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Caprichos do Acaso - Capitulo 1

~Alberto Tavares


- Beto! Beto acorda. - Heloisa entra no quarto gritando meu e puxando o cobertor.

- Mano fala baixo, minha cabeça está explodindo. - Me espreguiço e estico todo o corpo, com a mão vasculhando atrás do meu celular.

- Mas também, bebeu mais do que podia ontem. Levanta tenho que trabalhar, e a tia vem limpar aqui hoje.

Ela joga o cobertor em mim. Eu sentei, olhei ao redor, o sol já em todo o quarto.

Me levantei fui ao banheiro e joguei uma água no rosto, peguei minhas coisas no aparador e fui até a cozinha.

Heloisa pegava uma xícara de café e coloca na bancada a minha frente;

- Vai fazer o que hoje? - Ela fica deslizando a tela do celular no Instagram.

- Ir para casa, dormir, já que você não me deixou.

- Já falei...

Heloisa é interrompida pelo meu celular. Olho e chamada de "Boy 4", viro a tela mostrando a ela;

- Ligando essas horas! - Falo recusando a chamada;

- Quem é?

- O Cara de ontem.

- Só poderia ser, você pegou mais caras que eu!

- Heloisa eu fiquei só com ele. - Digo chacoalhando o celular.

- Então já é mais que eu, rsrs, vamos vou te dar uma carona.

- Não de boa, vou andando mesmo.

Desci no elevador com ela, e Heloisa me leva de carro até ao calçadão de Ipanema.

- Gato me liga mais tarde, Beijo te amo.

Passando pelo quiosque do Francisco, um velho amigo. Sentei frete o balcão, e ele se aproxima pegando em minha mão;

- Bom dia Beto.

- Bom dia Francisco, o de sempre por favor. - Coloco minhas coisas de lado.

- Pode deixar.

Ele manda preparar um pão na chapa, já coloca o copo americano, meio de leite e meio de café.

Ele me serviu, e vejo meu amigo, o Augusto passando de bike. Ele volta e sem me cumprimentando;

- Bom dia mano.

- E ai Guto.

- Que Cara é essa mano? - Ele tira o capacete.

- Fui ao baile ontem com Heloisa.

- Ah saquei! Tem que comparecer na minha casa hoje maluco, confirmei com todo mundo, não vai furar.

- Relaxa, sei que sem eu ninguém vai animar aquele lugar, fica tranquilo.

- Filho da mãe... - Ele bate em minhas costas. - Vou lá safado, ainda trabalho hoje.- Falou cara.

Terminei de tomar meu "Café da manhã", e fui para casa, que era próximo a orla. Cheguei em casa e tomei aquele banho, liguei a tv, o ar condicionado e deitei no sofá, foi minutos para pegar no sono.

Acordo com o meu iPhone chamando, era o Guto;

- Fala mano! – Digo sonolento.

- Está chegando Beto?

- Chegando onde pelo amor de Deus. - Vejo a as cortinas do apartamento chacoalhando com o vento.

- Beto olha a hora? Quase dez da noite mano, está onde?

- Em casa.

- Você falou que iria chegar mais cedo para me ajudar?

- Mano peguei no sono aqui, foi mal. Já, já chego aí.

- Beleza.

- Poxa Cara, cola aí, vai curtir, tem altas pessoas aqui já, vai ser rápido.

- Vou me trocar, já chego aí.

Levanto todo torto, indo pegar uma roupa. Calça jeans preta com alguns rasgos nas coxas, uma das camisas preferidas que tenho, e uma jaqueta, amarrada na cintura.

Ele mora perto, então, eu decidi ir de moto mesmo, seria bem mais prático, por ser sábado, e o transito do horário.

Pessoal como a rua onde ele mora é bem estreita, haviam vários carros nas calçadas, e você ouvia a música de longe, segui e deixei a moto lá dentro, consegui entrar pela abertura do portão, uns caras me ajudaram, coloquei o capacete nela mesmo e entrei.

Entrei procurando o Guto, mas nada de encontrar ele, como o som ao lado de fora estava muito alto, e meu celular começou a chamar, eu entrei na casa, cumprimentando os conhecidos, havia muita gente;

- Alô.

- Beto, está onde gato? – Pergunta Heloisa.

- Casa do Guto e você?

- Na casa da minha avó, te falei do jantar aqui.

- Aí Heloisa, me desculpa esqueci. – Vou passando desviando das pessoas.

- Vou jantar então e passo aí, me espera.

- Beleza, to procurando o Guto, pensei que estaria aqui.

- Até mais Beto. – Me despedi, pois ouvi seus familiares a chamar no celular.

Ainda na procura do Guto passo pela sala e tinha três caras conversando, bem bêbados, é que a festa começou bem mais cedo, e as pessoas já estavam beeeeem ruins.

Mas galera quando passei, para desviar de umas garotas que passaram olhando acabei tropeçando nestes caras.

Mano levei uma puta tombo ali na frente de todo mundo. Eu levantei muito bravo, olhando quem foi, e já pronto para cair na porrada;

- Porra cara, custa tirar o pé? – Falo meio que gritando.

Um deles se levanta todo preocupado;

- Cara foi mal, olha me desc... – Antes de terminar de falar, ele meio que joga sua bebida em mim.

Estava todo desajeitado, e “mamado de álcool”.

Cara eu comecei a rir, só poderia ser brincadeira, respirei fundo saindo;

- Ta zoando comigo, só pode... – Ele me toca, e tiro sua mão. - Sai de perto. Porra. – Falo me afastando.

- Mano me desculpa, MOÇO... – Fala ele vindo atrás de mim.

O cara estava tão bêbado que entrou comigo no banheiro, quase que caindo, tentando sentar na privada.

Tirei minha camisa e estava passando papel toalha umedecidos com pouco de água;

- Me chamo Henrique.... Quer minha camisa, não foi por querer. – Fala ele tentando tirar a camisa.

- Sou Alberto. – Falo ainda me limpando, e ignorando ele.

O cara cai no chão, ao tentar tirar a camisa, não me perguntem como, eu abri um sorriso e ajudei ele;

- Mano está sozinho aqui? Vai precisar de ajuda para ir para casa. – Falo o ajudando.

Ele se levanta me entregando a camisa e percebo, o garoto. Olhos azuis, de cabelos caramelos, rosto meio fino meio quadrado, um peitoral muito massa, e uma boca tímida, com lábios pequenos, e um queixo muito bem desenhado;

- Sua barriga é muito bonita... – Ele olha. – Igual a minha. – Diz ele meio que apontando o dedo e encostando na minha barriga. – Você é quente.

Mano, que estava acontecendo aqui, cara louco;

- Rsrs, valeu. – Eu tiro sua mão, estava estranho.

- Eu te beijaria agora, mas estou enxergando dois de você. – Ele fixa o olhar.- O que não é ruim, mas não sei quem é o real – Fala ele, enquanto eu me visto.

- Rsrs, você é engraçado, mas eu não fico com caras como você.

- Eu também não. Mas você é até bonitinho.

Cara abusado;

- Você suja minha camisa preferida e ainda quer me beijar? – Encaro ele.

- Tinha que chamar sua atenção de algum jeito.

- Você está bêbado ou está tirando com minha cara?

Ele não diz nada, só pisca. Foi alguns segundos olhando sua boca que era bem instigante, eu beijei o Henrique. Claro que tinha o gosto de cerveja, mas aqueles lábios pequenos beijam bem, muito bem por sinal.

Ele se afasta, e quando sai do banheiro, eu ainda olhando qual é a dele, passa um cara puxando ele e gritando;

- SUJOU MANO. SUJOU!

Pegou no braço dele e saiu correndo, eu sem entender nada, apareço olhando, e vem Augusto por mim gritando;

- Caralho mano a polícia. - Comecei a rir dele e sai todo desconfiado.

Depois da bagunça despedi dele e subi na moto, olhei pelo retrovisor vejo, Henrique conversando com uns caras, pensei em voltar e falar com ele, mas só fui embora.

Fui para casa, e ao chegar liguei para a Heloisa contando da noite, para ela nem gastar tempo indo para casa do Guto, que a polícia havia acabado com a festa. Depois fui tirar a roupa e vejo a mancha, lembrando do louco que conheci.

Domingo eu surfei dia todo, quando estava pegando minhas correspondências com o Porteiro havia um pessoal subindo algumas coisas ele fofocando disse;

- Novos vizinhos do apartamento 1230.

Pensei tomara que sejam um casal de velhinhos bem quietinhos não gostaria de vizinhos barulhentos ou festeiros já tem a mim no corredor. Subi preparei meu jantar estava escutando música e bateram na porta;

- Sim. - Falei abrindo a porta e tirando meus fones de ouvido todo desconcertado.

Era um garoto aparentemente 19, 20 anos de idade;

- Boa Noite, desculpe vim avisa que mudamos para o apartamento do lado hoje e vamos fazer uns furos na parede, se houver pouco de barulho...

- Não tudo bem, fica tranquilo se precisar de algo é só falar tudo bem.

- Obrigado.

- Ah e seja bem-vindo. - Fechei a porta, pensando. “Gostei, é Comestivel”.

No dia seguinte acordei cedo pois tinha uma consulta logo de manhã, sai atrasado quando estava no elevador o novo vizinho gritou de longe;

- Segura para mim.

Ele logo entrou se desculpando.

- Foi mal é que estou atrasado.

- Aqui no Rio todos somos atrasados, ah desculpe, é Beto do 1229.

- Prazer Beto do 1229, sou Anderson do 1230.

- Seja Bem-Vindo. - Falei meio que saindo de costas.

Dois caras até agora, e novos, no apartamento do andar.

Depois da minha consulta, fui almoçar com a Heloisa;

- (...) Como assim, Pega um cara no sábado, outro cai em você no domingo e agora vizinhos novos... São heteros?

- Não sei.

- Que horta é essa Beto, está chovendo homens, estou com a minha seca. – Ela fala seria.

Começo a rir, pois Heloisa e relacionamentos é um desastre coitada, ela é a melhor conselheira, mas não segue um ponto do que diz;

- Termina esse bolo, quero surfar hoje ainda. – Falo deixando os talheres.

- Você surfa todo santo dia garoto, chega.

- Vai me controlar agora é?

- Não, é inveja mesmo.

- Rsrs, safada.

Saímos do restaurante o manobrista foi pegar o carro. Aos motoristas, sabem quando se vira a chave com a marcha engatada? Eu fiz isso.

Eu dirijo um Cruze, então imaginem o tamanho da joça. Ele pulou para frente, e meio que “atropelou” alguém. Só vejo alguém cair na frente.

Desci do carro desesperado, o carinha estava se levantando eu não sabia o que dizer o que fazer.

- Meu Deus Beto, olha isso matou o menino. - Gritava Heloisa me deixando pior que estava.

- Você está bem, rapaz tudo bem? Não levanta, calma. – Eu meio que tocava nele.

- Sim, eu estou bem não se preocupe, só me ajude a levantar. - Quando olhei Henrique.

Que ótimo eu nem tinha falado com o cara já tinha quase matado ele. Ajudei ele a levantar e o encosto no capo do carro. Algumas pessoas se aproximam, curiosos, perguntei se queria que chamasse a ambulância, ele agradeceu mais quando foi andar sentiu uma dor no pé então me dispus a levar ele, abri a porta do passageiro para ele entrar.

Ele pega o celular fazendo uma ligação;

- (...) Tive um contratempo, remarca com a equipe, não consigo comparecer...

Ele estava falando e a Heloisa no caminho diz baixo;

- Beto ele é Lindo.

- É o Henrique.

- Não To falando do garoto. – Ela gesticula.

- Helo' ele é o Henrique que te falei.

- Não brinca? O vizinho ou da festa?

- Da Festa.

- E você quase o matou.

- Exatamente.

- Eh dá para ouvir vocês aqui. – Ele comenta.

No caminho ele reclamou de dor, e levamos ele ao hospital, de exames a consulta, Heloisa foi embora, pois tinha que trabalhar. Depois de sair, meio que fui auxiliando ele até o carro, peguei a receita, atravessei a rua comprando seus remédios, e volto entregando para ele;

- Sabe que não precisava né? – Ele diz mostrando a sacola.

- Desculpa é que não sei o procedimento, não atropelo pessoas todo dia.

Vou saindo com o carro e ele coloca a localização no “Waze”.

Chegamos em um condomínio nobre de Copacabana parei em frente uma casa enorme e entramos eu ainda auxiliando ele;

- Você mora aqui?

- Sim.

- É uma puta casa. – Falo entrando.

- Do meus país.

Entramos e deixei ele no sofá, abri a sacola de remédios, e fui explicando como o farmacêutico falou;

- (...) Esse gotas, se a dor voltar. Porque está olhando assim? Entendeu? – Falo sério.

- Sim. – Ele abre um sorriso.

- Não queria deixá-lo aqui sozinho, estou me sentindo culpado.

- Tudo bem já consigo andar.

Ele se levantando e dando alguns passos.

- Posso beber um copo de água? – Me levanto.

- Na cozinha, depois das escadas.

Ele foi comigo até lá, e eu louco para perguntar;

- Não se lembra de mim?

- Já me atropelou antes?

- Rsrs, não idiota. Nos conhecemos na festa do Augusto.

- Desculpe eu conheço o Augusto, mas não me recordo de você. – Ele coça a cabeça.

- Deve ser porque estava pouco alterado.

- Alterado?

- É bêbado, caindo, e derrubando bebida nas pessoas, tipo, eu.

- Obrigado por essa vergonha gratuita, está zoando comigo? – Ele passa a mão no rosto. – Ah entendi e o atropelamento foi para descontar?

- Não nem deu tempo para tramar. Você passou na frente antes de eu ligar o carro.

Trocamos contato, e estranhamente, venho falando com o Henrique todo santo dia, desde então.

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