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Laços - Capítulo 1 - Esquentando a Relação

Atualizado: Jul 13

Aniversário de namoro, sexta feira a noite, depois de um belo jantar e um passeio pelo shopping com meu marido o Marcos, estava dirigindo pelas ruas quase desertas de Goiânia;

- (...) Quando foi que fiquei tão velho que não tenho paciência para balada? - Ele diz com o banco do carro meio curvado.

- Depois de jantar e querer ligar para a Nicole.

- Só estava preocupado.

- Eles ficaram o que? 3 horas sozinho Amor.

- Artur você enviou mensagem para o Wilker, não me julga.

- Rsrs, vamos chegar e tirar essa roupa, vou fazer uma massagem? - Aperto sua coxa ele olha cansado. - Depois você me recompensa.

- Combinado. - Ele coloca a mão em minha calça.

Chego na portaria do condomínio, e o porteiro demora a liberar a entrada, eu desço meu vidro ele estava ao telefone;

- Desculpe "Seu Artur".

- Boa noite... - Eu iria falar mas aparece um carro atrás de mim com o som muito alto.

Até o Marcos olha incomodado, entramos e o veículo seguindo a gente. Três ruas, virando à esquerda, uma fila de carros em nossa casa.

Marcos se ajeita no banco de olhos arregalados;

- É brincadeira isso né. - Ele fala olhando.

- Eu vou matar ele. - Falo puto.

Parei o carro frente à casa, pois nossa garagem estava toda ocupada, devia ter uns 8 carros, o som alto, e eu já preocupado com a vizinhança.

Ao descer o Marcos segura meu braço;

- Vou na frente. - Ele fala pegando o distintivo no bolso.

A porta estava aberta, assim que entramos, com ele na frente, tinha gente dançando nas escadas, sofá, garrafas por todos os lados, meu Deus, parecia que estavam ali umas 5 horas seguidas. Fui até o som e desliguei, todo mundo gritou, vaiando;

- Polícia, quem não quiser passar a noite na cadeia, para FORA agora. - Marcos grita com o distintivo na mão.

Todos começam a sair, uns mais desesperados que outros;

- Que isso em Tio.

- Calma moço, não precisa ser assim também.

Eles iriam resmungando.

No fim do corredor, atrás de todos, com a cara de pau, meu filho fala;

- Vocês não iriam demorar?

- Ah estamos atrapalhando? Quer que saímos e voltamos depois? - Falo bravo.

- Era só uma resenha pai. - Ele ergue as mãos na altura do peito.

- Resenha? De que tipo? Com 50 pessoas? Wilker você é mais falado no grupo do condomínio do que o síndico, vou candidatar você para o cargo, todos aqui já te conhecem.

- Pai não exagera.

- Daniel e Nicole? Onde estão? – Marcos pergunta com as mãos na cintura.

- Daniel no quarto dele a Nicole estava aqui a pouco.

Marcos foi subindo para ver se encontrava os outros;

- Essa bagunça é sua, não vou passar minha folga arrumando casa Wilker.

- Tenho curso amanhã.

- Então acho melhor começar agora. Não acredito Wilker, sua irmã tem 13 anos e nem vou comentar do seu irmão.

- Ele nem desceu, ficou somente no quarto.

Deixo as chaves do carro na mesa de lado enquanto ele falava, e vou subindo as escadas;

- Ah e está de castigo. - Falo entre os degraus.

Só escuto ele bufando de raiva.

Isso era por volta de meia noite e meia, no corredor vejo o Marcos saindo do quarto do Daniel;

- Então? - Pergunto tirando a carteira.

- Dormiu assistindo filme.

- E Nicole? - Olho para o quarto dela.

- Está fingindo estar dormindo. - Ele abre a porta do nosso quarto.

- Não sei, mas o que eu faço, sério, Wilker testa minha paciência, só pode! - Me sento na cama tirando o tênis.

- Ele tem dezessete anos, adolescentes são assim.

- Inveja dessa sua paciência amor. Na minha época, eu nem levava amigos em casa.

- Vem aqui. - Ele sobe na cama beijando minhas costas. - Está muito tenso, vou te fazer relaxar.

- Estou estressado é diferente.

Viro beijando sua boca, e ele abre a camisa;

- Tenho algo para você.

- Por favor não fale que é sua “pistola” de novo. – Faço aspas com os dedos e um sorriso no rosto.

Ele abre um sorriso;

- Pensei que gostava das brincadeiras?

- Ser policial não é tão excitante depois de alguns anos sabia! - Deito beijando ele.

- Médico também não. Mas vou deixar você medir minha temperatura com seu estetoscópio.

Eu começo a rir de engasgar do Marcos;

- É termômetro. Termômetro!

- Aí eu confundo esses nomes.

Eu sem parar de rir e ele ficando sem graça;

- Vem aqui. – Abraço ele, que fugia.

- Não, você não sabe brincar.

- Não precisamos de fantasias para fazer amor!

- Precisamos, esquentar a relação.

- Que quer então? Um pornô? – Pergunto.

- Gostei da ideia. – Ele se levanta.

Pego o meu computador, e vou ligando, Marcos entra no banheiro.

Eu ligo a TV colocando a imagem do computador na tela maior, e diminuindo o volume, lá estava eu com o “XVideos” aberto e Wilker abre a porta do quarto;

- Pai onde está... – Ele olha surpreso e depois começa a rir. – Que isso pai?

- Não bate mais na porta? – Jogo uma almofada.

- Desculpa. Onde estão os sacos de lixo?

- Embaixo da pia, onde sempre estiveram.

- Obrigado. – Ele fecha a porta rindo.

Ele fecha a porta rindo de mim;

- Que foi? – Marcos aparece escovando os dentes.

- Wilker me viu vendo pornô. – Me levanto.

- Serio.

- Sim.

Na manhã seguinte, eu acordei e o Marcos já estava no banho, desliguei meu despertador, e fui escovar os dentes;

- Bom dia!

Falo mas ele não responde, lavei meu rosto e coloquei uma roupa, descendo para fazer o café dos meninos.

O Wilker arrumou a casa, mas do jeito dele tudo fora dos lugares, e ainda assim uma bagunça.

Coloquei a agua para esquentar e peguei umas coisas para o café, e arrumei ao menos a cozinha para podermos comer.

O Marcos desce, colocando o cinto sobre o balcão, arrumando a calça;

- Amor quando pegar o Daniel no colégio vou ir no mercado, quer alguma coisa para sua dieta?

- Não. – Ele fala todo seco.

- Que foi Marcos? Nem bom dia me falou e está com essa cara. – Deixo o pano na pia.

- Gostou de ontem Artur? – Ele me encara.

- Sim, não precisávamos esquentar a relação, deitamos e transamos, qual problema?

- Nenhum, só que você dormiu.

- Sim, transamos e dormimos Marcos.

- Artur você dormiu no meio do ato, eu não tinha chegado lá.

- Mas eu sim.

- Você dormiu. – Ele fala bravo.

- Amor desculpa, eu tinha feito um plantão de vinte e quatro horas.

- Não é justificativa Artur.

- Bom dia. – Daniel vem descendo as escadas, puxando sua mochila.

- Bom dia campeão. – Marcos pega ele colocando sentado no banco, frente o balcão.

- Dormiu bem? – Pergunto.

- Sim, pai vai fazer panqueca?

- Sim, de amendoim ou mel?

- Mel.

- Beleza.

Quebro os ovos, pegando as coisas, o Marcos passa o café, e a Nicole desce olhando sua maquiagem na tela do celular;

- Bom dia. – Ela deixa a bolsa, se aproximando.

Eu e o Marcos paramos e encaramos ela, que desce o celular da frente de seu rosto;

- Que foi?

- Nada para dizer sobre ontem? – Marcos pergunta.

- Pai, foi só uma reunião.

- Qual parte de “Se o Wilker aprontar você fala conosco”, que você não entendeu? – Ele repreende.

- Era só amigos nossos, não foi assim também não.

- Está de castigo Nicole, sem sair esse fim de semana.

- Pai é feriado.

- E você estará em casa.

Eu fico calado olhando o Daniel que rodava sua caneca;

- Que foi? – Pergunto.

- Eu também não disse nada, pai. – Ele fala com o Marcos.

- Você não está de castigo Daniel, mas se isso acontecer novamente, você tem que se impor, com seu irmão e sua irmã.

- O que é se impor pai? Brigar?

- Não, olha... – Marcos senta do seu lado.

Wilker, desce falando ao celular, de touca, jaqueta de couro, e calça rasgada.

Pega uma maça no balcão, e eu acompanhando ele com os olhos;

- Bom dia para você também.

- Bom dia. Vou esperar no carro. – Ele vira as costas.

- Não! Vai esperar aqui.

- Não olha para mim, não falei nada e também estou de castigo.

- Não é culpa minha se estão tendo problemas. – Ele fala me olhando.

- Não estamos com problemas. – Marcos responde.

- Meu pai estava vendo pornô ontem, no aniversário de namoro, isso não é uma positivo.

- Ei, olha a boca, Daniel está aqui. – Falo alto.

- Serio isso? – Nicole pergunta.

Respiro fundo, e digo;

- Não é algo a ser discutido! Não foi nada demais, depois a gente conversa. – Aponto dedo para ele. – Está rindo porque Marcos?

- Me desculpa! Vamos meninos, pega suas panquecas Daniel, come no carro, vamos deixar seu pai aproveitar a folga.... Vamos filha.

Ele sai empurrando e acompanhando os meninos.

UFA!

Dia de folga, a casa só para mim, coloquei um sertanejo no celular, lavei toda a louça, deixei a cozinha brilhando e assim, passando pela sala que fica logo a frente, depois subi, para os quartos. Primeiro o meu, depois o de Daniel, Wilker que demorei mais. Depois Nicole, e os banheiros.

Terminei por volta de meio dia e doze, a Alexia que trabalha comigo, chama para almoçar como sempre em minhas folgas.

Uma das churrascarias que sempre íamos era a “Gramado”, valor relativamente mediano e ótimo serviço. Quando cheguei o manobrista pegou o carro e eu entrei, a recepcionista já me conhecendo cumprimenta;

- Bom dia Doutor.

- Bom dia, Alexia chegou?

- Sim. – Ela diz seguindo a frente.

Sentei cumprimentando a louca, e pedindo um vinho;

- Não vai esperar o Marcos?

- Não, ele está cumprindo uns mandatos, vou pegar uma salada.

- Nossa está com fome em!

- Mulher, arrumei a casa toda hoje, por isso me atrasei. – Me levanto indo ao bufê.

- Você arrumando casa Artur?

- Sim, porque?

- Você odeia tudo relacionado a louças e limpeza. – Ela vem rindo.

O cara da sua frente na fila me olha torto, por ouvir ela;

- Cala a boca, que você é igual.

- Mas eu admito.

- Vamos mudar de assunto?

- Como foi seu aniversário de namoro?

- Pior que o de casamento. Vamos sentar que eu te conto.

Peguei uns tomates, palmito, umas folhas para disfarçar e me sentei, eles trouxeram o vinho, e fui explicando e contando para Alexia sobre a noite.

Alexia é minha melhor amiga, desde os quinze anos de idade, foi minha primeira namorada, hoje amiga.

É uma puta mulher, cabelo volumoso e grande, boca marcante olhos claros, e um belo par de pernas e peitos, o bom de estar em uma churrascaria com ela, é que todos os garçons não deixavam de passar em nossa mesa, o que nos servia muito, muito mais de carnes, sem precisar ficar chamando.

- (...) Porno amigo?

- Alexia era isso ou nada.

- Como você dormiu?

- Eu não sei, ele disse, mas Daniel chegou e não tive como conversar melhor com Marcos.

- E Wilker?

- Me deixando careca! Adotamos o Daniel para voltar a ser uma família, e tentar assim ficamos mais próximos e unidos, foi ideia minha. Amiga eu amo ele, Daniel é minha vida, não é porque ele não tem meu sangue que é diferente, como Nicole. Ela tem o sangue do Marcos, mas eu amo tanto aquela garota, e ela me trata tão bem. Achei que Daniel seria algo para Wilker ficar mais próximo. Mas está acontecendo o contrário.

- Artur lembra o que a agente social disse, Daniel tem que ter o melhor em casa, já foi difícil para adotarem ele, e agora que o pequeno está se adaptando.

- Sim, e dia das mães chegando, to até perdendo sono com isso.

- Nem me fala, minha mãe vem essa sexta, quer um fim de semana com a filha.

- Deus me livre, rsrs. Foi a minha primeira e pior sogra, rsrs.

- Não exagera Artur.

Ela fala seria, mas logo os dois caem na risada.

Depois do almoço, por volta de umas duas horas da tarde, Alexia me acompanhou na escola do Daniel.

Assim ela não precisaria pegar UBER, e a deixaria em casa.

O colégio dele, era um do município, não trocamos ele de colégio desde a adoção, por causa da adaptação.

Bem logo que chegamos, alguns alunos saindo e eu desço do carro;

- Vamos lá amiga. – Fecho o carro.

Ela deixa a bolsa, atravessando a rua comigo, sempre a diretora ficava na portaria controlando a saída dos pequenos, quando cheguei ela disse;

- Oi, boa tarde.... Olha ele ainda está na sala, pode ir. – Ela aponta.

- Obrigado.

Entramos até a sala dele, que me viu e pegou sua mochila saindo;

- Oi. – Daniel me abraça, deixando seus materiais cair.

- Aí meu filho. – Abaixo para ajudar.

Ele beija Alexia, e eu coloco seus cadernos na mochila;

- Pai amanhã não tenho aula. – Ele pega em minha mão para sair.

- Não filho, tem a festa do dia das mães, não tem aula, mas vai vir para o colégio.

- A tia disse que não tem, está na agenda.

- Serio!

Eu parei, ele me entrega a mochila, e olho o tal recado, de caneta e assinado pela professora, um aviso de que não teria aula.

Mas toda a escola decorada para o feriado, e como eu estava mais perto da diretora, fui com o caderno para ela.

- (...) Olha não avisaram, mas não vai ter mais a festa das mães?

- Sim, vai sim, amanhã!

- Mas aqui diz que não! – Mostro o aviso.

- É que é o dia das mães, e não é o caso do Daniel... – Ela fala com um sorriso no rosto.

Ela iria continuar falando e eu puxo o Daniel para trás, e Alexia afasta ele;

- Porque ele tem dois pais não pode participar?

- Não é isso, ele pode, mas...

- Mas aqui diz que não!

- Não achamos que ele se sentiria confortável em uma festa das mães sem a sua mãe.

- Meu Deus, parece que voltei uns quarenta anos. – Falo olhando Alexia, e para ela ouvir. – Festa Junina, Natal, Dia dos pais, ajudamos financeiramente e entre outras coisas, foi enviado dinheiro para essa festa, e me diz que ele é o único menino vetado dessa escola.

- Desculpe Artur, foi um mal-entendido.

- Foi um grande mal-entendido. Mas não se preocupe, ele não vira, pode ficar despreocupada, que não terá que explicar as outras mães o porquê tem um garoto com dois pais juntos. Talvez ele nem volte para estudar! Fique tranquila. Vamos!

Fiquei puto, querendo fazer um barraco, mas não poderia perder a classe com meu filho do lado;

- Pai como assim não volte a estudar? – Ele fala ao atravessar a rua.

- Daniel podemos conversar em casa filho?

- Sim.

Alexia me olha de lado, já entendendo eu estar bravo. Para ajudar ela foi conversando pouco com Daniel, até sua casa, onde acabei enrolando, com ela mostrando a reforma, e depois segui para o mercado.

Durante a semana, Marcos ajuda com a lista, os meninos também, e nas folgas nós compramos o que falta. No supermercado com o Daniel no celular, sentado dentro do carrinho, vou colocando as coisas;

- Que isso?

- Espinafre!

- Eu não gosto.

Eu dou uma risada;

- Filho você come todo dia como não gosta?

- Não como não.

- Daniel, acha que seu suco tem só Kiwi?

- Mas não tem gosto.

- Exatamente, espinafre não tem gosto de nada.... Que mais tem aí na lista?

- Extrato de tomate e acabou.

- Certo, vamos.

Desde a passagem no caixa, e nossa casa, Daniel foi questionando sua alimentação, se escondia algo mais no meio dela.

Chegando em casa, eu paro o carro frente a garagem, pois o Wilker treinava a luta a tarde. Estava quase tornando a garagem seu ringue.

O carro de Marcos estava estacionado, e parei ao lado, com Daniel me ajudando com as sacolas.

Deixamos as coisas na cozinha e Marcos desce as escadas;

- Demoraram... – Ele me recebe com um selinho.

- Estávamos na Alexia! Daniel sobe para o banho, e depois conversamos.

Marcos fica me olhando, esperando ele sair, para falar. Eu tirando as coisas da sacola;

- Aconteceu algo?

- Não faz ideia!

- Não brigou de novo no colégio dele né Artur?

- Escuta eu...

Já iria brigar com o Marcos quando ouvimos um grito, a Nicole;

- PAI! – Foi seco, rápido e bem assustado.

Marcos saiu desesperado, até eu me assustei e corri, subindo as escadas;

- Nicole, que foi? Filha abre a porta. – Ele fala frente ao banheiro no corredor.

Eu apareço no corredor, com o Daniel olhando para fora do quarto;

- Pai?

- Oi filha, que foi?

Ela estava chorando;

- Nicole vou arrombar a porta. – Ele estava muito tenso.

Meu coração acelerado pelo grito me aproximo;

- Artur, cadê ele?

- Oi filha, to aqui.

- Artur preciso de você. – Ela diz ainda chorando.

Quando ela disse eu já sabia o que era;

- Estou aqui também filha. – Marcos diz do meu lado.

- Não, só o Artur! – Ela muda o tom de voz.

- Sai, desce, e você para o banho. – Falo com eles.

- Não vou sair daqui.

- Marcos!

Ele afasta, com raiva de mim, pela forma que falei;

- Nicole está tudo bem! Respira fundo.

- Eles saíram?

- Sim, querida isso é normal, deixe me entrar e te ajudar.

- Ta bem.

- Um minuto, vou pegar minha mala.

- Ta bom.

Vou no meu quarto, peguei um kit que preparei e voltai a bater no banheiro;

- Pode abrir?

Ela abre a porta, ficando escondida atrás dela. Estava envolta a toalha, e com olhos molhados de lagrimas, suas mãos tremulas.

- Calma! Calma! Está tudo bem.

Olho para o lixo e cheio de papeis com sangue;

- Preciso ir para o hospital?

- Não, é super normal. Olha vou te ajudar a se limpar e conversamos ok.

- Tá.

- Entra no box, e fecha a porta, aqui tem o que vai precisar, iria tomar banho? – Aponto as roupas.

- Sim.

- Ótimo, entra.

Ela pega o pequeno kit e entra;

- Você se sentiu diferente durante o dia?

- Não.

Me sentei na privada, enquanto ela se limpava, aproveitei para fazer as perguntas;

- Aconteceu aqui em casa?

- Sim, Artur, eu estava tomando banho, pois as meninas iriam passar aqui, vamos ao shopping. E quando sentei na privada, pensei estar urinando, quando passei o papel me desesperei.

- Sentiu alguma dor?

- Não, nada, como disse foi como urina.

- Ok, Nicole, não tem o que se preocupar. Eu sou homem, não sei como está se sentindo, não sei o que está passando, mas como medico estudei muito. E posso te ajudar o máximo que puder.

- Isso vai acontecer para sempre?

- Ela ocorre todos os meses, até os 45 ou 51 anos de idade querida.

- Vai aparecer muito sangue?

- A média equivale a 2 a 4 colheres de sopa, isso é uma média e forma de eu explicar.

- Não posso fazer mais esportes?

- Nicole é super normal o que está passando, seu corpo vai começar a mudar, de agora em diante, você vai perceber isso. E não é por isso que terá que mudar suas atividades entende?

- Sim.

Depois que ela terminou, arrumamos as coisas e seguimos para seu quarto, expliquei sobre o absorvente, ciclo menstrual, tudo ao meu alcance, e marquei uma consulta com Alexia, que é ginecologista, para o dia seguinte, assim ela ficaria mais tranquila em falar com uma mulher.

Acreditam que quando desci as escadas Marcos nem as compras havia guardado. Ele ficou andando de um lado para o outro;

- E então, como ela está?

- Nicole menstruou.

Ele agiu de uma forma muito linda, ficou calado, e seus olhos falaram, brilhando ele encosta no balcão;

- Meu Deus, não acredito.

- Sua filha agora é uma mulher.

- Nossa filha Artur, nossa filha. – Ele puxa minhas mãos.

Abraço ele;

- Estudei tanto para esse dia, e ela chama você. – Ele sorri.

- Talvez se sentiu mais confortável amor.

- Que acha de eu ir falar com ela?

- Não, dê o espaço, ela ainda está muito assustada, amanhã irei levar para uma consulta com Alexia.

- Ótimo, será que preciso ir?

- Marcos, calma, está mais preocupado que a garota.

- Vou aguardar ela vir falar comigo.

- Ótimo, vou subir e tomar um banho.

Ele ficou guardando as compras, e subi, depois de tomar o meu banho, me vestindo o Marcos entra no quarto;

- Não disse que aconteceu com Daniel, amor!

- Vai ter a festa do dia das mães na escola, e disseram para ele que não vai ter aula.

- Mas nós ajudamos para essa festa, enviei o que pediram na segunda.

- Sim, a diretora disse na minha cara que ele não iria participar porque não tem mãe.

- Está falando sério?

- Com essas palavras!

- Vamos processar ela. O colégio, o município sei lá.

- Se querer fazer algo Marcos é dar na cara dela, isso eu aprovo.

- Falou com ele?

- Não, esperei para te contar, ele não vai gostar.

- Não mudamos ele de colégio exatamente para isso, para amenizar essa mudança na sua vida.

- Vou no colégio do Wilker amanhã, conversar com a diretoria.

- Mudar Daniel de escola no meio do ano vai atrapalhar muito no seu desempenho.

- Temos que ajudar ele.

- Sim.... Vou preparar o jantar.

- Certo.

Ele desceu primeiro, eu passei o meu jaleco e preparei minha roupa do trabalho, e então desci.

Daniel estava ajudando o Marcos na cozinha;

- Filho, falei com o seu pai sobre hoje. – Eu me sento do seu lado.

Do outro lado do balcão, em formato de ilha da cozinha, o Marcos nas panelas, de frente o fogão, olhando a gente;

- Querido eu e seu pai achamos melhor você mudar de escola!

- Daniel os métodos e a forma como é tratado não achamos correta.

- Mas eu gosto de lá. Meus amigos do orfanato todos estudam lá. – Ele me olha.

- Seu pai vai amanhã no colégio dos seus irmãos, conversar e depois você vai conhecer. E sobre seus amigos eu te levo todos os domingos no parque para ver eles, e isso não vai mudar.

- Tá. – Ele diz triste, e cabisbaixo.

Era a atitude certa a ser tomada.

Nicole desce as escadas com um fone de ouvido imensos, com uma música tão alta que escutamos de longe, ela estava aparentemente bem;

- Ei! Nicole. – Marcos grita.

Fazendo gesto com a mão ela tira os fones;

- Oi.

- Não iria sair com suas amigas?

- Não, vou ficar em casa.

- Que está ouvindo? – Pergunto.

- Now United.

- Ata. – Concordo como se tivesse entendido. – Ei, como foi seu dia hoje? – Pergunto ficando ao lado do Marcos.

- Normal, cumprimos uns mandatos, a corporação está com poucos oficiais, e o governo não libera para chamar os concursados.

- É no hospital está do mesmo jeito, faltando gente.

Daniel foi para a sala ver TV, a Nicole se sentou na mesa da cozinha, falando por vídeo chamada com umas amigas. Eu picando uma salada e ele nas panelas.

Wilker entra na cozinha, de bermuda curta, a de treino, boné para trás, e sua garrafa de agua e celular na mão, quando ele entra o Marcos estava me abraçando;

- Hum, se resolveram sobre o pornô?

Marcos sorri, e eu já bravo, deixo a faca na bancada;

- Não é do seu interesse, e não teve nada. – Falo apontando o dedo para ele.

Nicole cobre o microfone do celular, surpresa;

- Você vê toda semana e não sei onde está a graça. – Falo encarando ele.

Wilker fica bravo com o comentário, pois a Nicole começou a rir dele;

- Fica na sua, se comentar isso eu te pego. – Ele fica todo sério.

Abre a geladeira completando sua garrafa;

- Pelo menos ele não dorme na hora errada ne.... – Marcos comenta baixo.

Eu deixo a faca, empurrando as folhas;

- Até quando vai ficar com isso na minha cabeça? Já falei, passei por um plantão de vinte e quatro horas e peguei no sono naquela hora, por estar cansado Marcos.

Os meninos ficam olhando espantados;

- Gente vou desligar, tem DR ao vivo aqui em casa. – Nicole diz no telefone.

- O senhor dormiu no sexo? – Wilker pergunta.

- Não.

- Sim.

Quando Marcos confirma os três começam a rir;

- Meu Deus pai! Que vergonha! – Wilker fica rindo.

- Ei, vamos parar com esse assunto, Daniel está na sala! – Repreendo eles.

Wilker sobe rindo, pelas escadas, a Nicole vermelha na mesa;

- Não precisava falar para todo Mundo Marcos.

- São nossos filhos, todos temos problemas.

- Não foi um problema, acontece!

- Não, não acontece não.

Dia seguinte de plantão no hospital, acordo e vou para o banho, Marcos já havia descido. Me troquei, descendo já pronto.

- Bom dia! Bom dia. – Passo pela cozinha indo a garagem colocar minha maleta no carro.

Wilker de moletom no balcão comendo, Nicole ainda se arrumando e Daniel com o Marcos.

Peguei um café e umas bolachas;

- Escuta vou levar eles e quando sair passo no colégio, tudo bem? – Falo com Marcos.

- Certo.

Cheguei aos pés da escada;

- Nicole te esperando para ir.

- Já vou.

- Wilker para o carro, eu vou levar vocês hoje.

Ele vai seguindo, ela desce correndo, pega uma fruta e vai para o carro.

Gente quase vinte minutos até o colégio, e nada de conversa com esses dois, ambos nos celulares.

Quando chegamos eu desci do carro e os dois olhando;

- Vai onde? – Wilker pergunta.

- Conversar sobre vocês dois com a diretoria.

Nicola saiu para um lado e ele para o outro, eu fui falar com a direção, explicar o caso do Daniel, marcar quando seria melhor trazer ele, e a documentação.

Depois, hospital!

No trabalho me troquei, deixando a pasta no meu consultório, e falo com a secretarias;

- Bom dia meninas, consultas para essa manhã?

- Não Doutor, mas o chefe pediu que ligasse quando chegasse.

- Pode ligar.

Pego o telefone, e ela disca ramal;

- Bom dia Chefe, Doutor Schimmyth aqui.

- Ótimo, Artur, preciso de uma força sua na emergência.

- Mas eu iria olhar meus pós e pré-operatórios chefe.

- Estou com desfalque no setor, cobre essa manhã por favor.

- Beleza.

- Passa seus pacientes aos residentes.

- Certo, vou ver que faço.

Deligo o telefone e as meninas comentam;

- Faltou o responsável da emergência e também da maternidade, o chefe está louco.

- É to vendo. Mande os residentes me procurarem, eu vou pra emergência.

- Sim, doutor.

- Ei, bom dia. – Alexia chega do meu lado. – Bom dia meninas.

- Bom dia doutora.

- Nossa passou a noite na balada foi?

- Estava com preguiça de tirar essa maquiagem, me deixa.

- Ei, preciso de uma consulta essa tarde para a Nicole.

- Aconteceu algo?

- Ela menstruou.

- Ai que fofa! Marcos quase morreu?

- Vou ter que pedir uma consulta para ele também, ficou louco da cabeça.

“- Doutor Schimmyth chamado na Emergência. Doutor Schimmyth...”

- Sou eu. – Pego meus prontuários e sigo ao elevador.

- Almoço ao meio dia? – Alexia grita.

- Pode ser.

A porta do elevador abriu e estava tudo tranquilo no local, cheguei no balcão da emergência;

- Me chamaram?

- Sim, doutor, vítima de esfaqueamento chegando.

- Certo.

Dois dos residentes descem pela escada, correndo até mim;

- Mandou chamar doutor?

- Credo, porque o desespero?

- Desculpe senhor. – Falam ofegantes.

- Os dois ficaram responsáveis aos meus pacientes pós e pré-operatórios, e quero que os tratem muito bem, estão me entendendo?

- Sim senhor.

A equipe de resgate do SAMU entra com um rapaz na maca, e muito muito sangue por todos os lados, ele estava sentado com as mãos apoiadas;

- Oi gente que aconteceu?

- O nome é Paulo 22 anos, batimentos em 100, pressão arterial em 12/9. Respiração em 22, oxigênio em 98 e acesso venoso pronto.

- Tudo bem. Ou Paulo, sou doutor Schimmyth, pode me chamar de Artur. – Dou a volta a maca, e vejo os cortes. – Nossa são bem grandes.

Enfermeiros se aproximam;

- Levem o rapaz para a sala 2. – Pego o prontuário dos paramédicos.

Ele ainda de camisa, mesmo assim os cortes eram grandes e inúmeros nas costas;

- Ok, Paulo uma pergunta importante, está com dificuldade para respirar?

- Não.

- Não. Pode respirar fundo para mim, preciso auscultar seu peito.

Depois pergunto se sofreu os cortes só nas costas;

- Foi por causa de um celular, ele me derrubou e eu não entreguei, fiquei com ele como uma bola de futebol americano, protegendo com me corpo...

Os enfermeiros cortaram a camiseta e era terrível, muitos cortes, muitos mesmo, e muito sangue. Acho que nunca vi tantas lacerações na minha carreira.

Então, colocamos ele no soro, medicação para a dor, e exames laboratoriais básicos. Ainda analisando ele;

- Não tem laceração profunda no pescoço, o que é excelente... – A essa altura o garoto virou atração na emergência. – Porque poderia ser risco de morte se fosse o caso.

- Quem são essas pessoas? – Ele olha para trás.

- Estudantes de medicina, trabalham aqui no hospital. Meninas raio x de toras, preciso saber se não tem um pulmão perfurado com ar escapando, ou uma hemorragia dentro do peito.

Subiram com ele, e eu acompanhei outros casos, direcionando, e encaminhando, passando tarefas, até os exames dele chegarem;

- Normal. Bom Paulo boa notícia, nada na imagem indica uma lesão mais profunda essa parte está boa. Vamos tratar todos os cortes nas costas.

- Vamos começar a fazer as suturas? – Uma interna pergunta.

- O problema não é a profundidade dos ferimentos, é a quantidade de cortes, ele deve ter mais de dois metros de lacerações nas costas.

A solução era encaminhar para o cirurgião de trauma, mas com faltas no corpo de profissionais não era uma possibilidade.

- Não é o indicado, mas quero toda a equipe no caso, os cinco nas suturas.

Quando eu falo isso o paciente me escuta;

- Está falando sério?

- Olha eu não faria isso se não achasse que era a melhor opção para você.

- E se eu recusar os estudantes de medicina? – Ele olha para a equipe.

- Ai infelizmente terá que esperar o turno de outro médico, alguém que tenha tempo para isso, porque tenho um andar de pacientes para atender. Eu acho que essa é a melhor opção para você.

- Tudo bem, espero que seja um bom professor.

Fiz a primeira sutura, com anestesia local, lidocaína, e enfim a sutura.

- (...) podem fazer algumas suturas continuas para os cortes maiores e aí suturas simples, interrompidas para os outros, é tudo muito simples e fácil como vocês já apreenderam.

Foi o caso de uma hora, que deixei eles, e estava atendendo outros pacientes, quando um dos internos chega em mim;

- Doutor Schimmyth. Doutor Schimmyth precisa ver o paciente de trauma agora.

- O que aconteceu?

- Acho que está tendo uma convulsão.

Me levantei e segui rapidamente, porque suturas e lacerações não causam convulsões.

Quando cheguei sua mãe estava lá, e adivinhem quem? Diretora do colégio de Daniel;

- Voce está tratando do meu filho? Que aconteceu?

- Calma, vai ficar tudo bem, tem que esperar lá fora.

- Não vou sair é meu filho.

- Tirem ela daqui. – Falo aos enfermeiros.

Os meninos segurando ele, levaram a mãe, para saber se tinha histórico de convulsões, e não tinha;

- Lorazepam 10 miligramas. – Falo ajudando a segurar ele.

Isso parou a convulsão, mas as suturas não poderiam continuar até saber o que estava acontecendo.

Peguei os exames toxicológicos, mas estavam normais.

- Fizemos alguma coisa errada? – Um dos internos pergunta.

- O que vocês deram exatamente? O que aconteceu exatamente antes da convulsão começar?

Falo olhando nos olhos deles;

- Aplicamos a lidocaína, nos ferimentos, e então suturas maiores com sequência e suturas menores, como o senhor explicou. – Enquanto falavam outro pegou a bandeja com a medicação.

Haviam onze frascos, e várias seringas;

- Ai meu Deus. – Olho para a bandeja. – Estão me dizendo que usaram todos esses fracos de lidocaína nesse paciente?

- A gente demorou muito para suturar, ele se movia e reclamava de dores.

A lidocaína injetável tem uma dosagem máxima de um frasco por paciente adulto;

- Parece que vocês deram a ele cerca de dez vezes a dosagem máxima permitida de lidocaína. Essa é a resposta. Ele está intoxicado.

Eles começaram a discutir entre eles, um jogando a culpa em outro;

- A boa notícia é que a lidocaína, não dura muito tempo, logo perde o efeito em poucas horas. Vão ter punições em relação a isso. Agora vamos levar o paciente para a cirurgia, eles cuidam a partir de agora. Mas antes os cinco vão falar com a mãe dele, e assumirem a culpa.

Que manhã!

Depois do almoço com a Alexia, seguimos para os consultórios, pois a Nicole estava chegando, para sua consulta.

Estávamos os dois na recepção do andar dos consultórios conversando com as secretarias que contavam as fofocas do prédio. O elevador se abre, estava cheio de internos, e na frente, Marcos e Nicole. Ela com a roupa do colégio, por ele ter passo e pegado ela.

E Marcos fardado, de colete e arma na cintura, eu confesso ter um baita ciúmes dele, é meu homem, e convenhamos é muito lindo;

- Boa tarde meninas... Alexia. – Ele a cumprimenta com um beijo no rosto.

Pegando nas mãos das duas garotas;

- Oi Nicole, como está querida?

- Bem doutora. – Ela responde tímida.

- Aqui pode me chamar de tia, ou Alexia, sem problemas ok.

- Certo.

- As meninas vão conversar e vocês vão tomar um café. – Ela puxa Nicole pelo braço, para sua sala.

- Tenho trabalho, qualquer coisa estou aqui. – Aponto para minha sala a frente.

Entramos e ele fecha a porta;

- Amor não faz ideia de quem atendi hoje? – Falo abrindo a persiana.

- Quem? – Marcos tira o colete deixando no sofá.

- Filho da diretora do Daniel, eu não sei ao certo que aconteceu, mas foi feio.

- Ele está bem?

- Sim, vai sentir incomodo para dormir por um tempo, mas nada demais... Escuta porque está tirando a camiseta?

- Para você me examinar. – Ele vem com uma cara lerda.

- Estou no trabalho Marcos, está maluco?

- Eu tenho uns minutos, e já fizemos antes Artur.

Ele me pressiona contra a mesa, e vem beijando meu pescoço;

- Você é louco. – Tento segurar ele.

- Louco por você.

E os beijos esquentando, e mãos dentro do jaleco, mordidas no pescoço.

A coisa esquentando, mais e mais, afastando as coisas da mesa, e ficando ali mesmo, tomando cuidado com o barulho e gemidos.

Acho que foi um dos sexos mais rápidos nosso, rsrs. Ao menos está no topo.

- Viu o que precisávamos era só uns lugares diferentes. – Marcos veste sua calça.

- Aham sei, a próxima vai ser onde? Na rua? Ou no mato?

- Eu diria no carro.

- Vou nem comentar.

Sabem quando você está na casa do namorado ou namorada, e tem que sair do quarto depois de ter rebolado no colo dele, no meu caso do marido. E passar frente aos seus pais, para ir embora.

Abri a porta com as secretarias olhando, a Alexia e Nicole já saindo também;

- Vejo vocês mais tarde. – Falo beijando ele.

Marcos agradece a Alexia e sai com a Nicole, e as três me olhando;

- Que foi?

- Tem um clip no seu cabelo Doutor.

- Obrigado.

Tiro seguindo no corredor, vermelho de vergonha;

- Doutor.

Elas chamam novamente;

- Sim!

- Está usando a calça para cirurgia, mas não tem nenhum marcada para hoje.

- Me confundi.

Desço as escadas rindo sozinho da loucura que eu fiz, e de quanto poderia ter dado errado.

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