• @richardsongaarcia

Clichê - Capitulo 11

O prédio da Grife são 5 andares e aqui é gerido todas as vendas, distribuição, estoque, criações do Brasil, é uma espécie de Matriz, há mais cinco escritórios como esse no mundo.

Ao subir vou direto para o quinto andar, onde se localiza a sala da minha mãe, a Barbara estava sentada ao telefone em sua mesa, quando me vê, já abre um sorriso;

- Olá Guto.

- Oi princesa, como está? – Dois beijos em seu rosto.

- Estou bem.

- E sua pequena? – Pergunto me encostando na mesa.

- Aí, acredita que não acostumou com a escola ainda.

- Serio?

- Sim, ela contou que uma amiguinha bateu nela, aí conversamos com os professores e com os pais da menina, mas ela ainda está acanhada.

- Faz uma força, eu e meu irmão começamos nossos estudos lá. É uma excelente escola.

- Vou sim.

- Dona Nice está aí? – Aponto para a porta.

- Não, reunião.

- Tudo bem, eu aguardo.

Entro na sala, onde há sua mesa a frente, uma estante a esquerda com os livros e desenhos dela, a direita um estilo de guarda roupas e os manequins, e pequeno vestiário. Afinal de contas para não perder tempo, fazem muitas reuniões rápidas aqui dentro.

Aproximo da mesa de desenhos e folheio os esboços, todos com a assinatura dela.

A porta da sala se abre, eu olho, e era Fabiano entra todo apressado, ele não me vê pois eu estava bem ao canto. Ele se aproxima da mesa abrindo as gavetas;

- Tem câmeras nessa sala sabia. – Falo de braços cruzados.

- Que susto filho da puta! – Ele coloca a mão no peito.

- Filho de que? – Eu me aproximo.

- Esquece, que susto Guto, que faz aqui?

- Esperando minha mãe.

- Vi ela entrar no Closset principal. - Ele senta na cadeira dela.

- Beleza, que procura?

- Sua mãe deixou o carro estacionado em frente aos elevadores, precisam tirar algumas araras e não dá para passar. – Ele revirava as coisas dela.

- Estranho, ela está com seguranças aqui?

Ele se ajoelha olha;

- Acho que não, só os do prédio.

- Vou descer atrás dela. Olha ali Fabiano, na bolsa dela. – Aponto para a estante de livros.

Esse Closset era onde ficava todas as coleções e peças exclusivas, para estilistas é o paraíso, pois o da minha mãe é imenso, toma todo um andar completo, para entrar somente com autorização, e existe equipe de segurança especial para cuidar do local no prédio.

O elevador se abre e sigo me identificando com os meninos entrando, alguns funcionários arrumando as coisas e nada de minha mãe;

- Oi, com licença, viu minha mãe? – Pergunto a uma das senhoras.

- Não querido.

- Obrigado.

Vou até o final das araras de roupas e nada, e claro, chamei em voz alta duas vezes mas sem resposta.

Vou até o local que há um sofá e um estilo de passarela, e também um canto há um telefone, quando me aproximo a linda estava sentada assistindo TV.

- Mãe. – Falo surpreso.

- Oi filho. – Ela me beija, e eu abaixo do seu lado.

- Mãe que está fazendo?

- Assistindo TV.

- Eu sei, mas a senhora não é de acompanhar jornal. – Questiono sendo indiferente.

- Mas olha o sofrimento dessa mãe que perdeu os filhos, tenho uma pena.

Eu me sento no outro sofá olhando a TV, meio confuso e comento;

- Vim para almoçar com a senhora.

- Sim, deixe-me terminar só esse bloco.

- Tudo bem.

Eu pego meu celular, olhando os grupos da escola, respostas no Instagram, e o Fabiano aparece no Closset desesperado com a Barbara;

- Graças a Deus encontramos você. Senhora estão lhe aguardando.

- Para? – Ela pergunta.

- A reunião das 12 Dona Nice. Eu avisei a senhora mais cedo. – Barbara lê na sua agenda.

- Eu vou almoçar com meu filho agora, não posso ir em reunião.

Eles se olham e Barbara diz;

- Dona Nice, a senhora saiu da sala dizendo que iria para a reunião, temos toda uma equipe lhe esperando. – Ela fala baixo com a mão na mão da minha mãe.

- Obrigado querida, mas eu vou almoçar com o Heitor.

- Guto mãe.

- Guto. – Ela se corrige.

Eu me levanto e olho para ela, que estava diferente;

- Está tudo bem?

- Sim, meu filho.

- Vamos, vou levar a senhora.

- Vamos. – Ela pega em meu braço.

- Barbara cancela a reunião e compromissos do restante do dia dela, acho que não está bem.

- Sim, senhor.

- Fabiano pega para mim a bolsa dela?

- Claro.

Eu fui conversando com ela sobre a coleção da vitrine da loja e descemos no elevador, o Camilo estava no estacionamento, e entramos no carro.

Fabiano desce com a bolsa e seguimos para casa, no caminho eu conferi na bolsa dela se havia algum remédio, porque ela me pareceu bem aérea hoje.

No caminho minha mãe reclama de estar com sono, e até dá umas cochiladas no carro. Quando chegamos, a Raquel veio receber a gente;

- Precisa de ajuda? – Ela se aproxima.

- Leva por favor. – Entrego a bolsa. – Raquel, mande fazer um chá de camomila, e preparar um banho para minha mãe, e ninguém andar no corredor dos quartos, ela precisa descansar.

Camilo entra acompanhando ela;

- Acho difícil, a equipe do seu pai está aí em cima Guto, e querendo falar com o senhor.

- Ai, meu Deus. Faça o que pedi?

- Deixe comigo.

Meu pai estava de cama por algumas náuseas e vômitos, ele também acabava de voltar de uma viagem da África, o médico indicou ser a causa de ele estar mal, e pediu quatro dias de repouso.

Entendam: meu pai não fica em casa, ele não fica de cama, ele trabalha, dia e noite.

Dorme quatro horas por noite, e para ele é o suficiente! Quando chega ao ponto de ter que fica longe do trabalho, é um inferno, isso aconteceu somente uma vez desde que me lembro.

Eu subi as escadas, e o seu segurança estava ao lado de fora, quando me aproximo o Heitor sai, passando a mão no rosto.

- E aí. – Falo cumprimentando ele. – Que aconteceu?

- Valquíria como sempre.

Eu nem pergunto, por ouvir a voz dela lá dentro;

- Ele quer ver você. – Heitor fala.

Entramos juntos. Meu pai estava deitado na cama com vários travesseiros, o cobertor sob o corpo, uma mesa de remédios de um lado e a outra com algumas comidas. A claridade do sol adentrando e refletindo no chão, e em sua frente um cordão de pessoas.

Estava a Valquíria, Edson que é o Presidente da empresa, (pai do Elias), eu, meu irmão, uma enfermeira e quando entro o Camilo também se junta a nós em seguida.

Ele me vê e todos se calam, ele vira um dos remédios, bebe um gole da agua, coloca o copo de lado, arruma os óculos no rosto e me olha;

- Está feliz com o que fez?

Eu olho sem entender, e questiono;

- Que eu fiz?

Valquíria entrega o iPad com uma notícia estampada;

- Em uma conversa você conseguiu manchar a imagem do seu irmão, a minha e da maior revista do pais! Tem ideia disso Guto?

- Pai...

- Calado! A Revista Época é nossa aliada, estão conosco, tem ideia do quanto é importante para as nossas empresas essa parceria? E vem você falando merda.

- Eu não sabia que ela era jornalista.

- Porque você é burro. – Ele grita.

O clima de desconforto se espalha no quarto;

- Quem nesse quarto autorizou a ida do Guto a Viracopos? – Ele pergunta.

- Foi eu pai. – Heitor se culpa.

- A meu filho.... Você confia demais em qualquer um, é seu único defeito Heitor. Eu já e falei, Guto não tem jeito, eu já tentei de tudo com esse garoto e não adianta! Ele quer um internato fora do pais, só pode.

- Eu assumo a culpa pai, estava com muitas coisas, e pensei que meu irmão, poderia cumprir esse compromisso pela família. – Heitor coloca a mão em meu ombro.

- Eu também, mas o senhor tem razão, o que ele precisava falar estava escrito, era só ler, mas ele escolheu ir para o meio dos funcionários, comer e falar mal da família.

- Porra eu não falei mal de ninguém, dá para alguém enxergar. – Falo encarando ela.

- Saia Guto! – Ele diz.

Eu me viro e meu pai fala;

- Espera! – Ele olha sob a cama e pergunta. – Outra tatuagem?

- Não. Quer me culpar por mais alguma coisa ou posso sair? – Encaro ele.

Heitor me tira do quarto, e escuto o Edson falar com meu pai;

- Adolescentes assim senhor, só querem chamar a atenção, o senhor já fez o que podia para ele, agora é ir policiando, porque Guto não tem mais jeito. Ele nunca vai ser como o irmão.

- Seu cabeção, você também gosta né. – Heitor bate em minha cabeça.

- E eu iria saber que a mulher era jornalista. Ela na verdade estava é bem interessada em você.

- Cala a boca. – Seguimos para o quarto da minha mãe. – E que história é essa de sair falando para todo mundo que sou pescador?

- Mas é verdade.

- Mas não precisa sair falando, sei lá, fala que jogo bola, tênis, ou basquete, eu acho bem massa.

- Você não pratica esportes Heitor, rsrs. – Falo rindo junto com ele.

Quando chegamos na porta a Raquel estava cobrindo ela;

- Já dormiu. – Ela fala.

- Está tudo bem? – Heitor pergunta.

- Sim, estava cansada, as rotinas da grife não são fáceis.

Ele entra, beija ela sai;

- Tenho que ir.

- Trabalhar de novo?

- Sim.... Estou tentando um dia livre para a gente ir pescar.

- Beleza.

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