• @rgpatrickoficial

Clichê - Capitulo 21

Abrem a porta, eu saio e deito no chão. Primeiro me algemam e depois me revistam;

- Tem drogas no veículo?

- Não.

- Armas?

- Não.

Um me segurando, outro revistando e um na minha frente perguntando, com os outros revirando o veículo;

- Você ingeriu bebida alcoólica?

- Sim.

- Alguém trás para mim a “bombinha”, para analisar o teor de álcool. – Ele grita para os caras do carro. – Apostando racha?

- Sim.

- Meio burro fazer isso na Ponte não?

- Eu ganhei.

- Mas te pegamos.

- Porque eu parei o carro.

- Fala assim agora, mas só para te avisar, já perdeu sua carteira, seu carro e vamos preparar uma bela papelada para sua multa pelo menos doer no seu bolso. ALGUEM me traz a “bombinha”. – Ele grita novamente. – Central informa a PM sobre um Mustang cor branca nos arredores da Ponte Rio Niterói, suspeito de estar em corrida ilegal. – Ele diz ao rádio.

- O carro está limpo tenente. – Um cara diz.

Bem trouxeram a bomba do teste de álcool, e obvio que estava bem alterado.

Um dos policiais trás o documento do carro para fazerem uma consulta e pedem minha carteira de motorista;

- No bolso da frente, junto ao celular. – Falo olhando.

O cara tira, pega um tablete e enquanto analisava comenta;

- Podem chamar o guincho.

- Eu levo essa belezinha. – O outro diz sorrindo.

Já passei por isso antes, eles olham o nome, puxam a ficha e ficam segundos parados pensando o que fazer;

- Que foi tenente? Ficha suja? – Um cabo pergunta.

- O desgraçado é um Petrini. – Ele fecha o documento saindo de perto.

O tenente vai para trás dos carros e pega um celular fazendo uma ligação.

E depois dizem que essas coisas não existem em nosso pais, de pessoas “privilegiadas”;

- Tirem as algemas dele. – Nesse momento pensei que me mandariam ir embora. – Vamos ter um longo dia, espero que não marcaram de almoçar com a família de vocês. – Ele fala se aproximando de mim. – Augusto, você está preso por condução perigosa. Podem levar ele.

Mano isso vai ser uma merda sem precedentes.

Fui levado para a 76° Delegacia de Polícia aqui do Rio de Janeiro, atrás da prefeitura.

Acho que sabem que alguns policias tem contatos com equipes de fotógrafos, quando chegamos, os carros estacionando na frente, e tinham dois fotógrafos captando tudo.

Entramos, eu sem algemas, sendo acompanhado por eles, e me levaram para uma sala separada, fiquei sozinho lá, disseram que teria que aguardar o delegado de plantão.

Depois de uns quarenta minutos, um policial entra e me leva para a sala do delegado, que estava vazia, eu me sentei, e peguei um pedaço de papel fiquei dobrando, aguardando ele.

Então um policial entra abrindo a porta e o delegado em seguida. Com um copo de café, ele dá a volta na mesa dizendo;

- Então, olha tenho que agradecer por fazer valer a pena meu dia de trabalho... – Ele dizia se sentando. – Senhor... Augusto Afonso Montanari Petrini... – Ele coloca os olhos e me encara. – É filho de Machado Montanari?

- Sim.

- Uou! Está só melhorando.... Tenho cinco policiais até agora fazendo uma bela de uma ficha para você senhor Augusto. – Ele passa as folhas.

- Posso saber seu nome? – Questiono.

- Me chame de Calaça. – Ele anotava algo.

- A fiança será determinada pelo senhor ou por um Juiz?

Ele tira os óculos novamente e olha para o policial ao lado;

- Como você é uma pessoa importante irei deixar na mão de um juiz. – Ele sorri ironicamente.

- Já chegou algum advogado? – Pergunto.

Ele antes de me responder, estava olhando para o vidro ao lado de fora;

- Olha esses baterão nosso recorde, chegaram bem rápidos. – Ele aponta com a caneta.

Os melhores escritórios de advocacia do Rio de Janeiro cuidam das empresas da família, mas a pouco tempo, minha mãe resolveu separar, e contrataram outra equipe para ficar disponíveis para tratar da família.

Nesse caso, seria o primeiro caso deles. Um senhor e um rapaz mais novo entram na sala do delegado, se apresentando e pedindo esclarecimento do que já havíamos conversado;

- Fui pego em flagrante, eles têm provas, o veículo, minha carteira, eu estava alcoolizado, e o senhor Calaça irá tratar da fiança junto a um Juiz especializado. – Falo de braços cruzados ao advogado.

- Temos imagens da ponte também Augusto, na verdade a Rede Globo conseguiu primeiro que a gente, graças ao senhor, temos umas onze emissoras aí na frente, sem contar a quantidade de fotógrafos. – O Calaça se encosta na cadeira.

- Posso ir no banheiro? – Pergunto.

- Claro.

O policial me acompanha, e quando saio da sala já escuto o barulho ao lado de fora, vou ao banheiro e quando volto, na recepção da delegacia o Camilo estava com a equipe de segurança, quase que inteira, oito agentes;

- E aí, como está? – Ele me cumprimenta.

- Não to querendo ir para casa.

Ele sorri e diz;

- Eu sei, mas olha eles vão cuidar disso tudo e logo, logo está liberado.

O advogado mais novo sai da sala, e todos nós vendo na televisão o jornal mostrando as imagens conseguidas;

- Pode aumentar o volume? – Peço ao policial próximo.

“- Para você que está chegando agora, vê imagens da Ponte Rio Niterói onde o Augusto Petrini filho do Bilionário Machado Montanari, passa a exatos 230Km/h. As imagens são impressionantes, pois havia veículos na via e ele passa como se a pista estivesse livre. Não conseguimos imagens próximas ao pedágio, onde ele foi cercado pela polícia, mas testemunhas contam que Augusto avançou para cima de algumas motos da polícia, e seguiu em fuga pela passagem de Aderentes do pedágio. A PRF prendeu ele a dois quilômetros e meio. Vamos agora ao Vivo para a 76° delegacia de polícia. Quem está conosco é o Diego, bom dia Diego.

- Bom dia Cândida, bom dia a todos, a movimentação aqui é muito grande, estão vendo atrás de mim a quantidade de jornalista, e há um aparato de segurança da polícia também. O Tenente falou a pouco, dizendo que Augusto não resistiu à prisão, foi educado e cordial, agora está prestando depoimento, ao delegado de plantão.

- Os advogados da família já chegaram Diego?

- Sim, dois advogados, já se encontram com o Augusto, e olha Cândida, chegaram primeiro que muitos colegas jornalistas viu. E também, vocês vão ver agora imagens da equipe de segurança pessoal, eles não falaram, mas o que impressiona é o aparato de segurança dessa família.

- Ótimo Daniel, obrigado, fico aqui, e você pode me chamar a qualquer momento, irei com a Fatima Junqueira que se encontra em frente a mansão dos Petrini no morro do Jaó. Bom dia Fatima, alguma novidade por aí?

- Bom dia Cândida, bom dia a todos! Olha as informações que temos é que a família irá aguardar a decisão do delegado para fazer um comunicado oficial, já sabemos que o senhor e a senhora Petrini cancelaram todos os compromissos do dia e estão em casa. Esperando notícias. Houve movimentação aqui da equipe de segurança, até achamos que era a saída de algum deles, mas não, um helicóptero pousou a pouco, e descobrimos ser o Heitor, irmão de Augusto.

- Só para quem estar em casa entender, na noite de ontem foi comemorado em uma casa de show badalada do Rio de Janeiro o aniversário de Heitor Montanari, ele possivelmente não estava em casa depois do ocorrido (...)”.

Eu só olhei para o Camilo, que diz;

- Estão nesse alvoroço todo por causa do movimento que seu pai está fazendo com as empresas, e estão esperando que isso possa refletir.

Eu me sento;

- Não vai, é um caso isolado. Mas ele vai me encher dessa vez.

- Desculpe não fomos apresentados sou, Thiago Francis, trabalho no escritório de....

Ele estica a mão, eu o cumprimento, ficando calado, o cara senta ao meu lado comentando;

- Com esses fatos, ele vai determinar uma fiança, e assim que paga, estamos liberados, você poderá voltar para casa.

Eu somente olho, confirmando com a cabeça. O outro, mais velho sai da sala do delegado junto a ele e diz;

- Foi estipulado pelo juiz a fiança. – Ele diz sério.

- E qual foi? – Questiono.

- Bem ele poderia solicitar 200 salários mínimos, que seria duzentos e dez mil reais, porem ele foi mais longe. O Juiz estipulou o teto da fiança nesse caso. Ela foi no valor de Dois milhões de reais.

- Creio que alguém está querendo um pouco de visibilidade. – Camilo comenta.

- O que o senhor veio fazer aqui? – Pergunto encarando ele.

- Lhe proteger Augusto, esse é meu trabalho. – O Advogado fala.

- A presença de um advogado para sua defesa é essencial e.... – O Thiago abre a boca e eu interrompo ele.

- Não estou falando com você! – Digo encarando ele. – Calaça posso pegar meu celular para fazer uma ligação? – Questiono.

- Sim, claro. – Ele mesmo o pega na sala.

Liguei para a minha mãe, para acalmar ela, o seu celular nem chamou;

- Ai graças a Deus, como está Augusto?

- Estou bem mãe.

- Ótimo, Camilo chegou?

- Sim, está aqui.

- Então?

- O juiz estipulou o teto máximo da fiança, estão me cobrando dois milhões.

- Certo, e como vai fazer?

- Vou transferir aqui, não tenho opção. – Volto a me sentar. – E o meu pai?

- Está em reunião com os acionistas, analisando a situação.

- Certo, vou resolver aqui e te ligo.

- Ok meu filho.

Eu desligo o telefone e falo ao delegado;

- É um valor altíssimo, e é obvio que não tenho isso em espécie. Preciso de uma conta bancaria, irei falar com meu gerente.

- Tudo bem.

Ele segue para a sala dele, e eu vou junto, quando chego na porta, olho para trás dizendo;

- Os dois, podem ir embora.

- Não terminamos aqui. – O mais velhos fala.

- Não fez nada.

- Escuta Augusto... – Thiago levanta.

Como ele se aproxima rápido o Camilo já segura ele e se impõe;

- Afasta.

Eu só fechei a porta da sala e me sentei, fazendo a ligação.

O valor até tinha, mas seria um trabalho fazer uma transferência dessa, com o banco fechado.

Eu liguei para o gerente, conversei com ele, que teve que fazer todo o serviço sozinho pelo horário.

Depois de uma hora o comprovante, o valor estava na conta do estado;

- Sim, já está! Bem creio que tem ciência que será processado pelo estado, pode pegar de seis a três anos de prisão, podendo recorrer. E perde sua CNH por 12 meses.

- Sim, estou ciente.

- Pode ir! Está liberado. – Ele se levanta e estende a mão.

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