• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 3 – Interclasse

Atualizado: Jul 13

Acordei com a Isabela se mexendo na cama ao meu lado, a janela aberta, com uma brisa fria entrando, e o sol já alto.

Olhei no relógio a hora, e acordo ela;

- Ei tem que ir.

- Bom dia.

- Bom dia. – Me levanto pegando um moletom e vestindo.

Ela pega suas coisas colocando na mochila e calça sua sandália, enquanto eu abro a porta e vejo o corredor se todos estariam dormindo.

- Está tranquilo, pode vir. – Acompanho descendo as escadas.

Ao aproximar da porta o Marcos estava fazendo café, ele sempre acordou mais cedo em casa. Atrás do balcão, com uma maçã nas mãos ele olha, e pela primeira vez fala algo;

- Seu pai foi levar o lixo. – Ele diz mastigando.

Escuto a voz dele ao lado de fora, e puxo a Isabela;

- Vem por aqui.

Seguimos para os fundos;

- Bom dia. – Ela sorri para o Marcos.

Saímos pelos fundos, dei um selinho nela que correu escondida.

Entrei e quando passava a cozinha ele entra;

- Você de pé essas horas!

- Bom dia para o senhor também. – Falo passando por eles.

- Está vendo somente eu aqui Wilker?

Volto dois degraus e falo;

- Bom dia Marcos.

- Bom dia.

Meu pai só gesticula com a mão;

- Agora pode ir.

Tomei meu banho bem demorado, coloquei o uniforme e uma calça jeans, meu relógio e boné.

Ao descer, Nicole estava saindo com o Daniel já;

- Marcos vai levar vocês, e Wilker, Dimitri vai te buscar na escola hoje. – Meu pai fala da cozinha.

- Beleza.

Falo saindo e fechando a porta, Marcos coloca o cinto no Daniel, eu sento ao lado dele e Nicole na frente.

Coloco meus fones de ouvido e vou curtindo umas músicas aleatórias, em meio a sorriso e conversas deles.

Chegando no colégio, Daniel me cutuca rindo, com uma boca bem gostosa, ele chegava a engasgar de tanto rir, eu não sabia qual a graça e para encher ele, passo a mão, descendo sua touca e cobrindo seu rosto.

Graças a Nicole, Marcos não deixa a gente frente ao colégio, descemos e ele segue, desembarcando o Daniel e o levando para dentro.

Mudo de calçada, pois meus colegas estavam reunidos em um quiosque que há frente o Colégio.

Cheguei cumprimentando eles, e sento ao lado do Hugo, que estava na mesa, os outros de pé, e próximo ao balcão;

- (...) Mano e esse boné, dá aqui. – Ele puxa.

- Meu cabelo viado.

- Como anda com a Isa?

- Estamos ficando.

- Porra! Que animação em, rsrs.

- É que... que... – Aproximo dele para falar. – O sexo não é dos melhores sabe.

- Como não, ela é a mais gostosa da turma cara.

- Fala baixo porra. – Empurro ele. – Então o problema é comigo, pois não curte.

- Só tem uma forma de saber!

- Qual?

- Trocar ideia com o ex dela.

- Há, há. Não, estou de boa. – Me levanto.

- Bola um esquema de como chegar nele, ou falar com alguma mina que ela ficou, vai que comentou.

- Não, está maluco mano.... Vamos. – Pego meu boné.

Entramos, passando pelos alunos, e a sirene toca, indicando o início das aulas. Seguimos para a sala de aula, sentando eu, e o Hugo do lado, ao fundo, no lugar de sempre.

O início da aula foi tranquilo e ficamos mais de papo do que estudando, pois, o professor faltou e enviou um substituto, e sabem bem como são as coisas.

Próximo ao fim da aula, alguém bate na porta, e vejo somente as mãos com um papel, não consigo ver exatamente quem era, como de costume olhamos meio que de curiosos;

- Professor com licença, posso falar com Wilker Franco? – Ele fala entrando um passo a dentro da sala.

Todos me olham, e o Professor repete;

- Wilker! – Chama conferindo estar presente.

Me levanto saindo, a primeira coisa que vejo foi o papel com meu nome escrito, de minha altura, cabelo curto, cara com braços fortes;

- Mano sou Ícaro, do time de vôlei aqui do Olimpo!

- Sim. – Falo cruzando os braços.

- Falei com a direção e você é o Capitão do time de basquete, e também representante de sala.

- É também.

- Os Jogos de Interclasse da cidade estão próximos, e o concelho do colégio quer a maior concentração de vitorias, acho que para publicidade do próximo ano, não tenho certeza. E querem todos os capitães juntos nessa.

- Beleza e onde eu entro nisso aí?

- Teremos uma reunião no intervalo hoje, na biblioteca, para deixar tudo mais claro.

- Não vai rolar.

- Porque não?

- Estou ocupado. – Me viro de costas para voltar a aula e ele diz.

- Também como responsável por essa espécie de comitê! Posso pedir sua substituição Wilker.

Olho para ele e entro na sala, me sento e Hugo pergunta;

- Qual é a do maluco?

- Diretoria quer cobrar resultado dos times do colégio. E colocou esse tal de Ícaro como responsável. O cara vem me ameaçando substituir no cargo de capitão acredita.

- Folgado mano.

- Vou ver qual é a dele hoje, acha que pode chegar folgando assim... Está é de olho no meu cargo. Esta maluco, posso sair de aulas, tenho pontuação extra, e vai ser ótimo no meu currículo. Cara pau no cu.

- Da ideia no diretor mano.

- É isso, vou falar com ele.

Pouco antes do intervalo peço para sair, e vou a diretoria, subindo para o terceiro andar e quando a sua secretaria me vê, já tira os óculos;

- Que você fez dessa vez Wilker?

- Eh tá me tirando? Gonçalo está?

- Sim.

Bato abrindo a porta;

- Ei posso entrar?

- Sim, claro, entra ai Wilker. – Ele pega em minha mão. – E seus pais como estão?

- Bem.

- Seu irmão? Adaptando a rotina do Olimpo? – Ele se acomoda.

- Sim, está ótimo.

- Diga que posso ajudar? É o time?

- Sim, hoje um tal de Ícaro veio me cobrando algumas coisas em relação ao time e falando que foi enviado pelo senhor.

- Olha Wilker, sim... – Ele cruza as mãos na mesa. – Esse é um colégio particular, não é fácil manter tudo isso! E recebemos a dura missão de ganhar a maioria dos troféus da Interclasse deste ano. Para o concelho usar como propaganda para próximo ano.

- Legal, ótimo, gostei da ideia, mas que eu ganho com isso?

- Oficialmente? Medalhas dos jogos. Mas indiretamente, os times terão uma atenção dos nossos professores, se é que me entende.

- Sei.

- Isso não pode ser dito a ninguém em Wilker.

- Tudo bem.

- Agora Ícaro é a pessoa certa para cuidar disso, ele ficara responsável pelos resultados e cobrança de todos os times, Basquete, Vôlei, Futsal e Natação.

- Entendido Gonçalo, irei então falar com o time.

- Ótimo, não será um desafio para vocês, afinal são vencedores 4 anos consecutivos e ter o time de Basquete nesse comité é um gás a mais as outras equipes.

- Obrigado.

- Eu que agradeço, sempre que precisar, estarei aqui.

Pego em sua mão saindo da sala. Foi fechar a porta e a sirene tocou. Ainda passei na minha sala, pegando o carregador portátil do meu iPhone, e desci.

O Olimpo tem três andares, meio que separando as classes e idades, até porque algumas são integrais, como a do Daniel, e a nossa, somente meio período, e tem também a questão de maternal, ensino fundamental e médio.

A biblioteca fica no segundo andar, eu desci, indo no corredor com os meninos correndo e brincando. A rádio do colégio tocava ao fundo.

No caminho para a biblioteca que fica no fim do corredor de salas, vejo o Daniel frente a uma das classes, ao passar ele abre um sorriso, e o cumprimento com um soco na mão;

- Ei conhece ele? – Um garoto pergunta.

- Sim, é meu irmão. – Respondo.

Foi bem estranho, e mais ainda quando falaram meu nome;

- Caramba você é irmão do Wilker e nunca falou cara? – O garoto fala na roda de meninos.

- Me conhece de onde? – Pergunto.

- É capitão do time de basquete do colégio.

- Sim.

- Vai onde? – Daniel pergunta.

- Na biblioteca, tudo bem aqui?

- Sim.

- Até mais meninos. – Vou seguindo.

A porta estava encostada, eu entro, seguindo para os fundos, onde era possível ver umas pessoas reunidas.

Em uma mesa, uns caras e uma garota que nunca vi na vida, o tal Ícaro de pé, encostado no sofá ao lado;

- Nossa estrela chegou, atrasado o que não é surpresa. – Ele fala jogando uns papeis na mesa.

Eu me sento, em uma das extremidades e ele na outra;

- Como você demorou já iniciei aqui com os meninos...

- Não vai explicar o porquê estamos aqui? – Falo cruzando os braços.

- Você já sabe, pois nem esperou eu sair da sua classe e foi chorar para o diretor Gonçalo.

- Desculpe se eu tenho moral, e já você.

- Gente foco. – A garota fala.

- Somos o único colégio de Goiânia que já ganhou quatro anos consecutivos a Interclasse, que foi o time do Wilker.... É isso que queremos de você, que ajude a gente com a experiência que possui no seu time.

- Não tem como ensinar algo assim!

- Sempre tem alguma coisa.

- Todo o time é normal, treinamos semanalmente, e fazemos nossa parte em quadra dando o melhor.

- Deve ter algo a mais. – Um garoto a direita fala.

- Bem, somos muito próximos, bebemos, vamos a festas, saímos, estamos sempre nas casas uns dos outros. Eu acho que essa união faz a diferença.

- Não é o suficiente.... Quando é o próximo treino? – Ícaro pergunta.

- Tenho que confirmar, talvez amanhã.

- Talvez? Vocês não se preparam? – Ele fala alto.

- A quadra é reservada, não consultei se o time de Futsal tem treino amanhã.

- Nunca vamos conseguir troféu em todas as equipes, nem ele mesmo sabe o que faz. – A garota diz ao Ícaro, gesticulando apontando para mim.

- Vamos sim, Maria. Não tenho a sorte como ele e a maioria nesse colégio, tenho bolsa e tenho que manter ela. Irei descobrir que ele faz, nem que fique colado nesse time.

Cheguei a coçar a cabeça ouvindo eles;

- Posso ir? – Pergunto.

- Marque com o time treino amanhã, irei estar lá, pode ser depois da aula?

- Rsrsrs, não fico depois da aula.

- Treina que horas então?

- Acho que no intervalo.

- Wilker, podemos não ser sua turma, ou seu time. Mas você sabe melhor que eu o porquê estamos aqui, então é melhor colaborar.

- Você nem parece aluno, parece professor cara de tão chato.

Me levanto saindo, ele grita;

- Amanhã na quadra no intervalo.

No fim da aula, fiquei ao lado de fora com os meninos esperando meu pai vir me buscar.

Sentado no quiosque bebendo coca – cola, olhando os carros passando e pegando os alunos, e algumas buzinas, até meu pai ligar;

- Ei não está me vendo?

- Oi, chegou?

- Sim... aqui. – Ele ergue a mão.

- Falou galera. – Pego minha mochila. – Meu pai chegou.

Atravesso a rua, seguindo ao final da fila dos carros e ele desce do veículo;

- Ué cadê a Mercedes?

- Está em casa, esse é um presente para você.

Fiquei parado olhando para ele, e olhando para o carro;

- Como assim?

- Já tem idade para ter um carro.

- Está falando sério?

- Sim, pega. – Ele entrega as chaves.

Ah eu fui pulando abraçando ele;

- Pai o senhor é louco, meu Deus.

Entramos e eu sai pilotando, ao sair das ruas do colégio, pude acelerar um pouco, e sentir mais o motor e a potência;

- Você sempre disse que gostava desse modelo do Chevrolet.

- Pai mas eu falava a versão antiga do Cruze, esse é muito melhor.

- Gostou?

- Eu amei!

Ele sorri, e eu volto a realidade;

- Ah mas meu pai Artur não vai deixar ficar com ele. – Paro no semáforo.

- Porque não? É um presente, eu também sou seu pai.

- O senhor conhece ele, vai falar três dias. Sem contar que eu ainda estou de castigo.

- Eu falo com ele.

- Rsrs, vai piorar as coisas.

A gente passou em um Drive-Tru, para comer umas besteiras e depois seguimos para casa.

Queria eu que Artur estivesse de plantão para eu poder curtir mais ainda esse carro, mas não, estava em casa.

Estacionei o carro, entrando e tentando passar despercebido por ele;

- Só vou pegar minha roupa pai. – Falo ao Dimitri na porta.

- Oi Filho, boa tarde pra você também. – Artur fala na cozinha.

- Boa tarde pai.

- Seu marido está?

- Não, Marcos está trabalhando, não precisa ter medo.

- Não estou.

- Que foi com você? Onde está a Mercedes para se exibir pela cidade?

- Esta em casa, e eu não exibo ela.

- Ah exibe sim.

- Esse é para o Wilker.

- Esse o que?

- Carro.

Descendo as escadas escuto até a risada do Artur;

- Rsrs, conta outra.

- É um presente, eu sou o pai dele e estou dando um carro para meu filho.

- Você não é pai sozinho, ele mora comigo, e com dezessete anos meu filho não vai ter um carro de oitenta mil reais, Dimitri. O garoto não tem nem carteira.

- Pai falta pouco, logo irei tirar minha carta.

- Com você falo depois.

- Artur para com isso, deixa o garoto em paz, você tem mais dois filhos para se preocupar.

- Qual problema de eu ter um carro?

Ele respira, e se aproxima;

- Conta para o seu filho porque deu esse carro para ele!

- Contar o que? – Dimitri indaga.

- Que está acontecendo. – Pergunto.

- Seu pai está me processando pela sua guarda Wilker, ele quer que você vá morar com ele.

- Não é assim, quero que você tenha um ambiente melhor para morar, e não onde eles possuem um doido armado em casa.

- É verdade? – Pergunto.

- Sim.

- Eu não quero morar com o senhor.

- Wilker escuta meu filho.

- Não, não quero ouvir, estou bem aqui, escuta o senhor, EU ESTOU BEM. – Subo as escadas com minha mochila.

Dimitri ainda sobe batendo na porta do quarto, demoro para abrir pensando que ele iria desistir;

- Filho, abre!

Eu destranco a porta e ele abre;

- Que foi aquilo?

Eu deitado na cama olho, respondendo;

- Não quero ir morar com o senhor, só acho que com dezessete anos poderia ter falado.

- Você que sempre diz Wilker, que gosta de ficar comigo, na minha casa, não entendi.

- Pai, olha. – Me sento na cama, gesticulando com ele. – Preciso da sua casa, é minha válvula de escape. Eu não gosto de dividir meu banheiro com a Nicole, e nem a TV com o Daniel, muito menos conviver com o Marcos, mas olha meu pai precisa de mim, não vou deixar ele. Sua casa é para esfriar a cabeça, andar e sair com o senhor é essencial para mim.

- Porque essa atenção com o Artur? É o Marcos? Ele está fazendo algo contra seu pai?

- Não, claro que não, Pai Artur faz o que quer com ele, coitado. Mas eu não vou deixar ele, desculpa. Mas se chegar frente ao juiz eu irei dizer que quero ficar com ele, e não com o senhor.

- Eu não pensei por esse lado, e te entendo.

- Desculpa.

- Relaxa. – Ele me puxa abraçando.

A noite no jantar, Daniel bate no meu quarto, chamando;

- Fala!

- Jantar esta pronto, papai mandou descer. – Ele fala entre a porta.

- Já vou.

Eu estava finalizando uma partida de “Call Of Duty” com os meninos, por isso sentei a mesa com o celular, foi Artur ver e abriu a boca;

- Preciso falar?

- Estão terminando pai, só preciso ficar online. – Falo deixando o celular de lado.

Marcos coloca a mesa, e o Daniel senta ao meu lado, a Nicole de frente e eles juntos. Depois de servir, e Marcos pergunta;

- Então como foi na aula hoje Daniel?

- Bem, normal... no intervalo o Wilker foi lá na minha sala. – Ele diz com um sorriso.

Aff!

Todo mundo me olha;

- Mentira! Você? No andar de baixo? Estava fazendo caridade. – Nicole intromete.

- Fica na sua.

- Ei, olha como fala.... Foi realmente ver Daniel? – Meu pai pergunta.

- Também, a direção quer que os times se juntem para conquistar umas medalhas a mais na interclasse deste ano. Aí fui em uma reunião na biblioteca, que fica no andar do Daniel.

- Sempre joguei vôlei nas interclasses, era a melhor coisa, viajar com o time, as bagunças, éramos muito unidos. – Marcos comenta.

- Sempre fui melhor em Futebol, mas brigava demais...

- Serio Artur, você deveria ser polícia e meu pai medico, vocês são completamente diferentes. – Nicole diz.

Eles riem e até eu deixo um sorriso escapar;

- Como está o time de basquete?

- Estamos ótimos, a medalha desse ano é nossa, mas vou ter que ajudar os outros também, para conseguir.

- E você comanda todas as equipes? – Marcos questiona.

- Não, um tal de Ícaro, cara bem...

- Meu Deus. Ícaro Mendes o do 3° B? – Nicole fala histérica.

- Nem sabia que ele estudava no colégio.

- Quem é esse Ícaro, Nicole? – Pai dela pergunta olhando de lado.

- É simplesmente o Miss Goiás desse ano, ele joga no time de vôlei do colégio...

- E porque toda essa animação? – Meu pai sorri.

- É que ele é todo lindo, serio, misterioso, forte, bronzeado.

- Alguém está apaixonada né?

- Fica na sua Wilker! Antes que conto da Isabela!

RAPARIGA!

- Vocês voltaram filho?

- Não pai!

- Porque ela dorme aqui dia sim e dia não? – Nicole entrega.

Eu olho querendo jogar o prato de arroz na cara dela;

- Ela está... Wilker? Está usando camisinha? – Artur fala puto.

- PAI! – Indago até vermelho de vergonha.

- Camisinha, rsrs. – Daniel repete rindo meu lado.

- Está ou não está Wilker?

- Estou. – Falo sem mover o maxilar.

- Pelo amor de Deus, se aparecer com uma garota gravida aqui em casa, aí sim vai morar com Dimitri, está me ouvindo.

- Pai, ficamos duas vezes, e só transamos uma, não precisa desse escândalo todo.

- EI SEU IRMÃO. – Marcos chama atenção pelo palavreado.

- Não precisa esconder se ela quer dormir aqui ou não, mas precisa me falar.

- Última vez entrou no quarto entregando preservativos para a gente. – Falo com olhar irônico.

- Você disse que não iria fazer isso Artur.

- Marcos são adolescentes e eu não tinha certeza se havia deixado no quarto dele.

- Já terminei, posso sair? – Falo afastando o prato.

- Sim, pode sim.

- Obrigado... Nicole porque não conta que beijou o Murilo atrás da escola na sexta feira? – Me levanto saindo.

A cara de raiva dela me olhando, foi a melhor possível, joguei gasolina no fogo que estava na sala de jantar e fui para o meu quarto.

Joguei, mas algumas partidas, e antes de dormir desço na cozinha, para tomar uma agua, o Marcos havia ido pegar algo no carro eu acho.

Quando entra me vê com a geladeira aberta;

- Wilker!

- Sim.

Ele deixa a chave no balcão, e como a maioria das luzes estavam apagadas, não vejo completamente sua feição;

- Queria agradecer por ter ido ver o Daniel.

- Não foi nada demais.

- Ele veio contando desde a escola que você foi, e que os colegas de classe sabem quem é você. Para você pode não parecer nada, mas significa muito. Obrigado.

Respondo com um sorriso e um gesto com a cabeça.

Enchi minha garrafa de agua subindo para meu quarto, e adivinhem?

- Pai ela não está aqui.

- Só queria garantir. – Ele se se afasta da janela sem graça.

- Eu disse que irei avisar se ela vir, novamente.

- Que bom. – Ele me beija na bochecha. – Dorme com Deus.

- Senhor também.

- Te amo viu.

- Também te amo.

Na aula no dia seguinte, entrei na sala acompanhado do Hugo já dizendo aos meninos;

- Gente treino hoje no intervalo. – Falo alto com os caras.

Como nosso time é dividido em três salas de aula fui em todas falar com os meninos, era melhor assim, pois ninguém falta ao treino e o Ícaro não me enche saco.

Voltei a sala e a Isabela estava sentada em minha mesa, aproximo beijando ela;

- Não disse que iria faltar ontem. – Me sento do seu lado.

- Minha irmã vai casar e ontem foi a prova dos vestidos. – Ela senta no meu colo. – Vou te mostrar as fotos.

Próximo a hora do treino, mandei mensagem para a Nicole, levar o Daniel para a quadra, pois iriamos treinar, e eu não tinha tempo de ir buscar ele.

Ao invés da garota se preocupar com o irmão, ela pergunta se Ícaro estaria na quadra.

Ainda vão entender, mas ela é muito fofoqueira, puta merda.

Quase todas as garotas da sala da Nicole estavam na quadra, e praticamente todos amigos do Daniel. O treino virou um evento no colégio.

O time já trocado, se aquecendo, o Ícaro chega olhando as arquibancadas;

- Caralho, que isso é sempre assim?

- Não. – Falo colocando o colete.

- Tem mais gente aqui do que no jogo de final de Vôlei. Vamos começar?

- Vamos?

- Sim, vou entrar com vocês. – Ele fala tirando a camiseta.

As garotas gritando e eu já puto, e nem tínhamos começado;

- Entrar onde?

- Na quadra Wilker, vou jogar.

- Não, você não faz parte do time, é um treino importante, como você mesmo disse.

- Qual problema?

- Você é o problema, eu sou o capitão desse time, então faça o favor de não atrapalhar e ficar assistindo, que essa linha é o máximo que pode ficar.

Cara folgado da porra;

- SEXTA de três pontos, na fila, quem errar dez flexões. – Grito entrando em quadra.

Ele fica gravando, e observando ao lado de fora da quadra, Ícaro teve dificuldades para escutar pois as pessoas estavam gritando e conversando bastante.

Por fim, finalizando jogadas e quase terminando o treino, estávamos jogando uma partida, e eu mandei eles darem o melhor, e isso incluiria usar a força que tinham.

Olhando os caras do meu time, recebo a bola, quico ela três vezes no chão, e vejo fora da quadra Nicole conversando com o Ícaro.

Vem um dos meninos e me derruba, me jogado para fora da quadra, cai até sem folego;

- Puta merda mano está bem? – Ele me ajuda a levantar.

Eu fico curvado olhando para baixo buscando ar, e respirando fundo;

- Não precisava de toda essa força né mano, ficou maluco? – Hugo me defende.

- Relaxa mano. – Seguro em seu ombro. – Finalizamos por hoje.

Tirei o colete, e me aproximo dos dois;

- Veio para ver o jogo ou cantar adolescentes? – Encaro ele.

- Aí Wilker não começa. – Ela fala.

- Se conhecem? – Ele pergunta.

- É meu irmão.

- Você tem uma irmã? – Ele fala sorrindo.

- E um irmão. – Nicole responde.

- Vivendo e apreendendo, a única coisa que se sabe desse cara é quantas garotas ele pega. – Ícaro diz rindo.

- Qual é a sua? Que admiração por mim é essa mano?

- Relaxa, você não é isso tudo.

- Se já viu o que tinha para ver, vaza. E você, mas tarde conversamos, vamos ver que o Marcos acha disso. – Gesticulo apontando para ela e Ícaro.

Seguimos para o vestiário, eu me sentei com uma garrafa de água, enquanto os meninos seguiam para os chuveiros que ficavam a minha frente;

- Qual é da daquele Ícaro em Wilker? Vai deixar o cara folgar para cima de você?

- Estou cheio dele também mano.

- Ele estava falando com a Nicole, vou quebrar ele se vir dar em cima da minha...

- Minha o que Maurício? - Já falo bravo, com ele no chuveiro.

- Amiga.

Os meninos sorriem e já “mando o papo”;

- Sei... Regra, não pegamos irmãs de amigos do time. Muito menos do Capitão.

- Foi mal.

- Galera é o seguinte, o diretor quer que ganhamos a taça da interclasse desse ano, eu sei que não será difícil, mas estamos supervisão do Ícaro. Então pelo menos nos treinos vamos fazer bonito, só para não me encherem o saco, e garanto que serão recompensados.

- Se ele folgar de novo para cima de você Wilker, a gente cai de porrada em cima daquele viado. - Marcelo diz saindo do chuveiro.

Os meninos concordando, gritando, eu me levanto pegando minha mochila;

- Não use, Viado, Gay ou homossexual como xingamento na minha frente para diminuir alguém. - Falo apontando o dedo para ele. – Está me ouvindo!

- Foi mal. - Marcelo diz no silêncio que se instalou no vestiário.

Eu me viro para sair, e Hugo questiona;

- Não vai tomar uma ducha?

- Meu pai chegou.

- Treino essa tarde?

- Sim, te espero.

- Falou!

Sai do colégio, e estava somente o carro do meu pai a aguardando, entro sentando ao lado do Daniel;

- Não era o Marcos que viria? – Pergunto ao Artur.

- Troquei de turno com a Alexia. E você está soado? – Ele se vira no banco.

- Estava no treino.

- Vai deixar meu carro fedendo Wilker.

- Pai!

- Coloca pelo menos uma blusa, e não fica se amostrando, meu Deus.

Ele saiu com o carro, e atendeu o telefone logo que virou a esquina, falando com o Marcos e então desliga, ainda dirigindo;

- Escutem os três. A mãe de Marcos está lá em casa, ela veio passar o fim de semana, aniversário da Nicole, e pelo amor de Deus, se comportem, não me passam vergonha. Escutou Wilker?

- Aff! Falou com Daniel e Nicole também?

- Nicole, e Daniel, me ouviram.

- Sim. – Eles respondem juntos.

- Pronto falei, e você nada de bater porta, sair emburrado, ou ignorar a gente, e ai de você se estiver com celular na mesa Wilker.

Eu fico calado, de óculos ele não poderia ver, mas com olhos “virados” de ouvi-lo;

- Está me ouvindo?

- Sim, pai.

Quando chegamos, ele estaciona o carro frente a garagem. Entramos e ela estava na sala com o Marcos.

Nicole corre e a abraça;

- Vó! Benção.

- Deus te abençoe filha... Ah, mas está uma moça... Wilker como está lindo querido.

- Oi dona Violeta, tudo bem?

- Sim, e você querido?

- Bem.... Desculpe é que sai do treino agora, estou todo soado. – Pego na mão dela.

- E você deve ser o Daniel, eu me chamo Violeta, mãe do Marcos, mas se quiser me chamar de vó, você que sabe querido. – Ela se abaixa para falar com o Daniel.

- Benção. – Ele estica a mão.

- Aí que fofo...

- Dona Violeta, quanto tempo... – Meu pai a abraça.

Com ele sem ver eu subo as escadas, para tomar um banho. Depois entrei para jogar, mas acabo pegando no sono.

Acordo com Nicole batendo na porta do quarto;

- Wilker!

- Oi.

- Hugo está te esperando.

- Já vou.

Me sento na cama, procurando celular, vendo estar em cima da hora, abro a porta do quarto;

- Hugo sobe aí. – Grito no corredor.

Ao abrir a porta sinto um cheiro maravilhoso de bolo, só não tinha identificado qual!

Mas ele sobe comendo;

- Mano sua avó faz o melhor bolo de maracujá da vida!

- Folgado, e não é minha avó. – Entro de volta no quarto. – É mãe do Marcos.

- Sua avó ué. Estava dormindo?

- Sim, entrei para jogar, mas peguei no sono. – Falo procurando uma bermuda.

Me troco, e descemos, eu passei na cozinha pegando bolo e seguimos para a garagem.

Aquecemos e depois ficamos tirando “luvinhas”, que é lutando mesmo.

Hugo me ensinou um golpe que o tio dele havia ensinado, de imobilização.

Quase terminando o Artur passa com o lixo;

- Que houve? – Falo parando. – Não é minha tarefa tirar o lixo?

- Me deixa, Nicole está me deixando louco! Isso aqui é minha escapatória. – Ele levanta o saco.

- Que houve “seu Artur? ” – Hugo tira as luvas.

- Now United, ela está me viciando, e não é uma pessoa são quatorze, quinze, sei lá. Cara estou quase fazendo coreografia já.

Hugo fica rindo;

- Minha irmã também é viciada senhor.

- Quando é o show? – Pergunto.

- No sábado, e você vai ficar com o Daniel.

- PAI, deixa ele com o Marcos.

- Marcos tem plantão, vai cuidar do seu irmão. – Ele vai se afastando.

- Mano, Sábado é a festa do Mauricio. – Hugo coloca as luvas.

- Eu sei, vou ver que consigo fazer.

Artur volta e pergunta;

- Estou terminando o jantar, Hugo, come conosco?

- Sim, senhor.

- Ótimo, já chamo vocês.

Então continuamos, e na troca de passes e movimentação, vejo a Nicole ao lado de fora, no celular, andando para um lado e para o outro.

- (...) Sabe que ouvi hoje no refeitório do colégio.

- Fala!

- Elias do terceiro “E”, o Bloqueador do time de Vôlei, comentando que seu novo amigo o Ícaro já ficou com caras.

- Mentira!

- Verdade!

- Não foi uma pergunta, e sim afirmação, ele não é.

- Está falando Elias ou Ícaro?

- Ícaro né idiota, o Elias é assumido para o colégio todo.

- Porque tanta convicção?

- Isabela me contou que ele é afim da prima dela, e o filho da mãe estava dando corda para a Nicole.

- Eu não sei mano, mas...

- Que porra é essa? – Saiu da garagem olhando.

- Que foi?

- É o Ícaro? – Vou saindo.

Hugo me segue. Um carro escuro parou frente a nossa casa e a Nicole abre a porta entrando.

Mano só abaixei do lado e abro a porta;

- Sai desse carro!

- Que isso. – Ela se assusta.

- Mano calma! – Hugo logo atrás.

Ela sai brava do carro;

- Wilker você está maluco? Que isso? Vou chamar o Artur. – Ela se afasta.

Ícaro desse do carro, ficando de pé frente a porta;

- Que isso mano.

- E você cala a boca, entra e vai saindo, ela é menor de idade maluco. – Vou dando meia volta no carro.

Hugo do meu lado, Nicole gritou, e meu pai vem saindo de casa;

- Não sabe o que está falando, você ficou louco. – Ícaro bate à porta do carro, falando alto comigo.

Parte para cima dele, que se afastou, com Hugo me segurando e meu pai vem correndo;

- Calma mano, deixa esse cara. – Hugo dizia me empurrando.

- Que isso? Wilker para dentro! AGORA.

- Seu filho é louco, partiu para cima de mim. – Ícaro grita.

- Fala o porquê! Fala. – Grito com ele.

- Já mandei ir para dentro! – Meu pai grita novamente comigo.

- Que está acontecendo aqui? – Marcos aparece com uma roupa qualquer, e cabelo molhado.

Dona Violeta atrás, olhando;

- Nicole estava entrando no carro desse cara. Ela é menor de idade, não tem vergonha na cara?

Meu pai passa a mão no rosto;

- Ícaro é o novo Orientador da Nicole no colégio Wilker, ele veio para conversar comigo e com o Marcos. – Artur diz.

- Por isso estavam conversando no colégio? – Olho para ela.

- Sim.

- Desculpe Ícaro, eu não sei o que deu nele.

- Tudo bem, senhor.

- Wilker deve desculpas a ele.

- Nem fodendo. – Falo virando as costas.

- Wilker Franco!

Eu encaro o meu pai nos olhos, ele falou alto e não me chama pelo sobrenome.

Virei as costas saindo, ouvi ele vir atrás de mim;

- Deixa ele amor. – Marcos diz.

Eu subi para meu quarto, e ainda ouvi algumas conversas, e então, meu pai entra no meu quarto;

- Wilker, cadê você! Vai, começa a falar, que foi aquilo?

- Não bate mais não?

- Garoto começa a falar, vai, desembucha!

- Não vou com a cara dele.

- E por isso avançou nele? Você é o que? Um animal?

- Eu não sabia que ele era Orientador da Nicole. Ninguém nunca me fala nada nessa casa.

- Você que não participa! Não venha colocar a culpa em nós. Você ainda deve desculpas a sua irmã.

- Depois eu falo com ela.

- Vou descer e tentar amenizar o seu show com a Dona Violeta. E ainda me pergunta o porquê fico no seu pé.

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