• @richardsongaarcia

Clichê - Capitulo 27

O Camilo não me deixou só, eu pedi que respeitasse a família e se for mais seguranças ficarem mais longe. Quando eu desço do carro o Samuel vindo na calçada com sua mãe.

Sem falar nada abraço ele, e entramos, havia a família no local, era no local de velórios públicos aqui da cidade.

Eu conversei com o Caio, até pedi para ajudar no que era possível, mas ele agradece, junto a sua mãe dizendo não ser necessário. Mas tudo que iriam gastar com o funeral eu tomei a iniciativa de pagar.

Então, entramos com a família, amigos e conhecidos se despedindo.

O Caio estava sentado ao lado do caixão e sua mãe do outro, nós chegamos atrás dele e o abraçamos juntos. Os três, ali compartilhando aquela dor. Foi pesado posso dizer, e difícil.

O Samuel se emocionou muito, muito mesmo. E acabamos passando a noite ali.

Logo pela manhã o caminho para o enterro. A retirada do caixão que foi carregado até o cemitério, eu estava de boa até o momento de enterrar ele.

Eu não conhecia o cara, o vi só uma vez. Mas o sentimento de você enterrar uma pessoa, que nunca mais irá ver, que deixou sonhos e conquistar, caramba, foi a parte mais difícil desde o dia anterior.

Mas existem algumas coisas que não mudam, depois de enterrarem Cauã, o Camilo chega próximo comentando;

- Você tem que sair, tem jornalistas aqui.

- Ta falando sério? – Olho aos redores dos túmulos.

- Sim.

Cheguei em Caio questionando par onde iriam, e ele iria seguir para casa dos avós ficar um pouco por lá. Então eu fui embora, despedindo dos meninos.

#Samuel

Augusto se mostrava a cada dia um cara incrível, sério, para mim sem defeitos. Amigo, companheiro e de coração gigantesco.

Isso complicava e muito para mim controlar meus sentimentos que ainda restavam por ele.

Olha minha mãe não ficou para o enterro, afinal ela tinha que trabalhar.

Mas na terça-feira quando eu acordei e estava me arrumando no quarto, escuto algumas vezes o nome do Augusto, então abro a porta, para ver quem estava lá.

Minha mãe fazendo café e a TV ligada;

- Estão falando de novo do Guto? – Pergunto ela.

- Sim, desde ontem, o jornal nacional e todos até agora. – Ela fala olhando.

- Eles não param, o Caio sofrendo e eles não saem do assunto...

- Pelo menos agora não estão criticando o Guto né!

- Pelo menos isso né.

Os jornais locais falando da morte do Cauã, por ser rixa de facções e tudo mais, conseguiram pegar o Guto chorando em um momento, e isso foi bem alarmante para eles, afinal são duas extremidades, o amigo favelado, e o cara ricaço. Só não sabia como isso estaria refletindo para o Guto.

Bem hoje seria o primeiro dia em que minha mãe deixaria eu ir montada para o colégio, a ansiedade estava superando o primeiro dia de aula.

Por causa do uniforme, eu coloquei minha peruca preta e um macacão marrom que eu tinha, para quebrar aquele look “rebelde” do Jaó.

Quando estava saindo, minha mãe estava ao lado de fora, eu abro o portão e a doa Berta atravessando a rua com uma vassoura;

- Que a velha fofoqueira queria? – Pergunto.

- Vim jogar o lixo fora e ela estava varrendo a calçada, escuta. – Minha mãe aproxima. – Estão falando na rua que quem matou o Cauã foi o Robert.

- Como assim?

- Ele sumiu né, e a facção vinha sempre aqui Samuel.

- Meu Deus, não acredito.

- Se eu sonhar que você pelo menos viu esse garoto eu coloco fogo em todas suas maquiagem Samuel.

- Ai mãe, não vejo ele tem séculos.

Eu fui para aula com a cabeça quente, querendo por tudo confirmar essa informação.

No caminho mandei foto para os meninos no grupo, dizendo ir montada para a escola, o Guto respondeu que só acreditaria vendo ao vivo. O Caio coitado, elogiou dizendo estar muito linda e que ficaria sem ir na aula por uns dois dias. Perguntamos se ele precisava de algo, mas ele só queria ficar em OFF.

Cheguei no Jaó e claro né, parei aquele colégio prega do cassete.

Peguei meu livro no armário e vou para aula de história, e entrando, todo mundo, olhando é claro.

Me sentei cruzando as pernas e levo um balde de agua fria logo na primeira aula, bem cedo.

Vejo o inimaginável, Guto chega abraçado com Fabiano, e tipo, tinha algo ali. Eles entraram, e ficaram conversando na primeira mesa, e então o Guto me olha;

- Puta merda, não achei que teria coragem. – Ele se aproxima de olhos arregalados. – Levanta e dá meia volta. – Ele pega minha mão.

Só fiz isso por causa do Fabiano, para esfregar na cara dele;

- Espera essa bota é Nice Petrini? – Fabiano pergunta atrás.

- Sim, da nova coleção. – Respondo mostrando.

- Como conseguiu?

- A própria me enviou.

- Bom dia turma, todos em seus lugares, por favor. - professor entra.

- Olha deixa eu tirar uma foto. – Guto pega o celular.

- Não, depois a gente tira. – Eu me sento.

Com a repressão do professor ele senta do meu lado, mano ele deixa o Fabiano com cara de lua lá na frente;

- Fabiano traz minha mochila por favor. – Ele ainda pede.

O cachorrinho vem, deixa a mochila e sai;

- Quero mostrar para minha mãe como usou a bota. – Ele teclava no celular.

- Ah para ela, eu mando até nude.

- Idiota! Ei falou com Caio?

- Não, mas parece que tem jornalistas atrás dele e da mãe correto?

Ele abaixa a cabeça para falar;

- Nossa eu to muito mal com isso, muito! Esses urubus não saem de cima. Meu pai vai chegar de viagem e vai me crucificar, ontem no twitter eu virei assunto.

- Mas não estão falando mal né Guto.

- Não é isso Samuel, é respeitar o Caio, estão em cima dela por causa de mim, é culpa minha.

- Senhores, por favor... – O professor se aproxima. – Samuel?

- Sim.

- Está diferente.

Os meninos riem da reação dele, que iria chamar a atenção opor estarmos conversando e eu digo;

- Diferente para melhor ou pior professor?

- Para melhor, gostei da peruca. – Ele comenta.

- Obrigado.

A aula segue normalmente, depois fui a secretaria conversar para o Caio, pois essas faltas dele, e tals, se poderia acarretar em alguma merda.

E depois segui para o refeitório, vejo Guto e Fabiano conversando, tipo bem perto, isso próximos aos armários, para desfarçar eu abro meu armário e passo um batom, então vejo eles se beijando, nada demais, porem o que conta foi um beijo.

O que mexeu comigo foi a imagem que eu tinha de Augusto na cabeça, serio, mudou completamente.

Como?

Onde?

Quando?

O cara mais foda, seu crush supremo, Bissexual!

Ver ele beijar o Fabiano de certa forma não soou ruim para mim, mas claro eu não queria eles juntos, sabe aquele sentimento, se não quer ficar comigo não quero que fique com ninguém.

O refeitório foi a melhor parte, eu queria sim chamar a atenção, mas gente, foi tanta, mas tanta, que fiquei muito sem jeito.

Tipo, parei o lugar. Me sentei, e fiquei no celular até se “acalmarem”. Aproveitei para responder o Caio.

E então me vem o gay padrãozinho sentar comigo, acho que já estava estampado na minha cara que não suportava ele mais.

Ele sentou me encarando, eu terminei de escrever para olhar para ele;

- Quer o que aqui? – Falo bloqueando o celular.

- Acredite a última coisa que quero é sentar com você garoto. Só vim avisar para ficar longe do meu boy. Se não irá se ver comigo.

Ai eu não aguentei, olhei ao redor, fiz a “Elza”;

- Longe de quem?

- Do Augusto, não se faça de idiota Samuel.

- Seu boy?

- Sim, a gente está namorando, não sei se ele te disse, e sei que você morre de amor por ele.

- Olha Fabiano na verdade tenho pena dele, por namorar com você.

- Finja o quanto quiser, eu sei o que estou falando. O seu Crush é meu boy.

- Desculpa essa conversa é para ser levada a sério?

- Vou tentar desenhar para você “Zica Pobre”. Marcela, diz aqui para o Samuel, quem irá cuidar das empresas do Senhor Machado?

A patricinha idiota para com a bandeja dizendo;

- Eu e o Heitor.

- E quem cuidara da Grife Nice Petrini?

- Você e o Guto e claro.

- Entendeu?

- Eu sim, mas já falaram isso para ele? Porque quando falarem eu quero estar perto. HAHAH.

- Está rindo do que garoto?

- Eu que estou montada de Drag e você que está fazendo o papel de palhaço aqui.

- Escuta aqui garoto. – Ele aponta o dedo para mim.

- Escuta aqui você, ou me deixa em paz ou vou dar na sua cara com esse salto até você descobrir a diferença de Gucci com Chanel. – Eu grito com ele.

- Agressiva. – Ele se levanta.

- Vou deixar você sonhando com o Guto, porque quanto mais alto você sonhar mais alto será seu tombo. – Falo encarando ele.

Mereço ficar ouvindo de bicha padrão para afastar do meu amigo, já tinha acabado com o meu momento ali, fiquei com o que ele disse na cabeça e pensei, vou falar com o Guto.

Depois de comer, fui a piscina, era dia de treino dele.

O treinador estava acompanhando, e eu fiquei ali, sentado na arquibancada esperando terminar.

Alguns dos meninos ainda me olhavam torto e tudo mais. Até o professor liberar eles para o vestiário, Guto não tinha me visto ainda, porque ele estava fazendo uma sequência mais pesada que o treinador estava monitorando.

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