• @rgpatrickoficial

Clichê - Capitulo 10

#Augusto/Guto

Da comunidade de Grajaú, onde estava, a equipe me levou para o aeroporto Tom Jobim, e de lá, pegamos um helicóptero para São Paulo, coisa rápida, media de uma hora.

Quando a aeronave foi se aproximando do local do pouso no aeroporto de Viracopos, eu já percebi o aparato montado, haviam muitas pessoas no lugar sentadas e organizadas nas cadeiras, próximo a um galpão da empresa, um tapete vermelho do heliponto até o palco, e alguém estava sendo o orador com o microfone.

Sério, odeio plateias, já fiquei tenso, só de ver a quantidade de pessoas, a mão começou a soar.

Próximo ao local onde pousamos, a Valquíria com uma prancheta e seu comunicador.

O helicóptero encosta no chão e o operador abre a porta, e o barulho das hélices ainda muito alto, o vento forte, os seguranças descem, ficando só Camilo, e ela embarca.

- Ainda não acredito que estou fazendo isso.... – Ela ajeita sua saia. - Se não fosse pedido do seu irmão eu cancelaria esse evento agora mesmo. – Ela tira o comunicador, folheando os papeis.

- Eu também não queria vir, ainda mais com você aqui. Que é para fazer?. – Tiro meu cinto de segurança.

O barulho da hélice diminuindo, e podendo ouvir um barulho de longe, possivelmente do evento.

- Aqui está. – Ela entrega um folheto. – Você vai subir, ler o discurso, agradece a presença e paciência dos colaboradores, desce, iremos tirar algumas fotos com os encarregados aqui do Aeroporto, e está liberado. Não fale nada que não esteja escrito aqui.

Eu olho o texto e comento com Camilo;

- Estão inaugurando uma divisão aqui? Pensei que já havia.

- Estão expandindo. – Ele responde.

- Camilo, rápido, estão esperando. – Valquíria bate na porta. – Abre para mim, já estão impacientes pois aguardavam o Heitor, e quem veio foi você.

- E meu irmão? – Pergunto descendo.

Ela não responde e sai na frente;

- Você sabe como funciona, está tudo bem? – Ele segura em meu braço me olhando.

- Estou sim, vamos.

O tapete tinha uma distância segura até o palco, e as pessoas, todas olhando, no fundo um estilo de Coffee break já dentro do galpão da empresa.

Camilo vai ao meu lado direito bem próximo, e o resto dos seguranças fazendo aquele cordão de ambos os lados, Valquíria já atrás do palco, vou me aproximando, com alguns fotógrafos tirando umas fotos.

Com o helicóptero praticamente desligado, consigo ouvir totalmente a voz do interlocutor que estava em cima do palco;

“- (...) É um grande passo para a AFAIR aqui em São Paulo, ocupar o seu espaço, ir pegando essas fatias do mercado. E claro que a família de Viracopos não ficaria de fora. E peço a ajuda de vocês, para recebermos aqui comigo o Filho do SEO de uma das maiores empresas de Fabricação de Aeronaves do mundo, por favor uma salva de palmas para Augusto Afonso Montanari Petrini.

Dou a volta ao palco, acompanhado pelo Camilo e subo sozinho, pegando na mão do cara, que nem sabia seu nome;

- Obrigado. – Pego o microfone. – Obrigado a todos, obrigado!

Por educação, todos bateram palmas, e até uns gritinhos. Ele desce, e eu me viro ficando de frente para todas aquelas pessoas. Umas de braços cruzados, outros gravando, uns sem saber o que estavam fazendo. Alguns com caras fechadas, algumas mulheres arrumando o cabelo, outros conversando e olhando para mim, e uns no celular.

Eu olho para o papel, e depois para Valquíria, que estava na frente do palco a direita. Olhei a hora no relógio, e estava aproximando do horário do almoço;

- Sei que estão com fome, e fizeram vocês aguardar aqui, ouvindo meu amigo? – Gesticulo, esperando ele dizer o nome dele.

- Jonny.

- Obrigado, e ainda por cima, de estarem com fome, ou querer estar em casa, ou fazendo aquela planilha que o Jonny mandou, estão aqui, ouvindo um garoto de dezoito anos, que foi enviado para cobrir o furo do irmão. – Eles sorriem, e pronto o gelo estava quebrado. – Bem, estão me olhando de cara, feia, vou ler o que mandaram, e no final, vocês aplaudem e fingem que gostaram, é assim que fazemos... – Mais algumas risadas. E Valquíria de cabeça baixa. - O mercado previa a chegada da AFAIR aqui em Viracopos, tanto que nossa concorrente a Embraer está fazendo manobras com seus clientes, para o que estamos causando (...).

Eu terminei o que estava no papel, que Valquíria havia mandado, e no pequeno painel na minha frente avisa do tempo do Coffee Break;

- Bem pessoal é isso, em nome da família AFAIR, e de minha família, meu pai, Machado, ou o Heitor, sei que gostariam de estar aqui. Compartilhando desse momento com vocês. Agora vamos ao Coffee, fiquem à vontade, e aproveitem, obrigado.

Desço do palco com eles aplaudindo de pé, esperando ter ido bem;

- Agua por favor. – Falo assim que Camilo se aproxima.

- Ler o que mandaram? Fingir que gostaram? Ficou maluco? – Valquíria vem soltando fogo pelas olhos.

Camilo me entrega uma garrafa de agua, e eu abro o botão da camisa;

- Eles gostaram, riram e aplaudiram.

- Então, podemos? – Camilo aponta para o helicóptero.

- Não, eu nem comi nada. Vamos lá. Está quase na hora do almoço e é mais uma hora pra voltar.

Aproveitei que a Valquíria saiu falando no telefone e ele me acompanhou até onde os funcionários estavam.

Gente era inevitável não chamar a atenção, chegar ali junto com eles. A mesa era imensa, com vários “Finger Foods”.

Eu cheguei cumprimentando algumas pessoas;

- Olá.

- Oi.

- Prazer senhor.

Pego em algumas mãos, e depois um guardanapo para comer, passo sorrindo e cumprimentando com o olhar algumas pessoas até chegar no café;

- Me ajuda aqui. – Falo a uma moça.

- Sim, senhor! – Ela pega o copo. – Com ou sem açúcar?

- Senhor está no céu, e com açúcar por favor.

Eu olho para o lado e o Camilo parado;

- Não vai comer?

- Não, obrigado.

- Ei, relaxa, come algo. – Empurro ele. – Obrigado.

Pego o copo;

- Sou Clarisse, trabalho na Administração.

- Prazer Clarisse... – Eu olho ao redor. – Aqui estão somente os colaboradores do escritório?

- Sim, não temos operadores aqui ainda.

- Ah entendo.

- Gente eu juro que não sabia que o Senhor Machado tem outro filho.

- Pois é, quem segue os passos do meu pai é o Heitor.

- Desculpe, Guto, sou Eliana e queria saber o porquê da ausência do seu irmão? – Uma moça muito apresentável se aproxima tocando em meu braço.

Subjuguei ser alguma gerente, ou gestora da divisão, então brinquei;

- Talvez esteja pescando ou com outro compromisso.

- Pescando? – Ela faz uma cara de que não havia entendido.

- É o robe do meu irmão.

- E o senhor seu pai?

- Olha não o vejo tem por volta de sete dias, mas me confirmaram que ele está doente.

- Entendo.

- Mas não é nada sério.

- Tudo bem, melhoras para ele.

- Obrigado.

- E sob o que saiu na revista Época, dizendo que a Nice Petrini foi diagnosticada com depressão?

Eu solto um sorriso, pelo que havia escutado;

- Creio que você está equivocada...

- Não eu, e sim a Revista Época.

- Então eles não estão fazendo o trabalho correto, ou as fontes deles não são confiáveis, minha mãe não está com depressão, muito pelo contrário.

- Com licença Eliana, posso falar com você Guto? – Valquíria é bem mal-educada.

Pois ela chega empurrando a garota, e me puxando;

- Que está fazendo?

- Comendo.

- O que falou para ela?

- Nada demais, porque?

- É jornalista Guto, tem que tomar mais cuidado. E deixa isso. – Ela pega o gaurdanapo da minha mão jogando no lixo. - Onde já se viu, comer com os colaboradores.... Vamos embora.

- Sabe o que você precisa? Transar, sexo! Talvez para de ser tão pau no cu.

Falo indo para o helicóptero, que mulher mais chata, caralho, não me deixa. E ainda tive que suportar ela no voo de volta.

De volta ao Rio, pedi que Camilo me levasse até a Grife da minha mãe, para que possamos almoçar juntos.

Caio me enviando mensagens, dizendo que já havia feito tudo em casa, e o melhor de tudo, a mãe do Samuel queria jantar com ele qualquer dia, e Caio não recusou o convite. Mano eu ri demais de ele desesperado nos áudios do Whatsapp.

O escritório da Grife fica no Leblon, aqui no Rio. Logo que chegamos, de frente ao prédio, eu desci e há duas entradas a dos escritórios e da loja.

Eu sempre passo pela loja, que é espetacular.

O Camilo desceu com o carro para o estacionamento, pois os outros da equipe dele estavam com a Valquíria, graças a Deus.

Eu fui entrando e já conferindo a nova coleção, vou passando tocando em algumas peças e um dos vendedores se aproxima;

- Bom dia senhor, posso ajudar em algo?

Eu olho para ele, e percebo que o cara era novato;

- Não, obrigado, fica de boa, vim falar com minha mãe.

Ele sorri cordialmente e fala;

- Ah eu posso chamar ela.

- Pode. – Respondo sem querer ser mal educado.

- Qual o nome? – Ele pega um bloco em seu bolso.

- Nice... Nice Petrini.

Ele para com a caneta, me olha, e pergunta;

- Heitor?

- Não, Guto.

O cara fica espantado;

- Me desculpe, sou novo aqui, eu não sabia.

- Relaxa, não tem problema.

- Minha gerente está no intervalo, e eu não tenho acesso à presidência senhor.

- Não tem problema, já estou subindo.

- Tudo bem.

Ele sai mega sem graça. E eu sigo para o elevador, cumprimentando as meninas que estavam próximo aos vestiários.

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