• @rgpatrickoficial

Caprichos do Acaso - Capitulo 3

~Beto

Aos ansiosos de plantão, cheguei mais cedo ao Mocellin, queria conferir e garantir que tudo ocorresse bem naquela noite;

- Boa noite senhor, posso ajudar?

Veio a recepcionista.

- Tenho uma reserva em nome de Aberto Tavares e Henrique Porto. – Guardo as chaves do carro.

- Bem o senhor Henrique já chegou. – Ela responde com um sorriso.

- Chegou? – Olhei no relógio.

Pensei pronto, era para chegar mais cedo, cheguei atrasado, fui nervoso acompanhando a moça;

- Aqui está.

Ela me mostrou a mesa e fiquei com uma cara de lua pois me assustei não era Henrique;

- Olá! – Ele estende a mão. - Beto?

- Sim, e você? – O cumprimento.

- Joel Fagundes, sou melhor amigo de Henrique!

- E cadê ele? – Pergunto sorrindo.

- Foi por isso que vim. Sente-se. – Ele aponta para a cadeira.

- Ok. – Foi algo muito estranho.

- Vou ser direto, Henrique não vem essa noite. – Ele fala me encarando.

- E porque ele mesmo não disse isso? Precisou enviar empregado? – Falo tirando ele.

Joel sorri e fala;

- O namorado dele chegou de viagem, e Henrique preferiu não se envolver mais.

- Namorado? – Pergunto cruzando os braços.

- Sim, namorado.

- Você não me respondeu minha pergunta. Porque ele mesmo não veio?

- Até viria, mas fiz esse favor a ele, e é melhor assim, bom que não se envolvesse mais, pois seria pior.

- Porque não estou acreditando em uma palavra que sai da sua boca.

- Tudo bem. – Ele pega seu celular.

Joel coloca o aparelho na mesa, com álbum de fotos de Henrique...

- Talvez você não conheça, mas esse é o seu namorado, Paulo, filho do Governador aqui do Rio.

Mano que raiva do caralho, ir descendo aquela tela, e um monte de fotos de Henrique com esse cara, tipo, um monte mesmo.

- Vocês são de mundos diferentes Beto, nunca rolaria.

Eu me levanto deixando o celular e digo;

- Você não me conhece, não pode falar. E para você é Alberto.

De coração acelerado e mãos tremulas, a primeira coisa que fiz antes de sair daquele lugar foi bloquear toda forma de contato com Henrique. Peguei meu carro e liguei para Heloisa saindo muito rápido daquela churrascaria;

- Oi gato.

- Está em casa? – Falo com um nó na garganta.

- Sim, que aconteceu Beto?

- Não estou bem, estou chegando.

- Certo, vem com cuidado garoto.

Desliguei o telefone, cortando aquelas avenidas a todo vapor. A única coisa que queria era esquecer Henrique e só.

No prédio de Heloisa, deixei o carro subindo, e quando chego no seu andar, ela já olha, falando;

- Foi o tal garoto né? – Ela segurava a porta aberta.

- Por favor, sem essa de “Eu avisei”.

- Entra Beto.

Ela estava assistindo um filme, e sentamos no sofá, ela chegou bem do meu lado;

- Quer conversar?

- Não. – Falo ainda sério.

- Deita aqui. – Ela puxa o cobertor.

~Henrique

Terminei de me arrumar e sai uns minutos atrasado, ligava para o Beto, mas nada, chegando no Mocellin ele não havia chegado, pedi uma mesa, e me sentei aguardando.

Nos primeiros 30 minutos achava que ele teve um problema, em 1 hora eu sabia que ele não viria, mesmo assim aguardei, quando o local fechou e pediram para se retirar eu tinha certeza que ele não viria.

Não entendia o porquê e também não queria. Imaginava será que sou eu? Ou ele? Em minha cabeça milhões de pensamentos a maioria deles maus.

Meus pais me viram saindo, não queria ir para casa assim. Então, fui para o parque que havia em meu condomínio.

Me sentei em um dos bancos, e fiquei olhando o pequeno lago artificial, com o celular do meu lado, esperando uma mensagem, uma ligação, seja o que for.

Escuto alguém pisar, quebrando um galho atrás e olho rápido, ouvindo;

- Henrique Porto! O que faz essas horas na praia, sozinho? – Era o Paulo.

Respiro mais aliviado, respondendo;

- Pensando na vida.

Ele se senta do meu lado;

- Tudo bem?

- Não.

- Eu posso ajudar? – Ele pega em minha mão.

- Acha que sou ingênuo demais? A ponto de ser idiota?

- Você não é idiota Henrique, só diria que confia rápido demais nas pessoas.

- É eu sei disso.

Paulo aproveita esse momento de fragilidade e me beija, aproximando seu corpo e me segurando.

- Eu tenho que ir. – Me afasto dele.

- Quer que eu te acompanhe?

- Não.

Deitei aquela noite, rodando de um lado para o outro na cama, sem conseguir pegar no sono.

~Beto



Sinto um movimento na cama, e abro os olhos me espreguiçando, e então a voz de Heloisa;

- Não dormiu nada essa noite não foi?

- Não amiga.

- Odeio te ver assim Beto. – Ela me abraça.

Ficamos pouco juntos ali em silencio, só curtindo o drama, e então ela vai na cozinha, liga a cafeteira e entra no banho. Pego meu celular desbloqueando o Henrique em tudo, esperando ter algo, um sinal que seja. Mas nada!

Ela volta no quarto para se vestir;

- Beto ainda está aí? Vai tomar café, hoje tem aquele ensaio esqueceu?

- Porra, nem lembrava. – Falo pulando da cama.

Olhei as roupas que havia deixado na casa dela para me trocar, e Heloisa prepara um café, pão e umas frutas para gente comer;

- Agora que está melhor, me explica direito... – Ela diz mastigando. – Ele te deu um bolo?

- Pode-se dizer que sim.

- E sim ou não Beto.

- Heloisa ele mandou o amigo dele lá. – Gesticulo para ela.

- Amigo? Como assim?

- O cara disse que o namorado dele voltou de viagem, e que ele foi pois Henrique não iria, e mandou eu procurar “minha turma”. Dizendo que eu e ele não pertencemos ao mesmo mundo. – Falo gesticulando.

- Haha’ esse garoto sabe quem você é?

- O que importa é que Henrique namora, vi fotos dele com outro cara.

- E o que ele disse? – Ela termina seu café.

- O que eu acabei de falar.

- Joel não, o que Henrique disse?

- Não falei com ele.

- Como não falou Beto? Você beijou e está gostando dele ou do amigo?

- Fiquei puto e bloquei ele.

- Alberto por favor, sem essa. Essa história está me cheirando muito mal.

- Você está certa, será que ligo para ele? – Pego meu celular.

- Liga, vai atrás, mas agora não, estamos atrasados. – Ela se levanta pegando as chaves.

Heloisa havia conseguido um trabalho de modelo para fazermos, para uns amigos dela. Seria uma seção de fotos externa, na Praia da Urca.

O “Job” caiu como uma luva, não fiquei com pensamento em Henrique o dia inteiro, me distrai bastante.

Com Heloisa de folga, ela não me deixou sozinho, saímos do trabalho e ficamos em um bar perto do meu prédio, bebendo e jogando sinuca, meio que algo que gostamos de fazer.

- E ai 1229. - Escuto nas minhas costas, ao olhar o Anderson meu vizinho.

- Ei 1230, tudo bem. – Pego em sua mão.

- É o seu vizinho? – Ela aproxima.

Apresento eles;

- Anderson, prazer. Gostei do cabelo. – Ela puxa suas mechas.

- Obrigada! Bem que você falou que ele era lindo. – Ela diz do meu lado.

- Ai Heloisa, cala a boca. – Puxo seu cabelo atrás, com a maior cara de lua, rsrs. – Vamos jogar? – Pergunto.

- Não sou muito bom em sinuca não.

- Beto também não, é péssimo, vai vocês dois, contra mim. – Ela puxa um taco.

Pelo menos não fui humilhado sozinho, Anderson me fez companhia, pois Heloisa bêbada, contava cada ponto gritando. E também depois da terceira garrafa, eu estava com dificuldade para acertar as bolas, rsrs.

Não queria, mas bebemos muito, os três. Bom que eu morava perto, pois foi um andando agarrado no outro, subimos no elevador sentados no chão, rsrs.

Tentamos abrir o apartamento do Anderson, mas conseguimos só o meu. Entramos e Heloisa dormiu no sofá, eu não sei explicar como, mas eu e Anderson fomos parar em minha cama. Tirei o tênis com ele me puxando para deitar.

Eu estava com uma crise de risos, que ao deitar, ele me beija, vem deitando seu corpo sobre o meu, e apertando, beijando. Anderson leva sua mão dentro de minha cueca, eu seguro e paro de beija-lo;

- Espera.

- Te machuquei? – Ele olha assustado.

- Não, é que.... Não quero, tudo bem.

- Ok, Desculpa, foi mal.

Abro um sorriso sem graça;

- Mas você beija muito bem, saiba disso. – Ele diz.

- Valeu.

Eu acordei no dia seguinte, sem saber onde estava, meu nome, e quem estava comigo, rsrs. Foi esse meu nível de álcool da noite passada, e pior.

- Puta merda, eu to pelado. – Falo olhando debaixo da coberta.

Meu coração disparou, pois tirei a coberta e o Anderson estava vestido;

- Ué! – Fiquei todo confuso.

Puxei uma toalha e fui para o banho, nem me vesti, e fui ver a Heloisa. Mas minha amiga não estava mais na sala, voltei ao quarto pegando meu celular e havia uma mensagem dela: “Perdi meu salto alto, olha se está na sua casa”.

~HENRIQUE

Fiquei até tarde no escritório de meus pais, como não tinha aula no cursinho, e eles estavam viajando, eu fiquei para olhar umas coisas para minha mãe. Fui para casa por volta das oito da noite, por causa do transito.

Cheguei exausto, entrei e a governanta vem questionando do jantar;

- Posso preparar algo, um sanduiche, o que quiser.

- Não precisa.... Obrigado, só quero um banho e dormir. – Pego uma maça, e vou subindo as escadas.

Ela desliga as luzes e pego meu celular subindo os degraus. Mano tinha ligação perdida do Beto, quase morri olhando o nome dele ali, coração chegou a acelerar.

No corredor até meu quarto o drama, liga ou não liga, espera ou não espera.

Entrei no meu quarto, deixei a mochila, e olhei nossa conversa ele havia me desbloqueado e estava ONLINE, fechei a porta do quarto, e sento na cama, a porta da varanda a minha frente estava aberta, com a maçã em mãos eu ligo o abajur para iluminar um pouco, coloco celular no carregador, e aumento seu volume no máximo, caso ele retornasse a ligação;

- Vou tomar um banho, se ele não ligar eu ligo. – Falo para mim.

Vou até a sacada para fechar a porta. E quase tenho um ataque do coração.

Beto estava sentado ao lado de fora da minha sacada;

- FILHO DA PUTA. - Jogo a maçã nele.

Acho que foi o reflexo;

- Que isso? – Ele também se assusta.

- Meu Deus, que susto da porra! O que custa ligar a luz garoto? – Falo bravo.

- Foi mal, não sabia que ficaria assim...

- Gente meu coração. – Saiu para fora. – Calma, como chegou aqui? – Olho para baixo, pois estávamos no segundo andar de uma casa com o pé direito bem alto.

- Só preciso de perguntar uma coisa, por favor, seja sincero... – Beto se levanta e se aproxima. – Quem é Paulo? – Ele olha nos fundos dos meus olhos.

Suas mãos frias e soadas.

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