• Richardson Garcia

Caprichos do Acaso - Capitulo 1

- Beto! Beto acorda. – Heloisa interrompe meu sono, puxando o cobertor.

- Mano fala baixo, minha cabeça está explodindo. – Falo me espreguiçando, e esticando todo o corpo, com a mão vasculhando atrás do meu celular.

- Mas também, bebeu mais do que podia ontem. Levanta tenho que trabalhar, e a tia vem limpar aqui hoje.

Fala ela jogando o cobertor em mim. Eu sentei, olhei ao redor, o sol já em todo o quarto.

Me levantei fui ao banheiro e joguei uma água no rosto, estralei o pescoço e fui até a cozinha.

Heloisa pegava uma xícara de café e me entrega;

- Vai fazer o que hoje? – Pergunta ela, deslizando a tela do celular no Instagram.

- Ir para casa, dormir, já que você não me deixou.

- Já falei... – Ela continuaria e meu celular chama no quarto.

Voltei e peguei ele, olhando o nome sem me recordar, e volto mostrando a ela;

- Ligando essas horas!

- Quem é?

- O Cara de ontem.

- Só poderia ser, você pegou mais caras que eu!

- Heloisa eu fiquei só com ele.

- Então já é mais que eu, haha', vamos vou te dar uma carona.

- Não de boa, vou andando mesmo. - Falei pegando minha camisa colocando no ombro.

Celular, óculos, na mochila. Saímos e desci com ela até o estacionamento;

- Gato me liga mais tarde, Beijo te amo.

Despedi saindo pelo saguão do prédio, como Heloisa mora próximo a minha casa, e o dia estava muito lindo, fui andando mesmo no calçadão de Ipanema.

Passando pelo quiosque do Francisco, me sentei no balcão, colocando a mochila de lado e o celular na bancada;

- Francisco, bom dia! Uma água de coco, daquele jeito. – Falo piscando.

- Já é Betão.

Como eu estava sentado olhando para o mar, tinha um garoto sentado, quase na minha frente, no caso, na frente da vista, depois que me peguei olhando para ele. Foram poucas trocas de olhares, até ele se levantar e vir ao meu encontro;

- E aí, beleza? – Pergunta ele, puxando o banco do meu lado, para se sentar.

- Sim, estou ótimo.

- Mora por aqui mano?

- Sim, no Leme.

Esse cara começou a falar, e trocamos rápidas ideias, mas ele era bem invasivo, me deixou por vários momentos sem graça, e muito bravo.

Para terem uma ideia, ele avançou e tentou me beijar ali, na frente de todos, sem minha concessão.

O que me salvou foi o Augusto, mandou mensagem, dizendo que passou na casa da Heloisa atrás de mim, e nada. Mandei a localização, e falei, “Me ajuda aqui mano”.

Acho que foi bem na hora, o garoto se levanta, paga minha agua dizendo;

- Que acha de irmos para seu apê então? – Eu fiquei paralisado.

- Olha.... Sabe o que é. Eu...

- Amor, desculpa a demora, rapaz para sair da Barra não foi fácil... – Fala o Augusto chegando perto.

Eu respirei aliviado, o garoto só disse, “Bom Dia” para ele e saiu, mais vermelho que sua camisa;

- Outro rolo? – Pergunta o Augusto.

- Sabe que não gosto assim, tem que ter tesão, correr atrás, sofrer, conquistar.

- Aham sei. Ei vou fazer a festa lá em casa hoje.

- Ah certo, vamos lá na casa do cara que te falei, ele aluga o som, e se quiser toca na festa.

- Ótimo.

Pessoal passei metade do dia, andando com o Augusto, resolvendo isso. Ele me deixou em casa por volta de oito da noite.

Tomei aquele banho, liguei a tv, o ar condicionado e deitei comendo uma bolacha recheada, foi minutos par pegar no sono.

Acordo com o meu iPhone chamando, era o Guto (Augusto);

- Fala mano! – Digo sonolento.

- Está chegando Beto?

- Mano estou dormindo.

- Poxa Cara, cola aí, vai curtir, tem altas pessoas aqui já, vai ser rápido.

Eu pensei no favor que ele me fez logo cedo, e então cedi;

- Vou me trocar, já chego aí.

Levanto todo torto, indo pegar uma roupa. Calça jeans preta com alguns rasgos nas coxas, camisa da Supreme preta, e uma jaqueta, amarrada na cintura.

Ele mora perto, então, eu decidi ir de moto mesmo, seria bem mais prático. Pessoal como a rua onde ele mora é bem estreita, haviam vários carros nas calçadas, e você ouvindo a música de longe, segui e deixei a moto lá dentro, consegui entrar pela abertura do portão, uns caras me ajudaram, coloquei o capacete nela mesmo e entrei.

Entrei procurando o Guto, mas nada de encontrar ele, como o som ao lado de fora estava muito alto, e meu celular começou a chamar, eu entrei na casa;

- Alô.

- Beto, está onde gato? – Pergunta Heloisa.

- Casa do Guto e você?

- Na casa da minha avó, te falei do jantar aqui.

- Aí Heloisa, me desculpa esqueci.

- Vou jantar então e passo aí, me espera.

- Beleza, to procurando o Guto, pensei que estaria aqui.

- Até mais Beto.

- Até. – Me despedi, pois ouvi seus familiares a chamar no celular.

Ainda na procura do Guto passo pela sala e tinha três caras conversando, bem bêbados. Mas galera quando passei, para desviar de umas garotas que passaram olhando acabei tropeçando nestes caras.

Mano levei um puta tombo ali na frente de todo mundo. Eu levantei muito bravo;

- Porra cara, custa tirar o pé? – Falo meio que gritando.

Um deles se levanta todo preocupado;

- Cara foi mal, olha me desc... – Antes de terminar de falar, ele meio que joga sua bebida em mim.

Cara eu comecei a rir, só poderia ser brincadeira;

- Ta zoando comigo, só pode, sai de perto. Porra. – Falo me afastando.

- Mano me desculpa, moço... – Fala ele vindo atrás de mim.

O cara estava tão bêbado que entrou comigo no banheiro, sentado na privada. Tirei minha camisa e estava passando papel toalha umedecidos com pouco de agua;

- Me chamo Henrique.... Quer minha camisa, não foi por querer. – Fala ele tentando tirar a camisa.

- Sou Alberto. – Falo ainda me limpando, e ignorando ele.

O cara cai no chão, ao tentar tirar a camisa, não me perguntem como, eu abri um sorriso e ajudei ele;

- Mano está sozinho aqui? Vai precisar de ajuda para ir para casa.

Ele se levanta me entregando a camisa e percebo, o garoto. Olhos caramelo, da cor de seus cabelos, rosto meio fino meio quadrado, um peitoral muito massa, e uma boca tímida, com lábios pequenos, e um queixo muito bem desenhado;

- Sua barriga é muito bonita... olha como a minha. – Diz ele meio que apontando o dedo e encostando na minha barriga. – Você é quente.

- Rsrs, valeu mas está bom, o parquinho fechou. – Falo tirando sua mão.

- Eu te beijaria agora, mas estou enxergando dois de você, o que não é ruim. – Fala ele, enquanto eu me visto.

- Rsrs, você é engraçado, mas eu não fico com caras como você.

- Eu também não, mas abro uma exceção para você. – Diz ele se aproximando.

Sim nos beijamos, por ele ser bem abusado, eu acho. Claro que tinha o gosto de cerveja, mas aqueles lábios pequenos beijam bem, muito bem por sinal.

Saímos do banheiro ele ainda calambiando, antes mesmo de eu falar algo, passa o cara que estava com ele no sofá gritando;

- Sujou mano, Sujou!

Pegou no braço dele e saiu correndo, eu sem entender nada passa Augusto por mim gritando;

- Caralho mano a polícia. Comecei a rir dele e sai todo desconfiado, depois da bagunça despedi dele e subi na moto, olhei pelo retrovisor vejo, Henrique conversando com uns caras, pensei em voltar e falar com ele, mas " o que eu estava fazendo, ou que já tinha feito". Liguei a moto e fui para casa deitei e fiquei lá na minha cama com a cabeça na "minha noite" em especial a aquele cara todo louco. No dia seguinte acordei cedo com o interfone, a Heloísa gritando, liberei sua entrada e tomamos café juntos logo mais contei para ela sobre a noite passada ela me encheu e falou muito por eu não convidá-la, almoçamos na rua e fiquei a tarde toda praia treinei um bastante.

Surfei muito, fui embora durante a noite mesmo, quando estava pegando minhas correspondências com o Porteiro havia um pessoal subindo algumas coisas ele fofocando disse;

- Novos vizinhos do apartamento 1230. Pensei tomara que sejam um casal de velhinhos bem quietinhos não gostaria de vizinhos barulhentos ou festeiros. Subi preparei meu jantar estava escutando música e bateram na porta;

- Sim. Falei abrindo a porta e tirando meus fones de ouvido todo desconcertado, era um garoto aparentemente 19, 20 anos de idade,

- Boa Noite, desculpe vim avisa que mudamos para o apartamento do lado hoje e vamos fazer uns furos na parede, se houver pouco de barulho...

- Não tudo bem, fica tranquilo se precisar de algo é só falar tudo bem.

- Obrigado.

- Ah e seja bem-vindo. Fechei a porta com uma pulga atrás da orelha, sobre eles, tipo curiosidade mesmo.

No dia seguinte acordei cedo pois tinha uma consulta logo de manhã, sai atrasado quando estava no elevador o novo vizinho gritou de longe;

- Segura para mim. Ele logo entrou se desculpando. Foi mal é que estou atrasado.

- Aqui no Rio todos somos atrasados, ah desculpe, é Beto do 1229.

- Prazer Beto do 1229, sou Anderson do 1230.

- Seja Bem-Vindo. Falei meio que saindo de costas, fui para minha consulta, é uma seção para deixar o Abdômen em dia.

- Está onde gato? Perguntou Heloisa ao telefone.

- Saindo da clínica, vou almoçar agora.

- Passa aqui em casa para mim te acompanhar.

Peguei ela depois de uns minutos, no restaurante estávamos conversando contei para ela sobre o Henrique e sobre meus vizinhos novos,

- Até na sua horta chove e a minha está igual a seca do Nordeste.

- Hahaha' mesmo assim vou esperar meu príncipe no cavalo branco.

- Para mim está ótimo sendo em uma moto mesmo, não precisa ter cavalo.

- Olha aqui todo gay tem que ter uma amiga lésbica e não periguete.

- Periguete é o cassete sou rica meu bem, é rica é Piruá.

- Então vamos Piruá quero surfar ainda hoje.

Saímos do restaurante o manobrista foi pegar o carro e quando entrei olhei para trás enquanto soltava a embreagem sem ver acertei alguém na frente, quando olhei estava no chão, eu não passei em cima, mas meu carro é o Cruze e para quem conhece a frente do carro é grande foi tipo uma batida na pessoa.

Desci do carro desesperado, o carinha estava se levantando eu não sabia o que dizer o que fazer.

- Meu Deus Beto, olha isso matou o menino. Gritava Heloisa me deixando pior que estava.

- Você está bem, rapaz tudo bem?

- Sim, eu estou bem não se preocupe, só me ajude a levantar. Quando olhei Henrique, que ótimo eu nem tinha falado com o cara já tinha quase matado ele. Ajudei ele a levantar e perguntei se queria que chamasse a ambulância, ele agradeceu mais quando foi andar sentiu uma dor no pé então me dispôs a levar ele, chegando lá Heloisa só falava uma coisa.

- Ele é lindo Beto.

- É o Henrique.

- Não To falando do garoto.

- Helo' ele é o Henrique que te falei.

- Não brinca?

- Sério.

- E você quase matou ele.

Ela riu a noite toda eu paguei a consulta e os remédios deixei Heloisa em casa e fui levar ele até a casa dele. Em um condomínio nobre de Copacabana parei em frente uma casa enorme e entramos eu auxiliando ele;

- Você mora aqui?

- Sim.

- É uma bela casa.

- De meus país, estão fora. Ele sentou no sofá e olhou para mim de lado todo lindo.

- Não queria deixá-lo aqui sozinho, estou me sentindo culpado.

- Tudo bem já consigo andar. Disse ele se levantando e dando alguns passos.

- Posso beber um copo de água?

- Na cozinha, depois das escadas. Ele foi comigo lá eu questionei;

- Não se lembra de mim?

- Já me atropelou antes?

- kkkkkk', não é isso, nos conhecemos na festa do Augusto.

- Desculpe eu conheço o Augusto, mas não me recordo de você.

- Deve ser porque estava pouco alterado.

- Nossa que ótimo.

- Não tudo bem, você me derrubou e deixou cerveja manchar minha camisa.

- Obrigado por me fazer sentir péssimo, o atropelamento foi para descontar?

- Não nem deu tempo para tramar.

E por incrível que pareça conversamos e conversamos e conversamos, a noite inteira falamos de tudo nossos assuntos não se esgotavam, a cada palavra eu me fascinava mais e mais nele, fui embora as 10:00 da manhã do outro dia, sem acreditar ao chegar em casa deitei e durmi. Acordei a tarde com a campainha, ao atender meu vizinho;

- Açúcar?

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