• Richardson Garcia

Clichê - Capitulo 30

#Luan

Ai que raiva do Kleber, ele arruma os machos para mim, coloca eles nos rolês mais aleatórios e sobra tudo para mim.

Eu pedi para sair mais cedo do trabalho, pois iria cortar o cabelo.

Me desculpem a sinceridade, mas prefiro assim! Concordei em aceitar o pedido do Guto e sugestão do Kleber, porque queria fazer ciúmes no Thiago. Até porque indiretamente estávamos ficando.

E como eu e Guto da última vez não rolou nada, foi só uns beijos, eu não subjuguei que teríamos algo, era só se conhecer mesmo.

Cortei meu cabelo, aproveitei e fiz as sobrancelhas, e ainda deu tempo de passar na academia, para ficar pouco inchado para mais tarde.

Chegando na Padaria da minha mãe, todo soado, com a mochila de lado, ela estava fechando já;

- Oi mãe, benção!

- Deus te abençoe... Que ótimo que chegou meu filho, leve essas caixas para a casa da sua tia, cuidado são os últimos docinhos para a festa.

- Tudo bem.

- Vai que vou fechar aqui.

- Mãe chamei um amigo para a festa, não tem problemas né? – Pego a caixa.

- Não, o Kleber?

- Não né mãe, Kleber é da família. Outro.

- Não tem problema não, mas é uma festa simples.

- Eu avisei.

Dei a volta no quarteirão com essa caixa, que cheirava muito bem, na calçada minha tia estava lavando as mesas que iria usar, pois nossa família era meio grande, e de mesa na rua e na porta dos vizinhos usaríamos.

Tinha primas e familiares na casa, lavando, preparando coisas de comer, toda aquela bagunça que conhecem;

- Benção tia.

- Deus te abençoe filho.

- Tia, onde coloco a caixa de doces?

- Ai Luan, leva para o meu quarto, tranca e me traz a chave se não sobra nada.

- Tudo bem, rsrs.

Entro cumprimentando primos pequenos, e tias, deixo a caixa no quarto dela e volto;

- Sua chave.

Ela coloca nos peitos;

- Menino não veio contar da prova, como foi?

- Aí tia não passei acredita.

- Ah Luan... – Ela me abraça. – Fica triste não, acontece, a próxima você vai ver, vai ser o melhor.

- Obrigado.

- Vem hoje come, bebe, aproveita, família toda vai estar aí, vai ser bom para você.

- É vai sim.

Estava com ela na frente à casa, ela com a mangueira e as cadeiras, e alguns carros estacionados a frente.

Então vejo o Thiago chegar com o seu ex, no seu carro, e antes de ele descer, eles se beijam.

Mano eu senti um aperto no coração, uma dor, nossa foi horrível. Minha tia olha, até porque eu fiz uma cara;

- Você também tem que seguir em frente filho. – Ela comenta.

Defendendo o filho é claro;

- Eu estou seguindo em frente tia, já ele está andando para trás.

Ele olha e me vê lá parado encarado eles. O cara me sai do carro rebolando mais que uma cobra. Eu só viro as costas saindo.

Gente Thiago é tão cara de pau, que para o carro na sua casa, desce e ainda me chama;

- Luan... Luan espera!

- Ele viu você, toma vergonha Thiago. – Minha tia o repreende.

Se você já viu o cara que você ama, com outro, sabe o que estou sentindo, se você já viu o cara que te deixou ficando com o ex dele, sabe o que estou sentindo.

Que caminho longo até minha casa, foi quase uma peregrinação segurando o choro.

Cheguei e fui tomar um banho, da academia e não me segurei, acabei chorando lá dentro, pois a dor não se segurava no peito.

Era difícil, eu não havia passado na prova da OAB, meu ex namorado ficando com o cara que ele mesmo disse ter nojo. A única das coisas que estava indo bem era o trabalho, de toda forma sem passar na prova eu continuaria de "estagiário".

O tempo no Rio estava fechado, com cara de chuva, então sequei meu cabelo, e foi desligar o secador escuto Kleber chegar em casa;

- Tia cadê o Luan?

- No quarto.... Não corre aqui dentro menino.

- Desculpa. - Ele já abre a porta. - Amigo aí que ótimo, que está se arrumando.

- Oi!

- Você tem que ficar muito lindo, mas muito mesmo.

- Porque?

- O Guto, vai ver ele hoje.

- E?

- Não posso dizer... - Ele percebe meu desânimo e comenta. - Que cara é essa Luan?

- Acho que vou desmarcar com ele, não vou na festa mais.

- Porque não?

- Eu vi o Thiago deixando a Poc do Felipe em casa, acredita que estão juntos?

- Está brincando comigo né? - Ele senta na cama.

- Eu tô um lixo, Kleber a gente ficou tem dois dias, ele dormiu aqui. E me aparece hoje com o ex!

- Você vai se arrumar, vai ficar o mais foda possível. Sabe porquê! Vai naquela festa e fingir que nem conhece aquele cara escroto. Que me perdoe, mas ele é um cafajeste, viado mais piranha do cassete.

- Não sei amigo.

- Levanta essa cabeça Luan, vai ficar chorando por causa de homem não.

- Só não estou bem amigo.

- Pois você vai ficar! Termina aí, e vamos lá em casa, vou te emprestar minha calça, aquela que você sempre quis.

- A Nice Petrini?

- Sim.

- Está falando sério?

- Sim, mas se for comer, é de perna aberta, não quero que manche ela. Ainda estou pagando.

- Eu sei! Acha que vou comer com uma calça daquela rsrs.

Eu terminei de arrumar meu cabelo, e ele ficou lá em casa comigo. Depois fui com Kleber para sua casa. Ele tomou um banho enquanto eu passava sua roupa e a calça.

Minha mãe liga dizendo já estar indo para minha tia.

Depois de se vestir, eu passei uma base e um pó de arroz, ele também fez uma rápida make.

- Será que ele vai levar o Felipe? - Kleber diz fechando o portão.

- Se levar é muito cachorro.

- Aí tenho é pena dele quando ver o Guto.

- Porque?

- Porque eu prefiro mil vezes o Guto?

- Não é o tipo de cara que costumo ficar. Mas realmente é muito lindo.

- Não te entendo, qual seu tipo? Cachorro como Thiago?

- Não quero falar mais dele amigo.

- Foi mal... Gente sua família é quase o bairro inteiro de Realengo.

- Sim, vamos lá para eu poder passar mais vergonha.

Nossa tinha muita gente, três mesas na calçada, duas na rua, lá dentro a mesa de aniversário e uma de comida, e mais quatro na área da casa, na frente da garagem o carro do Thiago com música.

Ficou meio que misturado as pessoas, entre amigos e familiares, minha mãe ficou em uma mesa logo na entrada do portão, que tinha visão para dentro e para fora, ela estava sentada com uma vizinha, e havia mais 3 lugares na mesa.

Chegamos e deixo meu celular com meu carregador portátil na mesa;

- Sua avó já chegou, vai cumprimentar ela Luan.

- Já vou, guarda nossos lugares.

- Cadê seu amigo? – Ela pergunta.

- Eu não sei. – Olho para o Kleber.

- Deve estar chegando tia.... Não vão comer nada? Só tem cerveja nessa mesa. – Ele pergunta.

- Já vamos.

Eu vou passando nas mesas para cumprimentar as pessoas, que tinha familiares que não a via muito tempo. Era primos e tias e tios.

Minha vó teve 9 filhos, perdeu um, e aos 80 anos ela tinha 1 irmão e 2 irmãs vivas, quase 15 netos e 4 bisnetos. Imaginam o tamanho da galera.

Ela estava na mesa com minhas tias e tios avós. Eu fui cumprimentando todos, e ela estava de pé servindo a mesa;

- Oi Vó benção.

- Luan?

- Sim.

- Gente está lindo demais querido. - Ela me abraça tão forte.

Aquele cheirinho de gente velha, amo. Nossa ela me fez sentar ali e conversar, e conversar e conversar.

Sinceramente eu até estava me sentindo melhor;

- (...) Cadê o Thiago? Ainda não o vi. – Ela me pergunta.

- Não sei, não estamos mais juntos vó.

- Não brinca!

- To dizendo.

- Ótimo, eu não importo de vocês gostarem de rapazes, mas em família para mim era demais. Escuta olha para mim. – Ela pega em meu rosto com aquela mão macia. – Você vai ser muito feliz meu filho, muito mesmo. Sabe porquê? Tem o coração bom, e gente assim o mundo retribui da mesma forma, cabe a você saber aproveitar.

- Obrigado vó, nossa como eu precisava de uma conversa com a senhora. – Aperto ela novamente.

- Eu sou velha, vivida, e de uma coisa eu sei. Isso de primo e prima, primo e primo só estraga família, só.

A mesa dela era a maior, e tinha a visão da nossa e da rua, e adivinhem!

Thiago aparece lá na frente do carro cumprimentando as pessoas de mãos dadas com o Felipe, eu iria levantar e minha avó segura em meu braço;

- Fica aqui, ele tem que ouvir umas verdades. – Ela me fala.

- Vó deixa.

Eu me levanto, e vou no banheiro, para não ter que enfrentar os dois logo de cara.

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