• @rgpatrickoficial

Clichê - Capitulo 14

Eu sai e fui até minha mãe, ela estava em uma roda com algumas mulheres. Eu chego cumprimentando todas e falo baixo em seu ouvido;

- Será que posso ir embora?

- Rsrs, não, fica mais um pouco, preciso de companhia para ir para casa. – Ela fala me abraçando de lado.

- Ai mãe!

- Então Augusto, você que já é um homem, de opinião formada, qual sua opinião sobre a nova coleção da Petrini? – Uma das moças da roda pergunta.

- Nova coleção? – Indago.

Minha mãe fica me olhando, e elas com sorrisos, todas gentis;

- Conheço todo o trabalho da minha mãe, e consigo perceber que esse foi um dos que ela menos produziu. Até porque está junto ao meu pai, para esse novo desafio. De certa forma, terá mais tempo para se dedicar a próxima estação.

Elas sorriram e a garota novamente;

- Não respondeu minha pergunta. Sobre a coleção?

Na verdade eu não queria falar, mas ela insistiu, então;

- Ultrapassada, cores, estampas, tecidos. Hoje em dia ousar nesse ramo está cada dia mais difícil, na São Paulo Fashion Week desse ano, podem colocar o nome da coleção de Clichê, para não serem massacrados pelos críticos.

- Clichê?

- Sim, você sabe o que significa! Mas relaxa, o que vende hoje é o nome, a marca, mas isso não dura para sempre. Ou inovam ou entregam o mercado.

- Bem ouviram ele... – Minha mãe segura em meu ombro.

- Acha possível que temos uma coleção como a de 2014? – A moça a minha esquerda, pergunta com esperanças.

- Totalmente. Agora se me permitem, vou ao banheiro.

Falo saindo, passo no bar, pegando uma bebida, e sigo no corredor, meu irmão estava saindo e passa falando;

- Acho que essa festa já era...

- Festa? Haha está mais para reunião de puxas sacos. Porque diz isso?

- Edson esta vomitando no banheiro, vou se acho a mulher dele.

- Tu gravou?

- Claro que não, seu idiota, rsrs.

Heitor passa ao meu lado, e escutamos sorrisos, e uns barulhos estranhos. No caminho para os banheiros, haviam vários tipos de sofás, de canto em um lugar relativamente escuro, comparado ao grande salão.

O barulho se repete, e reconheço o sorriso, então aproximo passando a mão em um estilo de cortina, um tecido leve que havia ali.

Meu pai estava aos beijos com a Alexânia, mãe da Marcela.

Mano, fiquei parado ali vendo aquela cena, o Heitor puxa o pano antes de eles verem e segura forte em meu braço;

- Não Guto! Não viu nada. – Era praticamente outra pessoa falando comigo, não o Heitor.

Me virei me soltando e saindo de perto dele.

Vou ao banheiro, lavar o rosto, e escuto o barulho do Edson no reservado, e volto para o bar.

E bebo duas doses de Wisky, era a única coisa que eu queria ali naquele momento era ficar bêbado.

Isso se passou alguns minutos, em que o Camilo se aproxima de mim;

- Ei, se for beber algo mais, aproveita, estamos preparando para tirar vocês. – Ele se refere a minha família.

Outra dose então.

Saímos, e dessa vez, meu pai foi em outro carro sozinho, eu, minha mãe e o Heitor em outro.

Esses carros da segurança, eram dois adaptados, há dois lugares na frente, como de costume, e atrás lugar para quatro pessoas, duas de frente para duas, é quase uma limusine, mas não pelo tamanho, ser pouco menor.

Eu me sentei de frente ao meu irmão, que já estava sem graça, pelo que eu havia visto, minha mãe a minha direita, sentada ao lado dele.

No caminho, ela vai soltando aos poucos os grampos do cabelo, para tirar seu aplique;

- Acho que não tenho mais idade para beber assim durante eventos. – Ela diz puxando um grampo atrás do outro, lentamente e os colocando em um estilo de cinzeiro ao meio.

- A senhora estava maravilhosa, e ainda continua. – Heitor comenta.

- Mãe, a senhora sabia que o papai está te traindo com a Alexânia? – Falo sem pensar.

Ela não esboça um “A”. Continua fazendo o que estava a fazer, como se eu não houvesse dito nada demais;

- Sim Augusto eu sei. – Meu coração se aperta ao ouvir ela dizer.

- Porque continuam juntos? Porque não deixa logo ele e vai viver a sua vida.

- Não é assim mano. – Heitor diz.

- Como é então? Ela não merece isso não Heitor! Ninguém merece, ser obrigado a viver com um safado como ele.

Meu irmão fica calado, até porque, como defender;

- Parem, os dois... – Ela desce o aplique..

Solta seu cinto e senta ao meu lado, pegando em minha mão;

- Eu e seu pai não temos mais nada há um bom tempo. Por isso dormimos em quartos separados.... Eu sabia que ele fazia isso, mas a pouco fiquei sabendo que era com aquela vaca.

- Mãe, não fecha essa parceria, não entrega a Grife, coloca ele para fora de casa. – Me ajeito falando olhando em seus olhos.

- Guto por favor. – Heitor diz.

Eu só olho para ele querendo matar;

- Desde quando você sabia? – Pergunto.

- Me escuta! A parceria será fechada, estou fazendo isso por você e seu irmão....

- Como assim? Entregar a empresa para ele?

- Dessa forma Augusto, por sermos casados vocês não receberam empresas separadas, e sim todas vinculadas a uma só. É para a segurança futura de você e seu irmão.

- Mãe eu não acho isso certo.

- Querido, estou com seu pai até hoje, por causa de vocês, só agora conseguimos um sinal verde dos empresários para fazer isso. Depois que tudo estiver assinado, ele vai se mudar, já conversamos sobre isso. Essa semana anunciaremos a demissão da Alexânia da Grife.

Me encosto a cabeça no vidro do carro, ficando calado, já que ninguém me escutava.

E naquela noite, ele não foi para casa, o que era normal, mas eu não sabia que era para encontrar a Alexânia. Na verdade, eu estava me sentindo um idiota, essa era meu sentimento.

Sexta-feira, 9 de março, Realengo – Rio de Janeiro.

#Luan

Quando se mora em frente a uma escola, você se acostuma a acordar com a sirene dos alunos.

Acordei me virando de lado e pegando meu celular, foi desbloquear ele e meu amigo fala ao lado;

- Acordou querida?

- Sim, bom dia.

- Bom dia.

- Tenho que trabalhar. – Eu sento na cama, ouvindo as vozes das crianças.

Me levanto pegando minha camiseta e procurando o outro par do meu chinelo.

- Que foi Luan?

- Minhas chinelas, mas gente... está desse lado da cama? – Aponto para ele.

- Essa?

- Sim.

Saio do quarto indo ao banheiro, lavar o rosto. Abro a porta e Kleber comenta;

- Me espera, vou com você.

- Beleza.

Ainda me espreguiçando ali na sala, ele pega um boné por causa do cabelo, e saímos.

Como disse moramos de frente a um colégio aqui em Realengo mesmo, a nossa rua era no formato de uma meia lua, em volta à escola. Na esquina a direita da casa de Kleber ficava a padaria da minha mãe, onde eu a ajudava.

Saímos de sua casa seguindo pela calçada;

- (...) Está melhor amigo?

- Não, mas vou ficar.

- Luan com eu te falei, espera e pergunta para ele, se realmente ficou com o ex ou não!

- Ele nem é doido de fazer isso Kleber, cinco anos namorando e nem uma semana depois de terminar ficar com o ex. Eu mato ele e aquele escroto.

- Eu já falei Luan, muito estranho isso de chegar em você e do nada, “Eu não te amo mais”! Tem algo nessa história.

- Ele disse que não foi nada que eu fiz, que não é minha culpa.

- Luan, seu problema foi viver esses cinco anos pelo Thiago.

- Que raiva de mim Kleber. Eu me odeio.

Mesmo humilde e bem limpa, essa padaria que pagou metade da minha faculdade e sustenta eu e minha mãe, por anos. Conhecida no bairro inteiro aqui de Realengo.

Com balcão em forma de L, onde ficava as vitrines, e um espaço a frente com alguns bancos altos, e quatro mesas dentro e duas ao lado de fora, para os clientes diários.

Com a Panificadora já funcionando, minha mãe no balcão, e eu entro pegando meu avental;

- Bom dia.

- Bom dia filho.

- Bom dia Tia! – Kleber senta de frente o balcão.

- Já que chegou vou entrar. – Ela fala indo para a cozinha.

Eu vou conferir o dinheiro, e depois pegar as luvas para a vitrine, só assim, servi o Kleber;

- Café e pão de queijo amigo?

- Sim.

Eu estava servindo ele quando chegou alguns clientes, por volta desse horário é normal, ter um movimento. Pego café para mim também, ficando em pé em frente ao Kleber, no lado de dentro do balcão;

- Olha nenhuma das meninas viu nada, e não tem fotos dele com o ex no Instagram.

- Kleber eu vou saber se ele ficou ou não.

- Eu não sei o que é pior, terminar um namoro de cinco anos assim, ou seu Ex ser seu primo.

- Meu primo e viver praticamente na minha casa.

- Ele tirou tudo do seu quarto?

- MÃE! O Thiago esteve lá em casa ontem? – Pergunto gritando.

- Não.

Ela responde e eu já viro os olhos de raiva;

- É tão filho da mãe, que vou ter que chegar e ainda ficar arrumando suas coisas.

Eu fechei a boca e ele entra, teclando no celular e sobe o degrau me encarando. Junto a ele chega uma senhora, eu vou atender ela e ele, se aproxima de Kleber, pega em sua mão e depois vem em direção ao balcão.

De sapato social e calça em alfaiataria, camiseta polo básica, ele estava indo para o trabalho.

A senhora vai saindo e ele entra no balcão;

- Bom dia Luan. – Ele se aproxima.

- Porque não pegou suas coisas na minha casa ontem? – Já falo para que ele não avançasse mais.

Thiago abre um sorriso de lado e diz;

- Vou na sua casa praticamente todo dia, depois eu pego.

- Thiago, terminamos, não tem o porquê ir na minha.

- Somos primos, e eu moro na rua de traz ainda continuamos sendo da mesma família.

Ai que cara mais irritante, ele entra na cozinha;

- Benção tia.... Aqui o dinheiro que minha mãe pegou no mês passado.

- Obrigado, depois vou na sua casa também, acho que hoje depois que fechar a padaria.

- Ela está na correria com o aniversário do meu irmão, já viu né?

- Nem me diga, vou trabalhar no sábado o dia todo para entregar o bolo. Ah queria te pergunta.... Conseguiu a entrevista para o Luan ou não!

Chego a colocar a mão na cara, o Kleber já ri, e eu grito;

- Mãe não precisa ficar cobrando esse tipo de coisa do Thiago.

Ai meu Deus, ele sai da cozinha;

- Eu consegui, bem lembrado tia... – Ele pega um papel no balcão, anota algo. – Precisa estar nesse endereço as quatro da tarde, vai falar que eu te indiquei.

- Não precisa Thiago.

- Claro que precisa Luan, já se formou, pode começar a trabalhar.

- Thiago eu não tenho OAB ainda.

- Estagiário não precisa. Pega esse papel! – Ele me entrega.

- Gente tenho que ir, amigo a gente vai conversando ok. – Kleber se levanta.

- Tudo bem, vai com Deus. E valeu por ontem em.

Ele saiu, e chegou algumas pessoas e eu fui servir a mesa e o Thiago se senta no banco dentro do balcão, ele até me ajudou com outras clientes;

- Que foi? – Pergunto com ele me olhando.

- Está bravo comigo por não ter pego as minhas coisas na sua casa?

- Também.

- Que foi?

- Você ficou com o escroto do seu ex ontem?

- Haha’ claro que não. – Ele ainda sorri, como deboche. – De onde tirou isso?

- Não sei, você está solteiro agora, estavam na mesma festa, e ele sempre quis você.

- O “escroto” do meu ex. – Ele fala colocando aspas com as mãos. – Está namorando, e eu nem vi ele naquela festa. E não ele nunca me quis.

- Hum, namorando.... Então andou procurando sobre?

- Chega, não dá para conversar com você! Só pego minhas coisas na sua casa depois que for na entrevista. – Ele se levanta.

- Eu mesmo levo para sua casa, não tem problema.

- Não precisa ter pressa, estamos dando um tempo, se lembra?

- Thiago você disse que não me ama mais, isso não é dar um tempo, é terminar.

- Luan eu...

- Não encosta em mim.

Ele sai do balcão e fala com minha mãe;

- Tia vou para o escritório, e faz esse teimoso ir na entrevista.

- Ele vai querido, obrigada. – Minha mãe aparece no balcão.

Thiago vai embora, e já fica eu, mal pelo que havia dito, triste e minha mãe vem e me crucifixa;

- Ele ainda te ama Luan.

- Espero que não mãe, Thiago me machucou muito.

- Talvez quando vocês voltarem, será diferente.

- Espero que não viu.

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