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Laços - Capitulo 2 – Aquele com o Novato

Atualizado: Jul 13

Logo após o feriado, hoje segunda-feira, seria o primeiro dia de aula do Daniel na nova escola.

Wilker e Nicole estudam no melhor colégio da capital, e pela insistência de Artur o matriculamos lá.

Ele se encarregou de levar o pequeno, pois eu tinha que chegar mais cedo na corporação.

Depois de estacionar o carro, vou para o vestiário, me troquei, e peguei umas roupas no armário da academia, e voltei para colocar no carro, para lavar em casa.

- Bom dia Sargento!

- Bom dia. – Falo fechando o porta malas.

- Capitão quer ver o senhor.

- Obrigado.

Entro no prédio, enquanto umas equipes saem para as rondas, vou até o terceiro piso onde fica a sala do Capitão. Bato na porta, fazendo a continência;

- A vontade Sargento.

- Me chamou senhor?

- Sim, é rápido. Depois da morte do seu parceiro... – Ele faz uma pausa rápida. – Que não preciso entrar em detalhes, deixei você com a equipe tática. Mas agora eles vão para outras atividades, a central me mandou uns homens, e irei colocar você com um novato.

- Tudo bem senhor.

- Se chama Cabo Gaspar, você fica encarregado dele.

- Ok.

- Mas estarão nas motocicletas, estou com falta de viaturas aqui.

- Desculpe, mas iremos trabalhar nas motos? – Pergunto com um tom mais alto.

- Sim, algum problema?

- Não senhor, nenhum.

- Pode ir.

- Com licença.

Merda!

Desci até a garagem, e os meninos já me esperavam, assinei a papelada e peguei a motocicleta, no fim do prédio, em um canto, haviam uns sete policiais juntos, conversando, era aparente em suas caras de novatos. Me aproximei, e chamei alto;

- Cabo Gaspar.

- Senhor. – Ele bate continência.

O cara tinha uns quinze anos a mais que eu, sem preparação alguma, era só olhar para ele.

Pela hierarquia todos batem continência;

- A vontade, me acompanhe Cabo.

- É um prazer trabalhar com o senhor, estou muito animado senhor.

- Olha me chame de Marcos, não fico a vontade com alguém de sua idade me chamando de senhor.

- Sem problema, só quero que nossa diferença de idade não interfira em nosso relacionamento.

- Fico feliz.... Sabe pilotar? – Fico de frente a moto.

- Sim, sim.

- Era oficial em qual divisão...

- Fausto, me chama de Fausto.

- A quanto tempo de oficial Fausto?

- Primeira vez, passei no concurso e nunca fui chamado.

- Serio?

- Sim, sou pastor.

- Meu Deus. – Falo baixo.

Seguimos para dentro, ele assinar a papelada, pegar seu equipamento e poder sair.

Eu iria dar umas voltas com ele para se situar um pouco;

- E você quanto tempo na corporação?

- Quase dez anos, Soldado, Cabo e agora 3° Sargento! Almejando subir até o fim do ano.

- Vou orar por isso.

- Obrigado.

Ele era mais baixo que eu, mais gordo também. Que não é um problema, eu esperava que isso não o atrapalhasse.

Na ronda que estávamos fazendo, levei ele para um lugar mais calmo, algumas abordagens, nada demais, para sentir ele também. No caminho encontramos uma viatura de uns colegas que trabalhavam comigo, e eles, em carros novos, equipamentos novos, como se estivessem subido de patente.

Todos nós policiais temos um lugar onde paramos para um café, cerveja, ou agua, até um lanchinho, eu tinha o ponto, onde ia sempre que estava em ronda.

Parei na esquina do par, deixando a moto estacionada, e entrando com o Fausto o Artur me liga;

- Oi amor.

- Atrapalho?

- Estou tomando um café.

- Amor preciso que pegue o Daniel no colégio. Nicole vai para o inglês e Wilker tem luta hoje.

- Tudo bem.... Um café por favor, sem açúcar... Que horas mais ou menos?

- As quatro, já vai ter saído?

- Sim, vou sim. Plantão hoje?

- Cirurgia, mas janto em casa.

- Beijo.

- Te amo.

- Também.

Desliguei o telefone e peguei o café, o Fausto pediu o mesmo, e não perde a oportunidade;

- Casado?

- Sim, e você?

- Também, duas filhas.

- Tenho três, dois garotos e uma menina.

- Que benção de Deus. São mesmo uma dadiva.

- Sim, às vezes, rsrs. – Falo rindo.

- Às vezes! – Ele ergue o copo como um “brinde” repetindo que falei, e sorrindo. – Então, ficamos andando pelo bairro?

- Temos uma ronda, uma área para cuidar e também dar apoio a outras equipes na região. Como é o seu primeiro dia, vou te mostrar as áreas mais perigosas para nós, como muita coisa você já faz ideia, e também um pouco sobre as abordagens, com o tempo você vai se acostumando.

- Ótimo.

Voltamos e pagamos o café, e peguei o capacete, quando coloquei passa um cara em uma CB300 empinando a moto.

Ele não vê a gente e passa direto, já subo na moto saindo sem a sirene, olhando se o Fausto me seguia, então eu me aproximo do garoto mandando parar;

- Encosta aí. Encosta!

Ele me viu e acelerou, peguei o rádio informando a localização e direção, já seguindo ele, e Fausto encosta do lado;

- Que fazemos?

- Perseguimos, sem derrubar ele.

Então inicia meu dia a dia, ligo a sirene e dessa vez na moto, acelerando atrás do cara, a central informando as equipes próximas para auxilio, e Fausto atrás, ele andava bem.

O garoto entra em um bairro pouco perigoso, e seguindo ele, como era próximo ao horário de almoço o movimento estava se iniciando, e era mais tenso.

A sirene alta, tocando freneticamente, eu na cola do garoto, logo um carro de apoio vem logo atrás de nós, e ele passava rente aos carros e pessoas.

Até ele entrar em uma rua conhecida por mim, deixei o Fausto e dei a volta, cortando caminho, quase bato de frente com o cara, mas então a surpresa.

Ele entra dentro de uma casa com portão aberto, para soltando a moto, eu deixo a minha moto correndo, as viaturas atrás encostando, e uma gritaria dentro da casa;

- PARA! PARA! PARA! – Acho que da mãe dele.

Fausto entra logo atrás, eu segurando ele;

- Pro chão, DEITA! Deita. – Falo algemando ele.

E a mãe muito próxima de mim, e eu nem tinha verificado se estava armado, as nossas motos de sirene ligadas na porta da casa o que deixava ela mais nervosa ainda;

- AFASTA SENHORA. – Grito novamente.

Eu e o Fausto tirando ele e a mãe gritando e entra uns caras na casa;

- Afasta. – Pego a arma.

Mais dois carros chegam, e muitos curiosos;

- Ele está na casa dele!

- Não pode entrar.

- Cadê o mandato?

Todo mundo gritava, os colegas mandando eles afastarem e chega mais um carro para apoio, como disse é um bairro perigoso.

Com o garoto algemado, coloco ele no carro dos meninos;

- Acha que consegue né? Só uma coisa, você é meu troféu do primeiro dia em cima dessa belezinha aqui. – Falo batendo nas suas costas.

- Fiz nada não senhor.

- Porque correu então?

- Devo nada não senhor.

- Se não deve não precisava correr.

- Sargento a central está averiguando o produto. (Moto).

- Beleza. Valeu pela força aí galera. – Falo aos amigos próximos.

Ainda tinha muita gente perto, porque a apreensão foi um escândalo, sim eu não poderia entrar na casa dele, mas era um suspeito, e estava em ação, eu tinha que agir, porque não sabia se estava armado, e muito menos que ele morava ali.

- Produto de Furto. – A central fala no rádio.

Nossa que sorriso mais gostoso que eu dei, chamei o Fausto que estava arrumando as motos, que deixamos caídas no chão para entrar, para ele acompanhar.

Fizemos as perguntas e conversamos com ele, para saber se foi ele que roubou, ou comprou de quem, saber o dono da moto. Isso eu mas todos os policiais também faziam o seu trabalho de apoio e ajuda com ele.

Colocando todo mundo preparado para sair, e os meninos gritam;

- Que batizado em novato, rsrs.

Depois de sair e estiver mais em segurança, seguimos para o DP, e lá depois do almoço ficamos preenchendo a papelada, pois é, quando se faz uma ação assim, passamos mais tempo com papeis e relatórios para a corregedoria do que na rua.

E foi um bom tempo com o Fausto também, conversamos bastante, pois tinha muitas coisas que falei sobre o seu dia.

À tarde, fui pegar Daniel no colégio, parei o carro e fui entrando, e gente crianças adoram policiais, bem a maioria sabe.

- Vamos para casa campeão!

- Aí não vi o senhor. – Ele estava sentado de costas no pátio.

Seguimos para o carro;

- Meu Pai Artur não veio porquê?

- Disse ter uma cirurgia Daniel, aí me ligou.

- Porque está fardado?

- Sai atrasado do trabalho, não deu para trocar de roupa.

Coloquei o cinto nele e seguimos para casa, com Daniel me contando seu primeiro dia na escola.

Entrei no condomínio, e virando a esquina de casa, uma Mercedes frente a nossa casa. Era o pai do Wilker.

Sim, eu tive a má sorte de o ex do Artur ser um homem, tive a má sorte de o outro pai do Wilker ser um Cirurgião Plástico, o mais famoso do estado.

E não bastasse isso, o cara era ainda apaixonado no Artur, e não perdia a oportunidade de estar em nossa casa, ou encher o saco sempre que pode.

Mas acham que para por aí, minha má sorte? Ele é lindo, imagina na sua mente a perfeição em uma pessoa, olhos claros? Forte? Musculoso? Sorriso? Cabelo? Barba? Ele tinha tudo isso e mais.

Eu estacionei o carro, e entrei com o Daniel, passando pela frente de casa ele não estava no veículo.

Abro a porta e ele estava sentado na cozinha;

- Pai tem um homem aqui. – Daniel fala assustado.

- Tudo bem, esse é o Dimitri, pai do Wilker.

- Oi, tudo bem? – Ele vem estendendo a mão.

Daniel não corresponde, fica com vergonha;

- Pode subir. – Falo com ele.

Dimitri estende a mão e eu o cumprimento;

- Como vai?

- Ótimo e você?

- Sempre bem Marcos.... Esperando o Wilker pegar umas roupas.

- Tudo bem, aceita uma agua, suco, algo para beber?

- Não obrigado. Não sabia, então é mais um? – Ele aponta para cima.

- Sim, eu e Artur decidimos adota-lo, e dar uma família a ele.

- Belo gesto, espero que tenham tempo para todos os três, se com dois já tinham problemas.

- Quer dizer alguma coisa? – Falo tirando a arma e meu cinto.

- Não, só um comentário.

- Vou me trocar, fica à vontade. – Viro as costas subindo as escadas.

Entrei no meu quarto com o Wilker descendo de mochila;

- Fala para o meu pai que vou dormir fora.

- Beleza. – Respondo fechando a porta.

Meu celular chama, quando estava me trocando, deixo no viva-voz mesmo;

- Oi mãe, benção.

- Deus te abençoes querido.

- Como está?

- Bem, na medida do possível. E os meninos? Como estão? Minha neta.

- Mae acredita que Nicole virou mulher.

- Serio?

- Sim.

- Aí tenho que fazer uma visita a ela.

- Vem mesmo, ela vai gostar.

- E os meninos?

- Wilker está bem, e Daniel também, graças a Deus. E a senhora, como anda a venda dos salgados?

- Devagar, minha geladeira estragou ne Marcos...

- Aí mãe esqueci, desculpa.

- Não tem problema.

- Olha na sexta-feira vou aí e compramos uma, vou ver acho que mandaram no grupo da corporação querendo vender uma usada vou dar uma olhada.

- Tudo bem filho..., mas se precisar fala com o Artur.

- Mãe para! Não vou pedir dinheiro para isso, por favor.

- Mas ele tem Marcos, qual problema?

- Mãe, não vamos entrar nessa discussão novamente.

- Tudo bem.... Vê se aparece aqui.

- Tudo bem, vou sim.

Tomei um banho, desci para fazer um lanche para o Daniel enquanto ajudava ele com as lições de casa, até o Artur chegar.

Gente ele entra nessa casa com uma rapidez;

- Amor... Amor... – Ele vai gritando nas escadas.

- To aqui, na cozinha.

Artur desce as escadas, olhando para fora;

- Me ajuda...

- Que foi?

- Nicole quer que eu leve ela no show daquela banda...

- É Grupo Artur, Now United.

- Sim, isso aí. Por favor Marcos, odeio multidão.

- Mas gostava de ir em baladas ué.

- É diferente, eu gostava das músicas, e não iria estar rodeado de adolescentes gritando.

Nicole entra toda animada;

- Já contou a novidade? – Ela se aproxima.

- Sim. – Artur fala com cara de “lua”.

- É seu presente de aniversário né Nicole?

- Sim.

- Ótimo, não precisamos fazer festa, Artur está bem animado para te levar.

- Aí nem acredito. – Ela sobe as escadas.

- Depois a gente conversa... Oi filho, como foi na escola hoje?

Ele deixa as coisas conversando com Daniel. Eu tiro algumas coisas da geladeira, para o jantar;

- Como foi o trabalho?

- Normal Artur.... Entrou um novato, e o Capitão me colocou nas motocicletas acredita?

- Está falando sério?

- Sim.

- Esse cara é preconceituoso, eu já falei acredita em mim.

- Ele pode até ser, mas mostro meu trabalho Artur, não tem como ele agir contra mim.

- Para de ser bobo Marcos, ele já está agindo, todo mundo da sua turma subiu de cargo ou está bem melhor.

- Não desmereça meu trabalho Artur.

- Não estou, é que não vejo você dando passos para frente na corporação Marcos.

Eu olho para ele já torto, e ele se “toca”;

- Está sozinho?

- Não, com um novato, um pastor, acredita.

- Meu Deus! – Artur respira fundo. – Não vou comentar... Wilker chegou? – Ele pega as coisas dele.

- Ele disse que iria dormir na casa do Dimitri.

- O pai dele está viajando, como assim?

- Quando cheguei ele estava aqui em casa.

- Wilker está de castigo, não vai dormir fora, nem na casa daquele irresponsável... – Artur pega o telefone ligando.

Daniel me olha rindo;

- Ele é bravo né?

- Sim, muito, mas logo passa.

- Pai hoje a professora perguntou que a gente queria ser quando crescer, eu disse que não sabia...

- Você é novo ainda Daniel, ela pode querer saber se tinha algo em mente não? Que você respondeu?

- Que não sabia, ela perguntou que meu pai fazia, então disse qual deles, ela não entendeu. Eu disse que tinha dois pais e todo mundo riu de mim.

- Muitos não entendem Daniel. Já conversamos sobre isso!

- Ela então perguntou que vocês faziam, e se eu gostava de alguma das profissões.

- E o que respondeu? – Pergunto cortando cebola, mais afastado dele.

- Eu gosto das duas, pois as duas ajudam pessoas sabe, mas não sei se quero ser policial ou médico.

- Você pensa em algo?

- Acho que bombeiro.

- É uma excelente escolha.

- Então ela pediu uma redação sobre... - Ele abre seu caderno.

- Nicole quer que eu escute as músicas para saber cantar no show. - Artur desce com a JBL. - Já que não me salvou vai sofrer junto. – Ele a coloca no balcão.

- Seu filho quer ser bombeiro quando crescer. - Falo apontando para Daniel.

- Ah meu menino, como foi em hoje? - Artur senta ao seu lado.

Eu começando o jantar, o Wilker entra em casa batendo a porta, todo furioso, o Artur me olha e vai subindo as escadas, ouvimos uns gritos lá de cima, isso era normal para a gente, pelo menos uma vez na semana aconteciam.

Para amenizar eles brigando lá em cima eu ligo a TV da cozinha, e Nicole e Artur desce para jantar;

- Mas uma semana de castigo para ele, Wilker a cada dia que passa tenta me desafiar, mais e mais. - Ele se senta.

Ficamos calados né;

- Filha chega com essa música né, pelo menos no jantar. – Falo pegando a caixinha.

Ela desliga a caixinha e Artur diz;

- Nicole a TV também por favor.

Ele fala por ela já estar de pé.

- Pai é o senhor. – Nicole para ao lado da TV com o controle em mãos.

Eu olho para trás e vejo que no jornal da cidade acompanharam o trabalho de hoje. Escutei só o Artur deixando o talher cair no prato.

- Meu Deus o senhor entrou na casa dele? - Ela fala frente à televisão.

- Isso foi hoje Marcos? – Ele pergunta bravo.

- Sim.

- Era bandido? Que tanto de polícia. - Daniel comenta.

- Ele estava com uma moto roubada.

- Porque não disse nada Marcos?

- Não queria preocupar vocês.

- Pai isso é todo dia? – Ela se senta.

- Mais ou menos.

Gente Artur estava com sangue nos olhos me olhando;

- Estava na ronda quando ele passou empinando, como não tinha visto a gente seguimos e mandamos ele parar, então ele deu início a fuga. Seguimos o protocolo e chamei apoio, o que não esperava era ele ir parar dentro de casa. E também não vi que tinha um helicóptero filmando tudo.

- Mas sem mandato o senhor não poderia entrar né?

- Não filha, mas por algumas razões da situação eu estava encoberto pela lei.

- Ele estava armado?

- Não, não estava.

- Vamos mudar de assunto por favor? - Artur diz.

Depois do Wilker, eu poderia esperar, ele não iria perdoar.

- Nicole a louça de hoje é sua. – Falo retirando meu prato.

- Vou ajudar o Daniel na redação da escola par. – Ela fala cutucando ele.

- Quantas linhas têm que ter nessa redação em Daniel? – Pergunto.

- Mínimo 20.

- O que? – Ela se assusta.

- Dissertativa né?

- Sim, pai.

- Meu Deus.

- Querendo escapar da sua responsabilidade né. Agora suba e ajude seu irmão.

Os dois saíram, subindo as escadas e o Artur no celular a mesa, eu retiro os pratos dos meninos e pego seu celular;

- Nada de celular na cozinha, você mesmo criou essa regra.

- Desculpe.

- Aconteceu algo?

- Não, tudo bem, Dimitri enchendo o saco.

Eu pego seu prato, e me viro de costas;

- Porque não contou do seu dia?

Até abro um sorriso;

- Amor, não queria te deixar preocupado.

Ele traz os copos colocando para eu lavar;

- Marcos é sério? Passa sempre isso? – Ele fica do meu lado.

- É o meu trabalho amor, é como eu ganho a vida.

- Arriscando a sua?

- Artur, não se preocupe.

Começo a lavar a louça, ele com o pano do lado para secar, e ainda bravo;

- É claro que fico preocupado Marcos, não me imagino sem você, cara temos nossos filhos, o Daniel, Nicole, o Wilker, eu não consigo cuidar deles sozinhos não. E se aquele cara estava armado? Sabe qual a taxa de sobrevivência de pessoa atingidas por projeteis?

Deixo a bucha e o prato, segurando sua mão, ele estava muito nervoso;

- Artur, você tira coração de uma pessoa e coloca em outra. Você traz pessoas de volta a vida amor.

- Marcos eu estudei para isso.

- Sim, essa é a resposta, eu estudei, eu treinei para fazer o que eu faço. É obvio que tenho medo, mas penso em você, em nossa família, todo dia que saio por aquela porta, peço a Deus proteção, a mim e a vocês.

Ele todo fofo, me abraça forte;

- Eu te amo tanto.

- Também te amo.

Artur me ajudou a terminar de arrumar a cozinha e desligou as luzes subindo, o corredor dos quartos estava com pouca claridade.

Vejo a luz do quarto do Wilker acesa, e bato na porta, uma... duas... três vezes e nada.

Empurro a porta lentamente, e vejo que ele estava deitado na cama, torce para ser só isso. Abro a porta e ele olha.

Estava de fones de ouvido;

- Não bate mais? – Ele fala.

- Bate três vezes.

- Estava jogando. Fala. – Ele retira um dos fones.

- Quero falar com você. – Seguro a porta.

- “Galera segura aí, vou no banheiro”. – Ele disse aproximando o microfone da boca.

Eu puxo a porta um pouco e ele se senta;

- Hoje conversei com o Daniel, sobre a escola, eu queria ter falado antes mas esqueci. Quero que cuide e proteja ele, disse que tem uns amigos rindo dele por ter dois pais.

- Tenho dezessete anos e todo dia alguém ri de mim no colégio por isso, e não morri.

- Ele não é você! Por isso estou pedindo para cuidar do seu irmão.

- Beleza, mais alguma coisa?

- Não!

Ele deita, pegando os fones e volta ao seu jogo, fecho a porta saindo.

Não se assustem, ele é assim, sempre foi. Adolescentes querem chamar a atenção, incomodar, e se sentir importantes.

Na corporação durante a semana ocorreu tudo de acordo, rondas, e algumas abordagens, nada tão aventureiro como no início.

Para contar a vocês todas as sextas feiras, tínhamos o costume de jogar bola na corporação mesmo, uma hora antes de ir embora, juntávamos os presentes e batíamos uma bolinha.

Eu sou horrível no Futebol, mas era em mais uma atividade que meus amigos me incluíam e tinham o prazer da minha presença, isso no fim de uma semana árdua de trabalho, é revigorante.

Cheguei da ronda com o Fausto e fui correndo para me trocar;

- Que pressa filho! Ainda temos uma hora. – Ele fala tirando o colete.

- Haha’ todas as sextas temos futebol aqui na quadra do lado Fausto. – Falo tirando minha roupa.

- Não sabia.

- Troque de roupa aí, acho que tenho uma bermuda sobrando, só não tenho certeza se te servirá. – Entrego a ele.

Artur não sonha disso, eu correndo soado com um monte de macho atrás de uma bola, rsrs.

A quadra fica ao lado do batalhão, batíamos os pontos, saindo com os veículos, estacionando do outro lado da rua, Giovani um amigo de trabalho que levava a bola.

Estacionei o carro e o tranquei entrando na quadra;

- Fala galera... – Vou cumprimentando todo mundo.

- Vamos os Veteranos contra Calouros? – Giovani questiona.

A maioria dos novatos estavam presentes e então ficamos assim, nessa divisão. O jogo começou e graças a Deus que tinha gente igual ou pior que eu com uma bola no pé.

O dono do campo, que o aluga, ficava sentado em uma mesa, bebendo cerveja e rindo da gente, sério porque só poderia ser brincadeira que fazíamos ali, de tão ruim, rsrs.

O campo era relativamente pequeno e eu ficava “esbaforido” de tanto correr, soando tanto que fazia marca no chão, por onde eu passava.

Fim da partida o time perdedor pagava uma rodada de cerveja e coca para todos, afinal de contas pessoas como o Fausto não tomava cerveja.

Na roda da mesa, todos se refrescando e conversando, Giovani perto de mim;

- (...) Eu não sabia que estavam filmando e acompanhando tudo cara, ele ficou pistola.

- Foi ótimo, assim param de pegar em nosso pé um pouco, porque eles viram o que fazemos, a comunidade está muito hostil. Acredita que na semana passada jogaram pedras e madeiras enquanto eu ia em uma missão.

- Mano me contaram isso, e pior que não estamos errados, e sim querendo ajudar.

- Gente eu tenho que ir nessa. – Fausto se levanta do meu lado.

- Fica mais um pouco, logo saímos. – Giovani diz.

- É mano, senta aí. – Indago a ele.

- Temos uma festa na Igreja e vou chegar mais cedo. Todos aqui estão convidados, Igreja Cristã Contemporânea, frente ao parque do Jardim Botânico.

Ele dá volta na mesa chamando os meninos, para comparecer e pega suas chaves na mesa do meu lado;

- Você também Giovani, irei mandar a localização no grupo! E Marcos não aceito você recusar o convite, chame sua esposa e filhos, seria uma honra ter vocês conosco essa noite. – Ele bate nas minhas costas.

Giovani na minha frente olhando, os meninos que me conhecem param, os olhinhos todos fixados em mim;

- Fausto eu sou casado com um homem, sou gay. – Falo deixando o copo de lado.

A cena era extremamente constrangedora, para ambas as partes:

Primeiro: eu sou superior a ele na corporação. Segundo: Fausto passou uma semana conosco e viu o respeito e companheirismo de todos no trabalho, e vice e versa.

Terceiro: Ele não tem culpa da sua religião, da sua segunda profissão.

Resumindo não poderia militar naquele momento;

- Desculpe eu não sabia. – Ele aperta meu ombro.

- Tudo bem, sem problema.

- Então ótimo, chame seu marido e venha festejar com a gente, o culto será muito especial.

Sabe quando você está em uma situação que muda totalmente o rumo da história... Eu agora estava na “berlinda”;

- Desculpe Fausto, não sei se é uma boa ideia.

- Você já frequenta alguma igreja?

- Não.

- Então, será bem-vindo, vamos lá Marcos.

- Tudo bem, vou falar com Artur.

- Ótimo. Espero vocês lá, fiquem com Deus.

Cheguei a levar a mão na cabeça;

- Você não vai né? – Giovani fala.

- Como não ir? E amanhã como vou trabalhar com ele, não tenho cara para isso.

- Marcos, como vai convencer o Artur.

- Nossa uma coisa de cada vez.

Terminamos e pegando as coisas para sair, alguns meninos chegaram para se despedir e dizer;

- Então Marcos vai colar lá?

- Sim, dei a palavra para ele, tenho que cumprir.

- Fechou, vou chamar minha namorada e estarei lá também.

- Obrigado. – Cumprimento um.

- É isso aí, já avisei minha mãe. – Outro confirma.

Eles iam para me acompanhar, e estarem comigo nessa. Achei FODA a atitude dos meus amigos, muito.

Agora era em casa, rsrs.

É claro que não seria fácil, quando cheguei no condomínio, o carro do Dimitri frente nossa casa, e o de Artur na garagem.

Já poderia esperar, estacionei o carro e fui entrando. Era possível ouvir eles brigando.

Abri a porta ouvindo Artur falar;

- Faz anos Dimitri, tira isso da cabeça, nunca vai acontecer! E não venha me ameaçar com Wilker, é meu filho também.

- Ele tem direito de escolher Artur, olha essa casa parece um orfanato! – Dimitri falava gritando.

Eles estavam na cozinha, Artur atrás do balcão e ele de costas para mim.

Artur me olha rapidamente, ele estava meio pálido e tremendo de raiva. Dimitri olha para trás;

- Era só o que faltava.

- Tudo bem? – Pergunto a Artur.

- Tudo, estamos tendo uma conversa de homens aqui. – Ele faz gesto com as mãos. – Pode nos dar licença?

O Artur não responde, então;

- Dimitri para fora. – Empurro a porta deixando a aberta.

- Essa casa não é sua, você não manda aqui. – Ele diz com um sorriso gratificante.

- Amor! – Artur fala.

- Eu não estou pedindo Dimitri, para fora. – Falo com a voz mais “imposta”.

Como estava com roupa normal, e a farda na mochila de lado, a poucos meses passei andar armado. Ele então dá um passo em minha direção, isso em uma distância de 3 metros;

- Só saio se ele quiser, a casa é dele. – Dimitri aponta para Artur.

Como ele dá esse passo para o meu lado eu saco a arma, deixando junto ao meu corpo, com o cotovelo alto. Ele rapidamente olha;

- Não está trabalhando, e nem fardado, posso te processar por abuso de autoridade sabia?

- E eu não vou repetir, ou você sai agora, ou prendo você por invasão de propriedade privada!

Ele olha Artur, passa a mão no rosto e se direciona para a porta;

- Não acabamos essa conversa. Irei processar você pela a guarda dele. Isso aqui não é ambiente para um adolescente viver. – Ele aponta para mim.

Fecho a porta perguntando;

- Alguns dos meninos está em casa?

- Não... Marcos que falamos de trazer arma para casa?

- Artur nem você sabe a senha do cofre, e eu trago, para essas situações.

Vou abraçando ele, deixo a mala de lado;

- Tudo bem? Que ele queria?

- Dimitri está com o capeta no corpo só pode, quer pôr tudo agora tirar o Wilker daqui. Não sei o que deu nele, depois de todos esses anos.

- Ei fica tranquilo. Juiz nenhum vai autorizar isso. Ele não fica em casa, só viaja, não tem tempo nem de ficar com Wilker nos fins de semana quem dirá morar com ele.

- Espero que esteja certo.... Que cheiro é esse Marcos? – Ele se afasta.

- Estava jogando bola com os meninos da corporação.

- Bola? Futebol?

- Sim, rsrs.

- Você é horrível jogando.

- Ah bom saber.

- Desde quando você joga bola?

- Tem uns meses já.

- Tenho que ver essa cena, não posso perder.

Pego a mochila, no chão;

- Vou tomar um banho.

- Vai lá, vou buscar a Nicole no inglês, e pegar o Daniel que ficou até mais tarde no colégio.

Eu iria subindo os degraus e volto lembrando desta noite;

- Amor, não demora, vamos sair hoje ok.

- Para onde?

- Vamos a igreja.

Ele fica me olhando, esperando eu “desmentir”;

- Igreja?

- Fausto convidou Artur.

- Igreja evangélica Marcos?

- Sim.

- Ele sabe de você?

- Sim, o convite foi exatamente assim, e com ele ciente.

- Você tem certeza?

- Tenho, bom que Daniel também vai. Giovani e uma galera da corporação confirmaram presença também.

- Ok! Então! – Ele sai ainda sem acreditar.

Tomei meu banho e me arrumei, calça jeans, camiseta branca, relógio, nada demais.

Foi sair do banho Artur chegou com os meninos, no corredor já mandando Daniel para o banho, e entra junto a Nicole no quarto;

- Pai, posso dormir na casa da Cloe? – Ela fica na porta.

- Sim, por mim sim, pediu o Artur? – Falo com ele entrando no banho.

- Oi? – Ele olha.

- Posso dormir na casa da Cloe?

- Quem é essa?

- Minha melhor amiga.

- Aí desculpa.... Pode sim, não tinha entendido.

- Tenho que te levar? – Pergunto.

- Não, vou pedir para passar aqui.

- Me manda o contato da mãe dela em.

- Tudo bem. – Ela grita do corredor.

Entro no banheiro para secar meu cabelo e Artur entra no banho;

- Sabia que tu me quebra com isso! – Ele comenta.

- Com isso o que?

- Fazer a Nicole me perguntar essas coisas, e não tomar decisões sozinho.

- Ela é sua filha também Artur, como iremos viver se ela respeitar somente eu?

- Wilker não faz isso.

- É a idade dele, é passageiro.

- Espero.

- Vou ajudar o Daniel a se arrumar, e despachar a Nicole, rsrs.

- Já estou saindo.

Vou no quarto do pequeno, separo sua roupa, e escuto a buzina frente em casa, e a Nicole no quarto;

- Filha já chegaram. – Bato na porta.

Depois de falar com a mãe da Cloe, ajudo o Daniel a se vestir, para descermos, e Artur vem correndo atrasado.

De calça preta e camisa social, sapato todo comportado;

- Nossa que elegante. – Falo com ele descendo as escadas.

- Haha’ obrigado, que achou Daniel?

- Parece um cantor.

- Viu Marcos, é assim que elogia.

- Vamos, logo, estamos atrasados. – Coloco ambos para fora.

No carro a caminho da igreja, o Daniel pergunta;

- É um casamento?

- Não filho, é um culto, vamos ir orar. – Artur responde. – Já esteve em uma igreja evangélica antes?

- Já estive em igreja, mas qual diferença de evangélica?

- Calma, que vou ter que pesquisar para te responder certo, rsrs. – Artur pega o celular.

Eu só abro um sorriso no volante. A rua da igreja tinha alguns carros, e procurando um lugar para estacionar, paro o carro a alguns metros e descemos.

De longe vejo o Giovanni, com alguns amigos do trabalho, me aproximei cumprimentando eles, e como Artur já os conheciam, só atualizaram os assuntos;

- Viram o Fausto. – Pergunto.

- Sim, está logo ali. – Giovani mostra a entrada.

Havia uma aglomeração de pessoas, conversando, e meio que se “reencontrando”, eu o vejo na entrada da igreja, recebendo os fiéis.

Era relativamente grande, cabia umas 100 pessoas ali dentro. Eu e Artur aproximamos, dele, que me reconheceu de longe;

- Oi, boa noite. – Pego em sua mão, o abraçando.

- Fico tão feliz que tenha vindo Marcos. – Ele abre um grande sorriso.

- Fausto, esse é meu marido, Artur. Artur esse é Fausto, meu mais novo parceiro de trabalho.

- É um prazer, Marcos fala muito do senhor. – Ele pega na mão do Fausto.

- Espero que seja bem.... É um excelente profissional e um ser humano de coração enorme.

- É eu sei.

- E esse meninão? – Fausto abaixa para falar com Daniel.

- É nosso filho mais novo, Daniel...

Daniel pega na mão dele, e o cumprimenta;

- Onde estão os outros?

- Wilker o mais velho está na casa do pai, e Nicole a do meio está dormindo na casa de uma amiga.

- Adolescentes.... Venha quero que conheça minha esposa.

- Claro.

Entramos e ele mostrou o lugar onde poderíamos sentar, e também sua esposa e Pastora também, ela estava arrumando o som do microfone, quando ele a chamou;

- Amor, venha, quero que conheça o Marcos. – Ele fala puxando ela que se vira e olha direto para o Artur.

- Doutor Schimmyth? – Ela fala estendendo a mão.

- Dona Madalena, quanto tempo.

- Se conhecem? – Fausto pergunta.

- Ele quem cuidou da mamãe, é o melhor da cidade.

- Como ela está?

- Ótima, caminhando todos os dias, e seguindo o que o senhor mandou.

- Madalena Este é o Marcos, meu parceiro diário.

Pego em sua mão, e ela muito calorosa me abraça;

- Prazer em conhece-lo, e filho obrigada pela paciência que está tendo com esse meu velho, rsrs. Só Deus para agradecer o que está fazendo. – Ela diz segurando meu rosto.

- É só o meu trabalho, ele é bem curioso, mas uma pessoa maravilhosa.

- E teimoso também, rsrsrs.

Ele pediu licença, deixou a gente conversando com ela um pouco e os meninos se sentaram. Por volta de sete e meia da noite o culto se iniciou.

Algumas músicas, cantorias, Madalena pregou primeiro e depois o Fausto, ele falou muito sobre amizades, tentou falar sobre todas amplamente.

Ele é um bom policial, mas com um microfone o cara domina, tem uma oratória de dar inveja.

- (...). Já libero vocês irmãos, sei que estão com bastante fome.... Mas quero pedir a todos que essa noite orem por uma família.... Eu a conheci completa hoje, mas venho tento doses da mais pura amizade nos últimos dias. Eu não vou dizer quem pois vocês são muito curiosos. E devem estar se perguntando, o Pastor ficou maluco, pedir orações para quem ele nem conhece direito. Ai é que esta! Quando você conhece uma pessoa que não tem o coração iluminado você sabe, quando eu vi essa família pela primeira vez, era luz, pura, e da mais brilhante. Senti a presença do espirito santo junto a eles. AMEM? São gentis, amorosos, felizes e se doam ao próximo. Não só isso (...).

Fiquei meio emocionado, coração tão leve e cheio de carinho pelas palavras, eram importantes.

Depois da pregação, todos ao lado de fora, ele veio agradecer a presença, e eu o agradeci pelas palavras, assim como o Artur, e Daniel, rsrsrs.

No fim da noite juntamos todos em uma pizzaria, para jantar. Minha família, a família de Fausto, Giovani.

Meio que perdemos a hora, eu e Artur trabalhávamos no dia seguinte, ele ainda tinha plantão. Daniel dormiu primeiro colocamos ele no banco de trás do carro.

Só fomos embora com o estabelecimento fechando a uma da manhã.

Na volta para casa eu estava pilotando, e Artur conversando comigo. Estávamos tão entretidos que tinha um carro de polícia atrás de nós e nem percebemos.

Para terem ideia eu andei duzentos metros com eles atrás, quase uma perseguição.

- Fica calmo. – Falo parando o carro.

- Estou calmo.

Eu falei, pois, eles iriam vir armados e meio que em alerta.

Foi dito e feito, ao parar o carro o cercaram, dois policiais, de cara lado, apontando armas para o veículo e gritando;

- Mostrem as mãos!

- Mãos no volante. Agora saem com cuidado, sem gracinha.

- Tem uma criança no veículo. – Falo abrindo a porta.

- Manda ela descer!

- Está dormindo senhor. – Falo de mãos acima da cabeça.

O que eu estava fazendo, Artur repetia do outro lado;

- Sou policial civil! – Falo ao cara.

- Encosta no carro, com as mãos a mostra. Está armado?

- Sim, está sob o banco do motorista. – Falo com o rosto próximo ao capô do carro.

- Está andando com isso Marcos? – Artur fala do outro lado.

- Sim.

- O que eu te falei.

- Artur agora não. – Falo enquanto ele me revistava.

- Sua identificação?

- Bolso direito atrás.

Ele olha, fala com a central;

- Confirmado! 3° Sargento, Marcos Lustosa dos Santos. – Escutamos no rádio.

- Desculpe senhor, é procedimento, libera ele aí. – Ele diz a mim e ao cara que estava com Artur.

- Sem problemas, estávamos conversando, não vimos a viatura. Culpa minha.

- Tenham uma ótima noite. Mais uma vez desculpe.

- Sem problemas.

Entramos no carro e Artur soltando fogo pelos olhos, ligo o carro saindo;

- Tivemos duas conversas sobre isso, que você quer agora Marcos?

- Me desculpe, eu errei.

- Temos uma criança de nove anos, e dois adolescentes em casa, eu não quero isso na minha casa.

- Artur, desculpa! Amanhã eu levo e deixo na corporação, Só me sinto mais seguro andando com ela.

- Eu não me sinto! Não me sinto seguro com você armado, na rua e muito menos em casa, me entende?

- Sim, amor. Quando chegarmos irei deixar ela no carro.

- Ótimo, e que você não entra mais com isso naquela casa. Não me tira do sério Marcos.

- Tudo bem.

Parabéns para mim, conseguir acabar com o ótimo clima que Fausto criou entre a gente.

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