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Atração Perigosa - Capítulo 1 - O Assalto

Condomínio Alphaville Graciosa, Curitiba, maio de 2017

ICARO MONTEIRO

Por volta das 00:53h Estávamos no andar de cima de uma das mansões desse cariríssimo condomínio. Eu de frente para o cofre com meu Macbook;

- Quatro minutos Ícaro! – Diz Cassio parado na porta, olhando pela grande janela de vidro. Sua voz também ecoa dentro do meu ponto no ouvido.

Tiro um dos fones, e levanto a máscara respirando;

- Não dá, a acho que mudaram a senha, esse não é o mesmo aparelho que eu treinei Cassio.

- Se vira, não dá para carregar esse mano, pesa meia tonelada. – Ele sobe sua máscara. Tem um minuto e dez segundos. Você consegue.

Voltei com os fones, e apanhando dos códigos, no ponto no ouvido Rayane diz;

- Polícia chegou meninos, temos companhia, estão olhando as casas da vizinhança. – Diz ela.

- Segura aí Rayane, estamos quase lá. – Cassio aperta o fone com o dedo indicador.

- Abre. Vai. Vai. Vai. Vai. – Digo baixo, ouvindo o lacre da porta do imenso cofre abrir, um clique, e a trava é liberada. Viro a grande manivela e me afasto. – Temos 40 segundos antes do alarme, Vai Cássio.

Falo guardando o computador na mochila e trocando as luvas. Fiquei de pé ao lado dele, Cássio tira alguns montes de dinheiro e deixa de lado, documentos e joias, no canto direito em uma caixa de madeira preta, o "prêmio", a razão de estarmos próximo do fim de nossas vidas.

Ele abre confere, seu sorriso assustador me olha, com olhos brilhando.

- É ele, mano é ele. – Diz ofegante.

- Estão se chupando aí dentro? – Rayane grita no ponto! – Tem onze segundos.

Descemos para a garagem, onde ela estava, entramos dentro do porta malas de um carro de luxo da casa, Rayane liga o motor e o grande portão abre, ela estava caracterizada, para sairmos disfarçados.

As ruas escuras e silenciosas do condomínio, só ouviam o som do motor de nosso carro. Foi passar pelo portão principal para mais carros de polícia entrarem.

Um quilometro e meio, ela parou o carro e coloca a gente para fora.

Movimentos sincronizados e calculados, eu vou tirando a jaqueta de couro, virando do outro avesso, trocando as luvas mais uma vez, e Rayane tira a peruca, coloca uns óculos e prende o cabelo. Cassio, tira a máscara que usava como disfarce e coloca um boné. Tudo isso enquanto trocávamos de carro.

Cinco quilometro outra troca, peguei minha mochila e subo em minha moto, saindo cortando giro pelas ruas da cidade, o quanto mais pegar distancia deles, melhor. Ambos fizeram o mesmo, todos se dispersaram.

Peguei minha moto, fui para uma das casas que eu tinha. Para você ter essa vida, precisa de organização e disciplina! Tinha casas para diversas emergências, alugadas e próprias. Uma delas é somente para efetuar a troca de roupas e sumir com algumas provas, nesse caso, roupas, luvas, equipamentos usados hoje, mascaras, essas coisas.

Também tínhamos um ponto de encontro, marcado para 01:17h da madrugada, eu segui para uma das boates.

Desci do prédio, andando até o ponto de taxi, e percebo passar dois carros de polícia em direção contraria. A duas quadras, entro em um dos veículos entregando o endereço.

Frente a boate, com várias pessoas entrando, vou ao segurança, que é um velho conhecido. As pessoas da fila olhando, eu meio que pular os lugares, e coloco a mão no bolso, tirando a carteira;

- Boa noite Ícaro. – Savio, meu amigo estende a mão.

- Boa Noite, mano.

- Ei não precisa mostrar o cartão VIP, entra ai. – Ele abre o cordão.

- Valeu cara. – Entro batendo em suas costas.

Entrei pegando uma bebida, e fiquei no meu ponto, sentado no bar olhando o local que estava lotado, ao passar por todo local vejo Rayane, então deixo meu copo e subo para o camarote privado.

Ele é tipo um quarto, ao entrar ela estava tirando sua arma do coldre, escondido nas coxas;

- Não deixou ela para vir? – Me sento em um dos sofás, com as mãos abertas no encosto.

- Não gatinho, achei que estava sendo seguida. – Responde tirando o salto alto. – Ai que beleza. Onde está Cássio, está atrasado. – Rayane abre a bolsa guardando a arma, e pegando um batom.

- Sempre está. – Digo.

Ele então entra assim que eu me calo e tranca a porta;

- Meus amigos. – Ele coloca a mão dentro do paletó. - Olhem para isso. – Cassio revela a caixa.

Ele a abre e mostra o lindo colar, chamado de cascata de diamante com mais de 100 pedras de diamantes raros.

Rayane pega a peça com cuidado e coloca em seu pescoço;

- Eu usaria ele sem medo. – Ela sobe o rosto.

- Usaria! – Ele sobe o dedo indicador. Pega a peça, voltando para a caixa. - Mas esse não, com a grana que vai ganhar mande fazer uma réplica para você. – Ele o ajeita na caixa. - Seguinte vou fazer a entrega na sexta. – Eu pego olhando de perto aqueles brilhantes. - Então nos encontramos no sábado no lugar de sempre, já entrego a parte de vocês. Agora me deem licença, tenho que levar essa belezinha para dormir. – Volta a caixa para dentro do paletó. – Meus parabéns meus amigos, acho que podemos aposentar.

- Vai ficar essa noite Rayane? – Eu me levanto, ajeitando a camiseta.

- Não gato!

Desci com ela e então despedi, peguei outra bebida, fui ao banheiro, arrumei o cabelo e voltei, sentando no mesmo lugar, meu copo estava quase vazio e o garçom pergunta;

- Outro senhor?

- Não obrigado, já fechei por hoje. – Respondo puxando o copo.

- Duas doses de tequila por favor. – Samuel se senta do meu lado.

Ele de novo, camisa social branca, cabelo com topete alto, a barba por fazer, o relógio de pulseira de couro;

- Que foi? Não recusa bebida. – Seu corpo se vira para o meu.

- Chegou tarde hoje, que foi? – Abro um sorriso.

- Senhor. – As tequilas são postas frente a nós.

- Dia corrido no trabalho, me acompanha? – Ele levanta um dos copos, segura a fatia de limão e coloca sal, e vira.

Eu faço o mesmo, e acabo deixando pouco de sal e limão escorrer no canto da boca;

- Deixa... – Ele passa o polegar.

Bem ficamos conversando um tempo, bebendo e sorrindo, quando resolvi ir embora, Samuel já contestou;

- Mas qual é, nem batemos nosso recorde de hoje. E já vai? – Se refere as bebidas.

- Não posso exagerar hoje, mas depois eu venço você como sempre. – Falo rindo.

- Vamos comigo para minha casa então? – Ele se levantam.

- Não Samuel, não to afim de sexo hoje. – Acompanho ele.

- Não te chamei para transar, vamos dormir! Também estou exausto. – Seu braço envolve meu pescoço.

- Se for assim, vamos.

- Sem sexo. Está igual minha ex. – Samuel fala rindo.

- Vai se foder. – Aperto suas costelas.

Pessoal ele mora perto desta boate, a duas quadras, por isso sempre está por lá.

Seguimos na calçada meio que abraçados, pois os dois estávamos meio bêbados.

Havia um grupo de quatro caras encostados mais a frente, dois fumando encostados na parede e dois de pé, fazendo rima ou algo do tipo, do outro lado um ponto de ônibus, em uma calçada pouco iluminada;

- Fica tranquilo ok. – Samuel usa a mão que estava em meu pescoço e bate sob meu peito, me acalmando.

Foi a questão de eles olharem para nós. Mesmo desviando os olhares, não precisou aproximar para ouvir os insultos;

- E olha os viadinhos aí. Mano mais respeito na quebrada, pelo menos andem igual homem. – O mais alto deles fica em nosso caminho.

- Estamos de boa cara, dá para deixar a gente passar. – Samuel o encara.

Desviamos duas vezes, para a esquerda, e direita, e eles impediram, dois na nossa frente e dois rindo.

- Sai da frente mano, não vamos repetir. – Minha paciência já estava se acabando.

Ele percebeu minha ignorância e veio com a mão para colocar no meu ombro, eu protegi batendo em seu braço, e tirando rapido;

- Ihhhhh! – Olha para seus amigos – Quero ver desviar desse. – O Cara me ataca com um murro de esquerda. Eu desviei e torci seu pulso, com o movimento chutei atrás do seu joelho fazendo ele cair no chão.

Ele deu um grito de dor, pela forma que eu segurava em seu braço, todos se afastaram, o Samuel ficou assim como os outros com a "guarda" armada.

E então uma surpresa. Eu solto o cara, e Samuel levanta a camiseta, mostrando uma pistola "ponto 40", usada mais pela polícia;

- Não querem fazer isso. – Ele encara os outros.

Eles meio que saíram para o outro lado da rua, e a primeira coisa que Samuel comenta;

- Não sabia que um técnico em informática sabia de "Artes Marciais"? Tem os movimentos muito bem treinados Ícaro. – Ele indaga.

- E nem eu que um cara que trabalha no escritório de polícia pode andar armado por aí. – Passo a mão na roupa, tentando mudar de assunto.

- É uma regalia que nós temos. – Samuel chacoalha a cabeça.

- Ok! – Eu então respondo ele. – Meu Pai...

- O que? – Ele interrompe.

- Meu pai me ensinou, Muay Thai, Jiu Jitsu e pouco de Boxe, dizia que tinha que saber me proteger. Acho que deu certo.... – Andando agora mais atentos, fui contando parte dessa história para ele.

O apartamento dele era pequeno demais para tanta bagunça, é grande, mas gente é tanta coisa para todo lado, que você fica louco.

E sim ele foi sincero, tomamos um banho juntos e deitamos, acho que ele também estava bem cansado, pois chegou a acordar atrasado no dia seguinte.

Eu levantei e ouvindo a televisão, fui até a cozinha, de cueca mesmo;

- Atrasado de novo? – Pergunto sentando no balcão, de cabeça baixa.

- Sempre, se não estiver atrasado não me chamo Samuel. Tem café na cafeteira e acho que tem umas frutas ali. – Ele coloca a mochila nas costas. - Tenho que ir. – Samuel me beija. – Sabe onde deixar as chaves.

Aumento o volume da TV;

- (...) Na madrugada de ontem houve um roubo milionário na mansão no condomínio de luxo Alphaville. O colar "Mrs. Winston" de diamantes raros foi roubado de dentro do cofre da mansão, o proprietário da joia não quis se revelar, mas informou que está colocando tudo a disposição da polícia de Curitiba, que até então não possui nenhuma informação do furto. A joia ficou conhecida por ser usada por Jessica Alba, na premiação do Globo de Ouro em 2013 e...

Desliguei a televisão, peguei uma caneca de café, coloquei minhas roupas e fui para casa.

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