• @rgpatrickoficial

CLICHÊ - Capitulo 2

Bem depois de duas semanas ganhei meu apelido, eu era a “cota gay” do colégio, não bastava ser o pobre né.

Já o Caio estava sofrendo um pouco, ele entrou no colégio com uma bolsa de esportes, por causa do futebol. E não era dos mais CDF’s.

Foi no fim de fevereiro que ele veio falar comigo sobre.

De frente ao meu armário, conferindo o horário e pegando o material, ele chega de lado segurando a porta;

- Mano, preciso de ajuda. – Ele fala com um papel na mão.

- Que foi? – Fecho o armário.

- Vou reprovar em álgebra e perder a merda da bolsa desse colégio. – Caio levanta a sua prova.

Eu pego olhando a nota em vermelho e comento;

- Nossa você é ruim mesmo em.

- Isso não ajuda Samuel.

- Olha não, sei, estou perdido com meu trabalho de inglês, Caio, não dá.

- Quebra essa para mim. – Caio segura em meu braço.

Ele estava falando comigo, mas vejo um cara passando pela gente e me encarando;

- Vou ver, e te falo. – Falo sem dar muita atenção a ele.

- Valeu. – Ele sai com a sirene tocando.

O que mais eu gosto do Jaó é a grade curricular, aula de história que é minha favorita, tínhamos duas aulas seguidas, duas vezes na semana.

E também é a aula que mais tem garotos, rsrs.

E também era a matéria que eu fazia com o Guto. Ele se senta sempre ao meu lado, com uma mesa de diferença. ele fazia a linha de “popular”, mas com o tempo percebi que ele era mais neutro nessa questão, por causa de suas notas, eram altíssimas, o que lhe dava uma margem para sacanear sempre que podia.

O cara gosta de ser o palhaço da turma sabem.

Pego minhas canetas e escrevo a data no canto do caderno. Quando escuto um barulho de alguém chutando uma cadeira por acidente, era o tal carinha do corredor, passa encarando sem disfarce.

O Gaydar, apitou na hora:

De cabelo rosa, com o uniforme todo personalizado, e quando se sentou ficou no celular com a caneta na boca.

Sempre tem né, aquele gay mais bonito que você na turma! Ele era da minha altura, e para ajudar era fortinho, tinha uma cara de fofo, o cabelo rosa, como disse, e mais estilo que o Guto.

O professor entra na sala, com as provas em mãos, pedindo silencio e que todos nos sentarmos. Ele deixa as coisas, e começa a distribui-las.

A minha ele deixa na mesa e diz;

- Parabéns Samuel.

Mais uma para a coleção, ele termina, e pega uma folha ficando à frente da classe;

- Bem é o seguinte, conversei com a conselheira Vera e ela me autorizou a não aplicar provas no próximo trimestre. – Fizemos uma festa é claro. - A nota de vocês será através de um trabalho, uma apresentação para ser mais sincero.

De agradecimento a reclamação em segundos, ele pega o livro que usamos;

- Irei passar um capitulo para cada dupla, irão estudar e apresentar aqui na frente. Não poderão usar rascunhos, livros, e não quero Datafolha, slide, nada, quero que estudem e falem o que apreenderam.

Uma garota atrás de mim fala;

- Podemos dividir o capitulo cada um apresenta metade professor?

- Não, os dois vão estudar todo o capitulo, e quando chegar aqui na frente eu decido quem vai falar e o outro terá que ficar de boca fechadinha.

“É não seria fácil”;

- As duplas serão escolhidas por mim, não quero o ultimo problema do semestre passado em que o senhor Guto nos presenteou com um belo discurso improvisado sobre seu ponto de vista da segunda guerra.

Guto manda beijos para os meninos que riam dele. O professor senta, pega um caderno e começa a fazer as anotações;

- Guto irá apresentar com o Senhor... Samuel.

Eu olhei para o lado e ele havia colocado a mão no rosto, serio já entendia que não seria fácil.

A turma inteira rindo da cara dele, que se levanta, com sua mochila, puxa a mesa e senta ao meu lado. Eu fiquei na minha, sem dar muita bola.

O professor realmente pegou pesado, colocando pessoas que nem conversavam com outras, foi uma beleza, todo mundo reclamando.

- Guto tira essa touca, sabe que não é permitido. – O professor fala.

Ele tira e passa a mão no cabelo. Quem alisa o cabelo sabe que quando você faz o procedimento, ele fica todo sedoso e não fica no lugar, o de Guto estava assim, mostrando ser “gente como a gente”. Mas eu quando faço pareço uma vassoura, ele não com todo aquele cabelo sedoso de lado.

O professor foi passando os capítulos para as duplas;

- Samuel e Guto, capitulo 17.

- Revolução Industrial.... Então como faremos? – Pergunto, com o livro aberto.

Ele olha, foleai as páginas e diz;

- Não tenho escolha, vou ter que estudar, é isso que faremos.

- Eu perguntei como! – Indago a ele.

- Temos que estudar na biblioteca e você vai ter que ir na minha casa.

- Beleza, mas porque você não vai na minha?

Ele ri de mim e responde;

- Aí, você é engraçado irmão, tenho que admitir.

- Eu estou falando sério. Porque só eu tenho que ir na sua casa?

- Porque eu estou dizendo! Se quiser será do meu jeito.

- Professor, pode me trocar de dupla? – Falo com o dedo para cima.

- Eu posso fazer com o Guto professor. – O tal garoto fala olhando para a gente.

- Não Samuel, não irei abrir exceções. Fabiano continua com a Clara.

Ele com um sorriso e aquele queixo alto, todo arrogante.

Naquele dia quando cheguei em casa minha tia e prima estavam almoçando lá;

- Oi, benção. – Pego na mão dela.

- Deus te abençoe Samuel.

- Brendinha.

- Oi.

Minha mãe na pia, eu vou ao meu quarto, deixo a mochila e tiro o tênis, para ir almoçar;

- Como foi na aula hoje? – Minha mãe pergunta.

- Foi normal.

- Pararam de te encher?

- Sim, um pouco.

- Eu não sei o que tem na cabeça filho, se Brenda fala para mim que quer estudar em um colégio daquele dou na cara dela.... Onde já se viu Samuel, nossa classe não se mistura filho, para eles você é só um empregado.

- Tia, não me importo com classe. – Falo me sentando. – Nem com o preconceito deles, estou no Jaó porque é o melhor colégio da cidade, e de lá posso conseguir uma bolsa em qualquer universidade do pais.

- Eu ainda não concordo.

- Deixa ele Rose, eu falei que não seria fácil, e o que você me disse em Samuel? – Minha mãe senta na mesa.

- Que eu conseguiria, porque nada é fácil nessa vida.

- Vai lavar as mãos, o almoço está pronto. – Ela me cutuca.

Vou no banheiro, volto sentando a mesa e minha prima, aproxima a cadeira perguntando;

- Tem muito boy bonito lá?

- Tem Brenda, muito, mas nem adianta, eles nem olham para a gente. Se você não tem um carro, e um segurança, não conhecem você.

- É disso que eu falo. – Minha tia aponta.

- Olha nesse sentido a senhora tem razão, são muitas pessoas fúteis, preocupadas em como iremos ver elas, qual roupa vão usar, e que esmalte, corte de cabelo, a bolsa. Filhinhos de papai sem um pingo de responsabilidade e caráter, um bando de ricos filhos da puta. Representando muito bem a classe de merda que eles são.

- Olha a boca, está na mesa.

- Desculpa mãe.

Depois de almoçar, fui passando os perfis dos meninos e falando para minha prima, o defeito de todos, rsrs.

Bem mais tarde naquele dia, eu já estava deitado quando o Robert me manda mensagem. Ele é o carinha que gosta de mim, que eu gosto dele, mas não ficamos porque ele não é assumido e tem outras “Questões”.

Detalhe ele mora na rua da minha casa;

“- Fazendo o que de bom?

- Deitado e você?

- Estou aqui em casa, sozinho e tals. Poderia vir aqui né me fazer companhia.

- Beleza, eu vou, calma ai.”

Porque o desafio nem era conseguir sair de casa com todo mundo dormindo.

Saio do meu quarto e a porta do quarto da minha mãe aberta, mesmo no escuro eu fico segundos parado olhando, tentando ver se ela estava ou não dormindo. Passando pela sala com meu padrasto de TV ligada e roncando no sofá.

Sai pela porta da cozinha e fui até três casas o Robert me esperava só de bermuda no seu portão.

Gente eu já falei ter dezessete anos né, e o cara tinha dezenove, então já sabem o problema que seria se fossemos pegos juntos.

Ele fazia o malandro da rua, cheio de tatuagens boquinha safada, não era o mais bonito, mas era muito gostoso.

Robert foi o primeiro cara que eu gostei, mas por algumas questões a gente foi se afastando, com o passar do tempo.

Entramos e ele já me acompanha direto para o barraco onde ele morava com a mãe, que fazia plantões de enfermeira.

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