• @rgpatrickoficial

Clichê - Capitulo 22

Eles me devolvem minhas coisas, como chaves, celular, eu assino uma papelada e então o Camilo que me aguardava diz;

- Falei com o delgado ele disponibilizou policiais para ajudar, me olha Guto. De cabeça baixa, segurando em mim, os dois estarão nas suas costas, e eles do outro lado.

- Tudo bem, sei como funciona.

- Vamos então.

Aquela cena que vocês conhecem, gritaria, empurra, empurra, foram uns sete metros até a rua e o carro.

Eu já estava bem ruim por causa da noite, sem dormir, eu bebi, acho que a adrenalina foi tanta que demorei a sentir o cansaço.

Em casa a mesma bagunça ao lado de fora, e quando desci, a Raquel estava ao lado de fora;

- Bom dia filho, tudo bem?

- Sim, por favor me arruma algum remédio para dor de cabeça, um bem forte, que enfrentar meu pai não será fácil.

- Sim, deixa comigo.

- Vamos lá? – Camilo me acompanha.

O Heitor estava deitado na sala, minha mãe na poltrona tomando chá.

Ela vem e me abraça, questionando estar tudo bem, e tals, e eu me ajoelho ao lado do Heitor, que estava visivelmente ruim;

- Ei, foi mal por estragar sua noite? – Seguro em sua mão.

- Você não estragou nada, relaxa. Lembra, a melhor da minha vida. – Ele fala baixo.

Escuto um coçar de garganta e olho para trás: Valquíria.

- Seu pai lhe aguarda no escritório Augusto. – Ela fala.

Valquíria era responsável pela imagem da família, ela cuidava de praticamente tudo, e claro era o braço direito do meu pai.

Pego o remédio com a Raquel e sigo com o copo de agua, a minha mãe do meu lado.

A sala era gigante, por causa da biblioteca, onde eu estava com o Samuel, na primeira vez que ele veio aqui em casa. Na mesa de oito lugares toda ocupada, o sofá com algumas pessoas e meu pai próximo ao bar.

Eu olhei para ele que que estava vermelho de raiva, a equipe que estava lá em casa era da parte dos acionistas, meu pai trata eles como da família, como se a nossa família tivesse ações na bolsa e precisasse de opiniões alheias.

Todo mundo me olha, e meu pai já diz;

- Tem alguma coisa a dizer? – Ele fala de braços cruzados.

- Que estou errado, eu fiz merda, sei de minha irresponsabilidade e não queria causar constrangimento. – Digo olhando em seus olhos.

- Colocou vidas em risco, tem ideia disso?

- Sim, senhor.

- Meu filho, o que fez foi muito errado, além de perigoso, poderia ter machucado famílias.

- Desculpa mãe.

- Foi de total irresponsabilidade, eu fico muito decepcionada com você.

- Me desculpa, fui idiota em fazer tal babaquice sem pensar.

- Você gosta né, de fazer as coisas sem pensar. – Meu pai fala. – Tem sorte, você não imagina a sorte Augusto.

- O pregão abriu e não houve sequer movimentos nas ações da AFAIR. Os acionistas classificaram isso como um episódio isolado, mas não diminui a gravidade do que fez. Esteja ciente Augusto que suas ações refletem negativamente na sua família, como na minha e na de todos que trabalham e dependem da AFAIR S.A. – Edson o presidente da empresa fala.

- Eu sei Edson, você já me disse isso. Engraçado prenderem a mim, assim, não é reclamando, quando o seu filho também estava no meio, digo comigo.

Ele sorri ironicamente e fala;

- Acho que bebeu muito essa noite, porque meu filho estava em casa, comigo e a mãe dele.

- Tem a cara de pau de mentir assim, na frente de todos? – Falo rindo, por não acreditar, no que estava ouvindo.

- Temos provas que você está mentindo Augusto. – Valquíria fala teclando no celular, como se fosse mostrar algo.

Gente acreditam que ela mostra uma postagem de status do Elias junto ao pai.

- Sabe que ele pode ter postado isso a qualquer hora sem problemas né? – Olho para ela.

- O errado aqui é você e não eu. – Ela diz.

- Olha como fala, tenha modos, você é a empregada aqui. – Minha mãe repreende.

- Desculpe senhora.

- Saia Valquíria, não quero você aqui. – Minha mãe encara ela.

Valquíria olha para meu pai que diz;

- Nice não é....

- Eu estou mandando você sair. – Minha mãe diz pouco alto.

- Com licença. – Ela sai de cabeça baixa.

- Perdi duas reuniões, e uma apresentação hoje, deve ser um prejuízo perto dos 4 milhões de reais essa manhã para resolver suas merdas por irresponsabilidade sua, você não perde tempo, faz por diversão, caça problemas, porque não é como seu irmão?

- Porque eu não quero ser escravo de um monte de urubus iguais a eles.

- Não me responde garoto, você mora debaixo do meu teto.

- Não usei dinheiro do senhor.

- Cala a boca! – Ele grita. – Isso, olha Nice, é o que dá entregar tanto dinheiro na mão de um delinquente.

- Já conversamos sobre isso Machado.

- Mais um deslize, um.... Olha para mim garoto. – Ele grita comigo. – Quero mais um deslize seu, que mando você para França de novo.... Não melhor. Vai para o Canada, talvez ficando no mesmo reformatório que eu fiquei, apreende como enfrentar a vida. Agora saia, não suporto olhar para você.

- Augusto suba. – Minha mãe diz apertando meu ombro.

Volto pelas escadas com meu pai gritando com ela já. Sinceramente, se não fosse minha mãe, meu pai criaria a gente dentro de celas em casa, ou em uma fazenda, ele tem duas visões dos seus filhos, que somos animais ou como ele mesmo disse, delinquentes.

Perdi as contas de quantas vezes ouvi isso da boca dele.

Não sei exatamente qual remédio havia tomado, eu subi tirei minha roupa, e no banho acreditam que eu cochilei dentro do banheiro. Quase que não consigo colocar uma cueca para chegar na cama.

Acordei a tarde naquele dia, coloquei uma bermuda daquelas de futebol mesmo, para ficar mais confortável.

Sai do quarto seguindo os corredores dos quartos, eu até tentei abrir o quarto do Heitor mas estava trancado, possivelmente ele estava igual a mim.

Eu desci as escadas, escutando uma conversa pouco longe, havia uma empregada arrumando algo na sala;

- Boa tarde senhor.

- Raquel está em casa?

- Sim, quer que eu a chame?

- Peça um suco de limão bem doce e gelado por favor.

- Sim, senhor. – Ela se vira saindo.

- Ei, tem mais alguém por aqui? – Aponto para o lado esquerdo.

- A senhora sua mãe no estúdio.

- Obrigado.

Minha mãe tinha um local de trabalho em casa, com vista panorâmica para as arvores da floresta, algumas telas e tecidos para trabalhar. Sala muito iluminada pela natureza, e com um sofá gigantesco, laranja bem excêntrico de quase quinze lugares.

Eu entro e ela estava na sua mesa de desenhos sentada, ao seu lado o Fabiano.

Eles me olham e ela sorri;

- Tem Wisky, aceita um gole?

- Mãe nunca mais eu bebo nessa vida!

Vou em direção ao sofá e deito, não suportava ficar de pé;

- Espero Augusto que tenha ciência do que fez.

- Sim.

-Está bem Guto? – Fabiano pergunta.

- Com uma ressaca moral, mas estou sim.

- Ei filho, pegue todos os tecidos de xadrez por favor. – Ela pede a ele.

Fabiano sai do estúdio, e minha mãe questiona;

- Ressaca moral?

Eu deitado, olhando para o teto e com uma das pernas mais alta no encosto do sofá;

- Sim, fiz merda com um amigo ontem.

- Fabiano? Elias?

- Com o Samuel, o que conheceu no colégio. Eu bebi, ele bebeu e falamos merda um para o outro.

- Ele gosta de você né filho?

Eu olho assustado e ela com os cotovelos na mesa, me olhando, eu não falei nada, afinal, precisava, um gesto que sim com a cabeça e pronto;

- E você não sente a mesma coisa?

- Não!

- Seja qual for o que você disse, deve desculpas.

- Ele quem veio falar mãe. – Eu me sento no sofá.

- Augusto acha que ele tem culpa? A gente não escolhe sentir isso. Você tem que se desculpar com ele.

- Me desculpe.

- Não deve desculpas a mim e sim a Samuel, faça isso pela amizade se gostar dele. Pessoas como o Samuel tendem a sofrer muito, muito meu filho.

- Eu sei mãe.

Ela vem se senta do meu lado, e a garota entra com meu suco.

Minha mãe pega o copo, enquanto me sento;

- De limão? – Ela prova... – Meu Deus isso está muito doce, mulher do céu. – Ela reclama.

- Mãe foi eu quem pedi. – Pego o copo rindo.

- Ai desculpa, pensei que tinha errado a mão. – Ela começa a rir.

A coitada ficou até com medo;

- Porque tanto açúcar Augusto?

- Repor a glicose.

- Você diminui essas bebidas alcoólicas, sabe que seu avô gostava de uma pinga, e a família tem o pé nos AA (Alcoólicos Anônimos). Se cuida garoto.

- Tudo bem.

- Quero que veja algo. – Ela pega o ipad.

- Bom dia. – Heitor entra no estúdio, todo tordo, pior que eu.

- Reunião de família é? – Minha mãe sorri.

- Aí mãe, fala baixo. – Heitor deita no chão ao meu lado.

- Minha filha, traz outro suco e dobra o açúcar por favor. – Ela diz a empregada que saia da sala.

- Sim senhora.

- Ótimo, quero mostrar algo para vocês. – Minha mãe puxa uma cadeira para perto.

O Fabiano entra com o que ela havia pedido e ela comenta;

- Senta aqui filho, quero sua opinião também.

Eu sentado no sofá, com o Fabiano ao meu lado, bem próximo, minha mãe em uma cadeira em nossa frente, com o Ipad em não, meu irmão no chão, porem com visão para ela.

- E estava trabalhando nessa coleção e queria saber o que acham... – Ela vai mostrando as fotos das ilustrações.

- Inverno? – Heitor pergunta.

- Sim.

- Mais vermelho mãe... Volta, está vendo esse. Usa plataformas altas, uma calça com camadas... preta! Luvas gigantes na estampa da blusa... – Eu comentava apontando.

- Porque luvas tão grandes Guto? – Fabiano pergunta.

- Não importamos com tamanho de roupas no inverno, queremos que eu nos proteja, isso que importa, e olha.... Mãe deixa essa abertura, como um decote, e como queria ousar na calça, deixa ela neutra, e abusa do chapéu...

- Gostei, mas chapéu com uma plataforma meu filho? – Ela olha a tela.

- Um boné, um boné xadrez com proteções para os ouvidos.

- Olha, gostei. Vou anotar. – Ela diz.

O Heitor começa a roncar no chão ao nosso lado, minha mãe meio que empurra ele com o pé, que acorda todo assustado;

- Ai, gente, levanta Heitor. – Ela pega no braço dele.

- Quer ajuda? – Pergunto deixando o copo de lado.

- Não precisa.

Ela fala quando ele mesmo se levanta, os dois saem da sala, com o Heitor repetindo;

- Nunca mais eu bebo nessa vida mãe, nunca mais.

- Aham sei, deixa pegar você e seu irmão bebendo novamente. ESTÁ OUVINDO GUTO? – Ela grita.

- Sim.

- Mãe não grita. – Escuto Heitor reclamando.

Termino o meu suco e o Fabiano me mostra vídeos da festa de ontem;

- Ficou muito foda... A decoração, eu curte muito. – Comento.

- Sim, e aquele ultimo DJ que só tocou funk, serio, melhor jeito de terminar a noite, quando ele parou, ninguém queria ir embora.

- Foi muito massa mesmo, estava precisando de uma festa assim.

Eu estava sentado, e Fabiano meio que deitado no meu braço, digo apoiado;

- Pensei que a gente ficaria mais perto ontem saca!

- Pois.

Ele se ajeita no sofá, me olhando e diz;

- Sinto muito por ontem.

- Foi culpa minha, eu mereci.

- Se precisar de algo, pode falar ok Guto. – Fabiano faz carinho em meu cabelo.

- Sim, valeu.

Era obvio o que ele queria, e eu deixei. Fabiano se aproxima e me beija, e beija com gosto e força.

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