• @rgpatrickoficial

Clichê - Capitulo 13

Eu fiquei conversando em um grupo que o Caio havia me colocado, com seus amigos, onde claro estava a Júlia, haha.

- Seus pais irão descer, depois vocês. - Camilo fala conosco do banco da frente.

- Relaxa, sabemos como funciona. - Heitor responde.

E então os carros foram parando, meus pais desceram juntos no tapete e foram acompanhados pelos seguranças até onde havia algumas pessoas aguardando, nosso carro avançou alguns metros e o Camilo desce abrindo a porta.

Vou ao lado do meu irmão e nos juntamos a eles e então o chefe da segurança se aproxima do meu pai;

- Temos mais jornalistas que estávamos esperando, eu indico que seguimos sem dar entrevistas senhor.

- Vamos parar e falar com eles, menos o Augusto, não preciso de mais uma polêmica.

- Sim, senhor.

O Camilo segura em meu ombro, eu olho e ele gesticula com os lábios;

- Estou com você!

Passamos de um estilo de cortinas, paramos para tirar algumas fotos no cordão de fotógrafos. E então a merda!

A cena era a seguinte, meu pai a minha esquerda, depois minha mãe ao lado dele e Heitor a esquerda dela. O meu pai deu passo à frente, e os jornalistas todos desviaram dele esticando o microfone, gritando meu nome, para que eu pudesse falar.

Todo mundo falando da Revista Época, e querendo saber da resposta que eles me deram, coisa que nem eu mesmo sabia.

Ao meu pai a mesma coisa, perguntas sobre mim, os três frente aos repórteres e eu quieto, calado como uma estátua, o Camilo por conta própria resolve entrar;

- Meu pai vai comer meu fígado, estou até vendo. – Falo junto a ele.

Tinha algumas mesas um palco no final, um painel mostrando as empresas e dando um resumo da administração do meu pai.

Muitas pessoas que eu conhecia, e pessoas importantes, tanto no âmbito profissional quanto pessoal.

Não havia mesa de comida, e sim uma tropa de garçons passando a todo momento com algo. Mas ao canto um bar, com dois rapazes, que apreciam robôs com aquelas bebidas.

- OI.- Marcela pula em minha cintura, pelas costas.

Eu me assustei, dei um leve pulo, até o Camilo assustou também, por não a vê-la.

- Que susto. – Me viro, olhando Camilo até branco.

O meu irmão estava com ela, e rindo demais, aquele idiota;

- Eu falei, falei que o Camilo ira assustar mais que ele. – Heitor soltava gargalhadas.

- Não tem graça. – Falo de cara fechada.

- Acabo de ouvir que poderia ficar tranquilo, que a família já havia entrado e vocês fazem isso.... Vou até tomar uma agua. – Camilo diz apontando para o Fone.

- E então? – Aproximo do meu irmão.

- É o que falou realmente fez um barulho. – Ele pega duas champanhes e dá para Marcela. – Obrigado.

- Como ele está? – Me refiro ao meu pai.

- Não sei, mas é melhor você sumir um pouco.

- Idiota.

Bem a Valquíria se aproxima com sua agenda disfarçada e pega em meu braço, e se aproxima de Heitor;

- Vou apresentar vocês, para algumas pessoas, e Augusto não abre a boca, nem para falar oi.

- Porque quer que eu vá com você então?

- Porque eu recebo ordens da senhora sua mãe também, se dependesse de mim e de seu pai, estaria em casa.

- Não se preocupe comigo Valquíria, eu vim por causa da bebida, porque se soubesse que está aqui ficaria na minha casa.

- Por favor, vocês dois. – Heitor reprimi.

- Ela é muito filha da puta! – Falo olhando para ele.

- Guto, segura aí mano.

- Pena da sua família Augusto, tenho pena deles, com um fardo como você.

- Podemos, ou vão ficar discutindo? – Ele fala mais alto.

- Desculpe senhor. – Ela diz. – Me sigam.

O roteiro é o seguinte, vou explicar a vocês, meus pais são apresentados para essas pessoas, e depois traziam a gente, para meio que ser afirmado o que conversaram.

Valquíria se aproximava, fazia a apresentação formal, e só de falar da empresa ou quem eram as pessoas o Heitor sacava do que se tratava, eu era o alivio cômico da conversa de 30 segundos.

Em média esse tempo por causa da quantidade de pessoas, as vezes éramos evangélicos, espiritas, católicos, flamenguistas, corintianos, palmarenses. Discordávamos de nós mesmos, agimos como fomos ensinados, a cativar o convidado, e fazer ele ali se sentir confortável e “da família”.

Porque isso?

Porque meu pai iria tirar milhões dessas pessoas e tínhamos que mostrar esse modelo, para que no final, elas tiram dos bolsos seus cheques ou canetas brilhantes, assinando contratos e fazendo parcerias.

Desculpem, mas é assim que as coisas funcionam, foi assim que apreendi.

Depois de quase uma hora, sou libertado, fui voando ao banheiro, desviando das pessoas.

Ao sair, do masculino, havia um longe com tomadas, a Marcela estava sentada por lá;

- Veio com sua mãe? – Pergunto me sentando.

- Sim, afinal de contas, sua mãe não vive sem a minha. – Ela sorri.

- Sim, ela é as mãos e pernas da minha mãe naquela empresa.

Marcela encosta, colocando os pés com saltos no sofá, e estava meio cabisbaixa;

- Diz ai que foi?

- Se eu te contar, não vai falar para seu irmão?

- Fala, que foi? – Viro deitando ao seu lado.

- Fiz o teste de gravidez hoje e deu negativo de novo....

- Estão tentando ter um filho? – Interrompo ela.

- Olha meio que sim, ele não disse que sim, e nem que não! Mas estamos tentando faz tempo e nada, minha menstruação atrasa e já faço o teste, mas sempre negativo...

- Acha que tem algo errado com ele? – Pergunto.

- Ou comigo né Guto.

- Pode ser..... Porque não consulta e se estiver tudo certo, conversa com ele...

- Eu não sei.

- Marcela, vocês namoram a muito tempo, tem abertura para falar isso com ele.

- Valeu. – Ela pega em minha mão. – E qual é a sua e do Fabiano em?

- Minha e quem?

- Fabiano! Estão juntos?

- Não. – Falo convicto. - Fala isso porque almocei com ele noutro dia?

- Sim, o cara te ama, e pensei que estivesse rolando alguma coisa.

- Não. Ele veio falar sobre minha mãe, só isso.

- Não tem uma queda por ele não Guto?

- Não, Marcela estou ficando com uma mina aí, sai fora.

- Hum, quem é?

- Depois de falo, porque está insistindo no Fabiano em? Ele chegou em você?

- Sim, no dia da festa, está se mordendo de ciúmes, por você estar dando ibope para a favela na escola. – Ela tira o celular, colocando na bolsa.

- Infantil da parte dele, eu não sou pau no cu com ninguém nenhum dos meus amigos. E o Samuel estava na minha casa por causa do trabalho.

- Amigo sei que na França você ficou bem sozinho, não tinha amigos, e é normal chegar e ficar de braços abertos, mas tem que saber em quem confiar. Sério, Samuel e Caio é suicídio social. - Ela gesticula com as mãos.

- Marcela!

- Estou falando, olha... – Ela aponta para as pessoas. – Esse é o nível de pessoas que você atrai, estão hoje aqui por causa do seu pai. Depois seu irmão e depois você.

- Marcela eu não sou assim, e isso. – Aponto também. – São um bando de aproveitadores que confiam em quem está na capa de uma revista, ou tem um pouco mais de dinheiro que você. Esse não sou eu.

- Não vou insistir, você é muito cabeça dura. Valeu pelas palavras, obrigada.

- Relaxa, fica bem. – Me afasto.

Começam os discursos, meu pai, o Edson, que é pai do Elias, a Alexânia, mãe da Marcela e da noite a mais esperada a minha mãe.

O seu cabelo branco é inevitável, pela idade. Porem ela sempre dizia que era algo sempre em tendência. Vestido dourado, de mangas longas e um estilo de capa, desenhado, e elaborado 100% por ela.

Com a ajuda do meu irmão, ela sobre ao palco, aplaudida por todos;

- Obrigada, obrigada pelo carinho! E obrigada a presença de todos aqui essa noite, eu queria agradecer as palavras de meu amado companheiro, do meu filho, de Edson e de Alexânia. Amo vocês. E Augusto? Alguém sabe onde se encontra? – Ela toda fofa me procurando.

O lindo, estava sentado em frente ao bar, levanto minha mão, mandando beijo para ela, que continua;

- Ali está ele a parte mais importante da Nice Petrini! Obrigado meus filhos por apoiarem e estarem conosco em mais um passo da união dessa família (...).

Com glamour de sobra, elegância ela os fazem sorrir, refletir e ainda filosofa no palco.

- Um “Dry Martini” por favor. – Falo ao barman.

- Sim senhor.

Eu fico olhando as pessoas aplaudirem ela enquanto descia do palco, pessoas conversando e elogiando minha mãe, e o cara coloca o copo sob o balcão.

Eu passo a mão tomando um belo e um gole, mano ele errou a medida, que coisa horrível;

- Pelo amor de Deus! Que colocou aqui?

- Vodka.

- É aquela garrafa, você coloca Gim.

- Me desculpe senhor. – Ele fala todo apavorado.

- Não tudo bem, pega outra taça. – Falo virando a minha na pia.

O cara pega outro copo e o deixa cair, o vidro se desfaz no chão, e ele começa a soar de preocupação.

- Ei, calma! – Falo entrando no bar.

Todo mundo olhou, por causa do barulho que fez, eu entro no bar, pego a taça e ele para parar olhar;

- Se liga, aqui você mede, esse copo da coqueteleira é a medida correta, 60 ml de Gim...

- Mano Dry Martini? – Heitor chega no balcão perguntando.

- Sim.

- Faz dois.

- Beleza.

- Continuando... E o Vermute, tem que ser o branco seco, ali em baixo.... Isso, só 10 ml, você mede assim! Pode bater dessa forma. – Faço movimentos rápidos com a coqueteleira. – E pode colocar no copo cheio de gelo, ou pega uma taça do frízer mesmo.

Eu sirvo a taça e entrego ao meu irmão, e então entrego as coisas para ele fazer.

- Ai sim, falo com ele acertando as coisas.

- Cara, está muito bom. – Heitor fala saindo. – Se liga, papai está vindo. – Heitor olha.

Eu abaixo no balcão, ficando escondido, ele pede um Wisky duplo, e sai falando com o Heitor, sobre um dos acionistas que lá estava.

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