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CLICHÊ - Capitulo 1

“- Voltamos com a nossa programação, aqui nos estúdios da Globo News, diretamente do Rio de Janeiro, e vamos ao tema que já está na tela Ricardo.

- Sim, AFAIR S/A. chegou hoje no ranking de quarta maior empresa do Brasil. AFAIR que é uma fabricante de aviões, comerciais, executivos, agrícolas e militares, e também se aventurando com peças aeroespaciais.

- É merecido, o SEO Machado Norato trabalhou muito para que isso fosse possível.

- Sim, e com algumas privatizações o mercado deu uma acordada o que foi muito positivo para ele e a empresa. Somando a sua chegada alguns anos atrás na bolsa de valores.

- Lembrando aqui Ricardo que em terceiro lugar na sua frente, está a empresa da mulher dele a Nice Petrini. Com certeza você já ouviu ou já usou algum sapato, relógio, joias, acessórios, óculos de sol, eu garanto. A grife que tem como concorrência Versace, Gucci, Chanel, Prada, Armani, Dolce & Gabbana. Simplesmente as maiores do planeta.

- Sim, mas Nice tem um talento incontestável, e hoje trabalhando com ela, temos os maiores estilistas da américa latina. A grife tem os seus momentos no ano, o que deixam ela com maior visibilidade entende, a Semana de moda de São Paulo, é muito importante, como a de Nova York de Milão e claro Paris. E agora com a empresa do marido nesse patamar, os filhos que se preparem, pois, gerir esses gigantes da indústria brasileira é uma tarefa impossível.

- Concordo Ricardo, mas Heitor no auge dos seus 24 anos já se dedica a empresa do pai, ele está à frente e entre os executivos.

- Sim, Senhor Machado tem que mostrar aos acionistas que sua família tem a capacidade de manter o que ele fez com seu pai, vir trabalhando para chegar a esse ponto.

- Eu concordo Ricardo, são famílias extremamente tradicionais e antigas, mesmo que sejam mais conhecidas aqui no Rio.

- Acho que no Brasil Clarisse, todos já ouvimos falar ou como você mesma disse, usamos roupas da Petrini. Minha esposa mesmo tem uma parte do armário dedicada a grife.

- Rsrs, eu confesso que tenho também Ricardo. Bem e temos o Augusto, esse não é visto muito pela imprensa.

- Não, Clarisse, pode ser que eles tentam fazer com que ele não siga os passos do irmão.

- Como assim Ricardo?

- Eu já estive em congressos com o senhor Machado e o Heitor o segue em tudo quanto é lugar, ele realmente está apreendendo como comandar aquele imenso barco.

- Mas são duas empresas, e dois filhos, entende minha lógica?

- Hoje a Nice Petrini é a grife mais famosa da américa latina, e a de maior valor de mercado, avaliada em 22 bilhões. Já a AFAIR vale... deixe me ver.... 16 bilhões de reais. Na sua visão, a grife tem que ter uma maior atenção certo?

- Sim, eu não entendo, para mim se vale mais, tem que ter mais atenção.

- Aí é que está, a Fabricante AFAIR, está em um crescimento exponencial, e tem as ações que aumentam e muito os valores de uma empresa entende.

- Muito bem analisado. Heitor e Guto terão um trabalho árduo no futuro.

- Acho que já estão tendo Clarisse, se preparando para o que espera eles. ”

Segunda-feira dia 29 de janeiro de 2018. Cidade do Rio de Janeiro.

Com as unhas pintadas de preto, uma maquiagem de leve para esconder os poros, pulseira de conchas. Calça clara e bem apertada, uma camiseta normal, preta da minha banda favorita o “Pink Floyd”.

Eu sou o Samuel Faria, moro com minha mãe e padrasto, na comunidade de Vila Isabel aqui no Rio de Janeiro.

O porque eu estar todo arrumado assim? Primeiro dia de aula. Mesmo com dezessete anos e no último ano do Ensino Médio, me propus a um desafio, que iria mudar minha vida por completo.

Logo após me arrumar, pego minha mochila e vou até a cozinha de minha casa;

- Minha mãe já saiu? – Pergunto ao meu Padrasto.

Ele tomando café no seu celular, nem me olha, vou até o quarto dela, e nada. Confiro a hora no celular, pois não poderia perder meu ônibus o que era uma hora de distância até o bairro do botafogo.

Horário de pico aqui no Rio de janeiro, ônibus lotado, isso não combina com minha maquiagem de segunda.

Cheguei em cima da hora no Colégio Modelo Jaó Rio de Janeiro.

Eu estava de frente ao melhor colégio do país, eu tinha conseguido uma bolsa no melhor dos melhores. Era onde eu merecia estar.

Eu estava na calçada já amando aquele lugar, serio, o prédio de quatro andares de uma arquitetura maravilhosa, me senti no High School Musical.

Algo a se comentar era a quantidade de carros na porta, todos pretos e vidros escuros, e muitos seguranças, como um evento político.

Logo que entrei fui barrado por um segurança;

- Não pode entrar sem uniforme senhor. – Ele fala com a mão no meu peito.

- É meu primeiro dia.

- Desculpe, não pode entrar sem seu uniforme.

Ele parecia um robô repetindo aquilo. Havia uma moça do lado, creio que uma professora;

- É seu primeiro dia? – Ela me pergunta.

- Sim.

- Ele vai falar com a secretaria! Qual seu nome?

- Samuel Faria de Alencar.

Os alunos passando e claro, todo mundo olhando, eu estava sem uniforme e fui barrado ainda. Ele fala no rádio e logo me diz;

- Me acompanhem, por favor.

Sigo ele que me leva até uma sala, onde havia um rapaz assim como eu, sem uniforme;

- Aguarde aqui. – O segurança diz.

O garoto estava de fones de ouvido, e eu não quis olhar muito, de sapatenis branco e calça jeans rasgada.

Uma senhora abre a porta, ela estava com uma prancheta na mão e diz;

- Bom dia, quem é o Samuel?

- Sou eu.

- Prazer, sou Vera secretaria aqui do Jaó, e conselheira dos alunos. Você deve ser o Caio, prazer.

Ele tira os fones pegando na mão dela, nesse momento ele me olha, foi quando tive um rápido orgasmo.

Gente que delicia de garoto, cabelo curto, boquinha pequena, o rosto não quadrado, mas perfeitinho demais. Sobrancelhas fortes assim como seu físico, e dentes bonitos.

- Me acompanhem meninos, irei integrar vocês no Jaó. Podem vir. – Ela anda em nossa frente.

Saímos da sala pelo outro lado, em um corredor imenso, cheio de armários amarelos, com o piso azul e teto branco. Algumas salas em anexos;

- Temos todos laboratórios aqui. Física, Química, Biologia, entre outros, no fim do corredor, na parede de vidro a biblioteca. – Ela apontada com sua caneta. – Salas de aula, nesse sentido, são o ensino fundamental, vocês estão aqui, neste bloco a direita. Não sei se estão habituados, aqui no Jaó, os alunos vão até as classes, não os professores, bem como veem nos filmes.

Gente essa mulher iria falando e eu com uma alegria que não sabia explicar, andamos um pouco e ela nos mostrou muita coisa, finalizou naquele corredor dos armários;

- Suas chaves, essa é do vestiário, e essa do armário. Os uniformes estão nos armários, juntos com os livros. Este é o seu Samuel, e o seu Caio, aqui do outro lado.

Ambos agradecemos;

- Preciso que tragam esses documentos amanhã para mim. – Ela entrega uns papeis. - E aqui está o mapa das salas e das aulas, acho que é isso, sabem onde é minha sala. Sejam bem vindo ao Jaó e que tenham um excelente ano em nosso colégio.

- Obrigado.

Ela sai com aquele sapatinho de salto fazendo barulho no piso, eu falo ao Caio;

- Boa sorte.

- Valeu. – Ele diz abrindo o armário.

Pegamos as roupas, e eu segui para o vestiário para me trocar, ele foi para o banheiro.

Ah esqueci de falar, me perdi com o uniforme, gente, era calça, bermuda, camisa de manga curta, manga longa, gravata, suéter e tinha até paletó. Isso tudo em pares. Sério, quase que pedi um mapa para a roupa.

Então, eu cheguei na porta da sala onde era minha primeira aula, e pergunto ao professor que me olha;

- Álgebra?

- Sim, você é o Samuel?

- Sim, senhor.

- Sou Alberto. – Ele vem pegar em minha mão. – Por favor entre. E fique à vontade.

E eu que pensava que era uma escola diferente, mas a classe era normal, nada demais, as cadeiras enfileiradas, armário na sala, a mesa do professor, nada além do que já conhecia.

Era obvio ter olhares estranhos, de todos os lados, e eu por ser um gay identificado como afeminado então, sempre tem as risadinhas, e conversas baixas, o bullying para mim, é normal. Vivo com isso.

Primeiro dia de aula, e uma avalanche de matéria, e dever de casa, meu Deus fiquei até perdido, com tanta coisa. Eles realmente não “brincam”.

Passamos a manhã na aula, o intervalo foi somente para o almoço. E foi uma loucura, pois aquele corredor cheio, gente indo de um lado para o outro, quando cheguei no meu armário grudei nele e fiquei, guardei meus materiais, e peguei o mapa indo até o refeitório.

O refeitório, ficava meio que ao lado do teatro, um lugar com teto muito alto, vidros até lá em cima, as mesas todas retangulares, com artes em azul e amarelo. Algumas maquinas de guloseimas e bebidas espalhadas, televisões imensas espalhadas, um mini palco no final.

Depois de me servir, olho as mesas todas ocupadas, e eu naquela cena, pior possível, andando como se houvesse lugar para sentar.

Vejo uma mesa ao canto, e eu me acomodo, ela estava com dois caras na outra extremidade. Olho ao redor com algumas caras me olhando, como se eu fosse um alienígena.

Me sentei, pegando meu celular, e meio sem fome fico encarando aquele purê de batata;

- Mano parece que somos os excluídos desse lugar, puta merda. – O Caio se senta na minha frente.

Pronto, não era o único deslocado;

- Fez amizades? – Caio pergunta.

- Sim, você.

- Eu não sou seu amigo. – Responde de sobrancelha alta.

- Então eu não fiz.

- Zoando. Eu sai na frente, já tenho até apelido. – Ele diz pegando os talheres.

- Qual é?

- Sou a “Cota Pobre” desse lugar. – Ele olha ao redor.

Eu solto uma risada e percebo alguém parado nos olhando;

- Meu Deus é brincadeira né.... Eu pensei que estivessem zoando. – Uma patricinha fala olhando a gente.

Eu só olho a cara de nojo dela, já Caio fixa o olhar nos peitos da garota sem disfarçar.

Ela estava com uma bolsa de grife de lado, toda produzida, e se senta ao lado da nossa mesa, onde tinha uns garotos, que estavam rindo com o comentário dela, eu vejo a bola de futebol embaixo da mesa, e já identifico a mesa de troglodita;

- Esse ano o concelho foi na puta que pariu buscar esse aí. – Um rapaz estranho diz.

Os meninos da mesa continuavam a rir, e ele continua;

- Isso é esmalte ou sujeira mesmo? – Ele me olha.

- Eca. – A garota faz cara de nojo.

Eu olho para minhas unhas e digo;

- Eu acho que é terra, deve ser do buraco que eu cavei para colocar sua educação.

E depois cavei minha própria cova. Claro que os meninos riram, o Caio ficou sério, porque o cara se levanta;

- O que falou sua Bicha? – Ele me encara.

Com ambas mãos na mesa;

- Me chamar assim não é ofensa, não sei se sabe. – Encaro ele.

- Já chega, senta aí Elias. – Um cara de voz rouca ao fundo diz.

- Só estava dando as boas-vindas aos novatos Guto. – O arrogante se senta novamente ao meu lado.

- Qual de vocês entrou com a bolsa para jogar no time? – Ele pergunta se levantando.

- Sou eu. – Caio levanta o dedo.

- E você? – Ele pergunta me olhando.

- Bolsa de estudos, na seleção de alunos.

- Porra! – Ele gesticula com a cabeça, fazendo um pequeno biquinho.

Ele se levanta e aproxima de Caio pegando em sua mão;

- Sou Guto, essa é a Marcela e ele é o Elias. O time do colégio. E vocês? – Ele me olha.

- Samuel. – Respondo baixo.

O tal Elias não me causou nenhuma sensação, somente nojo mesmo, mas esse Guto, me deixou incomodado, ele intimida um pouco. Fiquei sem graça com a atitude que ele teve de vir, pegar em nossas mãos;

- Sou o Caio, vocês são do time?

- Não, Elias sim, eu estou na natação. – Ele responde voltando a se sentar na mesa com os meninos.

Como descrever esse cara? Guto tem o cabelo cor de caramelo, sobrancelha com aquele corte, piercing no nariz, uma pedrinha de um lado e do outro um arco, brinco nas duas orelhas, com umas pedras muito brilhantes, magro, com tatuagem no pescoço, e no antebraço direito. Gente, uma boca linda, olhos azuis, aquele cabelo com um topete perfeito. Ele não era tão alto, perto de 1,78 não tenho certeza, como estava de moletom não sei dizer se tinha um físico legal. Mas uma coisa posso dizer, por entender, ele tinha um estilo diferente.

E aqui já tinha identificado, o popular, a patricinha e o hetero tóxico. Eu não poderia julgar o Caio, por não conhecer ele direito, mas foi um dos poucos que se prontificou a conversar comigo.

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