• @richardsongaarcia

Clichê - Capitulo 17

Fiquei meio para baixo quando saio do refeitório, eu tinha mais uma aula antes de ir embora, e pegando meus livros no armário, vejo o Guto do outro lado, fechando seu armário;

- Ei.... Posso falar com você? – Falo alto indo em sua direção.

- Sim, diz ai que foi? – Ele coloca a mochila nas costas.

- Quero te perguntar algo e seja sincero.

- Pergunte? – Suas sobrancelhas encolhem de receio.

- É verdade que a coleção de 2014 lançada pela sua mãe, foi criada por você?

Ele fechou a cara, pegou em meu braço e me puxa para dentro de um dos laboratórios;

- De onde tirou isso? – Ele fecha a porta.

- O Fabiano me contou! É verdade?

Ele deixa a mochila, e encosta em uma cadeira;

- Eu mato ele. – Guto diz baixo. – É verdade... Foi eu quem criou todas as 27 peças daquele ano.

- Porque não me contou em?

- Não é uma informação pública, meu pai pagou muitas pessoas para que isso não vazasse.

- Porque?

- Porque na época ele pensava que eu seguiria os passos do meu irmão, mas isso não vem ao caso. Não pode contar para ninguém.

- Eu Não vou.

Eu abro a porta e ele segura em minha mão;

- Tudo bem?

- Sim. – Saio da sala.

Na minha próxima aula eu não consegui me concentrar, e prestar atenção em nada.

Bem pessoal indo para casa, todo pensativo, e de certa forma meio triste, meio feliz.

Depois que desci no ponto de ônibus vou seguindo na calçada, até ver uns caras saindo armados da casa do Robert, eu fiquei com medo.

O carro deles passa ao meu lado e olhando um deles comenta;

- Gostei do shortinho.

Eu nem olho, para não dar corda, aproximando do meu portão, vejo ele aparecendo. Coloco minha mochila para o lado de dentro e vou até Robert, que meio olhava se eles já houvessem saído;

- Ei, tudo bem? – Falo colocando a mão no portão.

- Fecha aí Samuel.

O empurro, fechando e Robert se senta no degrau da sala, ele estava meio com medo, assustado, não sei dizer ao certo;

- Que eles queriam Robert? – Me abaixo na sua frente.

- Me passaram um trabalho.

Sua mão passa atrás das costas e vem mostrando uma arma, eu me levanto afastando;

- Que trabalho?

- Não posso dizer, mas se eu não fizer eles me passam Samuel.

- Cara liga para sua mãe, sai da cidade, sei lá, foge. Sabe que acontece com quem entra.

- Eu não tenho mais escolha.

Fico meio que parado, calado a sua frente, olhando aquela arma que ele havia colocado de lado;

- Não quero que aconteça com você como aconteceu com seu irmão.

- Vai embora Samuel. – Ele diz sem olhar para mim.

Volto a me abaixar, me aproximo um pouco fazendo carinho em seu rosto e abraço ele. Robert segura em minha camiseta, para me afastar, e assim me beija, coisa rápida, só para sentir sua boca e língua.

- Vai embora, não podem ver você aqui, é perigoso. – Ele me segura.

- Tudo bem.

Gente vou para casa de coração partido, para mim soou como uma despedida.

Sempre que me atraso no colégio, quando chegava em casa minha mãe já estava no trabalho, as vezes como hoje somente meu padrasto em casa.

Peguei minha mochila, entrando e fechando o portão, levei um puta susto, porque ao abrir a porta da cozinha, onde ele estava, escuto;

- Boa tarde.

- Oi. – Falo passando calado.

Ele não fala comigo, tem vergonha de mim, no início era só brigas, e agora “boa tarde”. Sinceramente, fiquei com medo.

Eu fui tomar um banho e não quis comer nada, fui deitar ouvindo umas músicas e peguei no sono.

E então meu filme de terror começa, pois acordei com alguém batendo na porta do quarto;

- Samuel! – Meu padrasto batia forte.

- Oi. – Respondo para ele parar de bater.

Meu coração disparou, por acordar assustado. Levantei cheguei perto da porta e falo;

- Que foi?

- Tem gente te chamando.

- Estou indo.

Já achei mega estranho, a única pessoa assim que vinha na minha casa era minha prima. Bem eu passo a mão no cabelo bagunçado e vou saindo, ainda de uniforme.

O meu padrasto entra para o quarto e vou até o portão!

E adivinhem?

Augusto estava na porta da minha casa, nossa fui soltar a corrente do portão parecia uma metralhadora batendo na lataria, de tão tremendo que eu estava;

- Oi. – Falo abrindo o portão.

- Ei.... Estava na loja e minha mãe enviou algumas coisas para você. – Ele fala próximo a mim.

Atrás dele o tal Camilo, tinha outro carro mais afastado, e um motorista e outro de pé na rua, próximo ao carro.

De camiseta preta, um colar diferente do que ele é acostumado a usar, e boné. Gente quando o Guto usa boné, seu olhar fica mais intenso, e isso, me deixa mais intimidado.

- Obrigado, onde estão? – Falo saindo.

Então o Camilo abre a porta malas, tira duas sacolas, entrega para o Guto, retira mais duas e me entrega, e mais duas, só não gritei ali porque meus vizinhos já estavam quase filmando a cena.

- Vamos eu te ajudo. – Guto diz.

- Se falar da bagunça do meu quarto, dou na sua cara. – Reclamo entrando.

- Anda logo Samuel.

Eu queria morrer, nunca na minha vida passei tanta vergonha. Gente meu quarto, é do tamanho de uma lata de sardinha.

A cama de madeira pouco antiga a direita encostada na parede de tijolos, um guarda roupas de três portas e duas gavetas, que estavam quebradas, um espelho em seu lado de frente a uma parede azul, e a frente da cama uma cômoda pequena, onde eu tinha minhas coisas.

Entramos, e ele já veio fazendo graça;

- Meu Deus.

- Cala a boca Guto.... Coloca aí de lado.

Gente eu pensei que ele iria colocar e iria sair, no máximo eu oferecer uma agua. O cara senta na minha cama;

- Que foi? – Pergunto.

- Ué, não vai ver o que ela mandou?

Ele tão limpo, tão perfeito, sentado naquela cama, que vergonha.

Eu liguei o ventilador, porque ninguém merece, eu já estava um bagaço, e ainda com aquela pressão sob minha cama.

Fui abrindo as sacolas e ele puxa um travesseiro, se encostando de lado na cama;

- MEU DEUS, não acredito! Não acredito. – Gritei quando tirei o primeiro salto da sacola.

- Haha esse eu sabia que você iria surtar.

- Guto olha essas pedras, gente que tudo. – Falo sentando e experimentando ele.

Pego o espelho, tiro do prego e coloco no chão. Ai eu quase chorei com aquela obra prima no meu pé;

- Nunca mais vou tirar isso...

- Olha ficou bom, muito bom. – Ele olha.

- Quanto é um sapato desse? – Falo olhando as etiquetas.

- Esquece não se preocupe com isso.

- Quanto é Guto? – Falo sentando e procurando.

- Quinze mil.

- Sangue de cristo, se minha mãe souber que estou pisando nesse dinheiro todo ela me mata.

- Rsrs, minha mãe disse que você saberia o real valor desses sapatos.

Eu paro, fico olhando o reflexo no espelho e comento;

- Não se existe um valor para algo como esse sapato. – Falo tirando o calçado. – Sua representatividade dentro da coleção, o seu significado, é acima de precificação.

- Exato.

Experimentei todos, até um mini desfile, ele ficou uns trinta minutos lá em casa.

- Pensei em passar na casa do Caio, mas ele não me atende. – Guto me ajuda a separar os sapatos.

- Está com problemas em casa.

- O irmão de novo?

- Ele te contou? – Pergunto para não estar falando merda.

- Disse que o irmão as vezes pisa na bola saca.

- A facção está cobrando do irmão dele, e quando isso acontece é perigoso para todos perto, ele estava todo preocupado hoje no colégio.

- Depois falo com ele então, se estiver precisando de algo.

O Guto estava indo embora, e eu acompanhei ele até o carro e antes de entrar ele comenta;

- Samuel o nível do meu irmão está chegando, vai e leva seu namorado viu.

- Namorado? (...) ah entendi, rsrs. Vou chamar ele, quando é?

- Receberá o convite.

- Ok.

- Vou nessa, até amanhã. – Ele beija meu rosto entrando.

- Até, obrigado mesmo pela visita e os sapatos.

Eu agradeço o Camilo e fico olhando os carros saírem;

- Meu Deus, não acredito que está namorando. – Minha prima Brenda vem gritando.

- Que namorando o que menina, cala a boca.

- Quem é então? – Ela segura meu braço.

- Vem, que te conto. – Entramos e eu quase que desfilando né, pois os vizinhos todos olhando.

Fui mostrando os sapatos e a Brenda surtando exatamente como eu.

- (...) não me disse ele é hetero?

- Sim Brenda, até onde eu sei sim.

- Ai primo me apresenta, pensa eu engravidar de um homem daquele. Ter um filho com seu nome.... Posso te contratar para cuidar das minhas roupas.

- Baixa essa bola tá. É meu crush, eu vi primeiro.

- Eu não conseguiria estudar todo dia perto dele sem dar em cima.

- Sem “dar” né Brenda. Ele não curte sabe, sei lá, fico confuso. Até nisso ele me deixa confuso, eu tenho uma pontinha de esperança sabe.

- Nossa eu teria muita esperança. Esse é o carinha do baile?

- Sim.

- Samuel dá mole, vai que ele curte.

- Não é assim Brenda, dá mole, já somos amigos sabe, confio nele.

- Melhor ainda.

- Para, de fica colocando coisas na minha cabeça.

- Samuel imagina só, é um conto de fadas sabe, aqueles filmes americanos, o gay, de favela que se apaixona pelo príncipe.

- Ahan sei, o príncipe hetero e rico, que não olha para o gay aqui, vai nessa. Esse tipo de coisa não acontece na vida real Brenda. Máximo que pode acontecer é eu apaixonar e sofrer.

- Eu não perderia tempo.

- Já sou amigo dele, não preciso disso gata.

- Robert é passado Samuel. – Ela indaga.

Já fechei a cara para ela;

- Eu já gostei dele, e ele de mim. E já superei, eu sei que é passado, mas não fico falando dos seus ex Brenda.

- Minha tia veio falar para eu ficar de olho, e pedir para tu se afastar dele.

- Ele está entrando em um mundo sem saída, já falei com ele, mas minha mãe está certa, vou me afastar.

- É melhor mesmo.

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