• @rgpatrickoficial

Atração Perigosa - Capítulo 3 - "Ponto de Encontro"

ÍCARO MONTEIRO

Saindo da aula de Boxe, estava subindo na moto quando Cássio manda mensagem:

"Ponto de entrega hoje as dez".

Tomei meu pós treino em casa, coloquei uma roupa para fazer Cooper. Sem levantar suspeitas, fui com a minha moto até próximo ao parque. E a partir de lá, segui andando mesmo, sempre atento, com tudo ao redor e todos.

Rayane tomando agua de coco sentada em um dos bancos, ao me ver passar ela segue, mas sem conversar e se aproximar.

Saímos do parque, e seguimos entre as ruas mais afastadas. Frente um pequeno lago em uma rua mais deserta, entramos em uma das fabricas abandonadas. Cassio aguardava por nós lá dentro.

Ele estava com uma mala preta, sob um daqueles tambores de metal industrial gigantes. A gente se aproxima, e ele já retira duas pequenas mochilas de costas;

- Seguinte, aqui tem 1.8 milhões. - Ele bate na mochila. - Ícaro faça sua mágica. – Fala ele me empurrando a mochila.

- Espera, dois milhões para cada não? - Olho ele nos olhos.

- O comprador cobrou por causa da imprensa. - Cassio me olha e depois fala com Rayane. - Estamos perdendo o jeito, e com isso dinheiro.

- Até no fim da semana, os valores estarão nas contas de vocês em Bitcoins. - Jogo a mochila nas cotas.

- Espera quero, uma parte. – Rayane puxa um dos sacos para seu lado.

Eu abro a sacola, e ela pega oito pacotes de notas de cem, e coloca dentro da segunda sacola. Saímos do local, eu e ela juntos, e Cássio sairia minutos depois, só não contávamos com um carro da policia passando na hora;

- Parados, mãos na cabeça! – Sem parar o carro ele estava com a arma para fora.

Levamos as mãos na cabeça, o carro parou e o segundo policial desceu. Só assim o motorista fez o mesmo;

- O que estão fazendo por esse lugar abandonado essas horas? – O mais velho deles fala.

- Estávamos nos divertindo seu policial, sabe né, motel por aqui são todos tão pobrinhos, e uma adrenalina sempre apimenta as coisas não é mesmo? - Rayane pisca.

Eu sou o hacker da turma. Cassio cuida das armas e dos serviços, ele tem os contatos, mas nenhum de nós temos a persuasão de Rayane, ela é nossa piloto, sua especialidade é tirar a gente de encrencas, seja qual for.

Esses policiais! Nos deram uma carona para casa, acreditem ou não.

QUATORZE DIAS DEPOIS

Casa do Ícaro

O apartamento que mais fico não é gigante, um quarto, cozinha americana, decorado com muitas coisas em preto que eu curto muito. Com concreto a vista e ilusão a moveis industriais.

Dia de Reunião: Potes de alumínio com castanha do Pará, Amendoim. Garrafas de cerveja abertas e pela metade ao lado de um saco de batata frita, tudo sob a mesa de centro.

Petiscos, Cerveja, castanhas sob a mesa, onde também havia a minha arma, uma Pistola Glock, para mim a melhor de todas com unanimidade. Já Rayane gostava de algo com mais requinte, ela usava uma SIG Sauer, uma obra prima Alemã a P320. Cassio não fugia do mesmo, ele possuía uma HK, considerada a mais confiante do mundo, ele é meio imprevisível.

Cassio sentado no sofá, de pernas abertas, quase ocupando os três lugares disponíveis, Rayane na poltrona, sentada de lado, com sua garrafa apoiada no braço do móvel. Eu no segundo sofá, encarando e ouvindo ele.

- (...) Estou com dificuldade para colher informações, colocaram um novo investigador, um cara mais novo. - Cassio ascendia seu cigarro. - Sabem como é, quando chega assim quer mostrar serviço. Então pequei um serviço para que possamos tirar um tempo fora de cena. - Ele puxa e solta aquela fumaça para o lado, se aproxima da mesa de centro e diz. - Vamos assaltar a transportadora de valores do Prefeito.

- Primeiro. - Eu me levanto. - Não fume aqui em casa, já sabe dessa regra. - Eu apago seu cigarro. - Segundo... - Aponto para a Rayane.

- Não conseguimos sozinhos Cassio. - Ela limpa o canto da boca que descia gota da cerveja.

- Vou conseguir ajuda. - Ele vira a cerveja.

- Eu estou fora. - Falo rápido.

- Eu também, nem conte comigo. - Rayane se levanta.

Ela segue para a cozinha, indo buscar outra cerveja.

- Qual é meus amigos, estou falando de meses, talvez anos sem trabalhar. E podem confiar, estou estudando esses caras a semanas.

- A sua última equipe teve que ser apagada. Rayane volta sentando. - Porque foram uma merda.

- Relaxa gata, eu cuido disso.

A campainha tocou. Todos nós olhamos a mesa aquele tanto de arma. Foi de automático, os três empunharem suas pistolas.

- Porra Ícaro ta zoando comigo? - Cassio diz baixo.

Me levantei, com a arma em punho, e me aproximo da porta, tentando ouvir algo, e então uma batida de leve. Olho para os dois que estavam apreensivos. Me aproximo do olho magico, mas antes de identificar escuto;

- Ícaro eu vi sua moto, sei que está em casa, abre é o Samuel.

PUTA QUE PARIU!

- Esconde mano. - Falo com Cassio.

Ambos escondem as armas, e Cassio entra no meu quarto. Abro a porta a segurando de lado;

- Oi!

- E aí, cara preciso muito falar com você. - Samuel salta em meus braços.

Ele olha direto a Rayane, que havia descido as alças da sua blusa, e segurava os seios com um dos braços para frente, seu cabelo sob os ombros. Samuel olhou surpreso;

- Ele vai participar Ícaro? – Pergunta ela.

- Não, é... Eu... - Ele gagueja apontando para onde seria a saída. - Vou. - Ele vira as costas saindo.

De cabeça baixa, segue até o elevador, ao pressionar o botão nos trocamos um olhar rápido, quando movimento a porta para fechar.

Fala ele muito sem graça saindo, ao passar pela porta, ele volta a trocar olhares comigo. Tranquei a porta com um único sentimento. Eu errei!

Pois deixei que isso pudesse acontecer, Cassio e Rayane saber da existência de Samuel, era arriscado, ainda mais por ele só andar armado.

Bem ele foi embora, me certifiquei disto, Cássio ficou puto comigo, gritava como se fosse meu pai;

- Já falei, não tive culpa, ele apareceu assim do nada. - Eu apontava para fora.

- Não levamos ninguém em casa para não acontecer isso, cara se toca. Você deve ter umas cinco casas e nenhuma está protegida, é cada um para um macho?

- Me respeita, não sou subordinado seu. - Aponto o dedo em sua cara.

- Mas tem compromisso com a gente. Somo mais importantes do que suas transas. - Ele aproxima falando próximo ao meu rosto.

- Cala a boca vocês dois, e vamos focar aqui... Cássio to fora, não confio nessa de transportadora de valores, é esquema grande demais, e só dá merda. - Rayane amarra seu cabelo.

- Eu vou arrumar a equipe, e os equipamentos, vamos ter outra reunião. - Ele me olha serio. - E espero que sem interrupções dessa vez.


Manhã do dia seguinte

Eu fui até o apartamento de Samuel, ele é o único cara que eu fico assim, para confiar, e não seria das melhores coisas perde-lo.

Mas a questão foi que no quarteirão de sua casa, logo que chegando, um carro de polícia estaciona frente seu prédio, e ele aparece com um distintivo na cintura, e sob sua jaqueta era possível ver o coldre com a arma.

Decidi não me aproximar, mantive distancia, e fiquei com aquilo na cabeça, o porque ele um agente que fica dentro do escritório teria uma arma, e andaria escoltado.

Eu estava atrás de um ponto de ônibus, disfarçado, olhando de longe. Coloquei meus óculos e me viro de uma vez. Foi um reflexo, pois eu bate de frente com um garoto, me assustei na verdade. Os livros que ele estava em mãos foram todos para o chão.

- Cara me desculpa. - Falo abaixando.

Ele faz o mesmo, mas no meu movimento de abaixar esqueço ter minha pistola de lado, e ele olha. Seus olhos não ficam surpresos, ele não esboça indiferença nem na voz;

- Você... Isso é uma arma? – Seus olhos vão da cintura até meu olhar.

Nesse momento de trombar com o coitado, e pegar as coisas, tinha uma turma de garotos a nossa direita, a uns dois metros, rindo da cena, porem eles apontavam para o adolescente;

- Estão tirando uma com sua cara? – Respondo com outra pergunta.

- Sim, fazem isso direto. – Ele junta os livros nos braços se levantando.

- Me desculpa pelo tombo. - Faço um bico com o canto da boca. Ele abre um sorriso timido e segue seu percurso.

Fui na direção dos dois caras, parei frente a eles, que ficaram serio e cruzarão os braços;

- Vai bater em nós também é ceguinho? Ta procurando sua muleta? – O mais gordinho deles, ruivo e alto, diz pegando no pau.

- Não eu já tenho a minha. - Minha mão desce em meu membro, mas volta subindo e levantando a blusa.

Branco todos ficaram. Onde estavam era um tipo de muro, eles só viraram e pularam o lugar saindo.

Minha atenção voltou procurando o garoto e vejo o garoto entrando no prédio onde Samuel mora.

Segui para minha segunda e mais difícil missão do dia. Coloquei uma quantidade de cem mil reais em uma das mochilas, coloquei nas costas, e desci para o estacionamento, subindo em minha moto. Indo em direção a casa da minha mãe.

Ela morava em um conjunto de casas do governo na cidade, o bairro mais pobre de Curitiba. Me lembra muito aquelas casinhas todas iguais do filme "Cidade de Deus".

Não se falávamos mais, eu entrei para essa vida cedo. A primeira vez que a policia me pegou, eu fazia parte de uma "quadrilha de hackers online", roubamos clientes de um banco, na época eu fui o culpado. Dezessete anos, isso desestruturou minha família. Mas ela sempre foi uma mulher clara com suas opiniões.

"Meu filho pode ser o que quiser, e fazer o que quiser, menos roubar e matar". - Era o seu mandamento para mim e minha irmã.

Eu não o cumpri, eu desrespeitei a sua maior ordem. Consequência disso, depois a decisão do juiz, e ser julgado como culpado, fui colocado para fora de casa.

Hoje a Dona Selma sofre de um câncer de mama, que pode surgir efeito com tratamentos e acompanhamentos. Eu posso pagar o remédio que ela quiser, com o medido que ela quiser.

Mas a pessoa que me deu a vida, não aceita um centavo meu para salvar a sua própria vida.

Logo que cheguei na casa bati na porta, minha irmã atende, praticamente pulando em meus braços;

- Ícaro como é bom te ver, quanto tempo. – Ela me aperta.

- Como está Isa?

- Cansada, muito, a mamãe não está nada bem Ícaro. Entre. - Ela dá espaço na porta.

- Ela está no trabalho?

- Sim.

- Sei que ela não me quer aqui, mas trouxe outra quantia... - Tiro a mochila e entrego para ela.

- Ícaro, ela não quer dinheiro, ela quer você de volta, disse que não quer nada que venha desse mundo.

- Escute Isabela, a mamãe precisa dessa grana para seu tratamento. – Seguro em seus braços.

- Não preciso não. – Responde minha mãe entrando. – Não quero você dentro dessa casa garoto, o que está fazendo aqui? - Ela bate a porta.

- Vim tentar ajudar mãe, sabe que tem que fazer aquele tratamento, e...

- E nada. Eu não te criei assim. - Ela joga a bolsa em mim. - Só não te denuncio para a polícia por causa de sua irmã. Você pode ser Gay, mulher ou homem, mas não admito ser LADRÃO. - Ela grita. - Tirar dos outros algo que não te pertence. Acha que é Deus em Ícaro? Ele está cobrando de você, tudo que está roubando, só você não percebe. - Eu já estava ao lado de fora de casa. Com ela gritando e apontando o dedo em minha cara. - E está começando por mim. Depois sua irmã, até chegar em você. Agora vai embora, e não volte aqui sem aquela roupa do corpo que saiu. – Minha mãe bate a porta.

SAMUEL SAMPAIO

Estava no escritório com as provas dos "Justiceiros", eram como nós estávamos chamando-os na delegacia, meio que adotamos o apelido que a imprensa usou.

Eu estava na minha mesa olhando uns documentos das pericias, e entra Caetano meu colega de investigação;

- Está aqui Samuel, cada político e seu bem declarado. - Ele joga o papel e se senta, puxando a cadeira para próximo da mesa.

Peguei a lista e com uma caneta fui riscando os que já tinham sido roubados por eles;

- Nada, sem padrão, sem nexo algum. Não encontro nada. - Empurro o papel para seu lado.

- Tem a transportadora do prefeito. - Caetano olha o papel.

- Errado! - Aponto o dedo para ele. - Primeiro, ultimo roubo foi contra o governador, eles estão tramando coisa maior. Segundo não fazem assaltos com mais de quatro a cinco pessoas. - Eu puxo as fotos da transportadora e termino a frase. - É improvável... Teriam que ter uma equipe muito grande para isso.

- Samuel, é o que temos agora, única coisa de tudo isso. - Ele aponta para as caixas de provas no canto. - Não aguento mais analisar documentos. - Caetano olha para fora, apoia as mãos na mesa, se aproximando e diz. - Parece até alguém da Criminalística que está fazendo esses roubos. Nunca li, ou estudei casos tão perfeitos.

- Vou te contar uma coisa, velho amigo! Nunca, Nunca vai a ver um crime perfeito. Eles caem, sempre, uma hora aparece algo. e quando aparecer, vou estar lá para algemar esse tais, Justiceiros.

- Estuda essa transportadora Samuel. - Ele bate na mesa.

- Gian me coloca em uma cela, se mobilizar a policia de Curitiba para proteger esse local.

Ele sorri e meu telefone chama, até me assustei;

- Samuel!

- É o Gian, pode vir na minha sala?

- Sim, senhor.

Já faço careta levantando, e ajeitando a camiseta;

- Fala da transportadora. - Caetano me entrega a lista.

- Não. - Empurro sua mão.

- Pega logo Samuel, não custa nada ouvir a opinião dele.

Levei o papel comigo, e fui até a sala de Gian. O escritório era muito semelhante aqueles que veem na TV. Muitas mesas, pessoas em computadores e telefone, onde ficava parte dos investigadores de Curitiba.

Eu bato na porta da sua sala entrando, e ele estava no telefone, aparentemente com alguém importante. Gian fica passando a mão nas sobrancelhas quando fala com alguém de patente mais alta.

- (...) Deixe comigo senhor... Estamos todos trabalhando nisso. - Ele bate o telefone.

- O Governador? - Pergunto.

- Querem minha cabeça. Samuel, por favor, me diga que tem algo?

Ainda olho para baixo, o papel em minha mão, não queria desapontar, então;

- Posso ter algo. - Levanto a folha.

- Não senti firmeza alguma nessas palavras.

- Gian. - Puxo a cadeira me sentando. - Não sei mais onde procuro provas, nada, nada se encaixa, nada faz sentido.

- Sempre tem algo.

- Sim, penso como você. Algo chamou a atenção minha e de Caetano... A transportadora de valores do prefeito.

Ele muda a feição, estende a mão, eu entrego o papel, e ele olhando fala;

- Me fala mais sobre.

- Improvável pois iriam precisar de mais pessoas. O ultimo roubo foi com o governador.

- Se vocês estiverem certos, e esses bandidos avançarem contra essa transportadora, podemos ter um dos maiores roubos do pais.

- E se estivermos errados?

Ele solta a folha e volta a encostar na cadeira que fazia um barulho irritante;

- Vamos ser a chacota do pais.

- Que eu faço senhor?

- Continue as investigações, não pare. Olhe trinta vezes tudo se preciso. Mas foque aqui. - Ele bate com o dedo no papel.

- Sim, senhor.

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