• @richardsongaarcia

Clichê - Capitulo 34

Eu saio atrás dele, e havia duas garotas sentadas em uma das mesas, mas nada de Caio. Dou meia volta de longe e vejo ele deitado, com as pernas meio que cruzadas olhando para a copa da arvore.

Eu me aproximo, me sento do seu lado, ele somente olha, sem dizer nada. Eu então deito do lado de Caio, ficando com o corpo na lateral olhando para ele;

- Que foi?

- Você que me diz. – Falo.

Com a cabeça apoiada na mão, olhando ele. Caio diz, sem me olhar;

- Não quero que sinta pena pelo que vou falar...

- É o Cauã?

- Sim. Está fazendo mais falta que eu imaginei.

- Que está te incomodando?

- Queria ter aproveitado mais meu irmão.

Eu pego a mão dele e seguro forte;

- Amigo eu não sei como é essa dor, mas estou aqui, sempre que precisar. – Beijo sua mão.

Ele do nada, me olha, ao virar a sua franja até cai no olho;

- Samuel.

- Sim.

- Você gosta de mim igual gosta do Guto?

- Não Caio, que pergunta é essa?

- Sim, ou não?

- Não! Eu não gosto do Guto.

Caio solta minha mão, dizendo já em outro tom;

- Se liga Samuel, quer enganar a quem?

- Porque isso agora?

- Porque eu gosto muito de você, e se o Guto ter o mesmo sentimento. Acredite nunca vai rolar.

- Porque está me dizendo isso? – Eu sento, cruzando as pernas.

- Porque eu posso, eu sou seu amigo, se ficar puto comigo não vai virar as costas. Tem amigos que não se leva para cama Samuel. E gente de “cama” que não é para virar amigos.

Eu fiquei calado, sim, não gostei do que ele disse.

Caio se senta e diz;

- Você vestido assim Samuel, não é você.

- Eu já expliquei é que eu...

- Para. Para de mentir mano. Veio assim para provar para o Guto que pode ser e fazer e ser quem quiser, mas acorda. Se você não se valorizar, acha que nós vamos? Esse. – Caio aponta para mim. – Não é o Samuel que eu conheço.

- Sabe que essas palavras doem. – Digo engolindo seco.

- Acha que não me dói falar assim com você? Você está feliz assim?

- Eu não sou feliz a muito tempo Caio.

- E acha que aquele cara vai te fazer feliz?

- Não fala assim.

- Se liga. – Ele segura em minhas mãos. – Olha para mim Guto não tem culpa de você gostar dele não, e mano, tu nem é mais o mesmo Samuel que entrou aqui.

- Não superei o Guto. É o que quer ouvir?

- Sim, sinceridade.

- Vejo ele todo dia, depois da festa ele é fofo para não parecer escroto comigo, como acha que irei gostar dele?

- Eu não sei te responder isso, mas sei que tem que começar algum dia.

- Eu sei.

#Caio

- Eu vou falar com ele...

- Por falar nele. – Samuel olha.

Guto vem de mochila de lado em nossa direção;

- E ai Caio!

- Vamos? – Me levanto.

- Vão onde? – Ele também fica de pé.

- Temos uma coisa para resolver. – Guto responde.

- Gente, porque esse mistério?

- Não é nada relaxa. – Falo limpando minha roupa. – Vamos cara.

- Até Samuel. – Guto beija o rosto dele.

Seguimos para o estacionamento e vou olhando procurando os seguranças;

- Ué, está sozinho hoje?

- Não podemos ter testemunhas para o que vamos fazer.

- Te entendo.

Ele abre o carro, colocando a mochila atrás e já entra perguntando;

- Qual era a do clima, entre você e Samuel ali no gramado? – Ele coloca o cinto.

- Eu estava meio para baixo, por causa do Cauã, e ele me deu umas ideias.

- Se precisar, sabe né mano, só dizer.

- Valeu.

Saímos do colégio, e próximo ao portão o Guto já comenta;

- Hoje na aula de sociologia, fizemos discursos e tipo, falei expressamente de Samuel, sabe, não de forma pejorativa.

- Não sei o que significa pejorativa. – Falo tirando risos dele.

- Eu fiz um discurso sobre homossexualidade, acho que estamos avançando saca, desde a festa.

- Não sei não mano.

Ele me olha, meio desconfiado, mão na boca. Aciona a seta do carro e comenta;

- Ele disse algo?

- E precisa Guto?

- Como assim?

- O cara ainda gosta de você mano!

- Eu sei.

- Vai ter que pegar mais leve.

- Está dizendo para me afastar?

- Não Guto, sacanagem quem faz isso! Você não tem culpa, até o ponto de dar esperanças saca.

- Mas eu não sei quando estou eu quando não estou.

- Cara, ele não sabe como controlar, e você não sabe quando exagera. O que eu sei, é que vocês têm que se resolver. Na boa, não curto ver ele sofrer não.

- Eu sei mano, me dói também. Fico desconfortável. Acha melhor eu falar com ele?

- Sinceramente eu não sei. Mas ta ligado que se acontecer algo eu fico do lado de Samuel!

- Boto fé. É isso que gosto em você, é sincero, não é falso.

- Se eu mentir para você, você vai saber Augusto.

- Sim, você é péssimo para mentir. E já queria falar, Caio não sei como agradecer mano.

- Relaxa.

- Ei esse assunto nem Samuel pode saber, cara, minha família não pode de forma alguma ter acesso ou saber que ela existe.

- Eu to ligado Guto.... Olha a próxima à direita.

Entramos na comunidade onde moro, e ele para na rua de casa.

Eu entro deixando minhas coisas, ele pega uma agua na geladeira;

- Vamos de carro? – Guto pergunta.

- É na rua de trás, vamos andando mesmo.

- Fechado.

Ele me acompanhou até a casa da Julia, e logo que chegamos, eu bato no portão, ela mesma que abre;

- Oi Caio. – Ela me beija. – Guto, tudo bem?

- Sim, e você? – Ele a cumprimenta.

- Estou sim, entrem gente.

Nós entramos na sua casa, e sua mãe estava na área da casa, a Julia se senta e sua irmã mais velha também estava presente. Em um sofá as duas sentadas, eu e o Guto chegamos cumprimentando elas, para depois sentar nas cadeiras que lá haviam;

- Mãe esse é o Augusto, o Caio a senhora conhece...

Nos apresentamos e sentamos;

- Eu sinceramente não queria estar tendo essa conversa, juro para vocês. – A mãe dela fala. – Meu coração de mãe já fica calmo de saber que você foi homem de vir aqui.

- Senhora o Caio me disse e me propus de imediato, por ela, mas que aconteceu? – Guto pergunta.

- Minha menstruação se atrasou e eu fiz um teste de gravidez de farmácia e deu positivo. – Julia responde.

- Certo e fez o de sangue? – Ele pergunta.

- Não, eu falei para ela ainda não fazer, por causa dessa historia de camisinha. – A mãe dela interrompe.

- Olha eu pago o exame de sangue tranquilamente, posso te levar para fazer agora Julia. Mas quero que a senhora, todos, aqui me entendam. Julia transamos de camisinha.

- Eu sei Guto, mas não fiquei com ninguém mais depois daquele dia.

- Ok, confio em você. Como a senhora quer prosseguir? – Ele volta a falar com a tia.

- Vamos fazer o exame de sangue, é mais barato e mais rápido. Se der positivo fazemos o exame de DNA, se essa for a dúvida. Porque filho ela é minha filha, se eu não confiar nela, quem vai?

- A senhora tem toda razão!

- Pois então, vamos fazer esse exame de sangue, depois de DNA, para tirar essa dúvida. É o que temos que preocupar agora.

- Ótimo, Julia não é duvidando de você, mas quero que sejamos sinceros, eu estou no meu direito de desconfiança certo? – Ele se defende.

Todas concordam com o Guto;

- Irei pagar o exame de sangue, e o de DNA, para termos certeza, primeiro da gravidez, depois se esse filho é meu.

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