• @richardsongaarcia

Clichê - Capitulo 23

Eu me afasto, segurando ele;

- Cara não vai voltar... A gente não volta o que era antes.

- Não quero o que tínhamos antes, e sim o que podemos ter.

Ele diz subindo e se sentando em meu colo, me beijando e desce minhas mãos para suas pernas e bunda.

Acho que por causa da minha bermuda, o contato ficava muito quente e foi inevitável não ficar excitado.

- Calma Fabiano.

Eu tentando dizer e ele beijando e mordendo meu pescoço, meio que rebolando ao mesmo tempo, sarrando não sei ao certo, não conseguia pensar direito.

Ouvimos os sapatinhos de dona Nice descendo as escadas, e eu coloco ele de lado no sofá rapidamente, tentando me disfarçar.

Mano ela entra na sala, comentando;

- Aquele ali pareceu quando misturo vinho e champanhe na mesma noite. – Ela pega o Ipad, e puxa a cadeira.

Minha mãe, para olha para a gente, fixa o olhar toda desconfiada;

- Acho vocês bonitos juntos, mas não é o momento, você está trabalhando. – Ela aponta para o Fabiano.

- Desculpe senhora.

- E você para o seu quarto. Vai, Vai.

- Como sabe? – Questiono.

- Essa bermuda não esconde nada né Augusto.

Fiquei vermelho na hora, peguei uma almofada e saio extremamente sem graça.

Vamos lá, voltar a essa rotina!

No dia seguinte para a aula, eu fui de óculos, até porque dois dias depois da festa eu ainda estava com umas olheiras.

Bem quando cheguei na escola, as primeiras aulas eu não vi nem o Caio e nem o Samuel, então decidi ir no campo, onde o time estava treinando, logo antes do intervalo.

O time estava saindo do campo, eu vou entrando no gramado procurando o Caio e o Elias vem em minha direção;

- E ai mano, está de boa? – Ele pega em minha mão.

- Sim, estou sim.

- Cara se não fosse você eles iriam levar todo mundo para a delegacia.

- Eu sei, alguém tem que levar a culpa né? Não sei se sabe mas seu pai tentou me queimar ontem. – Encaro ele.

- Não, não to sabendo não.

- Pois é.

- Podemos trocar ideia Guto?

- Não, agora não. – Falo seguindo para o campo.

O Caio ainda não tinha me visto, ele estava pegando os equipamentos do treino no campo.

Quando me olha já muda a feição de seu rosto;

- Ei, quero falar contigo. – Me aproximo.

- Fala.

- Queria me desculpar por sábado, fui um pau no cu com vocês cara.

O sol forte, ele protege os olhos dizendo;

- Não deve desculpas para mim não irmão. Você foi pau no cu com o Samuel, deve desculpas a ele.

- Deixa de marra Caio, estou de boa aqui, foi mal cara, desculpa mesmo.

Ele para olha, e pega em minha mão;

- Valeu, a próxima vez que fazer aquilo você me acerta um murro. – Brinco com ele.

- Vai ser um prazer, mas tem que avisar seus seguranças primeiro. – Ele sorri.

- Que bom que está tudo bem, sabe de Samuel?

- Não, mas deve estar no refeitório.

- Valeu. – Falo virando as costas.

Eu iria falar com ele, mas o Caio grita;

- Guto... Se liga... Ele não se lembra de nada.

- Como não? – Me aproximo de novo.

- Samuel bebeu tequila mano, quer que ele lembre como?

- E agora?

- Você veio me pedir desculpas, agora vai e conta o que ele fez, é o certo a fazer.

- Puta merda. – Coloco a mão no rosto.

E lá vai eu, para o refeitório, imaginando o que iria dizer, até porque eu faria as duas faces da conversa.

Quando chego, com todos já comendo, o refeitório lotado, e as televisões ligadas no jornal, sabem muito bem o que era falado pelos ancoras!

Algumas pessoas me olhando e parece que os volumes das TVs aumentavam dentro da minha cabeça;

“- É um delinquente mimado que usa e abusa do poder da família que passa a mão na cabeça. Se fosse filho meu e eu tivesse os dois milhões na conta ele iria ficar pelo menos uns seis meses na cadeia, talvez assim aprendesse. Olha Augusto Petrini de certa forma é um retrato dessa nova geração, em que os pais fazem tudo para acobertar os erros dos filhos.

- Mas Ricardo, o Senhor Machado não me parece ser esse tipo de pai.

- Clarisse a culpada é Nice Petrini, que criou ele da pior forma possível. Quem dá uma Ferrari para um doente de dezessete anos, era obvio que uma hora iria fazer merda. O azar dele é estar com maior idade.

- Mas perdeu a carteira de motorista.

- Pode perder, tem uma frota de motoristas a sua disposição.... Está me entendendo Clarisse, é a criação... Machado enviou o garoto para viver com a mãe em Paris por um tempo, usando a justificativa de estudar. Mas olha Heitor, o exemplo para famílias de todo o pais e foi criado pelo pai.

- Ontem a internet veio a loucura quando foi anunciado com exclusividade pela TV Globo que o juiz determinou uma Fiança milionária.

- Talvez assim faça cócegas no bolso da família. Foi uma forma de protesto, pois o normal é cobrar o valor da multa, por volta de três mil reais. Isso não é o valor da roupa que esse menino usa.

- Hoje o Ricardo está atacado.

- Sim, estou sim, esse tipo de acontecimento me deixa muito bravo, me desculpem... Olha Clarisse tenho informações que ontem a cúpula de acionistas se reuniram na mansão dos Petrini para analisar o que poderia acontecer, porque o cenário é de muito cuidado. A fusão das empresas, eles não sabem onde estão pisando, é um caminho novo. E algo dessa magnitude pode colocar tudo a perder.

- Eu concordo.... Bem vamos agora ao intervalo e logo depois, Ricardo vai explicar essa jogada que é a demissão de Alexânia Amaro a codiretora de Nice Petrini, agora é Diretora comercial da AFAIR S.A, não saia daí é dois minutinhos. ”

Fui passando pelas mesas com todos me olhando, e para ajudar o Fabiano estava com o Samuel.

Eu me aproximo ficando ao lado dele e de frente a Samuel;

- Oi. – Falo sorrindo.

- Oi, como está?

- Bem, obrigado. Samuel terminou? – Me refiro a sua comida.

- Sim, senta aí.

- Quero falar contigo, podemos?

- Ah, ta, tudo bem.

- Com licença. – Falo a Fabiano.

Ele pegou sua mochila e seguimos para o corredor dos armários e levei ele até o vestiário de natação, onde era mais tranquilo para conversarmos.

Ele ficou sem graça, sabe, desconfortável, até porque eu não falei nada no caminho.

Naqueles bancos de frente aos armários do vestiário, sentamos, Samuel deixa sua mochila de lado, e cruza as pernas, eu me ajeito com ambos os pés sob o banco;

- Como está com tudo isso em? – Ele pergunta.

- É uma merda quando falam mal da minha mãe, não me importo que falem de mim, mas machuca para caralho quando falam dela.

- Nós sabemos o quanto ela é foda, não dê ouvidos.

- Obrigado. – Pego em suas mãos.

- Por nada, mas porque me trouxe aqui?

- Quero falar com você e não sei por onde começar.

- Que foi? – Ele fica curioso.

- Não se lembra muita coisa da festa certo?

- Não, eu não sei o que eu bebi, serio, como chama aquela bebida verde florescente?

- Absinto!

- Sim, acho que foi isso.

- Samuel Absinto é proibido no Brasil, e não tinha isso na festa. – Falo rindo.

- Guto eu me lembro de subir para o palco, depois disso, nada, absolutamente nada. Mas graças a Caio tenho foto com a Ludmilla sem me lembrar de tirar.

Eu abro um sorriso e ainda fico meio, sem graça, ele bate em minha perna dizendo;

- Mas que foi?

- Nós brigamos no sábado, eu e você. – Olho em seu olho.

- Meu Deus, Guto eu não me lembro.

- Sim, foi bem feio.

- Guto me perdoa, serio, eu não me lembro, eu juro... – Samuel fica meio desesperado.

- Eu é quem lhe devo desculpas.

- Não, não precisa.

- Escuta, posso te perguntar algo? – Volto a encarar ele.

- Sim.

Pego em sua mão e a aperto, me aproximando de Samuel;

- O que você sente por mim?

- Oi?

- Você tem outro sentimento por mim Samuel?

- Quem te disse isso? – Ele pergunta calmamente.

- Você, na festa. Disse que estava apaixonado por mim, disse que gostava de mim que era além da amizade. É verdade?

- Eu não sei.

- Você quem disse Samuel.

- Guto eu não sei o que eu sinto. Não sei explicar.

- Deve ter alguma forma.

- Gosto de ficar com você, estar perto, e sinceramente gostaria que algo mais rolasse.

- Por favor olha para mim.

Samuel estava extremamente desconfortável, muito mesmo;

- Se liga, vou falar do fundo do meu coração, eu gosto de você, cara eu gosto muito, de certa forma nossos pensamentos batem, nossas ideias, tu é engraçado, eu te acho bonito! Mas Samuel, não rola. Me perdoa se algum momento eu lhe dei esperanças, não foi minha intenção, mas não sinto o mesmo por você.

- Tudo bem Guto, estou acostumado com isso. Ainda mais com amigo hétero.

Eu abro um sorriso e digo;

- Não sou hétero.

- Você é gay?

- Eu diria Bissexual.... – Ele fica confuso e eu continuo. – Sei que não se lembra da festa, mas queria me desculpar mesmo assim, eu falei merda, fui um idiota e não queria que o que temos acabe por minha causa.

- Não vai Guto.

- Você vai achar alguém melhor que eu Samuel, sinceramente você merece muito mais.

- Nossa você poderia terminar melhor essa conversa Guto, não usando esse clichê.

- Rsrsrs, me desculpe.... Posso te abraçar? – Falo aproximando.

Poxa eu estava tão mal, mas tão mal, me sentindo um merda, apertei ele com força.

Com tantas coisas acontecendo, e depois da merda que eu fiz, decidi ficar em OFF por um bom tempo.

Estava quase que em um retiro pessoal, era escola, casa, casa escola.

E algo que estava meio que acontecendo era que Caio, se afastou bastante, com problemas em casa, eu e o Samuel estávamos mais próximos e tentando “apoiar” no que podíamos.

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