para os seguranças.

- Foi na saída do evento, ela simplesmente pegou as chaves com o manobrista do local entrou em um carro aleatório e a metros depois bateu o veículo em uma travessia, ela entrou sem olhar para os lados. – Candido responde.

- Que mentira é essa? Ficou maluco? – Falo puto.

- Como assim? Nice não dirige! De onde tirou isso Candido?

- Senhor, tenho testemunhas, os meninos estavam comigo e podem confirmar. – Ele aponta para os outros seguranças.

Todos confirmaram;

- É um absurdo, se ela não sabe dirigir como entra em um caro, aleatório e sai pilotando, explica isso? – Heitor questiona.

- Vocês são, um, dois... Cinco homens treinados, é uma mulher que tem mais de cinquenta anos. O trabalho de vocês é proteger a integridade física dela. Se o que dizem é verdade, o que estavam fazendo quando ela saiu do evento, pegou chaves de um veículo que não era dela, e pilotou pela via até sofrer acidente? – Falo encarando ele.

- Desculpe senhor. – Candido diz de cabeça baixa.

- Está demitido, você e toda a equipe de apoio, os cinco, saiam daqui. – Meu pai fala sem olhar para ele.

- Com licença. – Ele sai.

Outro médico aparece acompanhado do Arturo, que vem cumprimentando meu pai;

- Doutor Machado. – Ele pega na mão.

- Quanto tempo Arturo, então notícias? – Meu pai abraça ele.

- Sim, senhores esse é o Neurologista Diego.

- Boa noite, bem fizemos alguns exames rápidos em dona Nice, e tenho algumas suspeitas.

- Suspeitas? – Questiono.

- Sim, ela bateu a cabeça, e temos quadros parecidos com perda rápida de memória, ou faculdade mental! Alzheimer, pode ser um caso isolado, ainda não sabemos.

- Como não! – Heitor se levanta falando alto.

- Preciso de mais tempo e pode ser muitas causas.

- Gente é claro que ele não sabe o que está fazendo. – Eu encaro o médico.

- Arturo me fala qual é o melhor Neurologista do pais hoje?

- Bem Machado, temos o Doutor Gabriel Prado, ele é de São Paulo, mas atende aqui no Rio também.

- Ótimo, consegue trazer ele aqui?

- Sim, creio que sim.

- Disponibiliza, avião, helicóptero o que ele pedir, mas traga o mais rápido possível, porque não dá para ficar sem informações em uma situação dessa.

- Venha comigo, tenho o telefone dele em meu escritório.

Meu pai sai junto com o Arturo e eu seguro o braço desse medico;

- Podemos ver ela?

- Sim, me acompanhe. – Ele nos direciona.

Nós seguimos até os quartos, e havia uma enfermeira conversando com ela, gente meu coração se acalmou quando ouve sua risada;

- (...) vou te apresentar ele, é muito lindo.... Olha ai, eu estava falando de você agora Augusto. – Ela aponta com a enfermeira.

- Falando mal de mim né mãe?

Ela abre um sorriso e diz;

- Olha que moça mais linda Augusto, estudando medicina, e solteira, cumprimenta ela meu filho.

Mano que situação, a menina estava vermelha de vergonha, eu a cumprimentei, beijei sua bochecha que ela saiu rosa do quarto;

- Gostou dela?

- Sim, é bonita.

- Ele é gay mãe. – Heitor senta a direita dela.

- Cala a boca. – Chego beijando sua testa. – Mãe que susto a senhora nos deu.

- Não achei o Candido e fui embora sozinha, mas não deu muito certo.

- Mas a senhora não sabe dirigir. – Heitor olha o ferimento na cabeça.

- Claro que sei.

- Desde quando Dona Nice?

- Desde de sempre.

- Como a senhora está em? – Pergunto.

- Bem, a dor do braço passou... E..... Estão sentindo esse cheiro. Qual de vocês bebeu? – Ela me olha.

- Foi o Heitor.

- Eu te conheço Augusto.

- To dizendo mãe. – Aponto para ele. – Olha a cara de lerdo.

Ele sorria gostosamente, de eu me “queimando”.

O meu pai chegou no quarto, dizendo que ela logo iria sair, e que o médico estava a caminho.

Bem na espera e na tensão que passamos, ela voltou a ter dores, então aplicaram remédios para que ela pudesse dormir.

Eu dormi sentado em uma das poltronas, e meu irmão na outra.

Gente acordo com o meu irmão roncando quase caindo da poltrona.

Eu olho o sol nascendo, e um medico falando com minha mãe, aparentemente o tal Gabriel, era até novo demais pelo que achei. Uma equipe entra no quarto com outra maca.

Eu dou um murro em Heitor acordando ele;

- Ah viado. – Ele fala.

Como diz alto todo mundo olha;

- Olha a boca garoto. – Minha mãe exclama lá da cama.

- Para onde estão levando ela? – Digo ajeitando minha roupa e aproximando.

- Vamos levar para um Eletroencefalograma. Aliás, Doutor Gabriel. – Ele estende a mão.

- Prazer, Augusto.

- Sou Heitor.

Cumprimentamos ele e questiono;

- Vai demorar?

- O exame não, mas temos alguns ainda para termos uma análise completa do quadro, vão para casa, tomar um banho descansar, e voltem mais tarde.

- Obrigado.

Como não havia o que fazer, seguimos para casa, meu pai não saiu da cidade e ficou por perto, eu tomei um banho e dormi novamente.

Acordei por volta de seis da tarde, desci para comer algo, a Raquel estava na cozinha;

- Viu meu irmão? – Pergunto entrando.

- Ainda dormindo Guto. Ele comeu algo mais cedo e voltou para o quarto.

- Obrigado.

- Sua mãe está vindo filho, a segurança pediu autorização, tem uma equipe a caminho com ela já recebeu alta.

- Mas já?

- Sim, graças a Deus né.

- Nossa nem to acreditando.

- Seu pai já chegou está lá em cima, vou preparar aquela sopa que ela sempre amou.

- Haha obrigado Raquel.

Foi eu terminar de comer e Heitor desse as escadas, todo sonolento. Parece que tudo de uma vez, minha mãe chegou, e o mais estranho para mim foi o Médico estar acompanhando ela.

Ele subiu com ela e a Raquel, deu umas instruções e quando desceu, veio junto com meu pai;

- Podemos falar no escritório é por aqui.

- Desculpe senhor, mas faço questão de que toda família saiba o que está acontecendo, é fundamental. – Ele se impõe.

- Tudo bem, sente-se. Raquel traz um café.

- Sim senhor.

Nos sentamos com o Gabriel e ele pega em sua pasta, uns papeis;

- Aqui estão todos os exames feitos, e assim como falei com senhor Machado, tenho já a causa para alguns acontecimentos. A mãe de vocês está na fase inicial de doença neurodegenerativa crônica, que chamamos de Alzheimer.

- Fase inicial? – Heitor olha os papeis.

- Sim, como esquecer as chaves, nome de coisas e pessoas, dificuldade em tomar decisões, perder o interesse em atividades que costumava fazer, mudança de comportamento e alteração de humor. O acidente só abriu a porta para que chegássemos no diagnostico antes que algo pior acontecesse.

- E quanto tempo dura essa fase inicial? Que vem depois? – Pergunto.

- Obrigado. Sem açúcar. – Ele agradece o café. – Vem a fase moderada, esquecer de tomar banho, usar a mesma roupa, dificuldade de se comunicar, de ler, escrever, desorientação em locais conhecidos como casa e trabalho. Alterações no sono e alucinações.

- E depois? – Meu pai pergunta.

- A pior delas, a Fase avançada. Não memorizar qualquer informação nova, esquecer de familiares, amigos e locais, ter incontinência em urinar e de fezes, dificuldade de engolir alimentos, e o principal perder habilidade para fazer movimentos simples, e dificuldade para andar.

Mano me encosto no sofá já com lagrimas nos olhos, o meu irmão estava muito, mas muito emocionado;

- Escutem, os três, estou respondendo perguntas de vocês! Existem milhões de casos, e variações, não é regra. Hoje ela está na fase inicial, amanhã pode ir para a avançada, ou daqui a anos. Ela pode não sofrer tanto, vocês têm que entender é que infelizmente não tem cura, e ela estar próxima de vocês é essencial.

- O que podemos fazer? Se não tem cura. – Meu pai pergunta.

- Uma pessoa, especializada, 24 horas com ela, a todo momento. Com uma profissional acompanhando ela, eu posso liberar em uma semana a volta para o trabalho, e rotina. Ela tem pequenas amostras da doença, e pode ficar assim por muito tempo. Irei acompanhar seu caso, estudar estarei com vocês nessa. Vejo que não possuem animais de estimação correto?

- Não.

- Arrumem um cachorro, será um tratamento natural para ela, eu recomendo como amigo, e não como médico.

- Irei providenciar. Agora Doutor preciso que entenda do sigilo de uma informação como essa.

- Não se preocupe senhor Machado, tenho muitos clientes importantes e sou profissional. Caso queira que assine um contrato de confidencialidade, não vejo problema nisso.

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