• @richardsongaarcia

Clichê - Capitulo 26

Nós pegamos uma mesa ao lado e o Camilo deu uma olhada ano lugar e saiu. O Samuel chegou com bebidas na mesa;

- Mandei o homem do bar pegar leve com a gente, Caio dirigindo e não quero exagerar hoje. – Ele se senta.

Começamos a beber, e conversar, e por causa do Samuel fizemos amizade com as meninas, juntamos as mesas e estávamos bebendo em seis;

- Porque Alicia? – Pergunto a ele.

- Por causa da tequila, depois eu mudo rsrs.

- Ah saquei.

- Vem, vamos dançar. – Ele me puxa pelo braço.

O Caio segura o Samuel pelo braço dizendo;

- Vamos todo mundo, a última vez que ficaram sozinhos foi treta.

- Eu nem estou bêbado gato.

Gente a pista limpa, sem ninguém, eu, Caio, Samuel e uma das meninas que estava dando mole para o Caio estávamos dançando.

Juntou mais algumas pessoas, e bebendo e dançando, e lá vamos nós fazer uma rodinha.

Cada um entrando e fazendo uma dancinha. Quando chega a minha vez, eu não sei a merda que fiz, galera levei um baita tombo.

Foi tão feio que até meu copo derrubei fazendo uma bagunça, o Caio abaixa para me ajudar e cai junto.

Gente isso deixou o chão da balada horrível, porque fizemos uma baderna.

Eu fui para a mesa olhar vê se tinha quebrado meu celular, também se havia me sujado.

O DJ começou a tocar uns arrochas e Caio estava dançando com o Samuel. Sabe próximos rodando para lado, e para o outro;

- Ei está bem? – Camilo chega em mim.

- Sim, foi um tombo de nada.

Eu termino de falar, os meninos fazem um movimento, Samuel se afasta de Caio, ele sai rodando e na troca de mãos Caio erra e não o segura.

O chão escorregadio pelas bebidas, aquele salto, ele foi direto caindo de quatro no chão.

Foi muito engraçado, porque o grito que ele deu nem o som abafou;

- Caio seu DESGRAÇADO. – Samuel grita.

Nessa altura, ninguém mais ligava, até porque tinham pessoas pior que a gente.

Ele se levantou com dificuldade, o Caio agachado de tanto rir e Samuel vem todo sem jeito para próximo;

- Guto.

- Oi.

- Está vendo aquele negócio preto lá no chão? – Ele aponta.

- Sim.

- Pega para mim é meu sutiã.

- Tudo bem.

Eu vou disfarçando, abaixo, pego e coloco no bolso, agora não me perguntem como.

Bem nisso havia um cara lá em cima dando os tais Shots de tequilas para as meninas. Haviam tão poucas que eles estavam até repetindo, Samuel mesmo bateu carteirinha no palco.

Eu e Caio na frente, ajudando ele a descer e o cara grita no microfone;

- Como não temos todas as mulheres aqui, o primeiro cara que subir ganha dois... – O cara não terminou de falar.

Eu escutei só até essa parte, estava segurando o Samuel para descer, e quando ele disse isso o Caio pulou no palco.

Mano ele derrubou o Samuel de novo, que ficou mais puto ainda.

A cena era o Caio pulando lá esperando receber a tal dose, o Samuel gritando lá em baixo com ele;

- Desce daí seu viado, eu pego você Caio, vem aqui. – Ele tentava subir de novo.

- Mano calma, vai cair de novo. – Eu tentava segurar ele.

- Eu vou raspar o cabelo dele. – Gritava Samuel.

- Calma gente. – O cara dizia vendo Samuel puto lá em baixo.

Ok.

Fui com ele para se limpar no banheiro, quando voltamos estavam cantando parabéns para o Caio em cima d

- Ele disse que era aniversario dele, agora estão cantando parabéns para o Caio.

- Que bicha mentirosa. – Samuel exclama.

Saímos da boate as cinco da manhã, o sol nascia no Rio de Janeiro. Imaginem se estivesse cheio esse lugar.

Na nossa situação, pilotar era impossível né. Camilo foi dirigindo, Samuel do seu lado, eu e Caio dormindo atrás.

- Gente, chegamos, desce aí. – Samuel abre aminha porta.

Eu olho para fora, já fico meio perdido;

- Onde estamos? - Pergunto olhando ao redor.

- Na feira, vamos comer um pastel, vem desce logo Guto.

Nossa meu cabelo estava horrível, tive que colocar um boné para descer.

- Mano melhor rolê possível. – Caio me abraça.

- Está bêbado? – Pergunto apoiando ele.

- Não estou de boa sabe, estou alegre. E você?

- Também estou de boa.

- Ai, alguém me ajuda. – Samuel para com o salto.

Os meninos seguiram, Camilo e Caio conversando. Samuel senta em uma cadeira tirando o salto e eu abaixo para ajudar ele;

- Liga para a sua mãe, diz que esse salto não é recomendável para cair mais de três vezes na balada, e também não combina com shots de tequila.

- Vou sim, deixa comigo, rsrs.

Feira é normal ter pessoas em fim de festa correto? E pela hora, as pessoas arrumando as barracas, e várias outras iguais a gente.

O outro cara que estava com Camilo colocou o salto no carro e Samuel ficou descalço mesmo. Quando ele se levanta ouvimos o seguinte;

- Gente, que homem é esse... Oi gatinho.

Eu olho e eram dois caras, gays, me cantando.

- Olá. – Respondo educadamente.

O Samuel se levanta para sairmos e eles continuam;

- Não quer me dar seu telefone não em? Te mordo todo.

Eu fiquei sem graça, olho fazendo não com a cabeça e Samuel diz;

- Não tem macho o suficiente para vir dar em cima do meu não Poc?

Arregalo os olhos e falo com ele;

- Está só eu e você aqui, vamos apanhar feio, nem de salto você está.

- Ele é seu namorado? – O cara pergunta.

- Sou sim, quatro anos já. – Viro respondendo.

- Ai mentira.... Como pode gente. Um homem desse. – Eles saem reclamando.

- Vem te ajudo. – Apoio ele.

Nos descemos até a barraca que os meninos estavam sentados. Eu cheguei no balcão e pedi o meu, o Samuel pega um da vitrine mesmo;

- Esse, moça... Obrigada.

- Está pouco frio.

- Melhor ainda, a fome não deixa esperar esfriar. – Ele diz ajeitando o cabelo.

Meu pastel ficou pronto, nos sentamos para comer e um rapaz atrás, nos serve cinco copos de caldo de cana. Mano eu fui muito fresco, porque todo mundo bebendo e eu fiquei olhando;

- Que foi? – Caio olha.

- Comem os dois juntos? – Pergunto.

Todo mundo confirma, e eles que me olham torto;

- Experimenta, vai. – Caio impõe.

- Depois eu que sou o gay afeminado dessa turma, quer a peruca Guto?

- Cala a boca. – Pego o copo provando. – Não é tão ruim, nunca imaginei juntar ambos.

- Você enche a barriga e repõe a glicose. – Samuel diz.

Depois de algumas risadas de Camilo contando merdas da noite, que ele presenciou.

Nós comemos pouco mais, antes de ir embora, porque estavam todos exaustos.

Samuel no carro foi se desmontando, tirando o cabelo, os cílios. E mais aleatório que isso foi Camilo ao lado dele, com o som do carro muito alto, tocando RDB, Samuel tentando fazer coreografias, e até eu cantarolando junto com ele, rsrs.

Na porta de sua casa, quando chegamos a dona Rosana estava saindo para o trabalho, encontramos ela ao lado de fora;

- É a primeira vez que saímos juntos e eu me lembro de chegar sã em casa. – Samuel fala abrindo a porta do carro.

- Bom dia meninos.... Obrigada viu, por trazerem ele. – Ela cumprimenta a gente de dentro do carro.

- Por nada, cuidamos muito bem dele, hoje estava insuportável, depois te conto umas tretas dele Tia. – Caio fala.

- Não estou bom com você garoto, você me paga. Agora deixa eu ir tomar um banho, tchau para vocês. – Ele entra.

Seguimos para a casa do Caio, que era bem perto dali;

- Acho que exagerei, comi demais. – Ele reclama.

- Mano, eu também, nossa quero comer pastel com caldo de cana todo sábado, rsrs.

- Caio posso usar o banheiro da sua casa? Esqueci de ir na feira. – Camilo diz no retrovisor.

- Já é.

A casa dele é bem humilde, e como normal em comunidades não havia muros, nos descemos, e o Camilo vai na frente por estar apertado.

Caio deixa o celular cair embaixo do banco e eu desço e seguro a porta para ele se abaixar, nesse tempo que Camilo foi rápido.

Nos aproximamos e a porta estava aberta;

- Ué entregou a chave para o Camilo? – Pergunto.

- Não, CAMILO? – Ele grita.

- Oi.

Ouvimos ele, nós entramos, Caio na frente e ele coloca o pé dizendo;

- Tem alguma coisa estranha.

Eu entro em seguida e vejo algo que ele passa despercebido, a maçaneta da porta estava estourada, ela foi arrombada.

E então algo sem precedentes, ele grita;

- CAUÃ!

Caio corre para a cozinha, eu passo a sala e a imagem que tenho é dos pés de alguém deitado no chão.

Eu já imaginava o que era.

Fui me aproximando e ele chorando muito, muito mesmo.

Havia uns copos no piso de cimento, Cauã deitado de barriga para cima, pernas afastadas, mão na altura da cintura com o rosto virado para Caio, a macha escura de sangue na altura de sua nuca e tronco ao lado direito dele estava a destacar no chão.

- Pede ajuda Guto.... Por favor chama alguém.... Por favor.

Eu me aproximo de Caio, abaixo colocando a mão no pulso de Cauã.

Até então uma das coisas mais difíceis que eu fiz na vida, nunca imaginei em algo assim. Era de certa forma estranho, estava gelado, com pouca flacidez, e ao apertar o que estava obvio só confirmei;

- Acho que já é tarde mano.

Caio estava deitado ao lado esquerdo dele, com o rosto bem próximo do irmão. Quando eu falo isso ele vem e me abraça;

- Meu irmão, cara... é meu irmão.

O Camilo aparece na porta, e leva um baita susto, pega a arma e fica atento;

- Precisamos sair daqui, imediatamente. – Ele pega o rádio. – Matheus código vermelho.

- Repete o que disse Camilo.

- Código vermelho. – Ele se ajoelha ao nosso lado, confere o pulso do Cauã. – Tenho que tirar vocês daqui.

O Caio estava em choque pessoal, ele estava muito, muito abalado, e com razão.

- Não vamos sair.

- Não posso deixar você desprotegido Augusto, eles podem voltar.

- Vocês estão armados, chamem a polícia, façam alguma coisa.

- Tenho ordens para não deixar você.

- Faça o que quiser. Eu não irei sair Camilo. – Encaro ele.

Ele comunica com a central em minha casa, por ser protocolo dele, de avisar em situações de perigo. O Matheus ao lado de fora estava parado próximo a porta.

Depois de falar com a central o Camilo fala com a polícia.

É meu amigo, eu devo suporte a ele. E sinceramente nunca passei por algo do tipo, estava foda de segurar a barra para ele ali.

Nós ficamos na sala, até a polícia chegar, nesse tempo a mãe dele também estava vindo para casa.

Vocês não fazem a ideia dessa mulher, eu estava chorando com o Caio, mas quando ela chegou, nem Camilo nem Matheus suportaram, as lagrimas desceram com a dor dela.

A polícia veio para fazer os procedimentos.

Eu fui embora as cinco da tarde, tinha que tomar um banho, descansar um pouco e voltar para o velório.

0 visualização
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia