• @rgpatrickoficial

CLICHÊ - Capitulo 28

Ele sai da piscina, pega a toalha e já me olha rápido, vem seguindo em minha direção, serio, não tem como focar em uma conversa com ele de sunga não dá;

- Tudo bem? – Ele se aproxima.

- Posso falar com você?

- Claro, aconteceu algo? – Ele ainda se secava.

- Mais ou menos.

- Fala aí. – Guto se senta.

Eu ao seu lado questiono;

- Está namorando o Fabiano?

- Não. De onde tirou isso?

- Ele me disse.

- É o sonho dele. – Ele diz sorrindo.

Como eu não gostei da resposta, fico meio sem graça, ele então se corrige;

- Foi mal. A gente já ficou algumas vezes, mas nada de relacionamento. Era isso que queria saber?

- Me responde outra coisa.

- Respondo.

- Não rola nada entre a gente por que eu sou assim? Eu me visto assim?

- Não sei como você se sente, Drag, Travesti, Transgenero, eu realmente não sei! Mas digo de coração não rolou nada entre a gente, porque viramos amigos primeiro, e pode soar como clichê para você...

- É um clichê.

- Sim, mas amizades como você, como o Caio eu nunca tive, de confiar sabe, sem interesses, de contar tudo. E de certa forma tenho medo de estragar isso avançando em outra direção.

- Se não fossemos amigos, então poderia rolar?

- Sim, se bem que somos bem parecidos e isso seria interessante, mas sim.

- É seria.

- Está respondido?

- Sim, está. – Ele se levanta, ajeita a toalha.

- Ah e sobre Fabiano, ou qualquer pessoa que eu namore ou tenha algo, nunca irá ficar por cima de meus amigos, sei valorizar muito mais vocês.

- Obrigado... – Ele aproxima para me abraçar. – Não sai fora, está molhado.

- Aff, fresco.

- Eu né, Pastel com caldo de cana. – Saio rindo dele.

#Augusto

Depois de sair nos jornais ah semanas preso, e agora por ter ido em um velório, as pessoas daquela escola de merda estavam se regrando a falar comigo.

Justificativas: Que eu não era uma boa influência, para a “classe”.

Foi bom falar com o Samuel, por esclarecer algo que ainda constava duvidas, e também deu um tempo para os meninos tomar a ducha deles no vestiário.

Eu entrei tirando minha sunga e ligando o chuveiro, passei uma rápida agua no corpo e quando afasto do box para pegar minha toalha o Camilo entra no banheiro;

- Puta merda, que susto cara. – Falo a ele.

- Desculpe.

Serio aquele lugar frio e sem uma iluminação decente, aparece um cara da altura dele de preto;

- Não tem ninguém aqui querendo minha cabeça relaxa.

Ele fica de costas;

- O senhor seu pai chegou!

Desço a toalha envolvendo no corpo e já reclamando;

- Não me fala que quer me ver?

- Sim, e ele está na AFAIR.

- Nossa Camilo, diz que não me viu, que está me procurando, sei lá, me ajuda.

- Desculpe, mas já confirmei estar com você.

Nossa eu me vesti como se fosse para meu próprio velório, que raiva.

Boné, moletom bege que eu estava e calça jeans, o Camilo foi olhando e já comenta;

- Cadê seu uniforme?

- Ali. – Aponto.

- Não faz isso comigo Augusto. – Ele se refere a roupa.

- É para meu pai, não para você, vamos. – Ele pega a mochila.

Nós passamos no meu armário e peguei minha carteira e vou seguindo no corredor e Camilo chama minha atenção;

- Por aqui. – Ele diz do outro lado.

- Nossa mano, ta zoando comigo. – Eu já segui puto.

Seguimos para os campos, o ginásio do time, e tinha um helicóptero no gramado. Ao lado de fora o time de futebol, eles tiveram que parar o treino.

Vou me aproximando e de perto já percebo que era o Heitor no “Manche”;

- Fazendo taxi aéreo agora? – Falo sentando ao seu lado.

- Cala a boca, esse aqui estou pegando pela primeira vez hoje.

- Odeio helicópteros, e odeio ainda mais quando você está pilotando.

- Não reclama, iria pegar um belo engarrafamento. – Ele começa a subir.

O prédio da AFAIR do Rio é um conglomerado de 4 torres interligadas, no centro da cidade, em um lugar muito bem localizado.

O Heitor não teve problemas com o helicóptero, ele sempre pousava de forma brusca, mas esse modelo da empresa era muito avançado e quando chegamos, por incrível que pareça foi “calmo”.

- Papai vai te encher por vim de moletom e calça jeans.

- Eu sei.

Dizemos descendo para as escadas;

- Ninguém nesse prédio usa roupas assim Guto.

- Por isso vim desse jeito.

No elevador, nós descemos até o andar da presidência, e Heitor pergunta;

- Como está seu amigo? É seu amigo né?

- Sim, Caio. Está levando, eu não consigo imaginar a dor de perder você.

- Oh! Filmou isso Camilo? – Ele me abraça.

- Sai fora. Me solta Heitor.

Eu tento me soltar ele fazendo graça, todo mundo rindo dentro do elevador a porta se abre. Meu pai e Valquíria na porta.

- Você não estava no colégio? – Meu pai pergunta.

- Sim.

- Que roupa é essa?

- Do colégio.

- Espera na minha sala, Heitor desce comigo.

Nos separamos, e eu vou seguindo no corredor. Todo branco, com mármores importados e lustres gigantes até a secretaria e a sala onde meu pai ficava.

Era muito clara por causa da abertura em 180°. Vidros por toda a extremidade, a sua sala era como uma casa de tão grande.

Logo que entro na mesa de reuniões que lá havia, o Edson conversando com algumas pessoas, eu nem cumprimento.

Todos me olham e eu sigo para a direita sentando no sofá, e colocando os pés na mesa de centro.

Ele para o que estava fazendo, vira sua cadeira dizendo;

- Seu pai viu você vestido assim?

Eu que estava com o celular na mão nem me preocupei e m olhar;

- Viu e se importou menos que você, cuida do seu trabalho.

- Me respeita garoto, sou presidente dessa companhia e quero...

- Cala a boca Edson, nem meu pai e nem meu irmão está aqui, então fica na sua.

- Garoto mal educado do cassete... Me desculpem por isso, é que ele não funciona bem das ideias, é meio retardado.

Não falo nada, só levanto o dedo do meio para que ele veja. Cara mais pau no cu.

E a tropa volta para a sala, meu pai chega indo direto para a mesa, pega o telefone e começa a falar com investidores e tals.

E a Valquíria para me olhando, ela fica alguns segundos me encarando, até eu olhar;

- Que foi?

- Tira os pés dessa mesa, é uma relíquia.

Eu não faço o que ela diz, e Valquíria se senta na poltrona a minha frente, ficando de lado com uma pasta;

- Acho que estou passando por um momento de testes, o senhor seu Pai, me colocou de responsável pela festa anual da sua família. – Eu só olho por cima do celular. – Depois que saiu nos jornais de todo o pais com a imagem que quase rodou o mundo, ao lado do seu amigo do Colégio Jaó. Gostaria que você fizesse um breve discurso na festa.

- Está me pedindo um favor? – Eu me ajeito para olhar bem na cara dela.

- Sim, você falando algumas palavras e tomando a frente do palco, seria bem visto pelos convidados.

- Não, obrigado. – Eu me levanto.

- Posso ir? – Pergunto olhando para meu pai.

Heitor sentado na cadeira em frente a sua mesa grande, e me olhando conversar com Valquíria. Já meu pai, segura o celular com a outra mão dizendo;

- Ela não está pedindo e sim, mandando. Você vai discursar na festa anual da família. – Ele fala.

- E se eu não quiser?

- Mando o colégio expulsar seu amigo, que nem era para estar estudando naquele lugar mesmo.

Eu fico por quase meio minuto encarando ele, não respondo nem ela e nem ele, e saio da sala, vou seguindo pelo corredor para o elevador, quando aperto para abrir as portas ela grita da porta;

- Isso é um sim?

- Não sei o porquê me fazer vir aqui se já sabia a resposta.

Camilo entra comigo, e ele aperta par subir e eu para baixo no mesmo momento;

- Que está fazendo? – Questiono.

- Ué indo para o heliporto.

- Vamos de carro. – Falo em um tom meio alto.

- Sim, senhor.

Camilo não me chama de senhor, o respeito que ele tem por mim é acima do seu trabalho. Quando acontece de chegar a esse ponto, é que eu pisei na bola.

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