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Atração Perigosa - Capítulo 5 - Rato na Ratoeira

~ÍCASO MONTEIRO

DOIS DIAS DEPOIS

Quatro e cinquenta da manhã, sai da minha casa de moto, com equipamentos na mochila e segui para o local enviado pelo Cassio.

Aproximadamente vinte e cinco quilômetros de Curitiba, em uma madeireira abandonada.

Chegando na propriedade afastada consigo ouvir tiros. Depois de abrir o protão e entrar, vejo carros nos fundos, e havia outra moto também.

O portão do grande galpão estava aberto, eu segui de moto, entrando e percebo ter mais pessoas no local.

A direita uma mesa grande, com equipamentos, rapidamente eu vi explosivos e armas. A esquerda alguns veículos, e ao fundo uma sala, to tamanho de um container. Parei minha moto perto da Rayane que estava fazendo algo em um dos caros.

- Fala gata. – Deixo o capacete na moto.

- E ai gatinho.

Me aproximo olhando ela apertar algo com o capo do carro para cima;

- Que faz?

- Estou conferindo umas coisas, Cassio quer dar fuga com essa lata velha. – Rayane bate com a chave no motor.

- Porque?

- E eu vou saber? Tudo partindo desse plano louco dele...

- Que seja, é isso e quero passar anos sem ver vocês. – Dou-lhe as costas, saindo.

- Eu digo o mesmo... Só ver sua bunda já está bom. – Ela olha de lado.

- Trouxe os mapas? – Cassio olha do outro lado da sala.

- Estão comigo. – Me aproximo.

Ele estava com um cara careca, mal encarado, e de cara fechada, com algumas tatuagens nos braços. Chego na mesa, e Cassio joga uma pistola. A viro, olhando dos lados, e comento;

- Smith & Wesson!

- Isso ai. – Ele concorda.

- Excelente pegada. Leve demais para uma "ponto40".

- Excelente pegada? – O careca faz um barulho com a boca. – Tu é gay? – Ele fala pelo meu comentário.

- Sim, mano, eu sou gay. Porque? – Jogo a arma sob a mesa.

Cassio abre um sorriso, e o maluco tem a audácia de perguntar;

- Confia nesse tipo? – Ele se apoia na mesa.

- Confio minha vida a esse cara. E se eu fosse você, ficava na sua, pois eu não encaro ele na mão, e garanto que você também não. – Cassio se afasta.

- Encaro ele no cano da minha menina. – Ele bate na pistola em sua cintura.

- Depois eu que sou o gay. – Abro um sorriso.

Eu, Cassio e Rayane entramos na pequena sala, para acertar umas coisas rápidas. Ele já entra comentando;

- Foi mal... Mas ele tem as melhores e mais baratas armas do mercado... E de fonte confiante. – Cassio se senta. – Que tem para mim Rayane? – Ele encara ela.

- Vou levar uma semana para dar um jeito nesses carros. – Ela limpava suas mãos.

- Tem que ser mais rápido, temos que testar eles. E você?

- Já analisei todo o sistema de câmeras, e segurança do prédio, tranquilo. O que vai levar tempo será o sistema de transito da cidade. Foi atualizado.

- Consegue derrubar? – Rayane pergunta.

- Sim, mas depende de quanto tempo vamos precisar dele. – Olho Cassio.

- Vinte e um minutos.

- Uh! Um momento. – Pego um papel e uma caneta.

Desenho um plano de sequencias para fazer o que ele pediu, os dois ficam calados, me vendo colocar no papel, aquela linguagem até então desconhecida para eles;

- É possível.

- Não senti confiança no que diz Ícaro. – Cassio olha no papel.

- Consigo sem a polícia.

- Não, tente, tente todas as possibilidade.

- Certo. – Eu continuo fazendo minhas anotações.

- Tenho uma notícia quente para vocês. - Ambos olham para Cassio que fica meio sério. – É possível que tenha algo melhor que dinheiro naquela transportadora... O comprador do colar, comentou de um grupo de diamantes, mercado negro que o prefeito participou. Propina meus amigos. – Ele bate na mesa. – Pode estar lá dentro.

Rayane me olha, e pergunta;

- O que está falando?

- Sem mais trabalhos, para o resto da sua vida.

De olhos arregalados encosto na cadeira, sem acreditar no que ouvi.

- Mas temos um problema. Meu informante disse que estão na nossa cola.... Assim como estamos nos preparando, a polícia também está.

- E eles? – Refiro aos caras aí de fora.

- Já trabalhei com eles. Estavam na argentina, chegaram a pouco. Estão desesperados por dinheiro. Não vai custar muito.

- Não é dinheiro Cassio, é confiança. – Rayane diz.

- Relaxa gata, são amigos de infância... – Ele percebe não passar confiança, e olha para cada um. – Confiem em mim, estes são firmeza. Aos trabalhos? – Ele bate palma.

Que os trabalhos comecem!

No decorrer dos próximos dias, foi ali que ficamos, dormimos, comemos e trabalhamos.

Rayane focada nos carros, ela andou tanto neles ao redor da propriedade que praticamente criou uma pista, por onde passava. Focada como ninguém, ela entrava alterava algo nos carros e os colocava para correr. Fazia isso repetidamente, sem cansar.

Já eu montei meu "QG". Computadores, ficava focado, em linhas de comando, Malwares, vírus e mais. Somente no terceiro dia que consegui entrar no sistema de transito da cidade. Depois era fazer o mesmo com o da transportadora. Era como uma formula de matemática, você descobria para resolver uma questão e usava em outras.

Cassio, testava explosivos, armas, preparava a equipe, em treinamentos praticamente de guerra. Ensaios e mais ensaios.

Tudo tinha que ocorrer na mais perfeita sincronia. Era o último, não iriamos mais fazer isso.

~SAMUEL SAMPAIO

Eu desligava meu computador, fechando minha sala, em uma sexta-feira, dia cansativo de trabalho. Quando recebo a ultima ligação.

Com a luz da sala apagada, eu volto, com a mochila nas costas e camisa e mãos;

- Detetive Sampaio, Boa tarde.

- Detetive, Breno! Precisa vir a delegacia da mulher agora.

- Que foi? – Olho para fora da sala.

- Jonathan acaba de chegar com a mãe dele.

- Fica aí, eu estou a caminho.

Sem entender absolutamente nada, peguei um carro da corporação, e segui para a tal delegacia. Juro nem levar em consideração, ligar para meu filho no caminho, e também era coisa rápida, cinco minutos, eu cheguei.

Entrando, a recepção estava vazia, o Breno de pé frente o balcão, e na última cadeira no canto o Jonathan, sentado com Guilherme do lado.

Quando Breno me vê, aponta para meu filho;

- Jonathan, que houve? – Pergunto passando pelas cadeira.

- Minha mãe, pai.

Guilherme se afasta e eu sento ao lado do meu filho;

- Que houve? Cadê ela? – Tiro seu cabelo do rosto.

- Foi o Rodrigo, eles brigaram e ele bateu nela.

Juro a vocês, fiquei segundos em choque;

- Onde está sua mãe?

- Fazendo corpo de delito. – Guilherme responde.

Jonathan estava assustado, tremulo e soando frio, com os pés sob a cadeira, pressionando contra o estomago;

- Filho você está bem? – Foi inevitável.

Ele não respondeu;

- Fala Jonathan. – Guilherme o repreende.

- Não foi nada. – Ele grita com o namorado.

- Jonathan Sampaio o que aconteceu? – Mudo o tom de voz, me impondo.

- Rodrigo deu um soco nele. Jonathan tentou defender a Luiza, Samuel. – Guilherme o entrega.

- Olha para mim. – Seguro os braços de Jonathan. – Nos meus olhos. – Falo mais firme. – O que está sentindo?

- Só uma vontade de vomitar.

- BRENO. – Grito ele.

- Senhor?

- Quero os policiais que fizeram a prisão aqui, rápido.

- OK. – Ele sai entrando na delegacia.

- Vamos, vou te levar no hospital. – Eu me levanto.

- Pai eu estou bem, nada não foi nada demais.

- Jonathan, você é menor de idade, esse homem cometeu vários crimes aqui... Calma. Ele já fez isso antes? – Levo as mãos na cintura.

Meu filho não responde, ele omite novamente, suspiro firme;

- Senhor, foram eles. – Breno chega com os policiais.

- Se prepare, vamos para o hospital agora. – Aponto o dedo para Jonathan.

Me aproximo dos oficiais, os cumprimento, e por causa das patentes, houve uma continência de ambos;

- (...) Descrevam a cena que encontraram... – Me identifico sendo um dos familiares, e pergunto.

Eles explicam tudo com detalhes, e então eu falo;

- Aquele é meu filho e o namorado dele, como contaram, estavam na cena. ele foi agredido, está com dores abdominais, e ainda nem analisei, para ver a gravidade, a mãe dele está fazendo o corpo de delito, o Rodrigo, preso por agressão contra ela. Percebem o que fizeram aqui? – Aponto para meu filho.

- Senhor desculpe, é que, nos estávamos...

- Não há desculpa. Quero uma equipe nos acompanhando no hospital, para seguir com os procedimentos. Já entregaram a papelada?

- Sim.

- Terão que refazer. O que aconteceu aqui chegaram no superior de vocês.

- Desculpe senhor.

Meu filho não tinha nada, mas no hospital foi feito todos os exames, para o corpo de delito.

Conversei com a delegada responsável. E graças a Gian dobrei a proteção de Jonathan e Luiza, mesmo com o Rodrigo preso.

Era um fim de semana de folga, sábado e domingo em casa. Mas foi por agua abaixo quando as sete da noite do sábado, eu estava em casa, quando recebo a ligação da corporação;

- SENHOR. – Caetano grita no telefone.

- Boa noite para você também. – Me sento no sofá.

- Samuel, pegamos eles.

Eu pulei, caindo de pé quando escuto isso;

- Como? – Vou correndo para o quarto, me trocar.

- Invadiram o sistema da transportadora.

- Estou indo, chego em dez minutos. Avise o Gian.

- Sim, senhor.

Acho que nunca sai com tanta presa de casa, peguei minhas coisas, e cheguei em nove minutos na corporação, rsrs.

Foi montado uma força tarefa, para que analisar o sistema da transportadora, foi o que Gian disponibilizou, para tentarmos algo. Eles caíram.

Entrei no prédio seguindo direto para a sala destinada a equipe montada. Que foi improvisada, no nosso andar.

Caetano e Breno estavam na porta me esperando. Aproximo tirando o casaco e entrando;

- Que temos. Boas notícias por favor. – Entramos na sala.

- Kevin, chega ai. – Breno chama um garoto. – Kevin é o responsável pela operação. – Ele nos apresenta.

Eu pego na mão do garoto, de óculos e boné de aba reta;

- Eu estava analisando o sistema de segurança deles, que foi atualizado a pouco tempo. E percebi algo diferente, linhas de comando que não pertenciam a proteção. Então houve um acesso, eu estava acompanhando, fui derrubado em sete segundos.

- Por favor traduz menino. – Gesticulo para ele.

- Invadiram o sistema da transportadora, antes, e fizeram agora a mesma coisa, estão agindo nesse momento.

- Consegue saber onde estão?

- Não. Isso levaria meses.

- Comece, agora.

- Esse não é o seu problema senhor. – Ele fala.

- O que é então?

- Só vi invasões como essa feita por israelitas.

Fecho os olhos gesticulando;

- Está me falando de uma invasão internacional?

- Quem fez isso é mais que profissional. Eles usam servidores de fora, para derrubar sistemas como esses.

- Entendi tudo isso, eles invadiram e derrubaram os acessos, para que?

- Roubaram imagens de segunda-feira passada, e...

- INVADIRAM. – Grita alguém nos fundos.

Gente, esse garoto correu para frente do seu computador, desesperadamente, todo mundo começou a falar. Eu acompanhei ele, mas na tela, se via criptografias em uma tela negra, outros tinha telas verdes, e todos digitando rápido demais.

E de repente, tudo se apaga, todos os computadores, das três filas de pessoas. Eu olho para o Breno assustado;

- Derrubaram a gente. – Kevin fala.

- Sabem de nós? – Pergunto.

- Não, impossível... – O garoto liga novamente o computador.

Breno foi pegar um café, mas pelo jeito, iriamos precisar de pizzas. Passaram mais de cinco horas trabalhando nessa segunda invasão.

O escritório todo apagado, somente a sala de reuniões ao lado da sala de analises, eu, Caetano e Breno sentados comendo pizza.

Então Kevin aparece na porta;

- Descobrimos.

Todos tiramos os pés das mesas, sentando direito;

- Então? – Pergunto.

- Fizeram copias das imagens de segunda-feira como havia dito, e programaram para serem exibidas amanhã, a meia noite e cinquenta e nove.

Olhei para os meninos, e Caetano diz;

- Eles vão agir.

Engoli seco, um frio na barriga e mãos soando;

- Ligue para o Gian. – Limpo minhas mãos. – Bom trabalho garoto. – Bato no peito de Kevin.

Tínhamos, hora e local, era só esperar os ratos virem para a ratoeira que iriamos preparar.

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